Do you love me?

7 Chapter VI – Between the castle's walls


Notas iniciais
Desculpem a demora. Vocês já devem conhecer aquela combinação irritante de falta de tempo e bloqueio criativo. Mas, enfim, o capítulo está aqui. Queria poder dizer que o próximo não vai demorar tanto, mas vou viajar nesse fim de semana, e semana que vem tenho provas de segunda à quarta, então não vai dar pra escrever. De qualquer modo, farei o possível por vocês sz Boa leitura (:

Rapunzel acordou ofegante e com a cabeça rodeada de perguntas, todas elas sem resposta. Quem é Jack? Quem é Elsa? O que houve? Por quê? Ela estava desconcertada. Decidiu deixar pra lá e acreditar que foi apenas um sonho. Afinal, era isso mesmo. Ela ainda estava ali, em sua cama, da mesma forma que fora dormir. Não havia saído do quarto, ela tinha certeza.

Só agora ela percebera que à frente de sua cama havia um manequim, onde estava um vestido pomposo. Era rosa, longo e tinha mangas que cobriam até o antebraço. O decote e o fim das mangas eram decorados com rendas brancas. Havia também um colar, aparentemente de ouro, com pedras cor-de-rosa. Tinha certeza de que aquilo não estava ali ontem. Seria dela?

Rapunzel levantou-se e tocou-o. Macio. Seda. Era realmente muito bonito, vesti-lo era tentador. Então, percebeu que no chão, ao lado do vestido, estavam sapatos fechados e de salto, de cor um pouco mais clara que o vestido. Decidiu que usaria a roupa. Afinal, só havia ela ali mesmo... Bom, era o que a loira esperava.

...

Ela estava sentada de frente para a penteadeira, colocando os brincos que havia encontrado ali. O mesmo barulho estranho da noite anterior estava presente agora, e isso a incomodava tanto como atiçava sua curiosidade. Rapunzel olhou para os lados, tentando descobrir de onde vinha aquele som. Assim que voltou o olhar para a penteadeira, encontrou um animal pequenino que se camuflava junto à madeira.

“Olá camaleãozinho.” Rapunzel disse sorridente. O bichinho olhou para ela e voltou à sua cor normal: verde. A garota então apontou para a boneca de pano que ainda estava na penteadeira. “Foi você quem fez isso?”

O animalzinho negou com a cabeça e apontou para a cama. Rapunzel arqueou uma sobrancelha e levantou-se, indo até lá. Ajoelhou-se e levantou o lençol, vento mais animaizinhos saindo dali de baixo e correndo pelo quarto. Ela riu. Eram pequenos e cabeçudinhos, brancos e cheios de manchinhas castanhas. Assemelhavam-se a filhotes de cachorro tamanho PP.

“Ah! Então vocês fizeram juntos, uh?” todos, incluindo o camaleão, assentiram enquanto formavam uma fila. Rapunzel deduziu que tivesse no mínimo dez daqueles animaizinhos estranhos. “É linda.”

Rapunzel tornou a levantar-se e espanou o vestido enquanto abria a porta. Os ‘cãezinhos’, acompanhados do pequeno camaleão, correram porta a fora, como se pedissem para que a garota os seguisse. Esta obedeceu. Partiu a correr atrás deles, segurando o fôlego.

“Ei! Voltem aqui! Não vou machucar vocês” ela os chamava.

A garota agarrava seu vestido, levantando-o o suficiente para não tropeçar em todo aquele pano, apesar de os saltos também não ajudarem muito. Rapunzel ofegava, dando largas passadas e tentando controlar a respiração. O que os pequeninos queriam mostrar-lhe? Era mesmo tão urgente, a ponto de não deixá-la ao menos tomar seu café da manhã?

Já estava a ponto de desistir. Parecia ouvir seus pés implorarem para que ela parasse. Foi quando ela se viu diante de uma enorme cortina vermelha.

