Do I Wanna Know?
2 Capítulo 2
Aomine/Kise.
O moreno encostava a cabeça na parede, enquanto a água escorria por seu corpo delineado. Seus olhos se prendiam aos azulejos do box, focados noutra coisa que tinha acontecido há poucas horas. Seu coração ainda batia no peito, mas ele se perguntava como, uma vez que sentia-o dilacerado. Levou a mão ao peitoral e expirou profundamente, sentindo um repuxar psicológico no músculo e torceu os lábios. Fechou o chuveiro e se secou com a toalha que Sakura havia deixado ainda pouco. Pegou um roupão felpudo que ela tinha comprado para ele uma vez e se cobriu, deixando o cômodo para o quarto dela. Não a avistou de primeira, mas percebeu a porta que dava para uma sacada entreaberta e se encaminhou, encontrando a amiga apoiada no peitoral de metal, também enrolada em seu roupão preto. Aomine se aproximou por trás e passou os braços pelos ombros dela e enfiou a cabeça na curva de seu pescoço. Sentiu durante um segundo a tensão no corpo dela, antes que relaxasse.
— Não vou fazer nada. — murmurou, apertando-a ainda mais. — Me desculpe pelo que fiz no banheiro.
— Eu beijo tão mal assim para você ter que se desculpar? — o moreno sorriu contra a pele dela.
— Pelo contrário. Acho que se não der certo com o Kise, eu deveria realmente tentar em investir em você. — a risada dela se fez presente, assim como o toque delicado de seus dedos nos azulados cabelos curtos. — Ainda tenho chance?
— Um jogador de basquete gostoso e rico para caralho? — ela virou o rosto para ele e Aomine o beijou. — Mas é claro!
— Mercenária. — as risadas e piadas de Sakura traziam certo conforto ao coração do jogador. Era isso que ele precisava naquele momento. — Você está bem?
— Depois da pegada que eu levei no banheiro? — ele se afastou, deixando que Sakura se virasse de frente para ele.
— Estou falando sério. — disse, pela primeira vez, em tom neutro, fitando as orbes violetas que desviavam dos seus globos azuis escuros. Os olhos dela encaravam o céu e um sorriso brotou nos lábios dela.
— Eu não sabia que podia se amar assim, Dai-chan. — comentou, quase num suspiro. Baixou o olhar para Daiki. — Eu achei que tinha superado até vê-lo. Aqueles cabelos ruivos rebeldes, os olhos tão vermelhos quanto os fios... Os ombros largos, a postura orgulhosa. Meu coração batia mais rápido do que eu podia imaginar e eu... Eu estou me sentindo ridiculamente apaixonada pelo Taiga-kun novamente, Dai-chan. Não sei se deveria me sentir patética desse jeito. — levou a mão pequena ao peito.
— Você nunca deixou de estar. — comentou, pegando a mão dela e entrelaçando aos seus dedos. — Digo, apaixonada por ele. Não se considere ridícula por isso. — Sakura sorriu e apertou a mão dele.
— Por que você veio tão atordoado, meu bem? — imediatamente os olhos do rapaz se fecharam e as imagens passaram novamente pela sua cabeça. A garota reparou e, com leveza, enrolou os braços na cintura dele, repousando a cabeça no peito recoberto pelo tecido felpudo. — Divida sua dor comigo. Não quero ver você sofrer sozinho. — mesmo magoado, Aomine sorriu e fez uma prece mental por ter uma amiga tão dedicada quanto ela.
— Eu o beijei, Sakura. Eu o toquei, eu senti sua resposta, suas reações. Por um breve momento, eu vi o que eu mais desejei poder ver naqueles olhos dele... E ele me disse que não sabe como justificar o término do noivado dele. — não percebeu que chorava até sentir o roupão dela úmido. — Eu sei que foi repentino e que eu deveria dar o benefício da dúvida, mas eu não consigo impedir... Isso. — se referiu as lágrimas. A dor que perpetrava cada canto dele.
— Nós estamos nos afogando na nossa própria confusão, Dai-chan. Você, Kise-san, eu. Nos enrolamos em nossos próprios enredos e não conseguimos resolver com atos simples, entende? — afastou-o para secar as lágrimas com os polegares. Alisou a pele ligeiramente áspera por causa da barba e fitou os olhos dele. — Vamos ter paciência por agora, ok? — Daiki percebeu que a garota também chorava e segurou o rosto nas mãos. — Eu tô sendo mongolóide, não se preocupe! — exclamou, sorrindo por trás dos filetes de água salgada que escorriam. — Mas me conta: o beijo foi igual aquele do banheiro? Porque se foi... Olha, como ele resistiu?! — ele gargalhou baixinho.
— Eu não sei o que eu seria sem você! — disse, abraçando-a.
Kagami/Sakura.
Kagami fitava o teto cor de palha, deitado em sua cama, quando a campainha soou. Se levantou, jogando as coisas que tinha sobre seu corpo para o lado e, a passos largos, foi até a porta, abrindo-a sem preocupação para saber quem seria.
— Kise?! — exclamou, ao ver o loiro de óculos escuros parado de frente para ele. O ruivo convidou-o para entrar e deixou que ele se acomodasse, enquanto preparava um chá para os dois. Levou a bandeja com algumas torradas que tinham sido preparadas. — Está tudo bem? — questionou, ao ver as olheiras escuras e inchadas contra a pele pálida.
