Do Olimpo Ao Mundo Emerso

9 Descolo uma nova inimiga


Allicia

Allicia disse a Senar que seria melhor visitar a irmã sozinho, enquanto isso ela passearia pela aldeia e depois se encontrariam na casa da mãe dele . Ela se dirigiu para o mar, desde pequena era apaixonada pelo mar, e agora entendia o real motivo. Percy lhe ensinara muitas coisas sobre como usar os poderes de filhos de Poseidon e ela teve uma facilidade muito grande para aprender tudo, o que mais gostava mesmo era de conversar com os cavalos e se encantara com os alados, mas nem sabe se veria os animais novamente.

O banho no mar lhe fez bem, antes de voltar para a casa da mãe de Senar, comprou alguns mantimentos, ela ainda não se acostumara com a alimentação do mundo emerso, mas não poderia morrer de fome.

A velha senhora pareceu decepcionada quando reafirmou que Senar e ela eram apenas bons amigos, mas não tocou mais no assunto. Mais tarde quando o mago chegou não tiveram tempo o para conversar sobre a missão já que ele não queria que ela soubesse.

No dia seguinte ele foi a taberna sozinho enquanto Allicia foi arrastada pela aldeia sendo apresentada para as amigas da velha senhora, com sua avó sempre fazia quando ela ia visita-la na Europa.

...

-Um milhão de dinares? – perguntou incrédula enquanto partiam em encontro ao navio. Não conhecia muito sobre o dinheiro do Mundo Emerso, mas um milhão era um milhão não importa o mundo. — Acho que isso é muito dinheiro.

Senar apenas assentiu. Ao chegarem próximo a uma caverna ela visualizou uma figura sob um capuz, o corpo era obviamente feminino. Uma lanterna ofuscou sua vista.

-Você não pagou para levar acompanhante- disse a mulher com uma voz quase rouca.

-Acho que um milhão de dinares paga muito bem os riscos e a embarcação de duas pessoas- Allicia respondeu sem se conter- Até não por que o mago irá sem mim.

-Podemos ir então- disse com um sorriso de canto.

Encaminharam-se rumo à enseada onde o navio estava ancorado, era uma embarcação como os da época medieval que Allie vira em filmes e livros de historia. Um autentico trirreme de piratas.

- Sabem nadar? – perguntou a mulher.

-Nadar? – perguntou Senar perplexo.

Mas ela já mergulhara no mar e avançava com grandes braçadas rumo a embarcação.

-Vamos mago- disse ela também entrando na água salgada que a encheu de energia.

Logo ela já estava lado a lado com a mulher sem esforço algum. Olhou para trás a procura de Senar e o viu caminhado diante de uma trilha luminosa sob a água.

-Um tanto fria a água, não acham? – perguntou ele alcançando-as- Não querem me acompanhar.

-Vemo-nos a bordo- disse a mulher lançando um olhar desdenhoso a ele. Allie sorriu e desejou que a água a impulsionasse para frente, logo estava no navio, mas teve que desejar que a água a molhasse ou então teria muitas perguntas a responder.

Logo a mulher chegou encarando-a surpresa e um homem entregou-lhe uma manta sem se importar se Allie sentia frio ou não, na verdade não sentia, mas educação nunca se dispensava não é mesmo!

-Lamento- disse a mulher com falsa lamentação enquanto um velho de cabelos grisalhos presos em uma trança, ar altivo e olhos flamejantes, parava ao lado dela. — esperávamos apenas um tripulante.

-Dane-se – disse Allicia dando de ombros enquanto observava o mago chegar.

-Quer dizer que você é o louco- disse o velho observando o mago com desdém- minha filha Aires não me disse que era um rapazola, e que alem de embarcar em uma missão suicida ainda arrasta uma jovem com você.

Allicia deu uma olhada à volta, era obvio que estavam em um barco de piratas, mas isso não a intimidava nenhum pouco e não deixariam que zombassem dela e de Senar.

