Do Singular Ao Plural

11 Ciúme: via de mão dupla


Notas iniciais
Quero agradecer as recomendações da Morgana, Helena Marie e Vanessa Breezy, eu sei que é complicado recomendar uma história ainda no início, porque a gente nunca sabe que tipo de rumo as coisa vão tomar, mas, obrigada pelo voto de confiança.

Tem hot scene nesse capítulo, então, se vc não tem idade fecha o olho, tá?

Vai rolar um flash back e dedico pra uma leitora que adora esse tipo de recurso (cê sabe quem é), eu iria narrá-lo em 1ª pessoa, mas acabei mudando de ideia, perdoa se ficar ruim.

É isso =)

—O que foi?!— mostrou-se confuso com a pergunta dela.

—Eu não sou uma fantasia, Tony, e prefiro a solidão a viver uma mentira por conveniência.— Pepper havia mostrado firmeza durante a conversa com Cabe, mas a dúvida que ela plantou era difícil de ser ignorada.

—Pepper, olha pra mim e para de dizer besteiras.— segurou o rosto dela entre as mãos.

—Ela voltou, e está livre e desimpedida, nada impede que vocês retomem o romance tórrido que viviam, mas, por favor, não queira ficar com ela e comigo só por causa do bebê.— disse com a voz tremula.

—Ela pode estar desimpedida, mas eu tenho um compromisso com você. E não posso acreditar que você está se deixando influenciar pelo veneno dela, não é nada daquilo, Bethany Cabe é uma maluca que não sabe perder.

—Nunca é nada.— levantou-se e ele também —Eu sou sempre a paranoica, que fala e imagina besteiras. Mas eu sei como é isso. Já estive numa relação onde recebia flores enquanto era passada pra trás, não queira me fazer de idiota.— alterou-se —Hoje ela deixou o celular no seu carro, sabe lá o que eu vou encontrar futuramente.

—Você está insinuando que eu traí você com a Bethany?— mostrou-se indignado —Eu nunca faria isso, Pepper, eu amo você.

—Não questionei o seu amor, até porque, sei que você é capaz de separar sexo de amor. Estou falando de desejo, necessidade, coisas que há tempo você não demonstra quando se trata de mim.

—Você está sendo injusta comigo...

—Se você se colocasse no meu lugar por um momento não diria isso. Você pode não ter sucumbido a insistência dela ainda, mas eu sei que uma hora vai acontecer, e não vou ficar esperando acontecer.— ela o deixou sozinho na garagem, mas ele obviamente a seguiu.

—Pepper, você não vai dizer tudo o que pensa e dar as costas pra mim.— ao chegarem à sala, a pegou pelo cotovelo fazendo-a encará-lo.

—Você falou que nós temos um compromisso, o meu único compromisso com você agora parece que é gerar o seu filho.— desvencilhou-se e subiu em direção ao quarto, enquanto ele chamava por ela, Pepper tentou fechar a porta e deixá-lo para fora, mas ele colocou e pé a impedindo.

—Você vai me ouvir!— esbravejou e ela deixou que ele entrasse —Eu sei que essa minha superproteção está te deixando maluca, tá? Mas eu não sei mensurar as coisas e se eu não estivesse nem aí para o bebê você estaria reclamando da mesma maneira.

—Não é verdade— baixou os olhos.

—Você sabe que é.— a fez voltar a olhar para ele —Você não pode se afastar de mim toda vez que estiver brava ou com ciúme.

—Você acha que eu não tenho razão pra estar brava e com ciúme?— perguntou indignada, tirando os sapatos e o blazer.

—Por que você está se desarrumando? Nós vamos sair.

—Não, nós não vamos.— esbravejou jogando o blazer sobre a poltrona.

—Você tem razão de estar brava, é isso que você queria ouvir?! Mas eu estou furioso com você também, não gostei de ser comparado, e de ter a minha fidelidade questionada. Eu dei uma carona pra Cabe.

—Não deveria ter dado.— cruzou os braços.

—Eu sei.— reconheceu —Mas eu preciso que você compreenda de uma vez por todas que antes de você eu sabia mesmo separar as coisas, porque sexo era só uma função corporal. Todas sabiam qual era a minha maneira agir, até a Bethany, eu sempre fui honesto quanto a isso. Então abdiquei de qualquer relação vazia quando percebi que estava apaixonado por você.— segurou as mãos dela —Você exorcizou todos os meus demônios, Pep, você é meu anjo.

