As duas se olharam nos olhos, mas Amélie ainda permanecia em silencio. Conscientemente ou subconscientemente, ela tinha ignorado seus sentimentos naquela época, mas agora, mais do que nunca, ela queria fazer o que deveria ter feito desde a revelação de sua amiga.

Finalmente, Amélie falou.

— Posso ter perguntar uma coisa?

– Claro – Mel respondeu – Você sabe que pode me perguntar qualquer coisa.

— Você me ama? – Amélie perguntou suavemente.

— É claro que sim, eu sempre te amei. Você é a minha melhor amiga, né?! — Mel respondeu, sem hesitar.

— Sim, mas... Você já foi apaixonada por mim? – Amélie se inclinou pra frente, prestando atenção no rosto de Mel pra qualquer sinal de rejeição.

— Já... – Mel respondeu com um sorriso triste

— Você não é mais? – Amélie falou em tom baixo, sem querer.

Mel balançou a cabeça levemente, suspirando. – Isso machuca demais... – Ela olhou pra baixo pras próprias mãos e sentiu como se um tornado de emoções estivesse prestes a engoli-la. Ela fechou os olhos, sentindo um aperto familiar em seu peito. – Eu achei que tinha superado isso.

— Me desculpe – Amélie respondeu quietamente, botando suas mãos sobre as de sua amiga.

Mel ajustou suas mãos para que pudesse segurar as mãos de Amélie e abriu seus olhos. Ela abriu a boca pra falar, mas só mexeu a cabeça e sorriu. Seus olhos verdes diziam o que a sua voz não conseguia. Perdão nunca foi parte do problema. Depois de alguns instantes Amélie perguntou:

– Você acha que pode se apaixonar por mim de novo?

– Eu não sei – Mel respondeu – Você sabe o que está dizendo? – perguntou

— Sim – Amélie respondeu – Mas eu nunca tive coragem de confrontar isso.

Mel não sabia se ainda algo pra oferecer à sua amiga e encostou-se à cadeira, gentilmente largando a mão de Amélie. Amélie sentiu seu coração desabar como uma montanha e pensou “Eu esperei muito tempo”. O silencio caiu novamente sobre aquela mesa, até que Amélie perguntou o que as duas estavam pensando:

– O que a gente faz agora?

Mel sabia que as duas precisavam de tempo pra pensar e que Amélie precisava ir pra casa resolver outro problema.

– Eu acho que você deveria ir pra casar e discutir a sua relação com o seu marido. Alexis é um bom homem e merece isso – Mel respondeu com sinceridade.

— Sim, você está certa – Amélie respondeu, reconhecendo a verdade na resposta de sua amiga.

Elas deixaram o bar juntas e quando estavam chegando onde o carro de Amélie estava, ela parou e olhou pra Mel. – E quanto a nós? – perguntou com medo da resposta.

Mel parou mais a frente e em seguida andou em direção à Amélie.

– Sempre vai existir “eu e você”. Não importa o que aconteça, a partir de agora eu vou está aqui pra você. Nada vai mudar isso. Tá? — Com lagrimas escorrendo pelo seu rosto, Amélie respondeu um tímido “Sim.”

Paradas em frente ao carro de Amélie, Mel a abraçou forte. Ela não queria deixar sua amiga ir, mas sabia que precisava. Amélie tinha que resolver o problema com seu marido, sozinha, e sabendo disso, Mel sussurrou em seu ouvido – Eu sempre vou amar você — e andou em direção ao seu carro.

Mel ficou parada perto de seu carro, vendo Amélie entrar no carro dela. Mel seguiu a sua amiga até sair do estacionamento e parou ao lado dela no final. Ela fez sinal para que Amélie abaixasse o vidro.

– Me liga, tá? – perguntou, olhando nos olhos molhados de Amélie

— Tá bom – Amélie respondeu e gritou, sem conseguir controlar o tom de voz – Eu te amo!

— Dirija com cuidado – Mel disse, enquanto o sinal abria. Então as duas seguiram caminhos separados para suas casas.