Do Singular Ao Plural
9 Em par, em paz
Notas iniciais
A noite de quinta-feira foi um verdadeiro pesadelo para o casal Stark, Tony saiu sem rumo, e Pepper ficou em casa desolada nutrindo os piores pensamentos que poderia ter a respeito do marido. Pepper demorou a pegar no sono sozinha em sua cama, tinha certeza de que aquela seria a primeira noite que passaria inteira sem Tony. Na manhã de sexta-feira, despertou com o incômodo do travesseiro molhado de suas lágrimas.
Eram 8h da manhã, estava atrasada para o trabalho, levantou, tomou um banho demorado e se arrumou para sair, fez o possível para disfarçar o rosto exausto com maquiagem, mas o quanto ela havia chorado era notório. Pegou os seus materiais de trabalho e desceu para a cozinha, comeu algumas frutas e cereais, depois saiu. Não estava em clima para o trabalho, mas precisava ocupar a cabeça com algo.
—Hey, Pepper, bom dia.— Happy despertou a atenção dela que passava aérea pelo saguão, pela primeira vez Pepper chegou à empresa sem sorrir ou cumprimentar os funcionários, seu carisma estava apagado aquela manhã.
—Bom dia, Happy.— respondeu evitando olhá-lo nos olhos.
—Aconteceu alguma coisa?
—Não, Happy, está tudo bem.— afirmou mesmo o oposto estando evidente.
Hogan não insistiu e a deixou continuar seu caminho. Chegou ao andar da presidência e, ao passar pela mesa de Lorelai, fez sinal para que a assistente a seguisse, a garota foi atrás dela levando consigo um enorme copo de café. Pepper não conseguiu nem sentar-se para conversar com Lorelai, no instante em que o aroma de café invadiu as suas narinas ela correu para o toalete. Ficou alguns minutos dentro do banheiro até se recompor, voltou diante da assistente enxugando a boca numa toalha de papel.
—Por favor, livre-se desse copo de café de preferência bem longe daqui.— disse tapando o nariz para evitar sentir o cheiro da bebida novamente.
Lorelai fez o que Pepper pediu, saiu da sala e deixou o café sobre sua mesa —Você está bem?— a garota perguntou ao retornar.
—Pelo jeito não poderei chegar perto de café pelos próximos meses.— Pepper disse sentando-se à sua mesa.
—Poxa, era o seu favorito eu comprei por...Ah!— a garota exclamou —Você enjoou com café, você enjoou com café, você está...
—Estou.— Pepper afirmou.
—Minha mãe deve ser vidente, ela comentou que você poderia estar mas eu não acreditei...Oh, chefe, parabéns. Um bebê Stark, que sensacional.— disse eufórica.
—Menos, Lorelai. E, por favor, seja discreta, não quero esse assunto correndo pelos corredores.— Pepper foi um pouco áspera.
—Eu jamais faria isso.— a assistente disse sentida.
—Ai, me desculpa, eu não quis insinuar que você faria, é que...
—Entendo, não precisa explicar.— usou um tom apaziguador.
—Lorelai, eu não quis mesmo...
—Eu sei, Pepper, eu sei, eu conheço você. Eu vou buscar algo pra você comer já que você jogou todo o seu café da manhã fora, temos que alimentar direito esse embrião Stark.— Lorelai sorriu.
—Eu não quero nada, por enquanto.
—Mas você precisa se alimentar direito.— insistiu.
—Tudo bem, então,...me traga uma salada de frutas, sem morangos e um iogurte natural, foi a única coisa que consegui comer antes de sair de casa.— Pepper explicou, Lorelai aquiesceu.
—Enquanto eu busco o seu café, olhe a agenda pra hoje, está num atalho no desktop.— informou antes de deixar a sala.