—Anjo?!— soltou as mãos das dele —Num outro momento eu até gostaria de ser chamada assim, mas não agora. Agora o que eu menos quero ser é um anjo, você está me endeusando, me colocando num pedestal numa posição intocável. Eu não quero ser endeusada, eu quero, eu preciso me sentir desejada.

—Que inferno— praguejou beirando a impaciência, emaranhou uma mão entre os cabelos ruivos trazendo o rosto dela em direção ao seu, até ter os lábios sobre os dela, tomando-a de surpresa. Uma grata surpresa. Pepper gemeu contra os lábios dele, ao sentir o beijo se intensificar, e ser empurrada em direção à cama, enquanto Tony brigava com os botões da camisa dela. Sentiu as costas tocarem o móvel, e o peso do corpo dele sobre o seu, ele tomava-a, a possuía com uma necessidade desesperada. E todas as dúvidas e as inseguranças dela se esvaíram. Seus lábios se afastaram por um instante e ela não conseguiu dizer nada, mas com o olhar agradeceu pelo delicioso susto. —Você definitivamente não é um anjo, porque nenhum anjo tiraria alguém do sério assim.— mordiscou o lábio inferior dela —Acha mesmo que eu não desejo você porque nós estamos num período de abstinência?

—Eu...— levou uma mão ao rosto dele, enquanto o seu polegar corria-lhe o lábio inferior —...Eu amo quando nós estamos intimamente ligados, e sinto falta disso.

—Eu também, meu amor, mas eu nunca precisei te levar pra cama pra te mostrar que te desejo.

—Eu sei. Mas preciso de você agora.— quase suplicou.

Tony livrou-a do peso de seu corpo, e tirou a própria camisa. Aproximou-se novamente, e beijou-lhe o colo e garganta enquanto escorregava a camisa dela sobre os ombros, capturou-lhe os lábios, desfez o fecho do sutiã e livrou-a da peça. —Nós vamos devagar, tá?— ela ofegou e concordou.

Tony correu beijos suaves pela pele alva, enquanto Pepper tinha as mãos perdidas nos cabelos dele. Ele e chegou aos seios e abocanhou um mamilo sugando-o, fazendo-a choramingar num misto de prazer e dor, não imaginava que ainda estivesse tão sensível. Buscou os olhos dela, como se pedisse autorização para prosseguir.

—Não pare, por favor.— implorou, e percebeu que naquele momento ele vivia um conflito interno —Eu estou bem.— afirmou, e ele voltou a dar atenção aos seios, um depois o outro, de uma maneira mais delicada e ainda assim prazerosa.

—Seu corpo está mesmo diferente...— disse ao deitá-la com a cabeça sobre um travesseiro, corria beijos em direção ao ventre —...Lindo, tem sido difícil ficar longe de você.

—Tony.— sibilou sentindo a barba roçar sua barriga, ele abriu o jeans, e o deslizou junto a lingerie com uma destreza surpreendente —Preciso sentir você em mim.— sussurrou, em outras épocas ficaria envergonhada ao implorar, mas não agora.

Por um instante deixou-a e livrou-se das suas próprias roupas, sua excitação era evidente, estava pronto para desfrutar de sua amada. Ao voltar à cama, beijou-a ao longo das pernas, debruçou sobre Pepper e ela moveu os quadris em direção o membro dele fazendo seus sexos roçarem.

—Sem pressa.— deu-lhe um beijo casto —Devagar— murmurou contra a boca dela e aprofundou o beijo. Levou a mão à sua intimidade estimulando-a por algum tempo, viu o quão preparada ela estava. Ajoelhando-se entre as pernas de Pepper, puxou-a encaixando os seus corpos e, numa lentidão agonizante, tomou posse de seu corpo. Ela mordeu os lábios e segurou-se aos lençóis sem desviar os olhos dos dele.

—Me ame.— pediu flexionando o corpo em direção a pélvis dele, Tony começou a mover-se lentamente, segurando-a pelos quadris, preenchendo-a e despertando as mais variadas sensações ao entrar e sair dela. Correndo as mãos pela lateral do corpo esguio, ele a levantou, e Pepper envolveu os braços e as pernas nele. Nessa posição ela passou a ditar a velocidade, impôs um ritmo frenético, enquanto ele a segurava com uma mão em suas costas e a outra em seu traseiro.

