Do Singular Ao Plural
30 Dois reflexos em um
Notas iniciais
—36— Pepper sussurrou ao abrir os olhos por volta das 11h da manhã de sexta-feira. Aquele não era o despertar de dia de aniversário que esperava ter, fazia três anos que não acordava sozinha nesta data. Ao contrário da maioria das pessoas Virginia Potts gostava de aniversários.
Na infância ficava ansiosa para que a data chegasse, embora sempre soubesse o que iria acontecer ao acordar. Seus pais estariam sentados aos pés de sua cama, depois a encheriam de beijos enquanto faziam cócegas, e quando ela levantasse o resto do dia seria uma surpresa. Foi assim até o seu 17º aniversário e, mesmo sem sair de Denver, durante todos aqueles anos, apenas o despertar naquela data era igual.
Hoje, ao abrir os olhos aos 36 anos de idade, não tinha seus pais, não tinha os beijos, as cócegas. Não tinha Tony. Pepper olhou para a mesa de cabeceira e viu seu celular, perdeu a conta de quantas vezes ligou para o marido na noite anterior, sem nenhuma resposta. Mas não chorou ao ser ignorada. Não choraria, embora, ser ignorada por ele doesse.
—Sra Stark, as suas amigas estão na sala a sua espera.— Jarvis informou.
Pepper levantou da cama e foi ao banheiro para fazer sua higiene pessoal, depois de alguns minutos estava na sala.
—Feliz aniversário, coração!— Lauren e Sarah exclamaram antes de abraçar Pepper, não a soltando enquanto não terminavam com os votos de vida longa e felicidades.
—Não consigo respirar.— Pepper brincou para que as amigas a soltassem —Obrigada, meninas, amo vocês.— ela sorriu.
—Nós amamos você.— disse Sarah —Mas que carinha é essa?
—Não é nada, eu só...fiquei na cama por alguns minutos, então comecei a me lembrar dos meus pais, e...
—Onde está o Tony que não impediu esse tipo de lembrança justo hoje?— Lauren perguntou.
—Se você souber me avise.— Pepper respondeu —Não o vejo desde quarta-feira, ontem ele esteve em casa enquanto eu estava na empresa e deixou recado dizendo que ia à Washington, mas voltava para o meu aniversário...
—Ah, então ele volta hoje.— Sarah observou.
—Meu aniversário...no domingo.— Pepper complementou emburrada.
—Ele esqueceu o seu aniversário? Que cretino!— Lauren xingou —Mas, coração, prometo não deixar você sentir falta dele. Olha o vídeo que a Emma fez pra você.— a morena sacou o celular da bolsa e deu nas mãos de Pepper.
No vídeo Emma estava vestida semelhante à Dorothy, personagem principal do filme O mágico de Oz, o favorito de Pepper. Lauren ainda fizera um dueto com Emma cantando Somewhere Over the Rainbow.
—Linda.— Pepper lacrimejou —Mas você não precisava ter fantasiado ela.
—Não é uma fantasia, é um vestido que ela ganhou do Paolo, e na hora que eu a vesti assim, logo me lembrei de você. Tive que fazê-la cantar. Não ficou lá essas coisas, mas o que vale é a intenção.— Lauren replicou.
—Ficou lindo, eu amei. Onde ela está, porque você não a trouxe?— Pepper perguntou.
—Já a despachei para Napa Valley com o pai, nós vamos ao final do dia.— Lauren respondeu.
—Nós?
—Lauren e eu.— Sarah respondeu —Charlie e os meninos estarão lá também.
—Porque eu não fui convidada pra esse final de semana em Napa?— Pepper colocou as mãos na cintura.
—Coração, sem drama.— Lauren observou —Você vai sair pra almoçar assim de camisola?
—Não, vou tomar banho.— Pepper baixou a cabeça —Antes preciso escolher o que vestir.
—Esperaremos umas três horas pelo visto.— Sarah ironizou.
—1:30h— Pepper piscou antes de subir as escadas. Voltou depois de aproximadamente 50min, ela vestia uma blusa branca estampada que exibia seu abdômen, uma calça preta na altura dos tornozelos e scarpins pretos, seus cabelos estavam presos num rabo de cavalo e sua maquiagem era simples —Demorei muito?
