Do Singular Ao Plural
41 Epílogo
Notas iniciais
Dois anos e meio depois
Era manhã de sábado, os últimos dias da primavera davam uma coloração especial ao amanhecer em Malibu. A mansão Stark estava em completo silêncio, sinal de que os gêmeos não tinham acordado. A sexta-feira foi o último dia de aula antes das férias de verão, e as crianças passaram o dia num evento esportivo na escola.
Pepper acordou com finos raios de sol invadindo o quarto através das persianas, esfregou os olhos e rolou na cama até encontrar o que procurava, o corpo viril de seu amado. Ao encostar-se a Tony ele logo a envolveu, por puro instinto, visto que ele ainda estava de olhos fechados, e ela ficou ali, acordada, olhando para ele.
Depois de anos de relacionamento ainda tinham a mesma mania, admirar o outro ao acordar, não era à toa que sabiam de cor cada marca de expressão surgida no decorrer dos anos. Porém uma nova particularidade fazia Pepper admirá-lo ainda mais, há alguns meses nasceram os primeiros fios de cabelo branco de Tony. Ele, vaidoso, odiou. Ela amou, e tentava convence-lo que, com o passar dos anos, ele ficaria ainda mais charmoso. Para Pepper Potts, Tony Stark era como um vinho de uma safra especial, com o tempo ficava melhor, mais saboroso e encorpado.
Ela se desvencilhou dos braços dele, e montou-o apoiando as pernas sobre o colchão, começou a beijar-lhe o peito e o pescoço até que ele despertou.
—Humm?— Tony murmurou sonolento.
—Dois.— ela riu —Bom dia.
—Bom dia.— sorriu também —Que horas são?— indagou ao ser envolvido pelos beijos dela.
—Não faço ideia.— Pepper respondeu beijando-lhe o pescoço —Talvez seja muito cedo ou muito tarde, mas agora eu só quero uma coisa, levantar daqui e tomar banho com você.
—Convite aceito.— mudou de posição deixando-a sob seu corpo e deu-lhe um beijo.
Depois do banho, Pepper vestiu um vestido estampado de tecido leve um pouco acima dos joelhos e o sobrepôs com uma malha azul. Calçou botas cinza de cano e salto baixos, fez uma maquiagem leve e deixou os cabelos soltos, já estava pronta enquanto ele ainda se barbeava. Tony estava diante da pia olhando-se no espelho, tinha uma toalha branca em volta do pescoço e outra ao redor de sua cintura, seu rosto estava parcialmente coberto por espuma de barbear.
—Amor, vou acordar as crianças, assim que tomarmos café saímos.— ela avisou ao beijar-lhe as costas.
A primeira parada de Pepper foi o quarto de Ben, quando ela adentrou o local o pequeno vinha do banheiro esfregando os olhos.
—Bom dia, mamãe.— Benjamin disse com a voz rouca, caminhou até Pepper e a abraçou.
—Bom dia, príncipe.— beijou os cabelos dele —O que você acha de dar meia volta e ir tomar um banho?
—Acho ruim.— respondeu preguiçosamente.
—Bom, então você fica em casa enquanto eu, seu pai e sua irmã saímos, porque eu não saio com homens fedidos.— Pepper replicou.
—Nem se for o papai?— levantou a cabeça para olhá-la.
—Principalmente o papai, é por isso que ele já tomou banho.— Pepper respondeu —Já pro banho.— deu uma leve palmada no bumbum dele e ele correu para o banheiro, Pepper foi atrás, Ben logo despiu-se e entrou no box —Lave os cabelos, atrás das orelhas e nos outros lugares que você já sabe.— disse ao abrir o chuveiro —Daqui a pouco estarei de volta.
Ao entrar no quarto de Olivia sua pequena ainda dormia, Google também, estava sobre a cama aos pés da menina. Pepper sentou-se à cama e chamou pela filha, enquanto espalhava beijos suaves pelo rosto dela.
—Que cheiro cheiroso de mamãe.— Olivia sorriu.
—Bom dia, princesa, dormiu bem?— Liv assentiu espreguiçando-se —Hora de levantar e tomar banho, vamos passear hoje, lembra?
—O Google pode ir?— Liv perguntou preguiçosamente, Pepper afirmou —E a Emma e a Ceci?— Pepper negou —O Samy e a Alicia...?
