Do Singular Ao Plural
32 Regras da matemática
Notas iniciais
Quatro semanas depois
Pepper estava deitada sobre uma maca com os tornozelos e os punhos amarrados. Não reconhecia o lugar onde estava, tentava mover a cabeça mas via pouco ao seu redor. Estava rouca, tinha gritado bastante, simplesmente acordara naquele lugar fazia algum tempo e já naquelas condições. Uma porta rangeu, e ela ouviu passos cada vez mais próximos.
—Hey, Pepper, sentiu saudades?— perguntaram. Embora não ouvisse aquela voz há muito tempo ela era estranhamente familiar.
—Killian? M-mas como?— perguntou apavorada quando o homem curvou seu corpo sobre o dela.
—Surpresa em me ver?— Killian perguntou correndo os dedos pelo seu rosto —Você está linda, incrível como o tempo só lhe fez bem. Na verdade, o tempo fez bem para nós dois.— ele disse.
—Aldrich, por favor...— suplicou quando ele moveu a mão pelo decote do top que usava e ia em direção ao seu ventre exposto —Por favor não me machuque.
—Você foi muito mal agradecida, Pepper, te dei um presente, te deixei perfeita, e você fez questão de voltar a ser normal, medíocre. E ainda fez aquilo comigo. Mas eu vou te dar uma nova chance.— disse exibindo uma seringa com um líquido amarelado.
—Não. Não injete isso em mim, por favor.— suplicou —Eu não posso, o meu bebê.
—Não haverá bebê, Pepper, nunca haverá enquanto você for normal e seu marido tiver o extremis correndo em suas veias. É como na matemática. Mais com menos, nunca dará mais.— ele pegou o braço dela —Não precisa me agradecer...
—Não! Eu não quero! Me solta! Não, por favor!— ela gritava.
*****
—Amor? Amor, acorda.— Tony chamava enquanto Pepper se debatia —Amor?
—Tony...?— chamou em pânico ao acordar —Não deixe, por favor. Não me deixe perder de novo.— ela chorava, Tony não entendia nada. Ele sentou-se na cama e ela pulou em seus braços, Pepper tremia, nunca a tinha visto assim.
—O que foi, meu anjo?— ele afastou os cabelos de sua testa úmida de suor. Já fazia alguns dias que Pepper estava agitada durante o sono, mas ela nunca havia acordado daquela maneira até então.
—Eu quero ser tratada com o Brave, talvez ainda dê tempo. Então eu vou poder segurá-lo. Eu não quero perdê-lo, Tony. Não me deixe perdê-lo.— Pepper clamava, chorava e ele não entendia. Pepper esteve bem nas últimas três semanas estava radiante, mas nas últimas noites quase não dormia.
—Se acalme, amor, não estou entendendo você.— ele a balançava em seus braços como se ela fosse uma criança —Me conte sobre esse seu pesadelo.— pediu pressionando os lábios em sua têmpora. A voz de Pepper quase não saía, mesmo assim ele começou a contar —Amor, você é perfeita.— disse a olhando nos olhos assim que ela terminou de contar sobre seu pesadelo —Você anda tendo esses sonhos porque está se aproximando da 11ª semana que foi quando tudo aconteceu a primeira vez. Mas não vai acontecer.
—Promete?— ela fungou —Jura que o fato de você ter o extremis e eu não, não vai matar o nosso bebê novamente?
—Juro!— ele garantiu —Eu não insistiria tanto se soubesse que há alguma incompatibilidade entre nós, anjo. Jamais te faria passar por aquilo novamente. O extremis que eu tenho não é como aquele que o Killian injetou em você, não é nocivo. Sei que você não precisa do Brave, espero que você nunca precise. Porque eu o criei para fins específicos e você sabe disso.
—Estou com medo.— ela sussurrou.
—Não precisa ter, tudo vai ficar bem.— deu-lhe um beijo na ponta de seu nariz vermelho. Olhou para o relógio sobre o móvel e viu que eram 4:43h da madrugada, ficou com ela por quase 30min em seus braços —Vamos voltar a dormir?— perguntou quando ela havia se acalmado, Pepper assentiu, ele deitou novamente e a trouxe com a cabeça em seu peito. Não demorou para estarem em sono profundo novamente.
Pela manhã quando Tony acordou Pepper não estava na cama, logo ouviu o som da descarga no banheiro, depois de alguns minutos ela estava novamente no quarto.
—Esses enjoos estão me matando.— ela suspirou —Não me lembrava que eram assim.— disse ao sentar-se na beira da cama.