Foram longos minutos nesse compasso, entre beijos sôfregos e respiração ofegante, então ele se derramou dentro dela, fazendo com que ela também chegasse ao clímax. Pepper fechou os olhos e desfrutou da sensação de estar nos braços de Tony, sentindo o seu coração bater descompassado, ficou atrelada a ele até as suas respirações voltarem ao normal.

—Melhor?— murmurou contra os cabelos dela.

—Muito.— respondeu com o olhar intenso e iluminado —Eu adorei.— beijou-lhe o peito.

—Eu também.— buscou os lábios dela.

Mudaram de posição, estavam deitados, aninhada ao peito dele, Pepper sentia-se adorada, saciada e protegida, queria ficar assim pra sempre, mas sentiu a barriga roncar. —Amor, estou com fome.

—Perdemos a reserva no restaurante, que tal pizza?

—Gosto de pizza.

Minutos depois estava enrolada ao lençol, enquanto Tony estava completamente vestido, pois teve que sair para receber a pizza. Comiam tranquilos sentados à cama quando Pepper se pronunciou.

—Sobre a Cabe...

—Eu demiti a Cabe.— a cortou.

—E o seu projeto?

—Creio que ela seja desnecessária agora, já que há um médico monitorando o progresso dos pacientes.— constatou.

—Mas,...

—Você sempre tem um ‘mas’, é impressionante.

—É impossível não pensar no que ela disse,...e...eu preciso saber se...alguma vez lá atrás...você me viu como um fantasma dela, sei lá, uma espécie de idealização do que vocês poderiam ter tido.

—Eu não acho que preciso responder isso.— franziu o cenho.

—Tony é impossível que você não tenha feito uma espécie de transferência, mesmo que inconscientemente, as semelhanças físicas são evidentes. E, eu lembro como você me assediava.

—Eu nunca a busquei em você. Nunca! E quero que você acredite em mim.— ele disse —Eu não sei explicar o que eu senti quando te vi, mas sabia que você era especial, tentei te envolver a princípio porque era a minha natureza, eu era um predador e qualquer mulher bonita era uma presa. No entanto, eu tinha experiência o suficiente pra saber que não poderia te tratar como as outras, me afeiçoei a você.

—Já parou pra pensar que você tem tara por ruivas? Já são três, né?

—Quem é a terceira?

—Agente Romanoff, não pense que eu me esqueci de você todo se querendo pro lado dela naquela sua festa de aniversário.— ela o cutucou —Eu tive muita vontade de te dar uns tapas aquele dia.

—Eu não dei em cima dela.— defendeu-se.

—Ah, por favor, você fez questão de contratá-la. ‘Eu quero ela’, foi o que você disse. Mas agora não importa, ela enganou nós dois.

—Mas agora só uma ruiva importa.— beijou-a.

—Acho bom.

—Então, Sra Ciumenta— provocou-a com beijos no pescoço —Sem crise.

—Até a próxima crise.— respondeu —Esses hormônios me deixam maluca, é como se a cada dia eu fosse uma mulher diferente, você não tem ideia.

—Tenho, porque é como se a cada dia eu estivesse casado com uma mulher diferente.

—Prometo...que na próxima vez eu vou saber equilibrar.— disse para desestabilizá-lo.

—Próxima vez?— mostrou-se inquieto.

—Quando você me pediu em casamento disse que teria até três filhos comigo.— recordou.

—Tá, mas vamos com calma, um filho de cada vez.

—Se tivermos sorte na próxima vez podem vir dois.— disse brincando.

—Vamos ter esse bebê primeiro, e depois planejamos a próxima gravidez.— enfatizou a palavra planejamos, ela apenas concordou com a cabeça enquanto chegava mais perto dele.



(...)



Na sexta-feira antes de sair para o trabalho Pepper avisou a Tony sobre a sua consulta ao final do dia, caso ele quisesse acompanhá-la. O dia na empresa foi tranquilo como costumavam ser a maioria das sextas-feiras. Conversou com Lorelai sobre os planos para o aniversário de Tony na próxima semana, a garota adorou a ideia e sabia que Jack adoraria também, Pepper pediu que eles fossem à mansão no dia seguinte para acertarem as coisas.



