Do not be a princess.
19 Strawberry Discord
Notas iniciais

Acordei com meus ouvidos zunindo, meus olhos não se abriram e eu apenas ouvia o burburinho irritante na sala onde estava. Ao pouco meus sentidos foram voltando, senti cheiro de hospital e o edredom fofinho que me cobria. Abri os olhos lentamente.
– Ela acordou ! — Ouvi a voz do meu pai.
– O que aconteceu ? — Perguntei um pouco grogue e sentindo um gosto ruim na boca.
– Ah, que bom. — Suspirou Erick aliviado.
Um médico se aproximou de mim e verificou minhas orbes e depois examinou meus batimentos cardíacos. A forma como ele me olhou me assustou. Quando tomei fôlego para perguntar novamente ele abriu a boca pra falar.
– Você foi envenenada. — Ele disse tomando notas.
– Como assim ? — Perguntei confusa, por quem seria ?
– Você ingeriu uma fruta modificada cientificamente para se tornar venenosa. Era como uma bomba, tinha cronômetro e tudo. E foi marcado para a hora do baile. Por sorte tínhamos vacinas e antibióticos que erradicaram o veneno. Foi um milagre. — Ele finalizou saindo do quarto.
Fiquei com raiva. Foram os rebeldes, tenho certeza disso, o morango. Eu não posso dar a eles o luxo de pensarem que tudo deu certo. Não agora, nenhuma colher de chá será tolerada. Eles tentaram me matar por uma intriga do passado, não é possível. Tem algo à mais nisso, mas não vou procurar descobrir, pelo menos não agora.
– O que vocês disseram pra imprensa ? — Perguntei pondo uma mecha de cabelo atrás da orelha.
– Sobre isso... — Disse Erick desconcertado.
– Nós achamos que você não gostaria de dar o braço à torcer para os rebeldes, então falamos para eles que... Você está gravida. — Disse meu pai que estava do lado de Amélia.
– O que ? — Gritei.
Eles falaram que eu estou grávida. Não posso crer. Tudo bem, fizeram a coisa certa, vou ter que focar apenas nisso. Agora eu estou grávida para todos, mas... Uma hora minha barriga vai ter que crescer e não vai demorar muito tempo.
– Qual é o plano ? — Perguntei fechando os olhos e depois abrindo de novo.
– Nada de rebeldes e não falar que não está grávida. — Disse Erick apertando minha bochecha. Revirei os olhos.
Eu não vou sossegar enquanto essa situação com os rebeldes não estar completamente resolvida. Mas vou esperar esse tempo para descansar minha mente e talvez fazer aulas de yoga com mais frequência. Sinto falta disso apesar de que ainda vou estar preocupada com ataques ou não sei o que. Da mesma forma, já mandei soldados para Ortanze e aquela espécie de presídio dos rebeldes foi destruída.
Todos saíram do quarto me dando um pouco de privacidade. Eu não pude nem ao menos conhecer as primas e os primos de Erick. Meu pai e Amy voltarão para Ganzer. Vou pedir para ir pra lá também, não tem como eu ficar aqui nesse reino de isolação sem poder pensar no que está acontecendo lá fora. Sem falar que meu povo adoraria me ver "grávida" lá as pessoas gostam de mim.
Quando finalmente me deram alta, Joshua veio me buscar. Ele pegou todas as minhas coisas que estavam no quarto da enfermaria, incluindo os remédios que eu teria de tomar diariamente.
– Não precisa carregar. — Eu disse sorrindo para ele.
– Está grávida, não pode fazer esforço. — Ele disse voltando ao tom frio de quando nos conhecemos.
Claro, ele acha que eu estou gravida. Por isso ele está com raiva e com razão. Eu devia esclarecer, mas não posso falar isso pra ninguém ou tudo virará uma grande bola de neve e vai chegar na imprensa. Suspirei e tentei aceitar esse fato.
