Do you know why?
1 Capítulo único - Freedom
Notas iniciais
Enfim, a maioria nem vai lembrar da minha existência anterior aqui (e eu particularmente prefiro assim). Vamos ao novo começo de tudo, não é?
Bem, essa foi a minha primeira fanfic de KPop oficialmente e, com certeza, eu utilizaria o meu amadíssimo OTP, JiHope ♥
Gostaria de agradecer a Groselha e a Hopie, que foram as primeiras pessoas a lerem e incentivarem a minha volta aos sites de fanfiction~ Também agradeço à Hopie pela capa lindinha que fez para Dykw?
Espero que gostem~
Mais um dia... Mais um dia que os pequenos olhos castanhos acompanhavam o ensolarado dia de primavera por aquela pequena janela. Ela não tinha trancas, nem mesmo algo que fizesse possível a abertura da mesma, só estava ali para que pudesse sentir o que era o sereno gosto dos dias que se passavam, das estações que mostravam suas cores características quando chegavam. Era a única maneira de fazer com que se sentisse um pouco mais... Livre.
Os pequenos olhos, que observavam uma pequena borboleta que parecia brincar com as poucas flores do lado de fora, pertenciam a um garotinho. Ele não tinha muita idade, tinha seus sete, quase oito anos, mas já sabia de muitas coisas. Que durante a primavera as flores ficavam muito mais bonitas, que quando a lua brilhava no céu era hora de dormir, que quando o ponteiro pequeno apontava para o dois era hora dos médicos virem, que eles não podiam entrar no seu quarto sem aquelas roupas estranhas... Ele também sabia que não podia sair dali, mesmo que não soubesse a razão.
Todos os seus dias eram a mesma coisa, as únicas lembranças que tinha pertenciam àquele quarto, que tinha as paredes de vidro, uma única cama e tantas coisas nele, que mal conseguia entender para o que serviam. Ele sabia que alguns machucavam quando os médicos queriam e outros faziam um barulho esquisito, mas nada além disso.
Ele mal falava, e quando o fazia era com médicos, seus pais e, na maioria das vezes, sozinho. Sim, ele era sozinho. Extremamente sozinho. Os pais quase não o visitavam no hospital e ele não via crianças da sua idade. Não que ele não quisesse, mas todos diziam que ele não podia. Provavelmente por causa do quarto...
Desceu com dificuldade de sua cama, que era um pouco alta demais para ele. Ele gostava da sensação de sentar no chão, próximo a parede do quarto, para que pudesse ver algum filme qualquer que estivesse passando na TV que foi colocada não tão longe dali. De vez em quando via algumas crianças passando e nos seus sonhos esperava poder ser igual a elas. A TV estava tão desinteressante que se perdeu em sua imaginação, se vendo do lado de fora aproveitando aquele dia de primavera tão bonito...
Ele se distraiu de tamanha forma que mal percebeu a proximidade de um garoto menor, que agora o observava admirado. Outra criança naquele lugar? Era a primeira vez que via alguém que estava ainda "preso" ao hospital. Apertou a girafa de pelúcia contra seu peito e se aproximou a pequenos passos, tentando disfarçar as diversas vezes que sua perna esquerda falhava.
—Ei... — A voz infantil invadiu os ouvidos do mais velho, que voltou o olhar para o garotinho. — Oi! — Ele acenou, um sorriso muito pequeno se formando nos seus lábios.
—Ahn... Oi? — Não sabia como lidar com a situação. Ninguém nunca havia falado com ele. Não daquela idade. -É... — Logo o menor estava sentado contra a parede de vidro de seu quarto.
—Meu nome é Jimin! Park Jimin! — A voz do menor era levemente irritante, mas ainda assim fazia com que parte do seu coração se aquecesse. Um amigo, afinal? — E o seu?
—É... Jung Hoseok... — Coçou a própria cabeça, desviando o olhar do garoto.
Aquilo era muito estranho... Era pra ser assim mesmo? Ele não sabia. Não sabia como se comunicar com o garoto, não sabia se devia falar com ele... Não sabia como pedir que ele ficasse mais pouco quando a enfermeira o chamou pra ir pro quarto dele, pegando-o no colo e o carregando pra longe... Bem, nem tudo que era bom durava muito.