—Será um dia da família Stark, mamãe vai levar vocês num lugar especial. Vamos levantar?
Menos de um minuto depois Olivia estava despida sob o chuveiro —Mamãe fica aqui até eu terminar meu banho?— ela pediu.
Pepper deixou o banheiro por alguns segundos e pediu a Jarvis que avisasse Tony para tirar Benjamin do chuveiro. Quando Olivia saiu do banho, ela escolheu uma jardineira branca com flores azuis, vestiu uma camiseta azul sob a peça e calçou um par de Allstar brancos.
—Já que você escolheu a roupa e se arrumou sozinha, deixa a mamãe te ajudar com o cabelo?— Pepper perguntou sentada à poltrona.
—A dinda às vezes trança o cabelo da Alicia, você sabe?
—Não que nem a dinda, mas a mamãe sabe.— Pepper respondeu, Olivia deu-se por satisfeita. Pepper repartiu o cabelo dela ao meio e fez duas tranças do alto da cabeça até a ponta dos fios, prendeu cada uma com elásticos coloridos. —Veja se ficou bom.
—Que lindo, mamãe, obrigada.— Olivia deu um beijo em Pepper —Quando a gente volta desse lugar especial?
—Amanhã de manhã.
—Amanhã é aniversário do papai.— Liv lembrou.
—Por isso mesmo, nós faremos uma festa aqui pra ele. Todo mundo vem.— Pepper afirmou.
Depois de pronta, Olivia desceu com Pepper para a cozinha, começaram a tomar o café quando Tony surgiu com Benjamin.
—Você conhece seu filho, sempre enrola pra entrar no banho, mas depois que entra não quer mais sair.— Tony justificou antes que Pepper fizesse qualquer observação. —Bom dia, princesa.
—Bom dia, papai.— Liv replicou ao receber um beijo na têmpora.
—E fazer o meu topete demora também.— Benjamin disse ajeitando o cabelo —Bom dia, Liv.
—Bom dia, Ben.— Olivia respondeu —Vocês estão lindos, mas o papai está mais.— Tony vestiu um jeans escuro, sua camisa preta sobreposta por uma jaqueta de couro preta e tênis casuais. Enquanto Ben vestia uma bermuda caqui, camiseta verde, camisa xadrez verde e azul, e tênis.
—Mamãe quem é o mais bonito?— Ben perguntou e Pepper olhou para Tony que deu de ombros.
—Você, príncipe.— Pepper respondeu.
—Temos um empate.— Tony disse.
—Somos dois lindões, toca aqui.— Benjamin bateu na mão dele.
—Agora vamos tomar café,...lindões?— Pepper perguntou.
Depois do café, Tony foi buscar as malas que Pepper havia deixado arrumadas na noite anterior, então eles seguiram para o hangar. Durante a viagem de pouco mais de uma hora as crianças fizeram várias perguntas quanto ao destino que seguiam.
—Vamos pra Torre Stark?— Ben perguntou, Tony negou.
—Vamos pra Disney ver as princesas de novo?— Olivia perguntou.
—Não, porque as princesas não aguentam mais a sua cara.
—Benjamin!— Pepper o repreendeu.
—Chegamos.— Tony comentou ao perceber que o jato diminuía a altitude.
—Se nós chegamos o Google já pode sair dessa caixa de viagem de cachorro?— Olivia perguntou e Pepper assentiu.
Ao desembarcarem lá estava o utilitário de Tony estacionado.
—Nunca vi esse carro antes.— Benjamin comentou.
—Porque nós só usamos ele aqui.— Tony respondeu.
—Nós quem, se eu nunca vim? Onde estamos?— Ben perguntou.
—Nós, eu e a mamãe.— Tony respondeu —Estamos em Vancouver, Canadá. E nós temos uma casa aqui.
—Nós, você e a mamãe?— Olivia perguntou. Pepper riu.
—O que nós conversamos ontem está de pé?— Pepper perguntou deixando as crianças curiosas, Tony aquiesceu —Então vamos.— disse depois que as malas foram embarcadas no carro.
Tony sentou à direção do Audi SUV, Pepper no banco do carona e as crianças acomodaram-se com Google no banco traseiro. O percurso ainda levaria cerca de meia hora.