Pepper ligou a teve como fazia na maioria das manhãs, ouvia o jornal matinal na CNN enquanto interava-se de seus compromissos para aquela sexta. Na matéria em questão, os jornalistas debatiam o aparecimento de um OVNI numa região de conflitos da Síria na noite anterior. Porém, quando voltou a sua atenção para a TV viu uma foto de Tony diante da armadura do Homem de Ferro, era a imagem que a imprensa sempre usava para falar dele. Parou de respirar por um instante ao ler a legenda da matéria “O retorno do Homem de Ferro” estava escrito no rodapé no gerador de caracteres, ela aumentou o volume da TV.
“—Acabamos de ter a confirmação de que o suposto OVNI visto na noite passada por moradores dos arredores da aldeia de Haddad no noroeste da Síria era na verdade o Homem de Ferro, alter ego do bilionário Tony Stark.— informou o âncora do jornal —O homem de ferro esteve na região de conflito e libertou soldados americanos de um cativeiro que há meses era procurado pelas forças armadas. Os soldados resgatados, que passam bem, afirmaram que já haviam perdido a esperança de serem encontrados— disse o âncora.
—Vale lembrar que a última missão do homem de ferro aconteceu em dezembro, quando Tony Stark com ajuda do Patriota de Ferro salvou a vida do presidente.— continuou a co-apresentadora —Desde então o bilionário estava em férias por tempo indeterminado, durante sua folga, Tony Stark casou-se em segredo com Virginia Potts, atual CEO das Indústrias Stark.— nesse momento uma foto de Tony e Pepper flagrados saindo de um restaurante foi exibida, um circulo destacava a aliança na mão dela —Há pouco mais de um mês, Tony Stark deixou claro que se dedicaria a vida de casado, porém, fontes ligadas ao governo afirmam que Stark está envolvido num projeto científico ainda mantido em sigilo.— disse a co-apresentadora —O que nos leva a crer que a lua de mel de Tony Stark definitivamente chegou ao fim.— a jornalista concluiu.
—O país agradece.— comentou o âncora.”
O corpo de Pepper tremia involuntariamente, ela nem sabia da existência de uma nova armadura do homem de ferro. O mundo deles desabando e Tony sai para salvar o mundo? Foi o que mentalmente se questionou. Ver aquela matéria a fez concluir que Tony tinha feito uma escolha, e ela e o filho não faziam parte dos planos dele. Apoiou os cotovelos sobre a mesa, derramou algumas lágrimas e contou até dez. Parou de chorar e foi lavar o rosto, ficar nervosa não faria bem pra ela e muito menos para o bebê que ela carregava em seu ventre.
O resto do dia de Pepper foi tranquilo na medida do possível, Hogan a cercava querendo saber qual era o motivo da tristeza evidente dela, mas Pepper se negou a dizer, então ele desistiu. Contou sobre a gravidez para Richard que a parabenizou e colocou-se a disposição para o que ela precisasse, a partir de então passou a ser mimada pelos Gilmore.
Quando chegou à mansão ao final da tarde não viu sinal de Tony, vasculhou as redes de notícia a procura de novas informações sobre o retorno do Homem de Ferro, mas não encontrou nada recente. Pegou o celular e discou um número.
—Quanto tempo dura uma viagem daqui até Napa Valley?
—De carro 6h, de avião 40min, por que...?
—Eu posso ir até aí?— disse chorosa.
—Claro que pode, coração, mas se acalma.
—Eu vou com o helicóptero da empresa, em no máximo duas horas estarei aí.— Pepper pegou o endereço exato e encerrou a ligação, fez as malas para o final de semana e deixou a mansão.
Tony chegou em casa por volta das 18h. Ele havia colocado todas as ideias no lugar, a novidade já não mais o aterrorizava tanto, precisava contar isso pra Pepper. Sabia que não estava pronto, mas teria ainda 8 meses pela frente para se acostumar com a ideia, teria dito isso não fosse o surto dela na noite anterior.
—Amor?— chamou ao chegar à sala não obteve resposta.