Mas ao contrário dos pensamentos dele, o mais novo voltou no dia seguinte. A mesma girafinha em seus braços, o cabelo ajeitadinho do mesmo jeito... Mas tinha algo estranho. Ele andava diferente. Ele mancava e parecia que tinha muita dificuldade em movimentar sua perna esquerda, que por mais estranho que seja, parecia menor que a outra. Mas isso não parecia um empecilho para ele, que dessa vez que aproximou de seu quarto com um sorriso largo no rosto. Tão largo que seus olhos quase desapareciam. Hoseok sorriu de volta.
—Você voltou? — O mais velho parecia estar cheio de alegria.
—Por que não voltaria? — Hoseok sentiu seu peito praticamente vibrar. — Você não saiu daí?
—Não... — Hoseok bateu de leve na parede transparente. — Eu nunca saio.
—Por quê? — Jimin inclinou de leve sua cabeça, não tirando os olhos do mais velho.
—Eu não sei... — Olhou em volta. Ele nem ao menos sabia por que estava ali... — E você? Por que 'tá aqui?
—Aqui? Porque a mamãe trabalha aqui. — Ele sorriu mais uma vez. — Mas também porque minha perna esquerda é esquisita.
—Esquisita?
—Sim! — Ele se apoiou na perna direita, ficando reto. A outra perna era realmente menor. — Essa perna é pequena igual eu. — Ele riu, voltando a se equilibrar com a outra perna no chão. — Mas me falaram que se eu usar uma bota eu vou ficar legal.
—E por que não usa? — Hoseok sentou-se no chão, vendo Jimin fazer o mesmo em seguida.
—Porque mamãe me disse que a gente não tem dinheiro pra comprar agora, mas ela disse que logo ela vai me dar. — Ele se aproximou mais do vidro que os separava. — E a sua mamãe? Ela não pode comprar nada pra que você saia dai?
—Não... — Abaixou a cabeça, olhando para os próprios pés. — Eu acho que vou ficar aqui pelo resto da vida... E a minha mãe quase nunca vem me ver, então...
—Ei, posso vir todos os dias! — Os olhos do mais velho foram de encontro aos do menor. — Eu venho pra cá todos os dias, ai posso ficar com você. Ai a gente descobre como você pode sair dai. Ta bom? — Um sorriso lindo tomou conta do rosto de Hoseok.
—Ta bom!
E os dias passavam e tudo se repetia, Jimin aparecia quando o ponteiro menor apontava pro três e ficava lá até que sua mãe aparecesse e o levasse pra casa, ou para o quarto do hospital em que ele ficava de vez em quando. Hoseok agora tinha um amigo que o visitava todos os dias e não falhava por um momento sequer em colocar um sorriso em seu rosto. Jimin era o sol das tardes de primavera e Hoseok as flores, que se deixam banhar por tudo o que o sol lhes trazem. Hoseok não passava mais um dia sem Jimin, e muito menos o menor o fazia. Eles haviam se encontrado por um motivo maior, e não queriam ir contra esse motivo.
E os dias se transformaram em semanas e as semanas em meses.
—Hobi! Ei, Hobi! — O menor pulava, chamando o amigo pelo apelido.
—O que foi Jiminie? — Ele sorriu para o garoto, que mesmo com dificuldades, pulava feliz da vida.
—É o seu aniversário! — Ele se aproximou da parede, colocando sua mão para que Hoseok fizesse o mesmo do outro lado. — Parabéns!
—Obrigado Jiminie! — Ambos se olhavam, sorrisos enfeitando os seus rostos e as mãos pareciam conectadas através do vidro.
—Ei, Hobi...
—O que foi?
—Eu te amo!
Amor? Hoseok lembrava que sua mãe tinha lhe dito uma vez que quando você fala "eu te amo" pra uma pessoa, era porque a pessoa era realmente especial pra você e que você nunca gostaria de perdê-la. Ele sentia isso por Jimin, então ele o amava. Sim, ele o amava, e muito. Seu coração parecia se aquecer cada vez que ele via o pequeno e ele gostaria de um dia poder fazer aquilo que eles sempre faziam através da parede sem ela para os atrapalhar. Uma vez ele perguntou para seu pai a razão de sempre andar de mãos dadas com sua mãe, ele o respondeu que era porque ele realmente a amava e queria ficar sempre conectado com ela...