—Porque tem uma armadura do papai seguindo a gente?— Benjamin perguntou quando estavam na metade do caminho.
—Tem?— Pepper perguntou —Talvez ela esteja sentindo falta dele. Amor, você não quer parar o carro e pegar sua armadura?
—Você dirige?— Tony perguntou.
—Dirijo.— Pepper afirmou. Quando Tony parou o carro no acostamento da tranquila estrada entre árvores que os levaria até a casa do lago, sua armadura pousou ao lado do veículo. Ela era vermelha em sua maioria, com alguns detalhes em dourado, a luz no peito, que apesar da ausência do reator persistiu em todos os novos modelos, era branca e redonda, no tórax duas luzes menores de cada lado um pouco acima da principal, nos quadris e nos punhos havia detalhes luminosos também. Tony desceu tirou a jaqueta de couro e os óculos aviador que usava e vestiu a armadura. Pepper sentou-se ao banco do motorista. —Papai vai voar de armadura e vocês nã vão falar nada?— perguntou baixando um pouco os óculos Ray-Ban que usava.
—Queria voar com ele, mas você não vai deixar.— Benjamin cruzou os braços e ajeitou-se ao banco novamente.
—Você nunca deixa.— Olivia fez bico.
—Eu não falei pra vocês que esse é um lugar especial? Como é a primeira vez que vocês vêm aqui...
—Nós vamos poder voar com o papai?!— perguntaram eufóricos.
—Pra isso vocês têm que descer do carro.— Pepper sorriu —Mas o Google fica aqui pra eu não ficar sozinha.
Antes que Pepper terminasse sua frase as crianças haviam saltado do carro, Tony pegou os dois um em cada braço.
—Passem os braços em volta do meu pescoço.— Tony disse —Agora o papai vai liberar um pouco de energia estática pra que vocês fiquem grudados em mim.
—Vai doer?— Olivia perguntou.
—Não, não vai, é só por segurança.— Tony respondeu —Podemos sair do chão?
—Demorou!— Ben disse animado.
Tony subiu cerca de 1m e ele pediu que fossem mais alto, acabaram chegando a três. Quando eles levantaram voo entres as árvores, Pepper colocou o carro em movimento os seguindo. No alto, Olivia chegou a fechar os olhos, Benjamin não, ele esperava por aquele momento há anos e não perderia um só instante, Tony estava devagar, mas a sensação de liberdade e do vento acariciando o rosto era algo indescritível para os pequenos. Do alto eles viram Pepper ao volante, Google latindo da janela do carro, e há alguns km dali já podiam ver o seu destino final.
—Aquela é a nossa casa?— Olivia perguntou, Tony afirmou —Ela parece de vidro é de vidro?
—É, mas não dá pra ver lá dentro, você consegue ver algo?— Tony perguntou.
—Não vejo nada.— ela respondeu.
—Mas de lá de dentro a gente vê tudo do lado de fora.
Já estavam mais alto do que no começo, nos últimos metros Tony passou a voar um pouco acima da copa das árvores, e logo depois pousou na beira do lago, diante da ponte que os levaria até a entrada da casa. Pepper parou o carro próximo a eles, Tony estava os colocando no chão.
—E então, como foi?— Pepper perguntou.
—Foi...— Benjamin buscava uma palavra que expressasse o enorme sorriso em seu rosto —Sensacional, mamãe, o mundo lá de cima é demais.
—Mesmo, príncipe?
—É fantástico, obrigado por deixar o papai voar com a gente.— ele abraçou Pepper.
—É lindo lá em cima, mamãe, o céu é tão azul. A gente viu os passarinhos de pertinho e as folhas das árvores daqui são coloridas.— Olivia referia-se à árvore símbolo do Canadá, o bordo representado na bandeira canadense, suas folhas oscilavam a coloração entre verde, laranja e vermelho —Eu fechei os olhos só um pouquinho e depois abri, queria pegar uma folhinha pra você, mas estava grudada no papai.
—Nós vamos andar muito entre essas árvores ainda hoje, depois você me dá uma folhinha, princesa.— Pepper beijou a cabeça dela —Que bom que os dois gostaram, aposto que o papai adorou voar com vocês também.— aproximou-se de Tony e deu-lhe um beijo breve, apesar de ainda vestir a armadura, seu capacete estava aberto —Sei que, apesar de não dizer, você queria isso tanto quanto eles. Feliz aniversário adiantado.— ela sussurrou.