—Deu pra cochilar.— Lauren gracejou.
—Essa barriga de fora é pra humilhar a gente, coração?— perguntou —Funcionou.— Sarah gracejou também.
—Com certeza é autoafirmação, as pessoas costumam agir assim com a idade.— Lauren provocou.
—Não é nada disso.— disse Pepper.
—Nós sabemos, coração. Só gostamos de pegar no seu pé.— Lauren disse quando elas deixavam a mansão —Mas e então, como é ter 36?
—Acho que vocês sabem melhor que eu.— Pepper respondeu.
—Não precisa lembrar que você é a mais nova de nós três.— Sarah disse, ela e Lauren já estavam prestes a completar 37.
—Onde nós vamos almoçar?— Pepper perguntou ao embarcar no carro de Lauren.
—Que tal no Civello’s?— Lauren perguntou.
—Italiano?— Sarah comentou —Eu gosto.
—O fato de seu marido ser sócio do restaurante não foi levado em conta, certo?— Pepper provocou Lauren.
—O vinho é por conta da casa o almoço você paga.— Lauren rebateu a provocação pouco depois de colocar o carro em movimento.
Depois do almoço, as três amigas foram até Los Angeles, onde fizeram compras e passaram o restante da tarde. Exaustas, param numa sorveteria em plena Rodeo Drive, cada um pediu seu sabor de sorvete favorito.
—Tenho uma coisa pra te contar, acabo de me lembrar.— Sarah disse para Pepper.
—Não vai dizer que você está grávida novamente?— Lauren perguntou.
—Não.— Sarah respondeu —Mas envolve um bebê. Sabe quem esteve em casa semana passada e perguntou sobre você?
—É quem eu imagino?— Lauren perguntou.
—Se você estiver imaginando Matthew Morrison— disse a loira.
—Sério? E como ele está? Não o vejo há anos, o encontrei pouco antes da inauguração da Torre Stark e ele havia se reconciliado com a esposa.
—Está bem, ele e a esposa têm uma garotinha linda de uns 4 meses. E a esposa dele não deve fazer ideia de que você existe.— Sarah comentou.
—Por quê?— Pepper quis saber.
—Porque eu jamais deixaria o Charlie colocar na nossa filha o nome de uma ex.— Pepper engasgou ao ouvir aquilo, enquanto Lauren não conteve o riso.
—Por Deus, coração, ele deu seu nome pra criança.— Lauren disse ainda rindo.
—Me diz que isso é mentira?!— Pepper pediu.
—O pior foi o Jimmy perguntar na frente da Louise: Mamãe, Virginia não é o nome da tia Pepper? Charlie e eu ficamos muito sem graça, acho que a vontade do Matthew foi sumir.
—Crianças e suas perguntas inconvenientes mal posso esperar pra Emma chegar a essa fase.— Lauren disse irônica —Vejamos pelo lado positivo, pelo menos o Matthew agora tem a Virginia dele, espero que ele não estrague tudo com essa também. Preciso perguntar pro Paolo se o nome da minha filha não é de nenhuma ex.— a morena comentou.
—Eu escolhi o nome dela.— Pepper lembrou.
—Na verdade, a Lauren roubou de você o nome dela, lembro que você sempre disse que se tivesse uma menina colocaria esse nome.— Sarah observou.
—Não tive nem menina e nem menino.— Pepper disse —O nome ficou bem pra minha afilhada.
—Coração, você vai ter, já conversamos sobre isso.— Lauren lembrou.
—Só se eu arrumar outro marido, porque com o que eu tenho. Ele não se dá nem ao trabalho de me atender quando eu ligo, aquele cretino!
—Acredito que ele tenha um bom motivo para não te atender.— Sarah tentou apaziguar.
—Deve ser um motivo ótimo.— Pepper disse com sarcasmo —Loira, talvez morena, quem sabe ruiva? Talvez no dia em que eu cansar e colocar um ponto final nisso ele mude a maneira de se comportar. Então ele toma jeito, casa com outra e batiza a filha dele com o meu nome também.
—Não viaja, coração.
—Não é viagem, Lauren, é uma constatação. Não faço parte do mundo dele, da realidade dele.