—Logo passa.— se aproximou e afagou a base das costas dela —Mas em todo caso, veja com a Dra Eva se não existe algo que amenize seus enjoos.
—Vou perguntar hoje.— ela disse ao levantar —Você vai à consulta comigo?
—Claro! É que horas mesmo?
—Às 17:30h.— respondeu —Como hoje é sexta, saio da empresa as 16h, dá tempo de vir até em casa, cochilar, tomar banho e sair de novo.— disse ao entrar no closet.
—Cochilar?— perguntou quando ela colocou um tailleur preto sobre a cama.
—Ando com muito sono também.— ela disse —Esses dias li uma reportagem sobre uma cidade na Europa onde tudo para pra soneca depois do almoço. Vou implantar isso na empresa.— disse o fazendo rir —Mas falando sério, dormi muito mal nas últimas noites.
—Então não seria melhor você ficar em casa? Se dê um dia de folga, poxa, quem manda naquilo tudo afinal?
—Hoje tenho uma reunião com o CEO de uma empresa de Tóquio. Não posso furar.
—Peça ao Gilmore pra te cobrir, a Lorelai, sei que ela anda mais ativa na empresa nos últimos meses.— Tony comentou.
—Eu acertei tudo com ele nas últimas semanas, meu amor.— fez carinho no rosto dele —Mas já que você está preocupado, pode me fazer um favor.
—Qualquer coisa.
—Me leve à empresa daqui a pouco e vá me buscar as 15h.— ela disse.
—Não era às 16h?— perguntou confuso.
—Quem é que manda naquilo tudo afinal?— ela perguntou a caminho do banho.
(...)
À tarde após deixar Pepper em casa, Tony deu uma passada rápida no hospital da Base Aérea, há algumas semanas havia selecionado novos soldados para o tratamento com o Brave. Já não mais os chamava de voluntários, não eram mais isso. O tratamento já era um sucesso. Mas Tony impôs condições, os interessados teriam que ir se tratar no hospital da base em Malibu, com a gravidez de Pepper não queria ficar muito longe de casa, e dessa maneira poderia acompanhar os progressos de perto.
—Sei que recomeçamos há pouco tempo, mas já posso afirmar que é um sucesso.— o Dr Ross disse com empolgação —A maioria deles nem se importou em deixar as suas cidades enquanto estão em tratamento.— comentou o médico.
—É bom saber disso.— disse Tony —Aliás, há meses preciso agradecer por ter brigado por mim quando me afastaram do Projeto.— colocou a mão no ombro do médico.
—Depois de ver o que o soro fez ao Eric, eu não podia ter agido de outra maneira.— disse o Dr —Além disso, tive outro bom motivo para ficar.— ele sorriu.
—Alguma capitã? Uma tenente?
—Agente.— afirmou o médico.
—A Bethany?!— o Dr assentiu —Tome cuidado com ela, Dr Douglas, Bethany Cabe é...
—Perigosa, eu sei. E sei que vocês tiveram algo no passado. Mas acredite, estamos nos dando bem. Sei como agir com ela.— afirmou.
O Dr Douglas Ross era um homem alto, charmoso, aparentava ter entre 40 e 50 anos, era daqueles homens que poderia ter qualquer mulher, mas acabou se envolvendo com Cabe. Tony tinha certa simpatia pelo médico e torcia para que ele não se arrependesse daquilo.
—Boa sorte com isso.— Tony apertou a mão do Dr Ross ao se despedir.
(...)
Quando Tony chegou em casa Pepper estava procurando algo o que vestir, dava pra ver que ela já havia provado outras roupas. Havia muitas sobre a cama.
—É oficial, quase não tenho mais roupas que me sirvam.— bufou ao sair do closet, com um vestido azul em suas mãos.
—Isso não é problema, basta comprar roupas novas.— ele disse ao sentar-se à poltrona.
—A questão, Tony, é que eu estou com 8 semanas e as minhas roupas não me servem mais. Eu estou...
—Não diga isso.— ele a cortou —Vocâ já parou pra se olhar?— levantou e foi até ela, a pegou pela mão e a levou até o espelho no closet —Não é você, anjo, é ele quem está cada dia maior.— colocou as mãos dela sobre seu ventre saliente —O que você mais queria naquela outra vez?
—Que a minha barriga crescesse.— Pepper respondeu.
—Eu sei que o medo de que tudo se repita te assombra, mas você não pode ficar concentrada nisso e não se dar conta das mudanças que estão acontecendo no seu corpo.— desfez o laço do hobby champanhe que ela usava.
—A minha barriga apareceu e eu nem percebi.— sua voz embragou —Como eu pude não notar?
