Do not be a princess.
13 Tell me everything.
Notas iniciais

Uma perna. Outra perna. Ok, eu não nasci para usar calça jeans, mas estou disposta a tentar. Hoje vão trazer Prue para o palácio, eu estou me sentindo muito sozinha, e tenho certeza de que com ela tudo vai ficar melhor. Ainda mais com o inverno próximo. Tirei o dia para estudar um pouco, chamei Joshua para me ajudar. E pedi as principais diferenças entre Ganzer e Unya. Ele me explicou que sempre sofreu preconceito na escola por ser ganzeriano. Ele não viu tanta diferença, tirando as pessoas. Nos livros eu vi que o passado desse povo é amigável e pacifista. Tanto que eles tentaram parar a 3° guerra mundial para que ninguém saísse machucado ou pior, morto. Mas Ganzer forneceu as armas e isso fez eles nos odiar por ter incentivado o ódio e a matança.
Meu vídeo fez um sucesso enorme. Os rebeldes pediram uma trégua e disseram que se quiserem resolver algo ou estarem insatisfeitos, virão falar diretamente comigo. Mas o estranho é, meu pai não voltou. Isso levantou uma hipótese de que ele estava morto. Com isso minha mãe vai voltar pra Ganzer e governar sozinha. Mas algo em mim diz que ele está vivo e que vai voltar.
Eu até entendi melhor as guerras históricas, mas isso foi à 100 anos atras, eles já deveriam ter superado! E além do mais foram nossos antepassados, eu não tomei decisão nenhuma.
— Olha, Unya foi fundada por hippies. Por isso a cultura pacifista. — Sorri ao marcar isso como importante. Falei para Joshua que estava deitado em meu colo.
— Por que tá estudando isso? — Ele perguntou desviando sua atenção para mim.
— Para conquistar os unyanos, preciso conhecer suas origens e seu passado. — Olhei pra baixo. Ele se levantou.
— Mudando um pouco de assunto. Sabe, eu achava as princesas seres fúteis e que não ligavam para nada além de sua própria aparência — Sorriu fraco. Me pergunto qual seria sua reação se eu falasse que minha primeira reação ao vê-lo foi que tinha achado meu "namorado". — Por isso quando te conheci, não falei e fiz nada além do necessário. Mas você ainda sim me tratou bem e puxou assunto. Não só a mim, mas com todos. Acho que você é mais humilde do que muitas pessoas. — Ele se aproximou. — É engraçado você antes odiar algo e depois se apaixonar por esse algo.
Eu tenho que gostar de pessoas como ele, que me valoriza e não alguém que me ignora tão facilmente e não liga pra mim. Joshua acabou de dizer que está apaixonado por mim. Bom, talvez eu também esteja apaixonada por ele. Não, eu devo estar apaixonada por ele. Que problema tem. É mais que justo. Erick com Trudie. Eu e Joshua.
Acabei com o espaço entre nós o beijando. Digamos que estou um pouco mais experiente com isso depois de passar algum tempo com Joshua... Estudando claro. Eu deveria me sentir flutuando, deveria sentir algo especial nesse beijo, porque será que não sinto? Amélia e Marie apareceram e depois de ver o que estava acontecendo pediram desculpa. Me despedi de Joshua e acompanhei elas. Marie dava pulinhos de alegria. Depois de Joshua tê-la salvado, ouço direto incentivos para passar mais tempo com ele. Já Amy, mesmo sabendo de tudo, ainda torce por Erick.
— Sua mãe foi para Ganzer, e Prue está aqui. — Disse Amy ainda de cara fechada.
Agarrei meu colar. Meu pai já está desaparecido quase que um mês, sinto muita falta dele e as vezes acordo com o mesmo pesadelo do dia do ataque. Como será que minha mãe vai ficar? Ela só abria a porta pra mim, será vai se isolar lá também? Sacudi a cabeça tentando espantar aqueles pensamentos.
— Prue! — Sorri feliz.
Corri até meu quarto e lá estava ela. Como um ursinho de pelúcia. A agarrei e dei um cheiro em sua barriga. O pelo preto entrou em meu nariz, o que mais tarde resultaria em uma alergia com certeza.
— Mamãe tava com tantas saudades da gatinha dela. Tava sim. — Eu disse com voz de bebê. Reparei que Amy e Marie estavam gargalhando na porta.
Trudie passou aqui e disse para eu me encontrar com ela depois do jantar na sala B do 3° andar. Eu ia recusar, mas Amy aceitou por mim e depois sorriu sarcástica.
— Você tem quer estar linda.
Elas me arrumaram de forma simples porém bonita. Meu cabelo estava solto e natural, eu usei um vestido vinho e o batom da mesma cor. Sofri antecipadamente já que amanhã vai ser o dia de tomar banho de várias coisas e hidratar o cabelo até com o adubo.
No jantar Erick ainda me ignorava, não acredito que ele está à um mês assim. Eu é quem não vou pedir desculpas por algo que não fiz. Ele que Continue com toda a birra do mundo. Isso é muito infantil e idiota. Ainda mais acreditando naquela víbora.
Me dirigi até a sala B do terceiro andar. Estava tudo escuro ali. Senti um cheiro de poeira se levantando no ar, espirrei umas duas vezes antes de falar. Realmente, hoje não era meu dia.
— Trudie? — Olhei ao redor, achei um interruptor. A sala se iluminou.
Estava tudo largado, deveria ser uma das salas abandonadas do palácio. Joshua disse que existem em torno de vinte e três iguais a essa. Estava com medo do que viria a seguir, por precaução, coloquei um estilete dentro do meu decote. Trudie apareceu, agarrou meus cabelos e me puxou para baixo, gritei pelo susto. Ela tentava me chutar ao mesmo tempo. A empurrei para longe. A sorte é que sou mais forte.
— Você ficou louca? — Eu disse organizando meus cabelos novamente. Ela me lançou um sorriso psicótico. Engoli a seco, mas demonstrei que não estava com medo. Estava prestes a sacar o estilete, só que seu olhar pregnado em mim não ajudou.
— Ah para de se fazer de santa. Já não basta ter feito Erick mudar totalmente e ainda fica se agarrando com aquele guarda. Você é quem é a louca. — Ela me deu um tapa no rosto. Fiquei boquiaberta. Devolvi o tapa com muito mais força.
— Você pensa que é quem? Vou falar isso pro Erick. — Bradei.
— Vai, ele acredita no que eu digo mesmo. Depois que armei pra você, ele não quer nem olhar mais pra sua cara.
— Você pode explicar isso de novo Trudie? — Disse Erick saindo de trás de um armário junto com Amy.
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