“Ah...! É isso?” Ela indagou, observando seus novos amigos, que a encaravam com seus enormes olhos amendoados. “Uma... Cortina. Certo.”

A loira soltou um suspiro. Levantou o braço hesitantemente, ponderando sobre seu próximo movimento. Sem mais dúvidas, agarrou a ponta da cortina, sentindo a curiosidade consumir seu corpo. Macia e gelada. Fechou os olhos, respirou fundo e puxou o pano com força, por conta do peso. Então, tornou a abrir os olhos.

“Parede.” Disse para si mesma, decepcionada.

Parede. Pedras ásperas, grosseiras e retangulares, sem nenhuma simetria. Sua cor era o que mais chamava a atenção da loira, apesar de ser algo tão comum. Eram de um tom azul, próximo do cinza. Alguns pontinhos brancos aqui e acolá as faziam parecerem mais brilhantes à luz que entrava pela janela. Chegava a lembrar as paredes de um dos parques da cidade. Rapunzel sorriu por um momento. Talvez nunca mais pudesse voltar àquele parque, mas era uma escolha sua.

“Foi minha culpa.” Ela afirmou como um mantra. Aquele era seu novo mantra. “E meu pai não deve pagar por algo que eu sou responsável.”

Voltou a olhar para os pequenos, que continuavam a encará-la.

“Hm. Eu sei que vocês me trouxeram aqui com a melhor intenção de todas, acreditem. Mas não há nada aqui!”

Após ouvir a afirmação da garota, o camaleão fechou a cara.

“Garota tonta” ela parecia ler nos olhos do animal.

Rapunzel alisou o vestido e encarou novamente para a parede. Estreitou os olhos e tocou uma das pedras com a mão esquerda, deslizando-a pelas outras. Uma delas se sobressaía. Cuidadosamente, forçou o grande bloco para trás, e este se moveu. A loira soltou um grunhido de susto e afastou-se, observando os blocos de pedra se separarem lentamente e a parede se abrir. Uma biblioteca!

O camaleão avançou cômodo à dentro, seguidos pelos cãezinhos, que tropeçavam nas próprias orelhas longas. Um enorme sorriso tomou conta do rosto da garota. Não havia nada no mundo que ela gostasse mais que ler. Rapidamente ela seguiu os amigos, admirando as estantes douradas repletas de livros.

Então, a parede se fechou atrás dela. Uma sensação de pânico tomava conta de seu peito, até que ela avistou uma porta branca como mármore quase escondida. Correu até ela e abriu-a lentamente. Dava no que parecia ser o jardim do castelo. Já aliviada, Rapunzel fechou a porta e tornou a olhar as estantes, maravilhada com a grande quantidade de livros. Teria diversão por um bom tempo.

...

A garota chegou às pressas ao hall do castelo. A mesa já estava posta, e a Fera estava à sua espera.

“Está atrasada.” Resmungou.

“Não entre no meu quarto.” Ela rebateu, lembrando-se do vestido que agora usava.

“Eu lhe o que vestir e você me agradece desta maneira?”

Rapunzel não respondeu. Apenas sentou-se e pôs-se a comer. Esta noite estava realmente com fome; havia passado o dia todo na biblioteca.

A Fera observava a garota inexpressiva. Isso a deixava incomodada.

“Não vai comer também?” Indagou.

“Você não gostaria de me ver comendo.”

A loira calou-se e voltou a comer. Mil coisas se passavam por sua cabeça, enquanto ela tentava espantá-las. Sentia saudades de casa. Saudades de seu pai, de seus irmãos, do campo... Ter tudo de volta era seu maior desejo.

“Jantamos as sete em ponto.”

“Hum?”

“Estúpida.” O desprezo transbordava da voz grossa. “Disse que jantamos as sete em ponto. Todos os dias.”

Rapunzel assentiu com a cabeça. O melhor a fazer era concordar, afinal de contas.

“Arrogante.” Resmungou. “Não me admira que viva sozinho.”

[...]

Notas finais
Reviews?