-Estou aqui por que quero- respondeu enfastiada- vocês deveriam preocupa-se apenas em receber o dinheiro e cuidar para que essa embarcação, que obviamente precisa de reparos não afunde conosco.

-Como você ousa- disse Aires dando um passo a frente apertando o cabo da espada.

-Simples- respondeu rolando os olhos- estamos pagando o suficiente para estarmos aqui, não importa se são vocês que controlam o trirreme ou se gostam ou não da nossa presença. Afinal, não estamos fazendo nenhuma caridade.

-Quanta impertinência para uma garota...

-Sim, eu sou impertinente- concordou dando de ombros como se falasse do tempo- acho que é um mal de família, impossível de controlar.

Aires estreitou os olhos e Senar tentou amenizar a situação, pigarreou e estendeu a mão para o velho.

-Muito prazer capitão, meu nome e Sena e...

-Primeiro o dinheiro- cortou o velho com a voz ameaçadora- e só depois os cumprimentos.

-Esta tudo aí- disse Senar lhe entregando um pacote volumoso- pode contar a vontade.

-Nem precisava dizer. Fiquem de olho nele – disse dando uma ruidosa risada e depois encarando Allicia- e principalmente na mocinha aqui.

Allicia trincou os dentes, estava louca para tirar sua espada e mostrar a eles que não estava para brincadeira.

Resolveu observar melhor o navio, apesar de alguns danos aqui e ali que ela só percebeu por ser uma filha do deus do mar o Demônio Negro, esse era o nome do trirreme parecia bem cuidado e limpo. Os membros da tripulação não tinham um aspecto muito confiável, havia também um gnomo, um duende e um rapaz loiro que parecia muito jovem para ser pirata.

Logo ele se aproximou e começou a perguntar a Senar sobre a ponte que ele convocara para chegar ao barco.

...

-Um milhão de dinares e nos jogam em um porão? – perguntou Senar a Aires.

Ela agarrou a mão dele que estava em seu braço e torceu-o pregando-o nas costas.

-Esta não é uma viagem de prazer- sussurrou ela em seus ouvidos.

-E nós não somos os seus brinquedinhos- disse Allie irritada- agora solte o braço dele por que eu realmente não gostaria, ah sim estaria mentindo se dissesse isso, solte o braço dele por que afinal não estou a fim de perder a paciência.

Aires sorriu e fitou-a com escárnio fazendo seu sangue ferver, em um simples gesto poderia ativar sua espada e fazer com que aquela mulher nunca mais debochasse dela. Senar lançou-lhe um olhar pedindo para que se acalmasse ele tinha razão, precisariam dos piratas para chegar ao Mundo Submerso.

-Venha Senar- disse Allicia após um tempo.

-De qualquer forma- disse a mulher em alto e bom som para que ouvissem- o dinheiro paga os riscos e não um lugar a bordo.

...

Relutante Allicia aceitou que Senar lhe cedesse aquele projeto de cama, quando eles conversaram sobre o ocorrido e ela lhe disse que aquele era um navio de piratas o mago pareceu surpreso.

-Temos que ficar atentos- disse após um tempo- agora que eles têm o dinheiro, nada garante que honrarão o compromisso.

...

Certa noite o receio dos dois se concretizaram. Deitaram-se após o jantar como de costume já que evitavam ao máximo ficar afastados da tripulação Conversaram por horas enquanto o mago lhe perguntava sobre sua vida e ela lhe dava respostas vagas.

Adormeceram, ela na cama improvisada e o mago em meio a cobertores no chão e não perceberam os passos furtivos na escada. Acordou com um barulho abafado e logo viu Senar pular de onde dormia enquanto uma faca chocava contra os cobertores.

Sua reação foi instintiva, tocou seu bracelete dourado e logo sua bela espada prata com reflexos dourados apareceu e seu brilho iluminou um pouco mais o local. Enquanto Senar imobilizava o pirata que tentou mata-lo, ela atacou o homem que estava mais próximo a sua cama, com apenas um golpe o desarmou e jogou-o no chão pressionando o joelho contra o tórax dele.

O olhar do mago era raivoso.