—Respira, Virginia, não pira.— Sarah disse.
—Acho que a nossa tarde acabou, é hora de voltarmos pra Malibu.— Lauren levantou —Coração, já que o Tony só volta no domingo, o que você acha de pedir pra ele ir te buscar em Napa Valley?
—Você está me convidando para ir pra sua casa?
—Se você quiser. Não vai te fazer bem ficar sozinha.— Lauren respondeu —Nós vamos até a sua casa, você arruma algumas coisas e nós viajamos. Ok?
—Tudo bem, antes de irmos eu preciso ir ao banheiro lavar o rosto.— Pepper disse ao levantar-se também.
—Vou pagar a conta e te espero aqui.— Lauren respondeu.
—O que deu nela?— Sarah perguntou quando Pepper se afastou.
—Você e sua boca grande, Sarah Bishop!— Lauren a repreendeu —Até parece que você não conhece a amiga que tem. A Pep é um amor, mas é insegura, paranoica e adora fazer drama. E o que nós menos precisamos hoje é de drama.
(...)
—Prometo ser rápida, arrumo a mala em 15min.— Pepper disse quando Lauren adentrava os portões da mansão.
As três desembarcaram do carro, Pepper foi à frente, afinal a casa era dela, e ela precisava desligar o sistema de segurança para entrar na mansão.
—Jarvis, luzes.— Pepper pediu ao entrar, mas as luzes não se acenderam —Droga, Jarvis, luz...
—Surpresa!— gritaram assim que as luzes se acenderam.
Pepper ficou estática enquanto cantavam parabéns pra ela. Todos estavam lá. Rhodes e Carol, os Gilmore, Lorelai e Jack. Happy com Esther, sua namorada. Charlie e os meninos, Paolo e Emma. E Tony. A sala estava repleta de balões transparentes estampados com estrelas.
—Feliz aniversário, anjo.— Tony se aproximou e a abraçou —Relaxa, amor.—disse ao senti-la tensa.
—Porque você não me atendeu? Porque você me fez acreditar que havia esquecido?
—Porque senão não teria graça.— Tony beijou-lhe os lábios castamente.
—Eu estava odiando você. E não pense que uma festa surpresa explica 48h de ausência porque não explica.— ela disse firme.
—Não é hora de falarmos sobre isso.— Tony respondeu —Tem um monte de gente querendo abraçar você.— disse ao soltá-la.
—Eu ainda mato vocês duas por causa desses conchavos com ele, ouviram?— Pepper disse quando as amigas a abraçaram.
—As fotos da sua cara de surpresa ficaram incríveis.— Charlie riu ao cumprimentar Pepper.
Depois de quase uma hora de festa Pepper descobriu que tudo não passou de armação. Todos fizeram o possível para que ela não desconfiasse, até mesmo a visita de Emily ao seu escritório no dia anterior fazia parte do plano.
—Chefe, foi muito difícil esconder isso de você.— Lorelai disse enquanto era envolvida pelos braços de Jack —Mas como o meu emprego estava em jogo.— ela gracejou.
—Eu devia te demitir por não ter me contado nada.— Pepper brincou —Aliás, deveria demitir o Sr Hogan que não aparece na empresa há dias e até hoje não justificou.— disse ao perceber Happy passar perto de onde estavam.
—Desculpe.— Happy encolheu os ombros.
—Tia Pep a sua casa é tão legal.— disse Jimmy, o filho mais velho de Sarah —Sabia que eu conheço um bebê com o seu nome? Não é mesmo Danny?— perguntou ao irmão mais novo que assentiu.
—Amor, não é hora pra isso.— Sarah disse ao garoto.
—Existem bebês com todos os nomes que você imaginar, querido.— Pepper afagou os cabelos loiros do menino.
—E se eu imaginar um nome esquisito?— o garotinho perguntou.
—Esses são os que mais existem.— Pepper sorriu, beijou o topo da cabeça dos pequenos diante dela e foi até os Gilmore para conversar.
Depois de outro par de horas todos os convidados estavam entrosados, bebiam, riam e conversavam entre si como amigos de longa data. As crianças não pararam um instante.