—O que vocês fez a ela agora?— Tony ouviu a voz de Hogan vir da área de serviço, o ex-motorista caminhou até a sala.
—Do que você está falando, ela quem? E vamos baixar essa bola, que você pode se impor na empresa, mas não comigo, não na minha casa.— replicou irritado com a petulância de Hogan.
—O que você fez com a Pepper? Ela passou o dia com os olhos vermelhos como se chorasse a todo momento, na verdade, ela já chegou arrasada pela manhã. Eu perguntei o que havia de errado, mas ela se negou a dizer.
—É um problema nosso.— Tony respondeu.
—Qual problema?
—Não direi a você, Hogan, além do mais, você está abusando da liberdade que eu sempre te dei e está pisando num campo que não lhe diz respeito. Limite-se ao seu trabalho, e cuidar da minha esposa não é o seu trabalho.— disse agressivo.
—Tony eu quero o seu bem e da Pepper também, eu só a vi tão murcha como ela estava hoje uma única vez, sabe quando foi?— Tony não mostrou curiosidade e mesmo assim Happy continuou —Quando ela achou que você havia morrido no Afeganistão. Eu nunca vi a Pepper te pedir ou exigir nada, e se agora ela precisa de você dê a ela o que ela quer ou precisa.— dito isso Happy deixou a sala, ele não sabia, mas acabou dizendo tudo o que Tony precisava ouvir.
Tony foi em direção à suíte e ao chegar encontrou um bilhete sobre o móvel.
“Você tem o que quis. E eu tenho o que quis. Não vou forçar você a fazer algo que não quer, e eu também não farei algo que não quero, não posso deixar você me machucar, não sou mais só eu.
Pepper.”
Ao ler aquilo, Tony sentiu-se ser jogado de um prédio altíssimo sem armadura e sem paraquedas, imediatamente ligou para Pepper, mas o telefone dela estava desligado.
—Jarvis, ela esteve aqui depois do trabalho?— perguntou com a voz embargada.
—A Sra Stark deixou a mansão há exatamente 1h e 49min. Ela saiu levando apenas uma mala de tamanho médio.— eficientemente respondeu também as futuras perguntas de Tony.
Desesperado ele deixou o quarto foi até a garagem pegou um de seus carros e foi atrás de Pepper, acreditando que ela havia voltado para o seu apartamento.
Napa Valley — Califórnia
Sempre que Pepper tentava começar a contar como havia sido a conversa com Tony era interrompida pelas lágrimas, então Lauren sentou-se na cama do quarto de hóspedes, colocou a cabeça da amiga em seu colo e deixou que ela chorasse. E Pepper não se fez de rogada, chorou até cansar e acabou cochilando no colo de Lauren. A porta do quarto rangeu e Emma adentrou o ambiente.
—Shiiiu, a dinda está dormindo.— Lauren sussurrou para a filha, a babá da menina veio ao encalço dela, mas foi dispensada. Emma subiu na cama e acabou despertando Pepper.
—Oi, meu amor.— Pepper esboçou um sorriso ao ver a garotinha —A dinda está péssima.— Emma acariciou o rosto de Pepper.
—Melhor?— Lauren perguntou, Pepper afirmou passando as mãos pelo rosto e sentou-se —Dá pra contar agora?
—Meu casamento acabou.— Pepper disse tristemente.
—Como assim, por quê?
—Porque eu engravidei e meu marido é um psicopata individualista...— Pepper começou a repassar a história da noite passada —...E então ele sugeriu que eu interrompesse a gravidez.— ela concluiu.
—Coração, você está doida?! O Tony jamais diria isso.
—Ele disse.
—Você o ouviu dizer isso?— Lauren perguntou seriamente, Pepper mostrou-se confusa —Ele disse ou você achou que ele diria?
—Foi eu quem disse, mas ele diria...