-Todos aqui! — gritou ele a plenos pulmões- Todo aqui agora!

Rostos sonolentos apareceram na escotilha. Aires desceu da escada, de camisola branca e descalça, o olhar de Senar vacilou por um momento. Homens.

Todos os olhares se revezaram entre os jovens e os homens dominados.

-O que está acontecendo aqui- perguntou ameaçadora. Allicia revirou os olhos.

-Achei que fosse mais esperta- debochou pressionando a espada contra o pescoço do homem que estava amedrontado.

-Nada alem do fato de que vocês nos subestimaram- disse o mago sem se intimidar.

-Seja o que for que você fez com ele, liberte-o logo- sibilou ela entre os dentes.

-Você não está em posição de ordenar nada aqui- disse irritada.

Aires trincou os dentes.

-Calma Aires. Antes vamos esclarecer algumas coisas. Primeiro se vocês acharam que tinham encontrado um frango para depenar, estavam muito enganados. Segundo nós pagamos para sermos transportados em segurança e terceiro, — disse apontando para os homens no chão- isto é o que acontece com quem decide tentar fazer-nos algum mal. E só pra lembrar, dessa vez eu fui clemente, e quanto a Allicia- ele disse olhando do homem para ela e deu um sorriso- sabe, ela é meio temperamental e imprevisível.

-E impertinente- ela completou sorrindo.

O silêncio tomou conta do porão. Aires manteve-se no lugar com uma expressão indecifrável. Em seguida deu um sorriso sarcástico.

-Bela espada- disse para encarando Allicia- Quer dizer que nosso mago esconde garras afiadas em sua aparência pacata! Vamos fazer um trato. Eu mantenho os meus homens sobre controle, e vocês não se atrevem a machucar nenhum deles novamente ou então farei com que se arrependam pessoalmente.

Senar ia concordar mais Allicia se levantou e deixou o pirata ainda no chão se esforçando para se sentar.

-Tenho uma ideia melhor- disse ficando frente a frente com Aires- você controla os seus homens e prometemos que ninguém será lançado no mar.

Aires segurou seu olhar por um longo tempo e então sorriu.

-O show acabou rapazes, vamos voltar para a cama- disse com toda a calma que tinha. – é melhor ficar esperta garota, minha paciência tem limites.

-É recíproco- disse dando de ombros e sorrindo.

-De onde apareceu sua espada? – perguntou Senar assim que estavam sozinho novamente.

-Foi um presente que ganhei de... do pai do Jeremmy- respondeu ela tocando o símbolo Ͽ na lamina e fazendo a voltar a ser um bracelete.

-Isso é incrível- disse ele admirado.

...

Após o espetáculo no porão, ninguém se atreveu a ataca-los novamente. A tripulação os encarava num misto de temor e admiração até por que não era qualquer um que enfrentava a filha do capitão com tanta ironia e sarcasmo.

O único que conversa com eles era o garoto loiro que puxara assunto com Senar no primeiro dia, seu nome era Dodi. Ele era um tagarela que contou varias historias sobre a tripulação e o capitão, também contou como fora parar no navio e encheu Senar e Allicia de perguntas sobre magia e como ela aprendera a lutar.

...

Velejaram por dias na calmaria, Allicia e Senar tentaram aproveitar ao máximo a viagem, ela adorava o mar, já e mago enjoava constantemente. Quando os piratas interceptaram outro navio Senar tentou interceder não teve êxito.

Ao subir novamente ao convés após a batalha Allie observou os estragos causados poderiam ser perigosos caso enfrentassem uma tempestade, e ela sentia que havia uma muito próxima.

Reuniu toda a paciência que tinha e tentou argumentar com o capitão Rool e com Aires, mas a mulher lhe tirava do sério e para variar as duas acabaram em discussão.

-Está tentando me confrontar garota? – perguntou a mulher segurando com força o cabo da espada. – Acha mesmo que entende de navegar melhor do meu pai e eu?

Allicia gargalhou, era impossível de evitar e isso atraiu o olhar de todos no convés.