—Eu notei.— ele apoiou o queixo ao ombro dela e deu-lhe um beijo no rosto —Nosso bebê fica maior a cada dia e você cada vez mais linda.— ele disse, ela virou de frente para ele e o beijou.
—Obrigada por me mostrar.— beijou-o novamente.
—Por falar em mostrar...— ele disse —...Acho que está na hora de sairmos.
Pepper acabou escolhendo um vestido branco, justo na altura dos seios, tinha uma faixa florida um pouco abaixo da região, depois caía solto, não marcava seu ventre. Logo estava no consultório de sua médica. Falou sobre os enjoos, sua dúvidas, preocupações e entregou os resultados dos exames que a Dr Eva havia lhe pedido para fazer.
—Eva que cara é essa?— Pepper perguntou já um pouco alterada, há mais de 10min a Dra analisava os resultados sem nada dizer.
—Amor, calma.— Tony tentava acalmá-la.
—Seus níveis hormonais estão bastante altos, isso só acontece quando...você não fez nenhuma ultra ainda, não é?
—Hoje seria a primeira.— Pepper respondeu —O recesso de fim de ano bagunçou tudo. Mas o que houve? Meu bebê está bem, não está?— mostrou-se aflita.
—Tenho certeza que sim.— Eva afirmou com um sorriso —Com 8 semanas já podemos ouvi-lo também.— Pepper acomodou-se na maca, Tony colocou-se ao seu lado, não sabia o que esperar, mas não estava apreensivo como Pepper, algo nas expressões da Dra o fazia acreditar que tudo estava realmente bem.
—Então, Eva?— Pepper perguntou impaciente, sentindo o gel gelado sobre seu ventre, o silêncio da Dra era agoniante.
—Uau, você está mesmo muito gravida.— Eva disse enquanto movia o aparelho de ultrassom sobre o ventre de Pepper —Prestem atenção ao monitor e preparem os ouvidos. Esse é o bebê de vocês.— ela disse.
Ao olharem para a tela em sua frente, Pepper e Tony viram o pequeno embrião em desenvolvimento, seu coraçãozinho em formação batia forte, acelerado.
—Ele está bem, está ouvindo?— Pepper perguntou entre lágrimas.
—Impossível não ouvir.— Tony afagou os cabelos dela.
—Mais calma, mamãe?— Eva perguntou.
—Muito, você realmente me assustou com o seu silêncio.— Pepper respondeu.
—E você, papai, feliz?
—Demais, Eva, se estivesse mais feliz seria disfuncional.— Tony respondeu.
—Bom.— ela sorriu —Agora vamos ver e ouvir o outro?
—Tem dois?!— Tony perguntou surpreso.
—Outro?!— Pepper perguntou quase por cima da fala de Tony.
—Vocês serão pais de gêmeos.— a Dra afirmou movendo o cursor em outra direção —Por isso tudo está mais intenso, Virginia. É perfeitamente normal nesses casos.
—Dois.— Pepper chorava.
—Obrigado, amor.— Tony também chorava ao curvar-se sobre ela e beijar seus lábios.
Àquela altura o som dos corações dos dois bebês preenchia o consultório com uma melodia singular. Seus corações não batiam harmonicamente, cada um possuía um compasso.
—Estão ouvindo, eles já são completamente diferentes.— a Dra comentou.
—Duas meninas?!— Tony mostrou-se empolgado.
—Podem ser dois meninos.— Pepper observou ainda aos prantos.
—Ainda é cedo pra saber, mas serão completamente distintos, já que são bivitelinos.— a Dra pegou um lenço para limpar o ventre de Pepper.
—Gravidez de gêmeos pode ser complicada, não pode?— Pepper perguntou assim que havia se recomposto. Ela e Tony estavam novamente sentados à mesa da Dra.
—Tudo é mais intenso. A sua barriga vai ficar maior, os incômodos também serão maiores conforme ela for crescendo, mas se você seguir as recomendações de sempre...
—Eu segui as recomendações da outra vez e...
—A outra vez é passado, Virginia, concentre-se nessa gestação, nesses dois bebês crescendo dentro de você e tudo vai ficar bem.— a Dra disse.
—Vou me certificar de que ela não fique remoendo o passado, Dra.—Tony afirmou.
—A incidência de gravidez de gemelar sem inseminação artificiar é de 1/90, tem noção? É só um pouco mais fácil do que ganhar na loteria.— disse Eva — A única complicação pode ser um parto prematuro. Cerca de 70% acontece com 36 semanas, o que não é tão preocupante. Mas pode acontecer antes, a partir de 28 semanas. Por isso, diminuir o ritmo a partir da metade do 5º mês é recomendado em casos de gêmeos. Mas eu também já trouxe ao mundo gêmeos com 38 semanas, que é quando nascem a maioria dos bebês, e de parto normal.