Quando Pepper ligou em casa antes de sair para o médico, Jarvis informou que Tony havia saído numa missão algumas horas depois dela deixar a mansão pela manhã. Ficou descontente com a notícia, queria que ele a acompanhasse àquela consulta. Ao chegar à clínica, estacionou o seu carro no lugar de costume e passou a ouvir assovios enquanto caminhava, olhou para os lados e não encontrou ninguém então continuou o seu caminho, quando de repente Tony aterrissou diante dela trajando uma armadura maior do que ela estava acostumada, num tom vinho com o peito dourado e alguns detalhes em prata.

—Mas o que é isso?— perguntou, enquanto ele saía da armadura e amesma voava, com certeza, em direção à mansão.

—Estava no trabalho, amor.— respondeu —Entretanto compareço aos meus compromissos, eu prometi que viria, não prometi?

—Prometeu.— deu-lhe um beijo.

—Você está atrasada, estou vigiando o estacionamento do alto do prédio há algum tempo já.

—Não estou atrasa, minha médica precisou remanejar a agenda e,...foi você que assoviou pra mim?

—Foi, mas você nem cogitou olhar para cima, teria me visto, mas olhou para os lados a procura de alguém.— mostrou-se desconfiado.

—Não estava procurado ninguém, mas o mais normal quando ouve um assovio é olhar para trás e para os lados, não?— ela desconversou e ele deu de ombros —Chega de conversa ou eu realmente chegarei atrasada.— disse dando a mão para ele.

Se tinha uma situação que Tony Stark jamais imaginou na vida era essa, acompanhar a esposa uma consulta médica, mas anos atrás ele não imaginava nem ter uma esposa.

—Desculpe remanejar você, as últimas semanas têm sido uma loucura.— informou a Dra Eva Zambrano quando Pepper adentrou o consultório.

—Não tem problema, Eva.— disse Pepper com simpatia. —Mas o que houve?— mostrou-se curiosa.

—Pacientes demais, e não é só no meu consultório, parece um baby boom.

—Algo com a água de Malibu, certeza.— Pepper gracejou, fazendo a Dra rir —Pelo menos não reclamará de falta de trabalho pelos próximos meses.

—Seja o que for, enviamos um comunicado ao Ministério da Saúde, pode estar havendo algo errado na fabricação dos métodos contraceptivos, aliás, a maioria das gestantes usava a mesma pílula que você.— informou Eva, Tony a olhou cismado.

—Mas elas estão na mesma fase da gestação?— Tony se pronunciou com curiosidade.

—Não, algumas recentes outras mais adiantadas.

—Vocês médicos cogitaram a hipótese de o medicamento não ter eficácia, ser um placebo, talvez, ainda mais tratando-se da mesma pílula?— Tony questionou.

—Cogitamos, por isso notificamos o Ministério da Saúde que informou que abriria sindicância para investigar a produção de anticoncepcionais desse laboratório.— informou a Dra Eva —Porém, isso já faz algumas semanas e parece que nada foi feito.— completou.

—Você teria alguma amostra desse remédio?— ele perguntou.

—Só um minuto.— Eva foi até um armário de medicamentos e pegou uma cartela do anticoncepcional Pregnancy Less.

—Tony, por que esse interesse todo, pra que isso?— Pepper mostrou-se desconfortável.

—Vou dar uma olhada na composição do medicamento em casa, é só curiosidade.— respondeu guardando a cartela no bolso.

—Meu Deus, Tony Stark está no meu consultório e eu nem havia me dado conta.— disse entusiasmada —Me desculpa, é que o assunto principal aqui quase nunca é o marido.— a Dra Eva estendeu a mão para Tony que a cumprimentou —Depois você deixa um autógrafo para o meu filho? O Henry adora você, tem uma porção de bonecos seus espalhados pela minha casa.

—Amor, acho que eu deveria ter participação nos lucros da venda desses bonecos do homem de ferro, você podia ver isso.— Pepper revirou os olhos —Tudo bem, a gente pode tirar uma foto também, e...

—Tony o assunto aqui sou eu e não você.— Pepper observou.

—Então...— desconfortável a Dra, apontou as cadeiras para que eles sentassem, diante do casal Stark começou a fazer as perguntas corriqueiras das consultas de pré-natal —Você é uma grávida super tranquila, Virginia.— a Dra Eva concluiu depois de mais de 10min de conversa.

—Tranquila, ô.— Tony debochou.

—Ela não é?— Eva mostrou curiosidade.

