Entramos em um carro muito moderno pra época. Imaginei que nem Jane e nem seu irmão tinha idade para dirigir, mas resolvi não interferir, o que eu mais queria era sair daquele lugar.

Jane me lançou ao banco traseiro e sentou-se ao meu lado. Encarei seus olhos e eles eram como topázio — duros, claros e muito profundos. Alguma coisa não estava bem. Alec sentou-se ao banco da frente e deu a largada. Entramos rapidamente em uma velocidade muito rápida.

Já haviam se passado 20 minutos e nenhuma palavra havia sido pronunciada por nenhum dos dois. Eu tinha muitas perguntas e ao mesmo tempo tinha medo das respostas. Não sabia quem eram os dois, e muito menos de que lado estavam — apesar de terem me protegido. Onde estava Paolo? Por que havia me abandonado no momento que eu mais precisava dele, e no momento que Jane também mais precisava.

Toda minha linha de raciocínio foi quebrada com uma rápida frase pronunciada pelo irmão de Jane.

– Aro não vai perdoar essa. — Ele disse de forma preocupada, mas ao mesmo tempo doce. Encarou Jane pelo retrovisor — ela também parecia bastante preocupada.

– Se não o enfrentamos ficaremos presos a ele pra sempre — exclamou ela — não quero esse destino pra gente, Alec — ela continuo. Agora eu havia confirmado que o nome do frio era Alec.

Uma lâmina em brasa saiu de minha garganta. Algo desconhecido correu por minhas veia. Adrenalina, eu não sei. Algo estava acelerando minha pulsação e combatendo minha ausência de sensações. Eu senti que se não perguntasse naquela hora, ficaria pra sempre com dúvidas.

– Jane — Eu disse, fazendo com que ela me encarasse de forma angelical — onde está Paolo? — Eu completei.

– Está nos esperando na cabana, passaremos a noite lá e em seguida vamos mudar a localidade. — Ela disse, de forma calma e com grandes pausa e excitações, em seguida, ergueu a sobrancelha esquerda e continuou — Isso será cansativo pra uma frágil humana, como você.

– Eu não me importo — menti — mas tenho outra pergunta, por que estão me ajudando? — conclui.

– Acho que você já deveria saber disso, Alice, metade do mundo vampiresco está atrás de você justamente por isso — Ela disse com um ar de deboche — Inclusive os Volturi

– Metade do mundo? Como assim? — Jane só estava me deixando com mais dúvidas, naquele momento tive vontade de pedir pra Alec parar o carro e comecei a considerar que ficar no sanatório não era tão ruim assim.

– Você não sabe de nada, mesmo? — ela parecia surpresa — acho que exageraram sobre você — mais uma vez Jane estava sendo irônica. Eu realmente não sabia as reais motivações dela, sentia um mixer de frustração, raiva e ao mesmo tempo solidariedade em relação à mim.

– Ela só vê sua própria existência, Jane — Alec finalmente saiu do seu estado de silêncio — Ela só consegue ver humanos.

O diálogo alí tomou outro caminho, Alec e Jane aparentemente estavam discutido sobre mim. Tentei me concentrar, mas algo desviada minha atenção. Meu foco estava em outro lugar, que eu não sabia onde era. Algo estava muito confuso, algumas peças não se encaixavam. O que seria? Era só o que eu queria saber.

Finalmente chegamos à "cabana", onde, segundo Jane, ficaríamos pela noite. Paolo nos esperava na porta. Alec foi o primeiro a descer e Jane foi em seguida. Paolo se aproximou de forma incrivelmente rápida do carro e abriu a porta pra mim.

Olhei em volta, estávamos em um lugar totalmente cercado por belas e altas árvores, similar a visão que tinha de minha casa. A cabana era feita inteiramente de madeira e muito bem moldada, similar ao chalé que eu costumava acampar com meu pai durante o período de férias.

Meu pai... Apesar de tudo eu ainda me sentia ligada à ele, não só à ele, mas toda a família. Em minha cabeça já haviam passado minutos, muitos minutos de reflexão. Mas os três continuavam alí, parados, intactos, como verdadeiras estátuas de deuses gregos, incrivelmente bonitos.

Mais uma vez Alec conseguiu interromper toda minha linha de pensamento, ele nos deu uma sugestão, que mais soou como uma ordem:

– É melhor entrarmos, quanto mais tempo aqui, mais o cheiro da humana se impregna — Ele disse, me olhando fixamente nos olhos. Eu ainda não conseguia ter confiança em Alec, ele me transmitia algo mau, como se a qualquer momento pudesse avançar em mim e arrancar minha cabeça com enorme facilidade.

– Tem razão...Venha Alice! — Em uma fração de nanosegundos Jane se pôs ao meu lado e me arrastou carinhosamente em direção à cabana.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.