—Virginia Potts Stark, você não deu ao homem a oportunidade de terminar de falar e tirou as suas conclusões. Eu não sei quem é pior: ele por não tentar corrigir o engano e fugir ou você por ser dramática.
—Eu não sou dramática, mas que droga, ele usou as palavras erradas também, a culpa é dele. Eu estou grávida e é ele quem surta? Ele me acusou de ter planejado, eu tomava a porcaria da pílula todos os dias e mesmo assim...— ela se alterou.
—Calma.— Lauren abraçou Pepper —As coisas vão se resolver, vocês foram feitos um pro outro. Agora vamos cuidar do meu afilhado, eu vou buscar algo pra você comer.
—Eu não estou com fome, na verdade estou com dor de cabeça.
—Então trarei um chá, terei que mandar o Paolo na farmácia, porque você não pode tomar qualquer remédio.— Lauren informou —Princesa, vamos deixar a dinda descansar, dá um beijo nela.— Emma fez o que a mãe pediu —Eu vou colocá-la pra dormir, enquanto isso a empregada trará o seu chá, depois eu trago o remédio, tá?— Pepper concordou acomodando-se na cama, Lauren apagou a luz e deixou o quarto.
Malibu – Califórnia
Tony foi ao apartamento e não encontrou nenhum sinal de Pepper, ligou inúmeras vezes, mas o celular dela permanecia desligado. Ele não conseguia pensar, não raciocinava, não via outras alternativas. E acabou fazendo o que há tempos não fazia, entregou-se a bebida.
Era por volta da 2h da manhã quando Rhodes ouviu alguém batendo insistentemente na porta de seu apartamento. —O que houve, Tony?— perguntou ao abrir a porta.
—A Pepper...
—O que tem a Pepper?— mostrou-se preocupado.
—Ela disse que não iria, disse que não faria, mas ela fez, Rhodey, ela fez e eu surtei, ela entendeu tudo errado.— Tony dizia coisas que para Rhodes não faziam sentido nenhum.
—Tony eu não estou entendendo, você precisa parar de resolver as coisas enchendo a cara. Vou fazer um café.— disse coçando a cabeça.
—Eu não fico mais bêbado, eu bebo, bebo e não caio mais. Esse maldito extremis acelera o meu metabolismo e eu não tenho mais o meu único consolo.
—É, realmente você não parece bêbado, mas está perturbado, diz devagar o que houve entre você e a Pepper?
—Ela me abandonou, mas eu não quis dizer, eu não quis...— Tony sentou-se ao sofá.
—Tony eu não posso te ajudar se eu não te entender— Rhodes sentou-se no outro sofá diante dele, a mesa de centro os separava.
Tony respirou fundo —A Pepper está grávida.
—Ei, parabéns, car...Acho que é esse o problema, vou deixar os parabéns pra depois.— Rhodes incentivou Tony a começar a contar a conversa dele com Pepper, e depois de ouvir tudo disse —Você agiu mal, meu amigo.
—E agora ela acha que eu sou um monstro, eu jamais sugeriria o que ela imaginou, mas ela não me deu a chance de explicar, e quando eu voltei pra casa ela tinha ido embora, eu fui até o apartamento e ela não está. Eu não sei viver sem ela, Rhodey, eu não quero viver sem ela. Eu não consegui explicar, não consegui dizer que ela entendeu tudo errado e agora ela me odeia, com certeza ela me odeia.— mostrava-se desesperado.
—Tony a Pepper ama você, ela não te odeia.— tentava consolá-lo —Mas você tinha que ter voltado pra casa na mesma noite, e não ter ido se enfiar numa zona de guerra depois de dizer que preferia ser herói a ser pai.
—Não foi isso que eu falei.— se defendeu.
—Mas foi assim que ela ouviu, você tem que ter cuidado ao falar com ela, hormônios enlouquecem as mulheres grávidas.— Rhodes disse, e então depois de muito tempo Tony parou pra prestar atenção no que ele vestia.