—Quase me enlouqueceu nessas últimas semanas.

—Desejos de grávida?— a Dra perguntou, e Tony hesitou em responder.

—Por causa de sexo.

—Pep!— a repreendeu.

—É super normal que as mulheres...

—O problema não era comigo, Eva, era com ele.— Pepper interrompeu.

—É normal que os maridos tenham receio também, a maioria acha que o ato sexual pode machucar o bebê. Mas você tem muita sorte, Sr Stark, a maioria dos maridos ficam os nove meses sem que as suas esposas os deixem tocá-las. Mas o sexo durante a gravidez é muito saudável por uma série de fatores que você pode ler aqui.— deu um folheto informativo para Tony, Pepper enviou-lhe um sorriso vitorioso. A Dra Eva instruiu Pepper a trocar de roupa, depois disso a pesou e pediu que Pepper se deitasse à maca —Hoje nos vamos vê-lo de uma maneira diferente.— informou a médica, Tony colocou-se de pé ao lado de Pepper, Eva passou um gel na barriga dela e ligou o aparelho de ultrassom, logo começou a mover o bastão do aparelho sobre o ventre dela exibindo a imagem no monitor diante deles.

—Aquele é o nosso bebê.— Pepper segurou a mão de Tony, enquanto ele olhava fixamente ao monitor. —Ele parece com você.

—Eu não pareço um borrão.— Tony torceu o nariz.

—Olhe na direção da seta, Sr Stark.— disse a Dra, fazendo Pepper rir —Posso imprimir a primeira fotografia dele?

—Você ainda pergunta? Claro que pode.— Pepper respondeu.

A Dra imprimiu a imagem, e mexeu em outros comandos do aparelho que manejava, um ruído estranho reverberou pela sala, Tony e Pepper se entreolharam —Esse é o coração do bebê.— informou a médica —Não tem aquele sonzinho clássico, porque ela ainda está em formação, mas daqui a alguns meses....— Eva sorriu.

Pepper não conseguia articular uma palavra que definisse a sua emoção, naquele momento seus olhos falavam por ela, não conseguiu conter as lágrimas, ao olhar para Tony percebeu o quão emocionado ele estava, ele curvou-se na direção dela e beijou-lhe a testa, agradecendo por algo que ele nem sabia que iria querer tanto.

Minutos depois ambos estavam recompostos, novamente sentados à mesa encerrando a consulta —Virginia, como eu disse você está me saindo uma gestante muito tranquila, ganhou a peso ideal para 8 semanas, as recomendações são as mesmas. Vejo você daqui 4 semanas.

A Dra Eva despediu-se de Tony e Pepper, caminhavam para ao estacionamento, quando ela parou um pouco antes da saída.

—O que foi?— Tony perguntou.

—Cheiro de pão, sei lá, um cheiro muito bom, podemos ir até a lanchonete?— perguntou já o puxando em direção ao local —Eu quero um croissant de peito de peru e um suco de abacaxi.— disse ao atendente. Tony não escolheu nada, sentaram-se em uma das mesas da lanchonete, e enquanto Pepper comia Tony fazia pesquisas no celular sobre a empresa fabricante do anticoncepcional que ela tomava. —Amor, você não vai arrumar confusão com uma indústria farmacêutica, vai?

—Pep, se eles estiverem adulterando os anticoncepcionais podem estar adulterando outros medicamentos também.— ele disse —Mas não seu preocupe, se eu descobrir algo errado vou alertar as autoridades competentes, tá?— disse pra tranquilizá-la —Conheço aquele cara de algum lugar.— discretamente apontou para um loiro vestindo um jaleco que surgiu na lanchonete. Pepper olhou e logo reconheceu Robert Chase.

—É um tipo bastante comum.— Pepper tentou não aprofundar o assunto, em vão, pois Robert caminhava na direção deles.

—Hey, Ginny, estava quase achando que não a veria esse mês.— Robert disse ao chegar até eles, Tony automaticamente fechou a cara.

Não veria mesmo se não fosse a minha gulodice.— Pepper disse em pensamento —Olá, Robert.— ela sorriu —Você já conhece o Tony, não é?

—Claro, como vai?— Robert perguntou simpático.

—Bem.— Tony respondeu secamente, lembrava de Robert, já havia encontrado com ele outra vez, mas não imaginava que Pepper o via em todas as consultas.