—Ei, Jimin? — O menor voltou o olhar para ele.
—Pode falar!
—Quando eu sair daqui vamos andar de mãos dadas? — Ele sentiu um leve formigar em seu rosto. O que era aquilo?
—Igual à mamãe e o papai? — Ele disse surpreso, recebendo um pequeno sim de Hoseok. — Sim! Vamos! Eu quero andar de mãos dadas com você!
Era interessante ver as promessas, as expectativas... Não, interessante não. Era bonito. Os dois tinham tanta esperança, tinham tanta vontade de saber das coisas, das razões de tudo aquilo, que a cada dia era uma coisa diferente. Eles tinham maneiras diferentes de ver essa história acabar, em todas os dois estavam com as mãos dadas, andando pela praia e sentindo a água gelada do mar e o sol quente do verão.
—Hobiiiiiii! — O garoto apareceu como um relâmpago, correndo entre os corredores.
—Você 'tá correndo Jimin? — Hoseok não podia fazer nada mais além de sorrir e então limpar as lágrimas que se formaram em seus olhos, sem que percebesse.
—Mamãe comprou a minha bota Hobi! Agora eu 'to andando normal! — Ele mostrava a pequena bota como se fosse o maior prêmio da sua vida.
Mal sabia o pequeno que a bota não seria de muita ajuda, e o descobriu somente no dia em que foi levado para uma cirurgia para correção de seu quadril. Nem naquele dia, e nem nos próximos, ele apareceu para ficar com Hoseok, e pela primeira vez ele se sentiu sozinho.
Mas antes mesmo que pudesse ser engolido pela tristeza que começava a tomar conta de si, pelos dias que o garotinho tinha desaparecido, durante uma noite mais fria, porque o inverno estava para chegar, o pequeno apareceu tarde da noite. Hoseok acordou com as batinhas no vidro e a voz familiar. Ele tinha uma das pernas engessadas, mas o sorriso continuava grande ao ponto que fazer seus olhinhos desaparecerem. Antes mesmo de Hoseok dizer algo, ou ao menos perguntar onde esteve, ele fez um pequeno sinal com a mão e desapareceu uma vez mais.
Para sua surpresa, foi uma questão de poucos minutos para que, do nada, o garoto estivesse dentro do seu quarto de vidro. Era a primeira vez que ele o via tão de perto, que ele sentia de verdade sua presença e o cheiro de perfume infantil.
—Eu disse que ia te tirar daqui. — O menor disse, pegando na mão de Hoseok e o levando para fora daquele lugar.
Era tão tarde que não tinha nenhum médico naquele andar, e ninguém podia ver os dois andando pelos corredores, atrás de uma saída. Mas eles não necessariamente precisavam da saída naquele momento... Os dedos entrelaçados, saber como era tocar alguém de verdade pela primeira vez... Hoseok não sabia o porquê, mas aquela era a melhor sensação do mundo, e com Jimin parecia que era tudo mil vezes melhor.
—Ei, posso fazer uma coisa? — Jimin tinha parado no meio do corredor, agora de frente para o maior.
—Claro! — Ele sorriu, pela primeira vez se sentia livre e vivo.
O menor se aproximou, tentando ficar na ponta do seu único pé livre, e então encostou os seus lábios com os do mais velho. Foi algo muito rápido, questão de segundos, mas o suficiente para que ambos sorrissem um para o outro.
—O que é isso? — Hoseok perguntou, o sorriso nunca esvaindo de seu rosto.
—Eu tava vendo um filme e as duas pessoas fizeram isso. Mamãe me disse que isso é um selinho, e que a gente só pode dar um desses pra alguém que a gente ama muito... E eu te amo muito.
