Do not be a princess.
11 Shelter
Notas iniciais

Já ouvi casos de ataques aos palácios de outros países, mas em Ganzer nunca tivemos um. Não sei se é pelo nosso governo ser bom ou as pessoas serem calmas. Me levantei rapidamente e pequei meu roupão, o vesti e segui Joshua. Trudie e Erick apareceram. Uma pedra atingiu a cabeça de Marie e ela caiu no chão. Neste exato momento recuei e gritei por Joshua, que a pegou no colo em seguida.
— Soldado Holter, eu assumo daqui. — Disse Erick.
— Tem certeza alteza?
— Sim, leve-a para a enfermaria.
Josh olhou pra mim com incerteza, não sustentei seu olhar por muito tempo e corri o máximo que pude, até achar uma porta que dava para uma sala escura e empoeirada. Parecia um escritório particular de alguém. Ouvi passos apressados ao fundo e entrei.
— Zara, por ai não. Temos que ir para o abrigo. — Disse Erick com o olhar atento, parecia estar procurando qualquer movimento ao redor.
— Entrem aqui, será pior se ficarmos correndo de um lado para o outro.
Os dois entraram finalmente e eu tranquei a porta. Erick arrastou uma cômoda até a porta, no lugar da cômoda estava uma passagem para uma escada secreta.
— Graças a Deus. — Trudie disse e foi a primeira a descer.
— Vamos? — Erick perguntou já pronto para arrastar a cômoda novamente.
— Não, eu quero saber o que eles querem.
Os passos se aproximavam mais e mais. E as pessoas pararam para descansar em frente a porta justamente. Prendi a respiração.
— Onde é que será que está a princesinha perfeita? — Perguntou uma voz feminina.
— Deve estar se escondendo em algum lugar. Princesas são sempre fracas. Quando eu a encontrar e matá-la o povo de Unya me agradecerá.
— Nada disso, quem quer o sangue dela sou eu.
Um barulho de tiro que atacou meus tímpanos soou. Fiquei paralisada. O que eu fiz para essas pessoas para elas desejarem tanto minha morte? Desci as escadas um pouco perturbada. Percebi que estava no abrigo para criadas. Elas tentaram me servir, mas eu pedi para descansarem. Me encostei na parede e fui escorregando até estar sentada.
As palavras daquelas pessoas ecoavam alto em minha mente. Eles realmente acham que eu vivo me escondendo. Mas, e se estiverem certos sobre eu ser fraca. Eu estou decepcionando pessoas. Erick sentou do meu lado.
— Antes que você fique se culpando, eu vou dizer logo. Não é culpa sua, alguns unyanos estão revoltados por termos feito as pazes com Ganzer. Acredite. — Ele fez uma pausa para respirar. — Por que fez aquilo ?
— Aquilo o que ? — Perguntei juntando as sobrancelhas.
— A Trudie te entregou um bilhete para falar comigo, e você o modificou.
— O que ?
— Zara, eu nunca te fiz nada e nunca nem interferi entre você e o Joshua. Mas fazer o que você fez foi demais... Eu e ela quase terminamos.
— Você deve estar louco só pode. Não fiz nada! — Me exaltei.
— Por que você não admite logo? Seria melhor para você. — Ele perguntou se levantando, e foi em direção a Trudie para abraçá-lá.
Durante o abraço deles ela me olhou e sorriu. Fiquei boquiaberta. Como alguém pode fazer algo assim? Senti una vontade enorme de voar no pescoço dela e torcer como se fosse uma toalha molhada. Passei os dedos entre os fios do meu cabelo e olhei para o chão. Me encostei na parede e tentei ao máximo dormir, mas por mais que eu estivesse cansada, minha cabeça não me deixava ficar tranquila. Talvez por medo ou irritação.
Horas depois um guarda chegou e nos liberou para cima novamente. O palácio estava cheio de pedras e janelas quebradas, mas nada além disso. Fui encaminhada para o meu quarto novamente. Estava tudo bagunçado, porém nada sumiu, eu acho. Em cima da minha cabeceira estava um bilhete.
"Pegaremos você, assim como fizemos com seu pai."
Gritei o mais alto que pude para espantar toda a minha raiva e lutei para as lágrimas não descerem. Se esses idiotas acham que vão me derrubar assim estão muito enganados. Joguei o bilhete fora e saí do meu quarto. No corredor tive a infelicidade de encontrar Trudie sorrindo para mim. Foi a gota d'água, não aguentava mais esse jogo. Uma descarga de emoções invadiu meu corpo, o bilhete do meu pai, os bilhetes de Trudie... Era um inferno e eu estava a ponto de explodir toda minha ira.
— Você. — Eu apontei para ela. — Não se dirija mais para mim. Você está MORTA e fim. Se você se aproximar novamente eu juro que te mato. — Ela abriu a boca e começou a chorar.
— Eu te perdoaria pelo bilhete, mas porque toda essa raiva, Zara. O que eu te fiz? — Percebi que ela olhava para trás. — Amor, que bom que você está aqui.
Olhei para a mesma direção e lá estava ele, Erick. Sua feição não era nada amigável e parecia que tentava não crer no que estava vendo. No mesmo instante devo ter perdido totalmente a cor, logo me senti envergonhada e idiota por ter caído no joguinho dela mais uma vez.
— Erick, não é nada disso. Ela é fingi...
— Chega! — Ele impôs, me calei rapidamente. Nunca o vi tão sério, um calafrio percorreu por meu corpo. — Por favor, eu que peço para não se dirigir mais a mim. E se puder se afastar também, eu agradeço.
— Mas... — Tentei me explicar, mas novamente fui interrompida.
— Zara, some da minha frente, por favor.
— O que quiser, alteza. — Eu disse fazendo uma reverência. Aquilo o irritou profundamente.
Meus olhos marejaram. Como ele pode acreditar nela? Ergui o queixo, não vou sair por baixo por nada nessa vida. Andei graciosamente até o próximo corredor, onde desabei. Tanta coisa acontecendo em apenas um dia, porque logo eu? Sinto tanta falta do meu palácio, da minha vida antiga por mais bizarra que fosse... Ao cansar de chorar compulsivamente, corri para ter notícias do meu pai com Amy. Ela estava bem.
— Sua mãe está inconsolável, se trancou em um quarto e não quer abrir pra ninguém. — Ela disse com um olhar triste.
— E o meu pai? — Perguntei aflita.
— Ao que parece o raptaram.
— Isso é tudo minha culpa. — Eu disse afundando o rosto nas minhas mãos.
— Não é, você não poderia fazer nada para impedir.
— Eu devia ter corrido mais atrás, estudado mais... Vou pegar meu papel de trouxa e embrulhar um presente pra Trudie. — Limpei as lágrimas.
— Trudie?
Expliquei tudo pra ela, eu estava omitindo para proteger Erick, mas agora não me importo mais. Amy ficou boquiaberta com tudo, parecia não acreditar de jeito nenhum. Sorri triste.
— Espera, e ele acreditou nessa do bilhetinho ? — Amy perguntou.
— Sim, eu estava de cabeça quente por causa do meu pai, vi ela sorrindo para mim e a ataquei. Eu devia ter ficado quieta.
— Você é uma princesa mesmo, não desce do salto nunca. Se fosse eu, já teria voado em cima dela.
Ponderei suas palavras e peguei um espelho de mão. Olhei para a minha imagem e me perguntei se deveria me esforçar mais. Não posso pensar nisso agora, pus o espelho de volta e suspirei. Eu sou invisível mesmo, talvez meu dever na vida seja apenas sorrir e ajudar os outros.
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