Tony saiu da armadura, foi ao carro e pegou as malas, e os quatro caminharam até a casa, enquanto Google permaneceu parado analisando o novo ambiente.
—Vem, Google, vem, garoto?— Benjamin chamou e o cachorro correu atrás deles —Não tem ninguém aqui, quem faz a comida?
—Às vezes eu, às vezes o papai.— Pepper respondeu.
—Na maioria das vezes o papai.— Tony encarou-a —Mas a geladeira está cheia, não se preocupem, vocês não morrerão de fome. Só uma pessoa fica aqui quando nós não estamos...
—Jaja?— Olivia perguntou —Bom dia, Jaja.
—Bom dia, Sweet Cherry, fez boa viagem?— o AI perguntou.
—Ótima, e nós voamos com o papai hoje.— respondeu contente.
—Eu sei, estava lá também.— Jarvis respondeu.
—Jarvis é a pessoa invisível mais inteligente que eu conheço.— Benjamin se pronunciou ao sentar-se ao sofá.
—Quantas pessoas invisíveis você conhece?— Tony sentou-se ao lado dele.
—Humm...— ele pensou —...Só o Jarvis.— disse fazendo-os rir.
—Então, gostaram da casa?— Pepper perguntou.
—Eu amei, é linda.— Liv afirmou.
—Mamãe vai mostrar o resto da casa pra vocês e depois nós vamos fazer uma trilha aqui perto, no meio da floresta tem esquilos e passarinhos, e na beira do lago perto das árvores tem várias casinhas de castor.— Pepper falou.
—Esquilo eu sei o que é, mas o que é um castor?— Liv perguntou curiosa.
—Castor é um bicho fofinho...
—Que você não vai poder adotar.— Tony complementou a fala de Pepper.
—Eu não quero adotar todos os bichos, tá, papai?— Liv rolou os olhos.
—Se você adotar um castor o Google vai comer ele.— Benjamin provocou.
—O Google devia comer você, seu chato!
—Ei, vocês estão impossíveis, implicando um com o outro desde ontem.— Pepper os censurou.
—Qual é o problema?— Tony perguntou.
—O problema dele é que eu fiz dois gols no jogo ontem e ele um só.— Olivia mostrou a língua para Ben.
—Mentira dela!
—É sim, os meninos ficaram zombando dele porque eu sou menina e fiz mais gols que ele. Não tenho culpa. E agora ele fica pegando no meu pé por causa daqueles meninos bobos.— Liv disse chateada.
—Amigão, você não tem que ligar pra esses garotos, eles nem se quer fizeram gols. Sua turma ganhou de 4 a 2. Os Stark fizeram três gols, juntos. E o outro gol foi uma menina quem fez, pelo que eu me lembre.— Tony falou.
—Agora que nós sabemos o que estava acontecendo o Ben vai pedir desculpar por ter sido rude. E a Liv vai pedir desculpas por rebater as grosserias. Justo?— Pepper perguntou.
—Eu acho justo.— Tony concordou.
As crianças se abraçaram e pediram desculpas. E depois de verem a casa toda, arrumaram uma cesta de piquenique e saíram para caminhar pela área em volta da casa do lago. Aquela era uma experiência diferente para os pequenos, com o passaram dos anos eles tornaram-se urbanos demais, tecnológicos demais. Estar naquele lugar sempre foi uma válvula de escape para que Tony e Pepper pudessem se desconectar do resto do mundo, agora dividiam o momento com as crianças. Ao voltarem para casa no meio da tarde, ficaram nadando no lago até o sol se pôr.
—Estou com fome.— Benjamin resmungou ao descer as escadas vindo do quarto.
—Está mesmo na hora de prepararmos o jantar.— Pepper comentou ao descer atrás dele, Benjamin voltava do banho, era por volta de sete da noite.
—Eu nunca fiz um jantar.— Olivia comentou, ela estava na sala deitada ao sofá com a cabeça no colo de Tony, ambos já de banho tomado.
—Você quer ajudar o papai a fazer o jantar?— Tony perguntou afagando a cabeça dela.