—Minhas amigas sempre disseram que a recuperação de parto normal é muito mais rápida.— Pepper comentou.
—Realmente— Eva concordou —Mas cada caso é um caso e o seu é ainda mais especial, nós temos que levar em consideração a posição de dois bebês. Devo avisá-la que gêmeos se mexem muito mais, e mais cedo do que o costume. Vocês pensaram na possibilidade de serem dois meninos ou duas meninas, mas lembrem-se que eles são bivitelinos, pode ser um casal. Vocês podem ter o que a maioria dos casais deseja de uma só vez.
—Seria incrível!— Tony e Pepper disseram juntos.
—Vou agendar sua próxima ultra para a 12ª semana, será um exame minucioso e invasivo para vermos o desenvolvimento dos bebês, e garantir que são perfeitamente saudáveis.— Eva explicou —Na 16ª faremos outro para sabermos o sexo. Mas se vocês estiverem muito ansiosos já dá pra saber hoje até, existe um exame específico e caríssimo.
—Não tem problema.— Tony disse.
—Eu prefiro esperar.— Pepper manifestou-se.
—Não se assuste com o ganho de peso, afinal, são dois bebês. Me ligue se surgir qualquer duvida, e me procure sempre que precisar.— Eva disse para acalmá-la, a Dra levantou de sua cadeira, Tony e Pepper também colocaram-se de pé.
—Posso ligar mesmo?— Pepper perguntou.
—Claro.— Eva sorriu ao garantir.
Do centro clínico até a mansão, Tony não ficou quieto um instante se quer. Se estava entusiasmado com a ideia de ser pai, ser pai de gêmeos era algo com o que ele jamais havia imaginado. Estava radiante. Pepper também estava feliz, mas, ao contrário dele, mantinha os pés no chão não respiraria aliviada antes que passasse a fase de risco da gestação. As próximas quatro semanas seriam as mais angustiantes de sua vida. No entanto, não podia imaginar algo melhor, era como se o universo devolvesse o bebê que perdera meses atrás e ainda lhe desse outro.
—Se daqui alguns meses eu vou ter que passar mais tempo em casa, nós precisaremos contratar um empregada que venha sempre.— Pepper disse ao sentar-se ao sofá assim que entrou na sala de tv —E precisaremos contratar uma babá, eu achei que pudesse dar conta nos primeiros meses, afinal, estaria de licença, mas não sei se conseguirei lidar com dois bebês.— livrou-se dos sapatos e cruzou as pernas sobre o sofá —Dois bebês. Tem noção?— colocou as mãos sobre seu ventre.
—Nós fizemos muito bem feito.— ele sorriu —Desafiamos as regras da matemática. Um mais um, igual a quatro.— Pepper sorriu, sabia que ele se referia ao seu sonho, Tony sentou-se ao lado dela —Sobre a empregada e a babá, concordo com tudo o que você disse e vamos providenciar...
—Mas eu não vou contratar ninguém antes de ter certeza de que...— parou o que dizia quando ele a olhou duramente.
—Lembre-se do que a Dra falou. É passado, concentre-se neles.— Tony colocou as mãos no ventre dela —Por eles, por você e por mim.
—Daqui dois meses começamos com as entrevistas.— levou as mãos ao rosto dele e o beijou —Só agora parei pra pensar que o casamento do Rhodey e da Carol está próximo, e eu não sei se encontrarei um vestido que caia bem em mim na velocidade em que a minha barriga tende a crescer.
—Tenho certeza que você vai encontrar.— ele disse. Pepper ligou a tv num canal de filmes e deitou a cabeça ao colo dele.
—Daqui a pouco a imprensa estrá novamente em cima de mim.— ela lembrou depois de alguns minutos —Essa é a pior parte.
—Nós não vamos dizer nada, sem coletivas, sem entrevistas. Deixe que eles tirem as suas próprias conclusões. É o que eles farão mesmo que digamos algo.— Tony constatou.
—Você está tão diferente, meu amor.— olhou para cima e seus olhos encontraram os dele.
—Valeu a pena mudar, faltam alguns meses pra melhor missão da minha vida.— ele afirmou.
—Não vai ser fácil.— Pepper suspirou.
—Não, não vai.— ele concordou —Mas será espetacular.— afagou-lhe a barriga.
—Amor, detesto estragar o momento, mas seus filhos estão com fome.— ela disse.
—E o que a mãe deles quer comer?
