Do you remember me?
9 Alguém que me ama
Notas iniciais
Assim como me lembro do dia em que vi Laxus, me lembro do dia em que soube que eles haviam partido. Nunca fui rico e meus pais sempre trabalharam duro para me dar o básico para sobreviver. Lembro do quão feliz e ansiosa minha mãe estava com a promessa de uma vida melhor. Quando eles se foram, o dia estava claro e ensolarado.
Me dando um beijo, tanto minha mãe, quanto meu pai se despediram, antes de entrar em um caminhão que os levaria até a fábrica onde haviam conseguido emprego. Durante o dia de trabalho, uma vizinha, uma senhora muito idosa, cuidaria de mim. Esse era o combinado
Não passou do meio dia, quando alguém voltou, procurando por mim. Um homem vestido de preto e um semblante terrivelmente sério me chamou, anunciando, como alguém que conta uma história, que uma explosão ocorrera e meus pais estavam entre os mortos. Eu tinha nove anos ...
O mundo parou de girar naquele momento. Um peso enorme caiu sobre mim, me esmagando juntamente com minhas lágrimas que pareciam pesar, uma a uma. Eveline, a senhora que me adotaria depois disso, caiu de joelhos no chão em prantos e sem saber o que fazer, fugi de volta a minha casa ao lado, gritando por meus pais ao abrir a porta. Não queria acreditar, não conseguia. Cai de joelhos no chão ao chegar no cômodo inacabado, onde dormia juntamente com os meus pais. Lágrimas e gritos foram o questionamento da minha alma, mas o silêncio foi a minha resposta.
–x-
Minhas lágrimas se fundiam a água do chuveiro. Uma vadia. Era isso o que minha existência significava para ele. Eu gostava tanto dele e durante a vida, tivera tanto sonhos e devaneios onde me declarava, mas agora estava ali, ferido e sendo usado como um objeto sexual.
Soluços e mais soluços. Minhas lágrimas embaçavam minha visão, me deixando com dificuldade para lavar meu corpo. Lavei meu cabelo o mais rápido que pude e saí do chuveiro, pronto para me vestir. Usei uma pomada nas feridas, tanto no corpo e a específica para assadura nas nádegas. Não conseguia parar de chorar. Vesti um conjunto de moleton, arrancando a etiqueta da roupa nova, depois de vestir minha cueca. Não tive ânimo para passar creme no corpo e quanto ao cabelo, apenas passei o pente, antes de secá-lo com a toalha. Desesperado para sair dali, coloquei o cartão e o celular no bolso, antes de abrir a porta do quarto.
– Aonde você pensa que vai?
Sequer coloquei os pés para fora do quarto e fui questionado. Usando uma calça de moleton, Laxus estava sentado no sofá em frente à tv, assistindo ao telejornal. Seu olhar era desconfiado e ele tinha o controle remoto em mãos.
– E-eu queria sair para comer ... – menti, movendo meus olhos para o chão. Dentro do bolso sentia meu celular vibrar, provavelmente Dave estava confirmando sua chegada à Praça Central, local onde havia combinado de nos encontramos. Depois das minhas mensagens, ele havia ficado ainda mais preocupado que já estava.
– Mentira. – eu não sabia dizer se realmente era um péssimo mentiroso ou se ele tinha algum tipo de detector de mentiras. – O que pretende fazer?
Ele ficou de pé e veio em minha direção. Eu iria apanhar de novo? Senti vontade de correr, mas o medo me paralisara. Logo ele estava a minha frente e tinha um braço barrando meu caminho.
– Por favor Laxus, eu não farei nada errado. – respondi, tentando ao máximo não chorar mais.
– O que está escondendo? – ele questionou, demonstrando que estava ficando irritado. – Levante a cabeça e olhe para mim.
Era doloroso. Tanto me entregar a ele, ser ferido, mas nada se comparava a ver a pessoa que eu amava me assustando tanto. Em poucos dias, ele já me deixara totalmente amedrontado com sua presença e ver aqueles olhos tão cinza quanto os resquícios de um incêndio, tinha a impressão que minha alma seria carbonizada pouco a pouco, até o fim daquele contrato.
– Vou perguntar de novo e pela última vez ... – ele fechou o punho na parede. – Aonde você vai?
Mentir era inútil, eu sabia. Mesmo que o convencesse ali, depois ele acabaria descobrindo. Respirei fundo e mesmo com medo de apanhar, acabei por criar coragem.
– Vou encontrar com meu amigo...
– Dave Cartland?
– Sim...
Eu já estava me preparando para apanhar, mas sabia que desabaria se isso acontecesse. Meu corpo estava cansado e sentia meus olhos mais sensíveis depois de derramar tantas lágrimas. Estava um trapo, tanto fisicamente quanto psicologicamente. Minhas mãos estavam no peito, como se protegessem o meu coração, a qual se despedaçava a cada ato do homem a minha frente.
– Você é tão ingênuo. – ele gargalhou. — Assim que ele te levar para a cama, nunca mais vai querer saber de você.
Lágrimas que eu acreditei não possuir mais, pinicaram em meus olhos. Meu coração bateu mais forte, me fazendo sentir uma pontada de raiva.
– Ele não faria isso ... – mesmo com raiva, controlei meu tom de voz, pois sabia que só pioraria a situação se gritasse.
– É mesmo? – ele riu.
– Ao contrário de você, ele gosta de mim.
Arregalei os olhos depois de dizer isso, mal acreditando no ponto que minha raiva chegara. Pensei que levaria um tapa e abaixei a cabeça, batendo minhas costas contra a parede ao dar um passo para trás. Houve silêncio e Laxus corrigiu sua postura, antes de dizer algo que me doeu mais do que qualquer ferida em meu corpo.
– Você tem razão. Eu jamais amaria uma vadia oferecida como você.
Um suspiro e duas lágrimas escaparam dos meus olhos. Movi meus olhos de encontro aos dele e senti meu coração afundar no peito ao ver seu olhar enojado.
– Vá ... mas esteja avisado que se fizer algo com aquele cara a multa será o menor dos seus problemas.
Me dando as costas, ele subiu para o segundo andar em passos pesados. Fiquei um tempo parado, questionando a mim mesmo se deveria fazer aquilo, mas acabei por decidir. Corri até a porta e sequer hesitei antes de abrí-la. Com todas as forças que tinha nas pernas, corri até o ponto de ônibus, tomando um ônibus para o centro e correndo para fora dele quando cheguei ao meu destino. Meu coração batia forte no peito. Precisava de alguém. Alguém bom que consolasse naquele momento. Corri em meio a uma multidão que preenchia as ruas naquela noite, gritando por Dave ao vê-lo de costas. Meu coração batia forte e sequer lembrei da minha timidez ao me jogar em seus braços.
– O que houve? – ele questionou, acariciando minha nuca devagar, antes de afastar meu corpo. Vi seu olhar preocupado se intensificar ao ver que eu chorava.
Novamente o abracei e afundei a cabeça em seu peito. Minha alma, coração e corpo estavam lacerados, feridos. Precisava de um abraço. Precisava saber que não estava sozinho e tudo que precisava naquele momento era de uma pessoa que realmente gostasse de mim.
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