—Quero!— animada, sentou-se —O que a gente vai preparar?
—A especialidade do papai é macarrão com queijo e a mamãe ama.— Pepper palpitou.
—Pode ser macarrão com queijo?— maneou a cabeça.
—Sua mãe não influenciou a sua escolha, né?— Tony arqueou uma sobrancelha.
—Claro que não.— a ruivinha respondeu.
—Concorda com o cardápio, Ben?— Pepper perguntou.
—Concordo, só não acredito que o papai sabe fazer isso.— o pequeno respondeu.
—Você vai ver só, todos pra cozinha.— Tony ordenou.
Preparar a refeição levou mais tempo do que imaginavam, mas, no fim, Benjamin teve que se render a outro talento de seu pai.
—Papai cozinha melhor que a Martha.— Benjamin comentou.
—Não precisa exagerar, amigão.
—E não precisa falar de boca cheia.— Pepper observou.
—Na verdade ficou mais gostoso por causa da minha ajudante especial.— Tony piscou para Liv.
Depois do jantar, a louça ficou a cargo de Benjamin e Pepper, eles terminavam a sua tarefa quando Olivia entrou na cozinha eufórica.
—Tem fadas na varanda, várias fadinhas! — Ben e Pepper entreolharam-se sem nada dizer e seguiram a menina que já havia deixado a cozinha novamente. Ao chegarem à varanda deparam-se com uma porção de vaga-lumes. Tony ria descontroladamente, mas não explicava para a menina o que na verdade era aquilo, Pepper pensou em quebrar o encanto daquele momento, e então lembrou-se do dia em que Benjamin deu os primeiros passos. Sentou-se ao futon com Tony e ficou observando Olivia correr atrás das “fadinhas”, e Google latir correndo atrás dela.
—A gente vai ter que dizer par ela que são vaga-lumes.— ele sussurrou.
—Não precisa ser hoje.— Pepper respondeu dando-lhe um beijo na comissura da boca.
—Não são fadas, são?— Benjamin perguntou baixinho, Tony e Pepper não se pronunciaram —Podem dizer, não vou contar pra ela.
—São vaga-lumes, depois o papai explica porque eles brilham, tá?— Tony disse a Ben aquiesceu.
—A gente pode voar outra vez?— Benjamin perguntou —Só mais uma vez. Eu queria voar agora, de noite, só pra ver as estrelas.
—Agora não.— Tony respondeu —Mas o papai promete que um dia nós voaremos à noite.— Benjamin sorriu.
A lua refletia no lago, era uma noite de céu estrelado. Minutos, talvez horas, passaram e Olivia parecia não cansar, continuava a correr pelo deck dando voltas ao redor da casa atrás dos vaga-lumes. Enquanto Tony, Pepper e Ben ficaram sentados ao futon conversando.
—Esse é meu lugar favorito no mundo.— ela disse ao, finalmente, sentar-se —A gente pode voltar sempre?
—Sempre que vocês quiserem.— Pepper garantiu —Mas agora...
—Não quero dormir.— ela fez beicinho
—Se a gente não dormir eles não podem namorar, Liv.— Benjamin sorriu um sorriso sacana à la Tony Stark.
—O...que...você...sabe...sobre...namorar,...mocinho?— Pepper fazia cócegas nele.
—Não sei nada...— ele gargalhava —Mas você namora o papai, a dinda namora meu padrinho. A Tia Carol namora o Tio Rhodey...para de fazer cócegas, mamãe.
—O vovô Richard namora a vovó, e o Google namora a Tink.— Olivia continuou —Ainda tem a Tia Sarah e o Tio Charlie, Tia Lory e o Tio Jack, Tio Happy troca de namorada toda hora.
—Ok, vocês são muito inteligentes.— Tony desconversou —Que tal irem pra cama?
Não tiveram que insistir muito, as crianças logo se renderam, o dia havia sido cheio e estava na hora de dormir.
—Pulguento você nem pense em subir na cama essa noite. — Tony apontou para Google que se encolheu em sua cama num canto do quarto.
—Não briga com ele, papai.— Olivia afagou Google —E ele não é pulguento.— disse ao subir na cama.
—Onde vocês vão dormir?— Benjamin perguntou.