—Cara, como assim você abre a porta vestindo apenas cueca?— jogou uma almofada contra o amigo.
—Achei que fosse incêndio, sei lá.
Reparou nas duas taças, umas dela com marca de batom, e na garrafa de vinho sobre a mesa de centro —Você não está sozinho, quem é ela? É aquela que você chamou de Tenente Castro? Eu não interrompi nada, né?
—Vamos falar da sua vida amorosa, não da minha, ok?— Rhodes desconversou —Você ligou para as amigas dela?
—Não.— Tony respondeu sacando o celular do bolso.
—Isso não é hora pra ligar, Tony.— Rhodes o repreendeu.
—Mas eu preciso saber onde ela está!
—Rastreou o celular dela? Não que eu concorde com isso, mas é um caso extremo.— observou Rhodes.
—Não consigo rastrear o aparelho desligado, o carro dela está no hangar e...droga, ela viajou.— constatou, começou a fuçar no telefone celular —Ela está em Napa Valley.
—Tá vendo como se você não se desesperar consegue resolver as coisas? Você só não pode querer voar pra lá agora.— Rhodes advertiu.
—Eu vou amanhã cedo.— ele disse —Agora pode voltar pra sua namorada.
—Se você for embora.— Rhodes deu um meio sorriso e apontou a porta.
—Você sabe que será o padrinho, não é?— Tony perguntou antes de sair.
—Eu sei, Tony, boa noite.— Rhodes sorriu —Espero que vocês se acertem, porque quando você e a Pepper estão bem é uma maravilha, mas quando estão mal é uma bagunça.
Napa Valley – Califórnia
Era pouco mais de 10h da manhã de sábado quando Pepper despertou, de início estranhou o local onde estava, depois lembrou-se. Levantou e seguiu direto para o banheiro, tomou um banho morno e demorado. Escolheu um vestido branco com pequenas estampas geométricas rosa, comprido e frente única, calçou os chinelos e deixou os cabelos soltos para secarem naturalmente. Ao abrir as janelas para deixar o sol entrar no quarto foi que reparou na vastidão da área ocupada pela plantação de uva, era uma bela paisagem e fazia um dia incrível lá fora. Deixou o quarto e saiu pela casa à procura de Lauren ou de alguém que pudesse dizer onde ela poderia encontrá-la.
—Buongirno,...digo,...bom dia, Virginia, dormiu bem?— Paolo perguntou com o sotaque italiano carregado ao surgir de um dos quartos.
—Bom dia, Paolo, dormi muito bem.— ela sorriu —Obrigada.
—Lauren está tomando café na varanda.— ele informou, Pepper agradeceu e foi ao encontro da amiga.
—Bom dia, bela adormecida.— Lauren gracejou ao ver Pepper —Quando eu voltei ao seu quarto ontem você estava desmaiada. Dormiu bem? Está com fome?
—Dormi muito bem e estou com muita fome.
—Duas coisas que grávidas sentem muito, sono e fome, acostume-se. Tem um monte de coisas gostosas pra você comer. Ah, avisei o seu marido que você está aqui...
—Segunda-feira eu falo com ele.— Pepper a interrompeu —Cadê a Emma?— ela desconversou.
—Tá por aí.— Lauren respondeu.
Havia bolo, frutas, queijo, suco e uma porção de outras coisas sobre a mesa, mentalmente Pepper agradeceu por não ter nenhum bule de café. Ela serviu-se e começou a comer.
—É lindo aqui.— Pepper comentou.
—É enorme, reparou no tamanho da casa, ainda bem que não sou eu quem arruma.
—Você que sempre foi tão urbana agora leva uma vida campestre— Pepper observou.