—E o bebê?— Robert perguntou.

—Está ótimo, crescendo.— Pepper sorriu simpática.

—Pensou na minha proposta?

—Que proposta?!— Tony perguntou.

—Robert quer ser o pediatra do bebê.— Pepper informou —Ele veio com essa ideia absurda na última vez que me viu.— sorriu desconfortável.

—Porque absurda? Uma criança precisa de acompanhamento médico.— sem ser convidado Chase sentou-se à mesa com eles —E um dia eu poderei contar a ele ou ela, como eu tive a mãe dele e a perdi.

—Robert!— Pepper olhou para Tony que não gostava do rumo da conversa.

—Na verdade, eu não perdi, porque não podemos perder algo que nunca foi nosso. A nossa relação sempre foi assombrada por você, sabia?— Chase perguntou para Tony.

—Não tinha ideia.— Tony respondeu.

—Desde a primeira vez que vi vocês perto um do outro percebi que não teria muita chance, mas mesmo assim insisti, mesmo vendo o quanto vocês mudavam com essa proximidade, era outro mundo, um mundo onde só vocês dois existiam, mesmo ao telefone. E eu odiava quando você ligava.— Robert revelou.

Pepper ficou mexida com as palavras de Robert, sempre soube do amor que nutria por Tony, por mais que tentasse disfarçar, por mais que tentasse não amá-lo por medo de se machucar, mas estava lá, era evidente, outras pessoas notavam, mesmo que nenhum deles desse o braço a torcer.

—Acho que é hora de irmos embora.— Tony disse com cara de pouco amigos, Pepper aquiesceu.

—Até mais, Robert.— Pepper despediu-se.

—Adeus.— Tony disse, mas mentalmente o que ele falou foi —Você não vai tocar no meu filho.

Do centro clínico até a mansão, Tony evitou conversar com Pepper o que a deixou profundamente irritada, mas preferiu não discutir enquanto ele dirigia.

—Qual é o seu problema?— perguntou ao jogar a sua bolsa sobre o sofá.

—Aquele cara não vai ser médico do nosso bebê, ok?

—Sabia que era por isso...

—Quando você iria me contar que tem visto o seu ex-namorado, Ginny? Aliás, agora não vejo muita diferença entre o meu trabalho com a Cabe e...

—Você é patético.— o cortou.

—Patético é você me cobrar satisfações quando se encontrou com seu ex três vezes nos últimos dois meses e não me disse nada.

—Há uma diferença gritante entre a Cabe e o Chase, o Robert jamais te agrediria gratuitamente insinuando coisas, como você pôde perceber. Ele soube a hora de sair de cena, além do mais, foi ele quem me abriu os olhos pra ver que eu não conseguiria ser feliz com ninguém enquanto não superasse a relação mal resolvida que nós tínhamos.

—Então me diz por que diabos o Dr Chase é tão superior.— ironizou ao sentar-se no sofá. Pepper sentou ao lado dele e começou a contar a história.



*****



Malibu, 23 de agosto 2008



—Porque você está querendo que eu vá embora, você tem planos? Não gosto quando você tem planos.— Tony disse ao limpar as mãos numa flanela.

—Posso ter planos para o meu aniversário.— pendeu a cabeça para um lado.

—É seu aniversário?— ela assentiu —Hoje?

—Pois é, no mesmo dia do ano passado.— Pepper respondeu irônica.

—Compre um presente para você em meu nome.

—Já comprei.

—Então?

—É de muito bom gosto, obrigada, Sr Stark.— sorriu.

—Por nada, Srta Potts, pode tirar o resto do dia de folga.— deu-lhe um beijo no rosto, um beijo que por ela teria durado uma eternidade por mais que tenha sido rosto.

—Eu tiraria o resto do dia de folga de qualquer forma, afinal, meu chefe vai viajar e eu poderei ter vida social por 48h.— respondeu o desafiando como sempre fazia.

—Que injustiça. Eu deixo que você tenha vida social.— fez cara de desconsolado.

—Mas me liga nas horas mais impróprias.

—Não tenho culpa se você atende ao telefone durante os seus encontros. E não venha me dizer que atende por imaginar que seja algo importante, nada deveria ser mais importante do que a pessoa com quem você está.— ele disse saindo da oficina em direção à sala.

—Tony Stark dizendo uma coisa dessas, como se levasse a sério as mulheres com quem sai.