—Nessa cama, junto com vocês. Ela é bem grande, não é?— Pepper perguntou, Ben assentiu —Mas na próxima vez que nós viermos pra cá, vocês já terão um quarto, prometo, antes de reformar a casa mamãe queria saber se vocês iriam gostar dela.
—Aqui a gente pode voar.— ele disse, foi a maneira dele dizer que havia amado a casa do lago.
—Mamãe, conta uma história?— Olivia bocejou —A história da sua pulseira da sorte.
Liv adorava ouvir as histórias por trás de cada pingente que havia na pulseira de Pepper, talvez o motivo fosse saber que ela e o irmão também estavam representados naquela joia, através de um pingente de Cereja outro do Pequeno Príncipe.
—Antes da história, deem nossos beijos de boa noite.— Tony pediu —O meu beijo é de sanduíche.— Tony não pre cisou pedir duas vezes as crianças levantaram e ao mesmo tempo beijaram-no de cada lado do rosto.
—Ah, também vou querer um beijo assim.— Pepper pediu e ganhou o mesmo carinho que Tony.
—Boa noite, amo vocês muitão.— Ben disse ao deitar sob os lençóis.
—Também amos vocês mais que muitão.— Olivia falou.
—Você não pode falar isso, Liv, eu já disse muitão, não existe mais que muitão.
—Quem disse?
—A gente sabe o quanto você nos amam, não precisa brigar.— Tony usou um tom apaziguador —Amor, hora da história.
Pepper mal tinha começado as histórias e os dois já estavam dormindo entre ela e Tony. —Eles estão muito grandes, né?— sussurrou acariciando os cabelos de Olivia.
—Eu fiquei meio apavorado com aquela história sobre namorar, até eles começarem a falar dos casais com os quais convivem. Não consigo imaginar o dia em que um deles vai chegar em casa namorando.
—Você vai surtar.— ela riu —Ainda mais se for a sua Sweet Cherry. A imprensa já a chama de Cherry, sabia?— Pepper perguntou —Com certeza eles ouviram você chama-la assim em alguma ocasião. Eles estavam numa lista de crianças mais influentes dos EUA em meio a uma dezena de filhos de celebridades Hollywoodianas. Tem noção? Que influência duas crianças de seis anos podem ter na vida de alguém que não sejam seus pais?
—Pep, a imprensa tem que vender revista, eu já perdi a conta de quantas vezes pedi pra você parar de ler isso.
—Não consigo. Eu leio Stark e fico curiosa.— ela confessou —Eu quero criá-los pro mundo e protegê-los dessa superexposição, no entanto, sei que é impossível.
—Parece que não, mas eles já sabem lidar com isso.— Tony falou —Sete anos...
—Quase.
—Faltam dois meses, amor. Sete anos. Passou mesmo muito rápido.— Tony afagou as costas de Benjamin.
—Parece que com eles tudo é superlativo, a inteligência, a doçura, as travessuras,...
—A beleza.— Tony acrescentou.
—Eu tento não me gabar, mas eles são lindos mesmo.— Pepper beijou os cabelos de Liv —Sabe, eu amo falar deles, amo ficar com eles, mas também amo ficar com você.
—Sei.— ele sorriu.
—Então vamos sair daqui e ir namorar lá embaixo?— Pepper sorriu com segundas intenções.
Minutos depois estavam na sala, beijando-se com o mesmo fervor do começo do relacionamento. Com a mesma paixão e urgência de sempre. Tony a colocou sentada em seu colo, Pepper envolveu os braços ao redor do pescoço dele, e ele segurava com firmeza em sua cintura enquanto sua outra mão estava perdida entre os fios de cabelo dela. Não se limitava a beijá-la a devorava como se a possuísse apenas com um beijo, ela suspirou, permitindo-se, entregando-se, e aos poucos foi buscando mais dele, de sua boca, seu toque. As mãos dela viajaram até a barra da camiseta dele, e começaram a puxá-la para cima, seus lábios se separaram por um breve instante para dar passagem à camiseta branca de algodão. E quando Tony achou que ela voltaria a beijá-lo Pepper hesitou.
—Não podemos ir longe demais, não estamos sozinhos dessa vez.— ela lembrou ao vestir a camiseta nele.