Ele sorriu inocentemente, porque ali, naquele amor, não havia malícia. Não havia nem sequer uma mancha de maldade, era puro, era verdadeiro... Era real. Os dois amigos se amavam por tudo o que eram um para o outro. E com as mãos dadas, os dedos entrelaçados e a sensação do rápido selinho entre ambos, eles continuaram seu passeio pela liberdade, sendo que vez ou outra por causa das dores que o menor sentia, Hoseok pegava-o no colo...
Era o primeiro dia de inverno, aquele hospital parecia mais gelado do que o normal. Jimin acordou em seu quarto, e sorriu ao lembrar do que tinha acontecido no dia anterior. Ele iriam repetir esse passeio mais vezes, ele queria fazer aquilo pelo resto de sua vida. Levantou-se com dificuldade e decidiu ir ver o amiguinho por uma vez mais. Ele nem se deixou incomodar pela movimentação anormal naqueles corredores, mas ele abraçava sua girafinha de pelúcia, dizendo o quanto amava Hoseok.
Quando chegou no quarto, ele viu a porta que sempre estava fechada agora aberta. Será que eles tinham deixado Hoseok ser livre de vez? Mas antes mesmo de pensar em entrar, uma maca saiu dali, apressada. Viu que seu amigo não estava no quarto e então decidiu seguir silenciosamente os médicos. Ele viu duas pessoas abraçadas, chorando, e se perguntou o que tinha acontecido.
No fim, os médicos deixaram o quarto em que estavam com a maca e Jimin pôde entrar sem que eles percebessem. Ali, deitado, estava Hoseok dormindo. Com um sorriso enorme no rosto, ele se aproximou, sentando-se do lado do amigo.
—Ei Hobi, vamos! Eles deixaram você sair! Vamos brincar mais um pouco!
E o silêncio cruel foi a única resposta que teve.
—Hobi, vamos! Para de ser preguiçoso, acorda! — Ele pegou no braço do amigo, e sentiu o quão frio ele estava. — Você deve estar morrendo de frio! 'Tá gelado demais, eu vou te cobrir mais um pouco!
Mas o silêncio do outro continuava. Tinha algo errado.
—Hobi... Você não gosta mais de mim? Por que não me responde? Vamos, fala comigo! — E mesmo chacoalhando o amigo, ele não respondia. Ele não acordava. — Hobi... Por favor, fala comigo. Por favor. Não me deixa sozinho de novo...
E aos poucos o seu sorriso desapareceu, dando lugar às lágrimas frias que desciam pelo rosto do menino. Ele abraçou o amigo, sentindo o frio que seu corpo passava e se entregou ao choro.
—Hobi, por que não gosta mais de mim? Eu fiz alguma coisa de errado? Por favor... Fala comigo...
—Mamãe... Por que o Hobi não veio mais brincar comigo?
—Querido...
—Ele não gosta mais de mim, mamãe? Você sabe por que ele não gosta mais de mim?
—Ele ainda gosta de você meu amor...
—Mas você sabe por que ele não me respondeu mamãe?
—Jimin...
Hoseok nunca descobriu o porquê ele ficava preso naquele lugar, ele não entenderia. Seu corpo era mais fraco que o dos outros de sua idade. Muito mais fraco. Naquela noite, quando pela primeira vez conheceu o que seria a liberdade e o que era o seu maior sonho, ele também pegou um vírus ao andar pelos corredores do hospital. Foi tão rápido que ele nem ao menos teve tempo de dizer o quanto amava Jimin por uma vez mais, nem de poder se despedir. Jimin por sua vez demorou muito para entender o porquê seu amigo não mais o respondia, nem ao menos aparecia, e quando o descobriu, quando soube que nunca mais iria vê-lo, ele desejou que nunca pudesse saber o porquê das coisas.
Notas finais
•Jimin nasceu com uma luxação do quadril, que faz com que ele tenha dificuldades em se mover e que sua perna esquerda seja REALMENTE menor que a direita.
•Hoseok nasceu com um problema sério no seu sistema imunológico, tendo que viver dentro de um ambiente o mais esterilizado o possível, porque ele é vulnerável a qualquer tipo de doença.
Bem, como eu nunca sei o que dizer... Espero que tenham gostado da minha filha favorita ♥
Vejo vocês um dia ai~
Kissus
PhantomBruna :3
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