—Campestre da noite de quinta à domingo.— Lauren corrigiu —Mas é bom, desde a Itália me sinto menos estressada no trabalho, nunca mais explodi nas reuniões da pauta. E agora tenho a vantagem da minha coluna ter uma única publicação na semana.— enquanto Lauren falava, ao longe Pepper ouvia Emma gargalhar ao brincar com alguém que julgou ser a babá ou algum outro empregado, a garotinha surgiu no gramado diante da varanda onde elas estavam, parecia fugir de alguém, mas não estava assustada, pelo contrário, se divertia bastante, Tony então surgiu e a agarrou —Ele é muito perigoso mesmo? Porque ela está rindo há pelo menos meia hora.— Lauren sorriu para Pepper —Ele tem um talento natural com crianças, coração, seu filho não poderia ter um pai melhor.
—O que ele está fazendo aqui?
—Você não me deixou terminar quando eu disse que liguei, então,...quando eu liguei ele estava a cinco minutos daqui. Já estou cogitando transformar o gramado lá atrás num heliporto.— Lauren ironizou.
Enquanto Lauren conversava com Pepper, Tony se aproximou trazendo Emma em seus braços. —Oi.— ele disse sem graça ao chegar até elas.
—Oi.— Pepper apenas levantou os olhos na direção dele.
—Emma, vem com a mamãe.— Lauren estendeu os braços, mas a garotinha relutou em sair do colo de Tony —Depois o padrinho brinca mais.— tentou explicar para a filha e conseguiu pegá-la —Bem, vocês que são Stark que se entendam.— deixou-os a sós na varanda.
—Amor, eu...
—Vamos sair daqui.— Pepper o impediu de continuar e saiu andando pelo jardim até parar num local onde havia um banco sob uma árvore, então ela sentou e ele sentou ao lado dela virando o corpo para poder olhá-la —Eu pensei muito e quero que você saiba que eu não planejei, eu sei que o nosso casamento estava no início e que você deve estar achando que eu engravidei para prender você...— ele colocou os dedos nos lábios dela a impedindo de continuar.
—O nosso casamento não estava, não é passado, Pepper, o nosso casamento está no começo e vai durar muito se depender de mim. Eu também pensei muito, e não acho que um filho irá me prender porque eu já estou preso a você há muito tempo. Você não me deixou dizer nada e no dia seguinte sumiu deixando um bilhete dizendo que eu tenho o que quero...
—Você queria o quê, Tony? Desde que ouvi você dizer ‘Eu não quero ser pai, não nasci pra isso’, não consegui assimilar mais nada, você me disse que diferente de ser pai, sempre quis ser um herói, e então eu fico sabendo pelo jornal matinal que você se enfiou num buraco no Oriente Médio. Acreditei que você havia feito a sua escolha.
—Entenda que se você não estiver ao meu lado, a minha vida não faz sentido, porque a única coisa que eu quero é você, eu JAMAIS machucaria você. Eu gosto de ser o Homem de Ferro, mas eu tenho que saber que quando chegar em casa você estará lá, ou saber que você vai voltar.— ele concluiu.
—O que você quis dizer quando disse que a minha gravidez estava no início e que nós poderíamos dar um jeito?— perguntou chorosa.
—Eu quis dizer que, estou apavorado Pepper, que eu realmente não acho que seria um bom pai, mas que eu teria ainda alguns meses pra me acostumar com a ideia, em hipótese alguma eu sugeriria o que você imaginou.— explicou —Eu fiquei aterrorizado com a responsabilidade de caiu sobre mim. Ontem eu era um bêbado cretino e hoje eu tenho esposa e filho, tem ideia do que é isso? Eu não sei nada sobre ser pai, eu me apavorei.— disse com voz trêmula, seus olhos tinham um brilho molhado, enquanto ela já chorava.
—Eu também não sei nada sobre ser mãe, Tony, estava, ainda estou morrendo de medo e a sua atitude não ajudou em nada.
—Vocês mulheres são diferentes, parecem que nascem prontas para serem mães, é instinto. Alguém diz: você está grávida. E pronto. Vocês se transformam em leoas, prontas pra gerar e proteger essa nova vida que carregam. Eu preciso me acostumar, porque simplesmente me acho estragado demais pra ser pai.
