Do Rosa Ao Preto - A História De Alice Cullen
3 3 - Doces Orvalhos e Cobras Corais
De uma só vez abri meus olhos, ainda estava meio tonta e, de novo, não sabia o que tinha acontecido. Eu não sabia o que estava causando aqueles desmaios repentinos, à princípio acreditei em prováveis drogas, mas não seria possível.
Naquele momento só estava encarando o teto, as doces luminárias estrategicamente postas ao centro do quarto me transmitiam paz. Levantei e olhei a minha volta, quando vi por sobre a porta de entrada uma figura já comum em minha nova vida.
Paolo estava novamente lá, estático. Nunca havia percebido o quão bonito ele era. Seus bonitos e aparados cabelos longos que nada contrastavam com sua pele branca com da neve, seus olhos castanho-dourados e dentes mais brancos que todos os brancos que eu já havia visto. Seus cílios eram de uma imensidão e seu olhar transmitia paz. O nariz era robusto, porém afilado, assim como sua face.
Desta vez ele não estava vestido de branco, como já era de costume, estava trajando um casaco preto, totalmente fechado, calças sociais e os sapatos que eram moda. Eu os achava horríveis, mas era o que tinha de mais atual. Em sua cabeça usava um belo chapéu, similar aos que meu irmão e pai usavam.
E olhando seu chapéu lembrei de meu pai, uma lágrima caiu de meu olho esquerdo, seguida de uma dor, que brotava d fundo de minha alma. Dor de lembrar o quão fui rejeitada por meu pai, sem saber o motivo...
Eu estava prestes a concluir meu raciocínio quando fui mais uma vez interrompida por uma daquelas visões, naquele lugar elas estavam surgindo com freqüência. Eu via um casamento, um belo altar e um padre, ele parecia estar celebrando a cerimônia, mas não haviam convidados, nem sequer os noivos. Fiquei indagada, como pode um padre realizar um casamento sem noivos? Por qual motivo alguém se daria o trabalho?
- O que lhe preocupa, Alice? — Uma vez ecôo em minha mente. Mas, ela não estava vindo de minha visão. Saí do transe e percebi que a figura estática de Paolo havia se movido.
- Qual o problema, querida Alice? — Perguntou mais uma vez.
- Um casamento, um lindo casamento sem acontecer, sem noivos, sem convidados.. Apenas um padre e uma linda igreja — Respondi me recordado do que tinha visto.
- Você não conhece muito sobre lendas urbanas, não é mesmo?! — Disse em ásperas palavras.
- Do que está falando? — Questionei em alto em bom som.
- Você só consegue ver sua própria existência, somente humanos... — Ele disse em um tom explicativo, como um pai explicando o filho a se vestir.
Naquele momento 3 coisas se passaram em minha cabeça:
1. Paolo estava entrando em minha vida;
2. Eu queria me tornar uma vampira;
3. Algo muito ruim aconteceria comigo.
Aquilo tudo fazia muito sentido, eu tinha me visto debatendo ao chão, aparecendo e desaparecendo. Eu estava vendo minha passagem à outra vida?
Fechei meu olhos, respirei fundo e tentei organizar meu pensamentos. Eu tinha muitas perguntas à fazer. Quando tornei a abrir os olhos, Paolo havia sumido. A única coisa que havia deixado pra trás era uma rosa vermelha com um bilhete: "Durma muito agora, em 12 horas retornarei e te tirarei daqui, rasgue esse papel".
A dúvida tomou conta do ambiente. Eu gostaria de sair de lá, mas por que aquele misterioso enfermeiro iria me ajudar?
Os motivos não contam, eu só queria sair de onde eu conhecia como "Inferno"
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