—Acho que você não está gostando muito.— Carol observou ao ver o olhar distante de Pepper num dos poucos momentos em que ela ficou sozinha.
—Estou.— Pepper afirmou —Mas o Tony estava fora de casa desde quarta-feira, então aparece como se estivesse tudo bem.
—Tenho certeza que ele tem uma boa razão.— Carol sorriu e se afastou ao ver que Tony se aproximava.
—Você não está feliz.— Tony disse ao beijar o pescoço dela.
—Não é hora para falarmos sobre isso, quando os convidados forem embora conversamos.— Pepper respondeu, colocou a taça de champanhe vazia que tinha nas mãos sobre um móvel e, esperando que ninguém notasse, subiu em direção à suíte.
—Eu juro que tentei esperar mais, mas nós temos que sair agora.— Tony disse ao entrar no quarto.
—Não vou sair, a casa está cheia de gente.— Pepper disse.
—Você não quer saber por que eu sumi?— perguntou —Vou te levar a um lugar e tem que ser agora.
—A casa está cheia de gente, Tony!— ela repetiu.
—A única pessoa que realmente me importa está aqui. Eles vão saber o motivo do nosso sumiço.— Tony respondeu a puxando para dentro do elevador.
Ao chegarem à garagem ele entrou em seu Audi e Pepper sentou-se ao banco do passageiro, deixaram a mansão e depois de alguns minutos estavam no hangar onde Tony deixava seu avião. Ela se surpreendeu ao ver que a tripulação parecia espera por eles.
—Tony...?— Pepper parou no primeiro degrau da escada de embarque.
—Não vou fazer nada que você não queira, a decisão é sua: embarcamos ou voltamos para casa?
—Pra onde nós vamos?— perguntou reticente.
—É uma surpresa.— ele disse —A decisão é sua.
—Embarcamos.— ela suspirou.
—Boa escolha.— ele esboçou um sorriso. Assim que embarcaram Tony ligou para Rhodes, fazendo com que Pepper tivesse mesmo a certeza de que tudo aquilo havia sido combinado por todos eles —O Rhodey cuidará da casa e dos convidados.
—Não tenho a menor ideia de para onde estou indo e não me preparei pra isso.— Pepper comentou.
—Eu cuidei de tudo, não se preocupe.— Tony segurou a mão dela e plantou um beijo suave.
A viagem demorou pouco mais de 2h, e ao desembarcarem havia um carro a espera deles. Um utilitário esportivo, com Stark escrito na placa, assim como em todos os carros de Tony. Ele perguntou para Pepper se ela ainda não fazia ideia de onde estavam, e ela preferiu não arriscar. Já passava das dez da noite, tudo estava escuro jamais reconheceria qualquer lugar nessas condições. Embarcaram e viajaram por mais alguns minutos numa estrada pouco iluminada com árvores de ambos os lados.
—Estamos em...Vancouver?— questionou ainda incerta, a temperatura estava mais amena do que em Malibu.
Tony não respondeu, estavam a 2km de seu destino final. Parou o carro diante de uma cerca de ferro, desceu para abri-la e então voltou ao veículo, dirigiu por mais alguns metros e parou diante de uma ponte num lago. A ponte de madeira tinha uns dez metros de comprimento e ao final dela havia uma casa. Sua estrutura parecia em madeira, as paredes eram de vidro, o local estava iluminado. Havia algumas luminárias redondas penduradas na varanda, outras boiavam no lago.
—Gostou da paisagem?— Tony perguntou.
—É linda.— Pepper respondeu —De quem é essa casa?
—É sua.— disse ao segurar as mãos dela —Sei que quando eu prometi uma casa aqui, a nossa vida estava numa direção diferente. Mas eu adorei esse lugar, o encontrei naquele final de semana que passamos aqui em Vancouver, entretanto precisava de alguns reparos, parecia abandonado. Semana passada, pedi ao Happy que entrasse em contato com os proprietários e fizesse uma oferta...
—Por isso ele sumiu.
—Sim.— Tony afirmou —E quando ele fechou o negócio, fiz questão de acompanhar a restauração e escolher a decoração. Fiquei em cima dos caras, que chegaram a virar a noite trabalhando, tudo tinha que estar perfeito. Hoje.
