Do not be a princess.
8 Enchanted Garden
Notas iniciais

1 MÊS DEPOIS
Posso dizer que me adaptei muito bem ao estilo de vida unyano. A única coisa na qual não me adaptei foi Trudie. Ela acha que eu sou algum tipo de pombo correio para entregar suas cartinhas pro Erick. Afinal, o que ela tanto manda pra ele? No momento estou fugindo dela no jardim. Avistei Joshua.
É engraçado por que eu e Joshua cultivamos uma amizade bem rápido. Sinto que a amizade está caminhando para outro lado, e pela primeira vez na vida, irei permitir que isso aconteça. Não consigo entender até hoje a sorte que tive ao encontrá-lo.
— Está radiante alteza. — Disse em um tom de brincadeira e olhou ao redor antes de depositar um beijo em minha bochecha.
— O mesmo, plebeu. — Ri. Ele me devolveu o sorriso mostrando seus dentes perfeitos. — O que você está fazendo?
— No momento vendo até quando aquele besouro fica vivo. — Apontou para um besouro de barriga para cima.
— Ah, coitado. — Eu disse invertendo a posição do besouro. Olhei para Joshua e sorri ele parecia hipnotizado. — O que foi?
— Não é nada demais, você apenas me surpreende a cada dia. — Respondeu um tanto quanto contrariado. Parecia haver uma batalha interna. — Zara, isso é loucura, e sei que posso até mesmo ser preso... Mas eu preciso.
Dito isso, tomou meus lábios em uma veracidade incrível. Me surpreendi no início, porém relaxei depois. Como sou um tanto inexperiente nisso apenas tentei acompanhar seu ritmo. Joshua segurou minha cintura e me puxou para si, colando nossos corpos. Ele me beijou ardentemente, sem se importar com o que acontecia ao redor. De repente qualquer espaço entre nós incomodava, e passei a achar que aquela farda o cobria demais.
— Holter! Está na sua hora de fazer a ronda do outro lado do jardim. — Ouvimos uma voz ao longe. — Onde você está?
Nos separamos ofegantes, ao ouvir a voz se aproximar sai correndo. Meu vestido se sujou um pouco pois tive que passar por uns arbustos pra cortar o caminho. Passei pelos corredores quase apressada. Entrei no meu quarto e sorri, sem acreditar no que havia acontecido. Senti um misto de adrenalina e felicidade. Cantarolei até o banheiro, tirei o vestido e joguei no cesto. Fui de volta para o meu quarto dançando algo estranho.
— Uh, que sexy. — Disse Erick sorrindo de forma maliciosa. Quase gritei.
— De qual das trevas você saiu? — Perguntei tentando me esconder em algum lugar. Só o que me faltava! Erick me ver de roupa íntima.
— À propósito belas pernas. Mas não é disso que eu vim falar.
Erick estava em um terno bem alinhado e se jogou na minha cama sem cerimônia alguma. Voltei para o banheiro e vesti um roupão.
— O que você quer falar? — Perguntei me sentando na cadeira da escrivaninha.
— Você e o soldado Holter. — Ele revirou os olhos.
Um frio percorreu minha espinha e por dois segundos meu coração parou de bater. Será que o outro soldado havia nos visto? Mantenho minha cabeça e postura erguidas.
— Ciúmes ? — Sorri de lado.
— Antes fosse. Eu...
— Olha antes de qualquer coisa. — O cortei. — Você não pode falar absolutamente nada sobre o Josh, por que eu ando sem dormir por conta dos malditos gemidos da Trudie. Ou seja, não está em posição para me pedir parar alteza.
— Uau. — Ele ergueu as sobrancelhas. — Eu ia pedir para serem mais cautelosos. Se eu vi outra pessoa poderia ver. E antes que venha protestar dos gemidos, o palácio acha que são os seus então estou sendo cauteloso. — Piscou. Senti todo o meu sangue ir parar em minha bochecha. Fingi não me abalar. Levantei e mandei um beijo no ar.
— Como quiser, querido. — Disse dando ênfase na palavra "querido".
Entrei no banheiro de novo e esperei Erick sair do quarto. Tomei banho e pus roupa para meditar. Estou ficando boa nisso. Meditar é simplesmente você tentar não pensar em nada, e isso parece quase impossível para mim agora. Toda vez que eu pensava no beijo de Joshua desviava minha atenção para o nada. Estiquei o meu pé e arqueei a coluna ficando em uma posição de cesta. Depois de cinco minutos me estirei no chão me permitindo para pensar.
Vamos lá. O beijo de Joshua, foi mágico e eu quero repetir com toda a certeza. O que me preocupou foi Erick ter visto. O jardim daqui é como se fosse um labirinto gigante, para ele estar me vendo tinha que estar enfiado em algum arbusto. Será que estava me espionando? Não, sem chances. Ele tem muita coisa para fazer. Ouvi alguém bater na porta. Fui até lá abrir.
— Oi o Erick saiu daqui agora e ele me pareceu um pouco perturbado. Pode me falar o que aconteceu, querida? — Perguntou Trudie com uma voz doce até demais.
Ah, me esqueci de descrever Trudie. Tudo bem, pense em peitos ambulantes, isso mesmo. Tudo bem agora sério, ela tem os cabelos loiros, da mesma cor dos de Erick, olhos azuis, é bem baixinha e como eu disse antes; peitos enormes. Me escorei na porta.
— Nada do que você devesse se preocupar, querida. — Eu disse devolvendo o tom de falsidade.
— Ah claro. Desculpe então. — Ela ajeitou o cabelo e saiu de volta para seu rumo. Amy apareceu atrás.
— Quem é essazinha? — Perguntou Amy com cara de nojo.
— Uma garota que quer deixar bem claro que dá todas as noites. — Eu disse revirando os olhos. Amy não entrou no quarto pois tinha algo para resolver.
Marie apareceu logo em seguida. Ela começou a me arrumar com raiva de algo. Resolvi perguntar o que aconteceu, após quase ter meu olho arrancado.
— Ah, que droga. — Ela urrou e depois recomeçou a maquiagem.
— Marie, tudo bem? — Eu disse segurando em seus pulsos e olhando em seus olhos.
— O Ethan é idiota, nada mais.
Resolvi não perguntar nada agora. Vesti uma saia bege que quando eu girava rodava bastante e uma blusa de mangas de lã marrom. Eu estava bem simples e confesso que amo muito isso. Me encaminharam até um dos quartos de hóspedes. Chegando lá tive uma ótima surpresa.
— Mãe! Pai! Prue. — Disse com meus olhos cheios de lágrimas.
Eu nem fazia ideia do quanto estava sentindo saudades deles. Os abracei o mais forte que pude. Eles retribuíram e depois se sentaram na cama ao meu redor, um de cada lado.
— Filha precisamos te falar algo. — Disse minha mãe segurando minha mão.
— O que houve ? Algum problema em Ganzer ? — Perguntei assustada.
— Não, quer dizer... Quase — Disse meu pai pela primeira vez se pronunciando.
— Digam logo ! — Os apressei ansiosa.
— Descobrimos recentemente, que a Amélia... É sua irmã perdida.
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