-Se acham tão espertos e não enxergam o obvio- disse laconicamente.

-Cuidado garota- disse Aires entre dentes- a minha paciência com você está...

-Eu não tenho medo de você, e acho que isso é o que mais te irrita- sentenciou a garota.

Se Allicia não fosse uma semideusa teria sido dividida em duas naquele momento, a mulher sacou a espada e a atacou tão rapidamente que ela só pôde saltar para o lado ficando em cima de uma caixa de madeira.

-Acho que está na hora de lhe ensinar uma lição- disse Aires recebendo murmúrios de concordância da tripulação.

O único que parecia alarmado era Senar que observava a cena com descrença.

-Sabe Aires, meu professor de esgrima sempre enfatizou o quanto é antiético atacar uma pessoa desarmada. Felizmente para você, quer dizer, infelizmente para você eu nunca ando desarmada. — disse tocando o bracelete no pulso esquerdo enquanto a lâmina de prata e bronze celestial crescia e parecia absorver o brilho do sol.

Todos olharam surpresos para a espada da garota, diferente da de Aires, o presente de Apolo era uma espada artesanalmente bem moldada com desenhos e símbolos gregos e é claro parecia que havia sido feita para ela.

-Devo parabeniza-la por saber empunhar uma espada? – perguntou Aires em seu tom habitual de deboche.

-Isso implica a você apenas- respondeu dando de ombros. – O que está esperando? A grandiosa pirata Aires está com medo?

Isso foi o que precisava para incitar a mulher a ataca-la.

Os golpes dela eram firmes e ininterruptos, o que fazia com que Allie tivesse tempo apenas para se defender, desviava os golpes sem dificuldade mais já estava começando a se irritar. Aires tentou engana-la e golpea-la na perna, mas ela pulou a tempo equilibrando-se precariamente na beira do navio, o mar lá embaixo estava calmo e límpido e era possível ver os peixes nadando tranquilamente.

-Tem que se esforçar mais Aires- provocou dando um salto e parando um pouco distante da mulher.

A outra sorriu nada disse, provavelmente poupando fôlego e investiu novamente. Allie começou a perceber que ela mudara de tática e agora apostava mais na velocidade do que na força. A espada passou fazendo um risco no braço direito dela, Aires sorriu vendo o sangue escorrer do braço da garota, agora ficava mais difícil de segurar a espada com firmeza. Mais um corte, na perna direita agora. Ficara claro que a mulher não lutava de forma limpa.

Desviou dos golpes enquanto recuava para a proa, dando a Aires a impressão de que estava vencendo, quando chegou perto o suficiente da beirada do navio desejou que uma onda viesse e além de conseguir recuperar suas forças, conseguiu desorientar a mulher tempo o suficiente para ataca-la, as lâminas bateram uma contra a outra e Allie fez menção de atacar pela direita dando total liberdade a Aires para atacar pelo o outro lado, quando esta assim o fez Allicia desviou o golpe e a espada da mulher foi lançada no mar.

Isso pareceu realmente irritar Aires, pois ela sacou uma adaga e partiu para cima da garota com tudo, quando chegou próximo a ela Allicia torceu braço dela fazendo-a soltar a adaga e apontando sua espada para o pescoço da mesma.

-Acho que o espetáculo acaba por aqui- disse fazendo com que sua espada voltasse a ser parte do bracelete.

-Você tem fibra garota- disse Rool encarando-a com um sorriso.

Houve um murmúrio de concordância enquanto Aires a fuzilava com o olhar. Allicia deu de ombros e voltou para o porão sendo seguida por Senar e Dodi.

-Acho que você acabou de selar o ódio de Aires por você- disse Dodi com um sorriso travesso. – É melhor ficar atenta a partir de agora.

-Certo- disse ela sem dar muita atenção, enquanto colocava um pedaço de ambrosia na boca , a água ajudava, mas a ambrosia e o néctar aceleravam o processo.

...