—Nunca mais estaremos sozinhos aqui, eles adoraram a casa. Sabe o que eu pensei enquanto você falava dos pingentes?— Tony recobrava o controle da respiração depois da longa sessão de beijos.
—Hum?
—Não há nenhum pingente nessa pulseira que represente esse lugar que nós gostamos tanto.
—Não precisa, há dois pedaços nossos que sempre me fazem lembrar o quanto esse lugar mudou a minha vida, a nossa vida.— beijou-lhe o pescoço —Lembra? Era novembro. Nosso primeiro outono aqui, nós viemos passar o final de semana, na primeira noite tinha fondue e muito vinho, acabamos ficando quatro dias por causa do tempo.
—Você nunca me disse que eles foram concebidos aqui.— ele sorriu.
—Mas foram. Tenho certeza. Nesse sofá.— Tony arqueou a sobrancelha em descrença —É brincadeira, onde não dá pra saber. Ainda mais naquela época, nós estávamos bastante engajados no projeto bebê.
—Tão empenhados que tivemos dois....— a beijou novamente, seu lábios eram suaves —...Ainda estou em dívida com você, quando eu te pedi em casamento te prometi três filhos.
—Você me deu três filhos.— ela afirmou —Só que o primeiro veio para que nós dessemos valor aos dois que viriam depois. Por mais que eu o quisesse, eu não estava pronta pra ele naquele momento, eu precisava amadurecer, você precisava. Foi pra isso que ele veio, pra nós fazer crescer, foi por isso que ele foi embora.— Pepper suspirou e as lágrimas que represaram em seus olhos enquanto ela falava foram liberadas.
—Droga, não queria te fazer chorar— com o polegar enxugou as lágrimas que corriam pelo rosto dela, parou com as mãos em suas bochechas e ela fechou os olhos absorvendo o calor que emanava dele.
—Estava apenas olhando pelo retrovisor, mais uma vez.— disse com a voz embargada —E ao voltar esses anos todos posso te garantir que a minha resposta teria sido a mesma, até porque eu já tinha dito sim antes da sua promessa.— o surpreendeu quando subitamente trouxe a boca dele à sua, o segurando tão forte que seus seios foram pressionados ao peito másculo. Um beijo voraz o suficiente para tirar-lhe novamente o fôlego. —Será que já passa da meia-noite?
—Que diferença faz?
—Toda a diferença.— mordiscou-lhe o lábio inferior, levantou do colo dele e caminhou até a cozinha —00:01h— ela disse ao voltar.
Tony a olhou da cabeça aos pés prestando atenção em cada coisa que amava nela. O olhar iluminado sempre de um azul límpido, as sardas salpicando suavemente as maçãs do rosto, a boca levemente avermelhada, resultado dos beijos apaixonados trocados há pouco. Os cabelos ruivos caindo em ondas sobre apenas um dos ombros, as pernas longas, expostas graças ao curto short que ela usava. E por fim, o fato de ela estar tão confortável naquela situação a ponto de abrir mão dos calçados.
—Você nunca vai aprender a usar chinelos, anjo?— ele sorriu e ela sorriu em retorno.
—Gosto de ter os pés no chão.— ela encolheu os ombros e sorriu um daqueles sorrisos que o desarmava, caminhou em sua direção segurando duas taças com vinho tinto, entregou uma a ele e ficou com a outra, ajoelhou-se sobre o sofá de couro branco, sentou-se sobre os calcanhares e ao ficarem cara a cara disse —Um brinde ao homem da minha vida que hoje completa mais um ano de vida.— tocaram suas taças as fazendo tilintar, depois sorveram todo o conteúdo, sem tirar os olhos um do outro. Ela pegou a taça dele e colocou-a junto com a sua sobre a mesa que havia ao lado do sofá. Pepper montou no colo de Tony, beijou-lhe a testa e correu uma trilha de beijos até chegar onde queria, beijou sua boca de contornos perfeitos e ele a apertou em seus braços de uma maneira que ela mal conseguia respirar.
—Eu te amo, meu anjo.— ele sussurrou —Demais.— sua simples declaração foi o suficiente para que ela voltasse a lacrimejar.
—Você não é só o homem da minha vida. É o meu marido, meu amor e minha vida. Te amo muito e cada dia mais.— ela declarou entre beijos sucessivos.