—Nunca encontrei alguém para levar a sério, quer dizer, acho que encontrei.

—Quem é ela?— mostrou-se entusiasmada, embora morresse de ciúme.

—Não vou dizer, jamais daria certo, e eu acabaria a magoando.— ele disse —Então, Potts— a segurou pelos ombros —Feliz Aniversário, muitos anos de vida, e espero que você nunca me deixe, mesmo que se case com esse cara com quem você vai sair hoje.

—Eu não disse que era um cara.— respondeu vacilante.

Mais tarde naquele dia, Robert Chase passou no apartamento de Pepper para lavá-la para jantar, ele fez de tudo para tornar aquela noite especial, mas ela não parava de prestar atenção ao telefone, Tony sempre ligava pra dizer o quão fantásticas foram as apresentações, mas até então, ele não havia ligado e aquilo a deixava angustiada de uma maneira inexplicável. Tinha um homem lindo e apaixonado em sua frente, mas só conseguia pensar em outro cujo as únicas paixões eram si mesmo e o copo de uísque.

—Terra chamando Ginny.— Robert brincou despertando a atenção dela, já havia perdido as contas de quantas vezes pediu que ele não a chamasse assim, mas ele insistia —Virginia, larga esse telefone, eu estou aqui, viu?

—Desculpa.— desligou o aparelho e colocou-o na bolsa. Voltou a dar atenção ao namorado e enfim conseguiu aproveitar a noite, Robert pediu champanhe —Acho que eu não mereço você.— ela sorriu antes de sorver um gole de champanhe.

—Eu amo você.— era a primeira vez que Robert dizia que a amava.

—O-obrigada.

—Eu imaginei você me responder milhões de coisas, mas obrigada não nunca foi uma delas.

—Me...desculpa.

—Nem me desculpa.— Robert replicou, Pepper achou que ele discutiria, viraria a mesa e a abandonaria, mas ele fez o oposto —Ginny, eu amo você.— pegou as mãos dela —Mas eu sei que você não me ama, tive certeza disso agora, e é melhor nós não insistirmos mais nisso, não é? Você nunca vai conseguir amar outro homem enquanto a sua cabeça e seu coração estiverem ocupados pelo seu chefe.

—Eu não o amo.— tentou negar o que sempre foi evidente.

—Nem você acreditou no que acabou de dizer, meu conselho é, diga a ele o que sente. Você poderá quebrar a cara como eu quebrei agora, mas pelo menos conseguirá seguir em frente de acordo com a resposta ou a reação dele. Mas não demore pra dizer a ele.

—E se ele me disser apenas obrigado?

—Todos sabem que Tony Stark é um canalha, mas não com você, tenho certeza que ele jamais te magoaria.— Robert pediu a conta e deixou Pepper em casa, não pediu nem para que fossem amigos, sabia que era hora de recuar e seguir em frente.



*****


—Agora você pode tirar a suas conclusões sobre o Chase.— tentou deixá-lo, mas ele a impediu.


—Me desculpa?

—Você sempre foi um canalha cretino, e indiretamente inviabilizou qualquer tentativa minha de viver longe de você.— abandonou a postura defensiva e o abraçou — Eu te amo tanto, nunca consegui esconder o que eu sinto por você, embora fizesse grande esforço pra disfarçar, não sei dizer quando o meu amor por você nasceu, mas faz muito tempo, muito mesmo. E quando você sumiu eu tive medo de que você nunca soubesse que eu te amava. Eu me sentia tão idiota por te amar, mas nunca houve quem me fizesse deixar de sentir o que eu sentia.— disse com a voz embargada.

—Eu nunca achei que a gente daria certo, por isso deixava você livre.— disse ao olhar pra ela.

—Foi de mim que você falou aquele dia na oficina?

—Sempre foi você, e eu também tive medo que você não soubesse.— ele a beijou —Sabe o que eu acho?

—Que nós perdemos muito tempo?— ela perguntou.

—Que nós demos muito certo, e a prova disso está crescendo dentro de você.


Notas finais
Robert é muito sensato, diz aí?

Ah, pra mim a Pepper é virginiana, por isso dei essa data de aniversário pra ela, tá?

Talvez esse seja o meu primeiro capítulo favorito, desculpa se ficou enorme.

Enfim, o próximo capítulo é o do aniversário do Tony. Eeee.

Beijos ;)