—Por isso você sumiu.— ela baixou a cabeça —Eu sou muito idiota, pensei coisas...— não conseguiu terminar.
—Por isso eu fiz você acreditar que eu não lembrava. Não era pra nós estarmos aqui agora. Viajaríamos de madrugada.— ele disse —Mas eu não suportei a ideia de você não querer falar comigo.— Pepper olhou para a casa e então olhou para ele.
—Me desculpa.— pediu e uma lágrima escorreu do seu rosto —Eu pensei que você...eu não mereço você.
—Eu sei que é difícil ficar no escuro depois de tudo o que você já passou, mas você tem que confiar em mim, anjo. Tudo o que eu faço é pelo seu bem, até as merdas que eu já fiz. E já fiz muitas. Foram pensando no melhor pra você, em te fazer feliz. Você é meu reflexo em todos os meus atos.
—Quando eu penso que não posso te amar mais, você me mostra que eu sou uma tola, insegura, e então eu te amo mais.— ela confessou.
Tony a beijou pousando seus lábios nos dela, e ela se viu derretendo, se fundindo a ele, a raiva de mais cedo, a tensão da surpresa, a insegurança, tudo se esvaía. Ele a beijou com mais força, a devorando enquanto escorregava as grandes mãos pelo corpo dela.
—Vamos entrar.— ele disse ao se separarem —Ainda não é outono, mas à noite faz frio aqui fora.— Tony foi até o carro aonde chegaram e tirou duas malas do porta-malas. Ele havia mesmo pensado em tudo.
A vista do lago do interior da casa era ainda mais bonita. Todas aquelas luminárias alaranjadas flutuando na parte da frente, a lua refletindo na água na parte da trás. Não era um lugar grande, mas era extremamente aconchegante, em baixo havia a sala e a cozinha, e no superior o quarto. Tony explicou que precisou mexer um pouco na altura, para fazer a suíte no andar superior, já que antes não era mais do que um sótão.
—Então de lá de fora vê-se tudo o que se faz aqui dentro?
—Ninguém ultrapassa aquela cerca na entrada do terreno se eu não autorizar.— ele garantiu —Trouxe o Jarvis justamente por isso, mas por enquanto ele não é onipresente como na mansão. E celulares não funcionam aqui, ainda.— esclareceu.
—Estamos ilhados.— comentou ao olhar para os lados.
—Sim e pretendo ficar assim com você durante uma semana.
—Uma semana?
—Acho que não é uma má ideia, pelo visto você já se sente em casa.— disse ao reparar nos pés descalços dela.
—O que eu posso fazer? É um lugar acolhedor.— sorriu ao sentar-se ao sofá branco de couro. Era realmente acolhedor, móveis vintage, alguns porta-retratos e a temperatura reconfortante.
—Você gostou mesmo da surpresa?— perguntou ao sentar-se olhando para ela.
—Como não gostar? Parece um sonho e sem saber você já começou a realizar o desejo que eu fiz quando assoprei as velas do meu bolo de aniversário.
—O que você pediu?
—Um ano acima das expectativas, que me fizesse superar as perdas e os medos.— ela respondeu.
—Tenho certeza que será atendido.— disse ao beijar o pescoço dela —Sabe o que eu pensei quando te vi hoje?— mordiscou-lhe o lóbulo da orelha.
—Não faço ideia.— ela murmurou.
—Pensei: Puta merda, é a mulher de 36 mais gostosa que eu já vi na vida.— sorriu contra o pescoço dela —Sério, anjo, barriga de fora é covardia. Não via a hora de estarmos a sós.
Ele corria o nariz por toda a extensão do pescoço dela, adorando o perfume que sua pele delicada exalava, enquanto com uma mão oscilava os afagos entre as costas e a barriga dela. Pepper virou o rosto e suas bocas ficaram a alguns centímetros. Ela o beijou com força, mergulhando em sua boca, o deixando excitado, Tony não podia evitar os sinais do seu corpo, ele a queria. Tinha a necessidade de tomá-la, fazê-la sua, estar perto dela, mais do que era permitido de roupa. Malditas roupas, não via a hora de tirá-las. Ela abandonou os lábios dele e beijava-lhe o pescoço fazendo uma trilha de beijos vorazes que o fizeram gemer.