—Mesmo com os meus cabelos brancos?— coçou a cabeça e deu aquele sorriso lateral meio cafajeste que ela adorava.
—Por causa dos seus poucos cabelos brancos principalmente.— ela garantiu —Você deve agradecer sempre por chegar a esta fase da sua vida. Daqui algum tempo os meus também aparecerão, isso não é uma exclusividade sua. Mas me responda, como é fazer 50 anos?
—Anos atrás você me perguntou como era ter 42, lembra?— ela assentiu —Hoje você sabe como é. Daqui alguns anos eu vou perguntar e você me responde como é ter 50, ok?— corria as mãos pelas pernas dela.
—Feito!— ela selou aquele trato com um beijo casto —Então renovaremos a pergunta por muito mais anos.
—Anjo, obrigado pelo presente de mais cedo, embora ainda seja diretor da SHIELD, eu não sei por quanto tempo ainda serei o Homem de Ferro, sei que eles não serão crianças pra sempre. Foi extraordinário voar com eles, enquanto isso ainda faz sentido pra nós três.
—Você pode deixar de vestir uma armadura e sair por aí amanhã, semana que vem ou daqui um ano, não importa. Por mais que eles cresçam você sempre será o maior e melhor herói do mundo, não por ser o Homem de Ferro, mas por ser pai deles. Por ser o melhor pai pra eles.
—Pai...— ele pensou em voz alta —Hoje eu consigo entender porque tive tanto medo do peso que essa palavra tem. Eu pensava que não era digno dela.
—Eu sempre soube que você seria.— acariciou o rosto dele.
—Você me deu o melhor presente que um homem pode ganhar, me tirou da mediocridade, da singularidade.— ele a segurou pela cintura e com a outra mão segurou seu queixo inclinando sua cabeça para olhá-la nos olhos —Eu te amo não só pelo que você é, mas pelo o que eu me tornei por sua causa. Aos 38 eu não acreditava que chegaria aos 40, e aqui estou eu com uma vida completamente diferente da que eu levava. Tenho uma mulher por quem eu sou perdidamente apaixonado e dois filhos lindos, pelos quais eu nem consigo mensurar o que eu sinto.
—Obrigada pelo seu amor, e por me fazer plural. Também não posso mensurar o quanto eu te amo, mas sei que vou te amar pra sempre.— ela garantiu, segurou o rosto dele entre as mãos, suas bocas se abriram quando seus lábios se encontraram e novamente estavam absorvidos por um beijo carinhoso.
—Quanto dura o pra sempre?— ele perguntou ao encostar a sua testa a dela.
—Alguns duram mais que outros, às vezes dura apenas um segundo.— ela respondeu —O nosso já dura dez anos, e tenho certeza que durará muito mais, porque nós aprendemos a fazer o nosso para sempre valer a pena.
O amor de Tony e Pepper não aconteceu por acaso, nem destino, foi por pura teimosia. Apenas dois teimosos apaixonados superariam todos os obstáculos pelos quais eles passaram desde aquela manhã em que Pepper acordou pela primeira vez nos braços do homem que amava. Não há como se preparar para o que acontece quando se toma a decisão de viver ao lado de alguém, mesmo sabendo que esse alguém é quem você inconscientemente esperou por toda a vida até então.
Não há como se preparar pro que acontece quando se decide ter um filho e, inesperadamente, descobrir que, em breve, terá dois bebês nos braços. Não há como se preparar para o amor incondicional e desmedido, e o medo de saber que não importa o que tenha acontecido antes, aquela é a sua maior missão agora. Definitivamente tinha aprendido a não desperdiçar mais sua vida. Tinha tudo. Seu mundo eram três pessoas, de repente, para Tony Stark, todas as missões estavam tornando-se desnecessárias, por que cada dia de sua vida era preenchido por sorrisos, descobertas, momentos únicos e inusitados. Cada novo detalhe de sua nova vida ao lado de Pepper, Benjamin e Olivia era maravilhoso.
—Você falou que eu sempre serei um herói pra eles, mas e quanto a você, o que eu serei pra você?
—Você sabe, meu Tony, meu amante...— ela sussurrou bem próximo aos lábios dele —Meu herói.
—Meu anjo.— ele sussurrou de volta antes de beijá-la mais uma e outra vez.
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