– Não é bem assim... — Tentei amenizar a situação.
– É bem assim. — Ele continuou sem fazer contato visual.
Fiquei chateada. Não posso brigar com Joshua, ele é uma das poucas pessoas que posso me abrir sem medo. Mas não dessa vez. Pedi permissão para ir até Ganzer para o Rei Adam. E ele disse que isso seria muito bom pra mim. Marie me ajudou a arrumar as malas.
– Grávida. — Ela disse rindo. — Isso porque não estava gostando do casamento eim.
– Não, eu não estou grávida. Por favor não fale pra ninguém. Nem mesmo ao Ethan.
– O que ? Como assim ?
– Longa história. Vamos voltar para Ganzer.
Arrumei minha mala e fui até o térreo esperando o jatinho que pousaria ali logo logo. Seria bom entrar em meu antigo quarto e deixar a nostalgia passar por todo o meu corpo. O jatinho logo chegou e embarcamos. É até que uma viagem curta de quatro horas, mas com uma boa playlist um lugar ótimo para pensar.
Longe de tudo e de todos, estava eu na última poltrona admira do secretamente Unya. Não é uma metrópole como Ganzer, com luzes e arranha-céus, e sim algo mais simples porém bonito. Há mais casa que prédios e poucas fábricas, acho que é por isso que o ar daqui é mais límpido. O palácio daqui é maior e tem formar de castelo mesmo, o nosso parece uma mansão gigante com um pequeno jardim onde eu passava as tarde refletindo como odiava ser princesa. Que saudades dessa época, quando minha única preocupação era rezar para sair do palácio.
Acabei cochilando. Fui acordada com alguém tapando minha respiração, era Amy e Marie. Elas sorriram e fizeram um gesto para que eu fosse até elas.
– Chegamos. — Disseram em uníssono alegres.
Coitadas. Mal sabem que vão ficar aqui pra sempre. Eu sei que pode parecer egocêntrico da minha parte, mas tenho certeza de que elas vão sentir saudades de mim, e eu ainda mais delas. Dei de ombros e esperei o jato pousar.
Todo o povo veio noa ver. No aeroporto eu destribui sorrisos e autógrafos. Muitas crianças disseram que queriam ser como eu, e não sei porque mas gosto de ser admirada assim. O palácio continua o mesmo, sendo que agora está coberto de neve já que chegamos no inverno por aqui. O encontro da minha mãe e do meu pai que foi emocionante. Os dois pareciam dois jovens que se não se viam a muito tempo, sem falar em suas lágrimas de preocupação e saudades. Sorri e fui correndo em direção ao meu quarto.
– Ah que saudades. — Eu disse me jogando na cama junto com Prue que estava reconhecendo o lugar.
A mesma cama de dossel rosa. O mesmo papel de parede acetinado rosa pastel, a mesma tapeçaria de algum tipo de linho, o cheiro de rosas recém colacadas no vaso e o banheiro, com a mesma janela acima da banheira. Não posso descrever como senti falta disso daqui, não que meu outro quarto não fosse gratificante. Mas, esse me pertence desde que eu era um frágil bebê.
Amy e Marie vieram felizes. Elas já devem ter passado no seu antigo quarto, onde as duas fofocavam sobre tudo e todos.
– É uma pena que logo logo vamos nos separar. — Soltei em um suspiro.
– Oi ? — Perguntou Marie.
– Desculpe queridinha, você não vai se livrar de nós assim tão fácil não. — Afirmou Amélia.
– Eu resolvi que vocês precisam ficar aqui, seguras. Não quero ninguém correndo risco sem necessidade.
Elas imploraram mas eu mantive minha postura. Me joguei em minha cama e agarrei o travesseiro. Não está sendo nada fácil, o que será que deve estar acontecendo no palácio nesse momento ? O que será que Erick está fazendo ? É, ser quase morta por rebeldes que te odeiam não é fácil mesmo. Preciso focar no meu sono.
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