Durante as preliminares foram se livrando da barreira inconveniente que eram suas roupas. Não foram para a suíte, Tony a deitou sobre o tapete felpudo que cobria o chão no centro da sala. Deslizou a delicada calcinha preta pelas pernas dela, beijou-lhe a parte interna das coxas a fazendo ofegar. Logo estavam conectados. Pepper segurou-o nos ombros e arranhou-o de leve quando ele a preencheu por completo.
—Não me canso dessa sensação, não me canso de sentir você em mim, nunca.— ela arquejou.
Tony a beijou como se reafirmasse as palavras dela, enquanto movia-se lentamente, dentro e fora. Sussurrava palavras de amor, promessas. Acelerou o ritmo, fez com que ela enlaçasse as pernas em volta de seu tronco, cravou os dedos em sua coxa, mas logo suavizou, como se lembrasse de que precisava ser delicado. Não queria marcá-la. Estavam ligados apenas pelos quadris, o que lhe dava uma visão perfeita de seus seios pequenos, não resistiu a abocanhar um deles, sugá-lo, sendo tomado por um instinto primitivo ele segurou o mamilo entre os dentes, ela gritou de surpresa.
—Não machuquei você, não é?— seu olhar encontrou o dela, mesmo desesperado em possuí-la havia preocupação em e sua voz.
—Nem um pouco, não pare.— ela pediu.
Ele abocanhou o outro seio e logo ela havia acostumado com aquele misto de prazer e dor. Ela mordeu-lhe o ombro, gemiam, enquanto seus quadris se chocavam um contra o outro. Ele ondulava em cima dela, o prazer o tomava queimando em suas veias, selvagem como um sentimento que jamais poderia controlar, nem queria. O mesmo acontecia com Pepper, com o passar dos anos da relação com Tony foi se tornando uma criatura puramente luxuriosa. Ela beijou seu ombro e pescoço, enquanto ele intercalava a velocidade das investidas, mergulhando fundo dentro dela, repetidamente. Enquanto ouvia palavras desconexas, que poderiam facilmente ser interpretados como “Sim”, “Mais”. Pepper mordeu o lábio, parecia estar a beira do limite, mas não queria que acabasse, queria prolongar aquele momento.
—Venha comigo, anjo, me deixe ouvir o que eu faço com você.— Tony pediu ao anunciar seu orgasmo e Pepper se deixou ir, numa explosão intensa que coincidiu com a dele.
Tony estava exausto, mas não queria soltar seu corpo másculo e pesado sobre o dela, ainda atrelado a Pepper mudou de posição a deixando por cima. Ela recostou sobre ele e ficaram em silêncio, recuperando o controle de suas respirações, sentindo um ao outro. Depois de algum tempo ele entrelaçou sua mão à dela, levando-a aos lábios beijando-lhe os dedos. Deixando-a em chamas novamente.
—Eu amo você. Tanto que dói, sufoca.— ela sussurrou —Meu marido, amante, super protetor. Minha vida!
—Eu amo você, anjo. Mais do que a mim mesmo.— beijou os cabelos dela enquanto lhe acariciava as costas —Feliz aniversário.
—Cheguei mesmo a acreditar que você havia esquecido, confundido os dias.— ela confessou.
—Jamais! Sabe por quê?
—Hum?— murmurou espalhando beijos pelo peitoral imponente que agora era seu leito.
—Seu aniversário é meu aniversário. Foi nesse dia que eu renasci.— ele afirmou —Nós sempre estivemos paralelos um ao outro.
—Nunca tinha pensado assim.— ela disse.
—Tudo na minha vida, direta ou indiretamente, tem a ver com você.— Tony beijou-a.
Embora gostasse de seu aniversário, Pepper havia bloqueado a lembrança de que, naquela data, 23 de agosto, há quatro anos, foi o dia em que ele foi mandado para o meio do deserto para morrer. Mas não aconteceu. Tony renasceu. Mudou para melhor, desnudou sua alma, abriu seu coração e a deixou entrar. Não que ela já não estivesse lá, Pepper sempre esteve, mas agora era diferente. Tudo era diferente e, com o passar do tempo, ficava cada vez melhor.
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