—Porque você acha isso? Por causa da sua infância, por causa da sua relação com o seu pai?
—Sim, claro, a minha mente é muito nublada com lembranças escuras, Pepper, eu simplesmente não entendo o fato do meu pai ter me ignorado a minha vida toda e deixar um vídeo dizendo que eu fui a maior criação dele. Ele não me chamou de filho, ele me chamou de criação. Ele não me deu amor, ele me moldou pra ser brilhante, ser bem sucedido, com 15 anos eu vivia uma vida de adulto. Pais têm que ser capazes de dar e receber amor, Pepper, e eu não tive um exemplo disso em casa, por isso acho que não sou capaz.
—Isso não faz sentido, você aprendeu a me amar, e vai saber amar o nosso bebê. Não são só pessoas com infâncias felizes que são bons pais, Tony, e você é sim capaz de dar e receber amor e será ótimo pra ele.— ela colocou a mão dele sobre o próprio ventre —Eu tenho certeza disso.
—Ele?— Tony perguntou entre lágrimas.
—Ou ela. É cedo pra saber.— havia esperança novamente nos olhos dela ao fitar os dele. Estavam bem. Em suas bochechas corriam trilhas úmidas, ele ergueu a mão e acariciou o rosto dela, escorregou a mão para a nuca dela e a trouxe para si. Tony a beijou inalando a sua doçura, a acolhendo, cobriu o rastro de suas lágrimas das pálpebras à curva do lábio superior —Eu fiquei com medo de ter que aprender a viver sem você.— ela confessou.
—Eu também.— ele disse, ela passou as mãos delicadas pelo rosto dele secando as lágrimas —Me perdoa?— Pepper respondeu a pergunta dele com um beijo apaixonado. —Acho que isso é um sim.— ele observou —Você não vai amá-lo mais do que eu vai?
—Eu não vou responder essa pergunta.— ela franziu o cenho.
—Porque não?
—Porque é idiota e não faz sentido, deixe de ser individualista, Tony, eu vou amá-lo tanto quanto eu amo você, são amores distintos.
—Então você me ama?— perguntou fazendo sinal para que ela sentasse ao seu colo.
—Até quando você não merece que eu te ame.— disse envolvendo os braços ao redor do pescoço dele.
—Quando foi que eu não mereci?
—Você quer mesmo que eu enumere?— arqueou uma sobrancelha.
—Não precisa.— deu um meio sorriso.
—Então a nossa lua de mel acabou, não é? O homem de ferro está de volta.— ela constatou —Se você deixar o nosso bebê órfão, acabo com você.
—Há uma coisa chamada coerência que inviabiliza toda a sua última frase.— ele riu afagando as costas dela.
—Eu sei.— acariciou a nuca dele —É que você me deixa maluca.
—Me desculpa por ser instável e imperfeito?
—Você não precisa se desculpar pela sua personalidade.— ela o beijou —Não existe ninguém perfeito e completamente centrado, e os que tentam ser acabam sendo enfadonhos. Apresar das suas imperfeições você é perfeito pra mim.
—Mesmo?
—Só não quando você me faz chorar.— ela disse manhosa.
—Prometo não te fazer chorar mais.— beijou o ombro dela.
—Não prometa.
—Ok.— ele a abraçou forte, e então Pepper estava no seu lugar favorito no mundo, os braços de Tony Stark —Pep?
—Hum?— murmurou inalando o cheiro dele.
—Bebê significa sem sexo?
—Pelo contrário, significa que fizemos sexo demais.
—Não é disso que eu estou falando.
—Eu sei, mas não precisa aflorar o seu lado pervertido agora, estávamos compartilhando um momento fofo.— ela o repreende.
—Tudo bem, posso beijar você?
—Você deve.— seus lábios uniram-se novamente, as coisas estavam voltando aos eixos.
Fale com o autor