Allicia estava certa ao prever que uma tempestade estava próxima, duas semanas após o duelo com Aires, o mar rapidamente passou da calmaria para uma inquietante tempestade que poderia a qualquer momento virar o navio. Se estivessem em seu mundo Allie acreditaria que uma batalha era travada no fundo do oceano, mas não aqui.

Senar tentava ajudar de todas as formas possíveis, mas sem muito êxito, os homens estavam desesperados correndo de um lado para o outro seguindo as ordens de Rool e Benares.

Ela se esgueirou para um canto mais afastado do navio e com ninguém parecia notá-la concentrou-se em acalmar o mar, foi uma tarefa complicada e cansativa, mas em fim pode-se deixar cair de joelhos e fechar os olhos.

-Como você fez isso? – perguntou uma voz surpresa atrás dela.

-Fiz o quê-? perguntou fingindo-se de desentendida.

-Você... você acabou com a tempestade- disse Aires como se fosse obvio.

-Meu pai é um homem do mar- disse após um curto período de silêncio- agora, vamos deixar isso entre a gente, por favor.

-Depois você terá que me dar às devidas explicações- disse ela.

-Certo, mas agora temos muito o que reparar no navio para que não fiquemos à deriva.

-Tem razão- disse a mulher estendendo a mão para ela que sorriu e aceitou.

...

Não tiveram tanta sorte assim um mês depois quando enfrentaram outra tempestade, Allicia podia sentir que não era um fenômeno completamente natural e tudo o que pode fazer foi manter o navio inteiro para que ele não desmanchasse e afundasse, ela podia controlar o mar abaixo do barco, mas a ventania, raios e furacões era impossível. O resto ficou por conta de Senar.

O Mago fora realmente incrível dessa vez escalara o mastro em meio a uma tempestade criou um escudo sob o navio. Uma calmaria atingiu o navio, mas Allicia sabia que Senar não aguentaria isso por muito tempo.

Rool ordenou que os marujos aumentassem o ritmo, mas, sabia que estava exigindo muito deles.

-Acho que é com você- gritou Aires para ela assim que conseguiu controlar o leme novamente.

Allicia assentiu e concentrou-se em aumentar a velocidade do navio e logo pode ouvir um vago grito de terra á vista, seus sentidos estavam falhando e após um tempo caiu na escuridão.

Ao acordar pode sentir uma cama macia, seu corpo doía e sua cabeça parecia que iria explodir.

Estava tentando descobrir onde estava quando viu Aires entrar pela porta com um sorriso no rosto, e não era de deboche.

-Sente-se melhor?- perguntou se sentando na beira da cama.

-O navio ainda está inteiro?

-Contando que você está na cabine do meu pai, sim- respondeu encarando-a- O mago também está bem, só está dormindo, acho que a magia exigiu muito dele. Ainda não respondeu minha pergunta.

-Corpo todo dolorido e cabeça a ponto de explodir, fora isso estou ótima- respondeu com um sorriso fraco- onde estão as minhas coisas?

-No porão, por quê?

-Será que poderia pegar a bolsa menor para mim, por favor? – pediu

Aires assentiu e saiu, não demorou muito para voltar com uma bolsa pequena, só o gesto de esticar o braço para pegá-la causou dor em Allie.

Abriu o cantil de Néctar e tomou um longo gole e depois comeu um pedaço de ambrosia, pode sentir seu corpo melhorar logo estaria de pé novamente.

-O que é isso? – Aires perguntou observando enquanto a cor voltava ao rosto da garota.

-Um tipo de remédio para dor- respondeu displicentemente- Aires, você não contou a ninguém sobre o porquê de estar desmaiada não é?

-Eu disse que você desmaiou de exaustão, mas por quê?

-É melhor que ninguém saiba...

-Nem mesmo Senar?

-É um pouco complicado de explicar- disse por fim- por enquanto fica só entre nós duas certo?

-Você me deve explicações- disse séria- mas ajudou a salvar o navio.

-Obrigada.

-Como as pessoas vão lhe agradecer se não souberem o que fez?

-O mérito foi todo de Senar- disse sorrindo- é só o que precisam saber.

...

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.