—Aquilo.— apontou para a tv, enquanto um comercial de uma rede de fast-food era exibido.
—Isso é comida de adolescente, Pepper. Deveria ser chamado de trash-food.
—Engraçado você dizer isso, me lembro de uma ocasião em que você fez questão de comer hambúrguer.
—Era uma situação diferente, mas você não deve comer isso no seu estado.— disse com uma autoridade surpreendente.
—No meu estado se eu não comer isso, seus filhos podem nascer com cara de hambúrguer.— ela rebateu
—Isso é lenda, nenhum bebê nasce com cara de uma comida que a mãe não comeu.
—Então vamos pagar pra ver.— ela disse —Mas não me culpe se nossos filhos sofrerem bullying na escola por isso.
—Droga.— Tony bufou —Essa é a primeira e a única vez que eu vou ceder.— ele levantou e colocou uma almofada sob a cabeça dela —Qual deles você vai querer?
—O maior.— disse animada —Com tudo o que eu tenho direito.
Tony não cogitou ligar para a lanchonete, ele mesmo foi buscar o lanche. Pepper ficou entretida com o filme que assistia. Ele voltou quase trinta minutos depois.
—Pronto!— disse exibindo o saco de papel da lanchonete, em sua outra mão havia o copo de refrigerante preso a um suporte.
—Que rápido. Foi de armadura?— Pepper ironizou, ao sentar-se.
Ele não respondeu, sentou-se novamente ao lado dela e entregou-lhe o saco com o lanche. Pepper abriu a embalagem comeu algumas batatas fritas, mas o seu interesse maior era mesmo o hambúrguer.
—Não vou conseguir comer isso tudo.— ela disse.
—Você pediu o maior.— ele lembrou.
Pepper pegou o lanche e deu três ou mais mordidas, fazendo Tony acreditar que o hambúrguer estivesse mesmo bom. Porém, algumas mordidas depois, sentiu seu estômago embrulhar. Levou uma mão a boca, abandonou tudo e correu para o lavabo.
—Não vou conseguir comer mais.— disse ao voltar a sala.
—Você não comeu nem um terço do lanche.
—Urgh. Esse cheiro de gordura.— torceu o nariz —Não quero mais. Livre-se disso.— ela pediu.
Tony juntou toda a bagunça que ela fez com a embalagem do lanche e descartou no lixo.
—Sabia que você não comeria, e pra ser sincero, eu pedi um dos menores lanches.— confessou ao sentar-se. Pepper rapidamente deitou com a cabeça ao colo dele novamente, deixando as pernas esticadas sobre o sofá de couro claro. Começou a zapear os canais até parar em um filme qualquer quando seu celular começou a tocar —É a Lauren.—Tony informou ao pegar o celular dela sobre o móvel ao lado do sofá.
—Oi, coração.— Pepper disse.
—Oi, coração, como foi a consulta?— a amiga quis saber —Meu afilhado vai ser mesmo um bebezão ou você já anda exagerando na comilança?
—Digamos que seu afilhado ou afilhada não terá problema algum em dividir as coisas, já que ele ou ela já está aprendendo desde o útero.— Pepper disse com sorriso em sua voz.
—Mentira?!— Lauren exclamou depois de um berro que fez Pepper afastar o celular da orelha —Gêmeos?!— Pepper confirmou e então continuou falando com Lauren por quase uma hora.
Tony não pôde deixar de prestar atenção na conversa de Pepper ao telefone, afinal, ela estava deitada em seu colo e o filme na tv não era tão interessante, ficou contente ao se dar conta de que em momento algum ela falou no receio de que tudo se repetisse. Pepper estava mesmo querendo deixar seus traumas para trás.
—Emma te mandou um beijo.— disse ao devolver o celular para Tony colocar onde estava.
—Se você já não tivesse desligado eu diria: Mande outro pra ela. Mas deixa pra lá.— disse a fazendo rir.
—A Lauren perguntou se nós vamos almoçar em Napa amanhã?
—Você quer ir?— Tony perguntou.
—É aniversário dela, amor.
—Isso quer dizer que você quer ir.— ele observou —Então nós vamos.
—Acho que vai ser bom, terá aquele clima de série de família que faz a gente chorar, sabe? Tipo Brothers&Sisters, uma mesa enorme no jardim, um monte de pessoas rindo, conversando, e comendo.
—Filme de mafioso também sempre tem uma cena assim.— ele brincou.
—Não seja estraga prazeres, amor.— ela o repreendeu e ele se desculpou —Tony...?
—Oi, anjo?
—Acho que estou com fome.— Pepper disse o fazendo revirar os olhos.
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