— Foi apenas uma noite mal-dormida. Não se preocupe. — bebericou o chá. — E você? — Kagami deu os ombros. — Acho que não estamos bem de verdade, não é?
— Acho que não. Ahomine conseguiu falar com você? — perguntou, de maneira indiscreta, mas o loiro não se incomodou.
— Conseguiu. — colocou a xícara sobre o prato. — Era sobre isso que eu queria falar com você. Essa Yukino-san... Quem é ela? — perguntou, olhando para os dedos entrelaçados no colo. Kagami arqueou as sobrancelhas e, por um momento, entendeu o que Kise não dizia em palavras. Ele já tinha estado naquele lugar há um tempo. Ele quem tinha sentido ciúmes de uma pessoa que não afetaria nada na relação.
— Sakura é uma das melhores amigas de infância de Aomine... E minha ex-namorada. — parou um instante para umedecer os lábios. — Eu acho que a primeira impressão que todos tem dela é que Sakura é uma pessoa esnobe. O modo de andar, a postura rígida, as roupas caras. Mas não é preciso muito para se apaixonar por ela, sabe? Ela tem uma coisa que te cativa: talvez seja o jeito espontâneo em elogiar os atributos físicos de qualquer pessoa sem algum tipo de filtro, ou de te fazer sorrir estupidamente quando para para brincar com cachorros e gatos de ruas. Ou, a maneira como ela te olha. — Kise ergueu os olhos para Kagami, descobrindo o sorriso feliz que habitava os lábios dele. — Ela sabe como você se sente num único olhar. Com Sakura, ou você a ama, ou você a ama para caralho! — os olhos rubros encontraram os tons de mel. — Eu te digo com toda certeza que Aomine ama Sakura e que eles fariam um casal perfeito. — o loiro arregalou os olhos. — Só que ele realmente ama e está apaixonado por você, sabe? E não é uma coisa passageira ou leviana, Kise, porque você não sabe até que ponto Kuroko ou eu vimos Aomine chegar por causa desse sentimento. — Kagami viu as lágrimas escorrerem pela face pálida e se aproximou do outro, abraçando-o pelos ombros.
— E Misaki? Não é justo com ela. — murmurou, com a voz engrolada.
— Se você a ama de verdade, como mulher, então fique com ela. Mas, caso não, termine porque casar assim seria um erro. Imagine alguém que não tenha seu amor regado constantemente com bons sentimentos, Kise: ele morrerá por falta de carinho, por falta de cuidado e Misaki ficará infeliz. — disse, baixinho. — Pode parecer uma decisão egoísta agora, mas será bom para ambos. — o loiro assentiu, ainda se apertando contra o abraço de Kagami.
Alguns minutos depois, o loiro ouviu um barulho de porta sendo batida e ele se afastou, olhando para o local onde o som de passos ficava mais intenso. Secou as lágrimas, permitindo que visse uma senhora parada logo na entrada da sala.
— Ah, mãe! — exclamou Kagami. — Achei que estivesse dormindo. — a senhora tinha cabelos escuros intensos que estavam presos num coque firme e olhos vermelhos idênticos aos de Kagami. Em seus traços — alguns profundos em seu rosto, havia um ar maternal e carinhoso que fez Kise se sentir reconfortado de imediato. — Ah, este é Kise Ryouta! Essa é minha mãe, Aiko-chan. — ela se aproximou de ambos e deu um tapa na cabeça de Kagami.
— É claro que eu sei quem ele é, Kagami! Eu vejo TV. — respondeu, fazendo o ruivo arquear a sobrancelha, irritado. — E por que você não ofereceu algo melhor a ele? Essas torradas são tão simples! Querido, eu vou preparar algo que vai melhorar esse seu humor, viu? — acarinhou os cabelos de Kise, fazendo-o sorrir sem perceber. Ela se afastou, indo em direção a cozinha e, em vinte minutos de conversa ainda com o ruivo, a senhora voltou com um prato de pequeninos bolos de banana com aveia decorando o topo fofo de cada um. Além disse, trouxe outro bule para infundir um pouco mais de chá. — Espero que goste!
— Que delícia! — exclamou após a primeira mordida. Não era muito doce e tinha aquele gosto caseiro de infância que ele raramente tinha chance de provar, já que seus pais viajavam muito quando era criança. Ficou ali, entretido pelas histórias de Aiko-chan falando sobre Kagami era uma criança intempestiva e aqueles "podres" que toda ceriança tinha e se percebeu rindo bastante. Ao final, recebeu uma ligação de seu agente e precisou ir embora de súbito. — Obrigado pela preocupação. — disse, se digirindo aos dois. Kagami apenas sorriu, mas Kise foi envolvido num abraço pela senhora pequenina e o consolo foi suficiente para seu pobre coração. Agradeceu Kagami num olhar e, com uma reverência curta, saiu do apartamento.
Aiko se sentou no sofá, servindo-se de mais chá e de um bolinho que mordiscava. Seus olhos rubros tão iguais ao do filho analisavam o rapaz que retirava as louças sujas e levava para cozinha para lavá-las. Quando ele terminou, retornou a sala, sob o olhar intenso de sua mãe. Ela estendeu os braços para ele e pediu um abraço nesse gesto mudo, que ele respondeu de imediato. Aiko o fez deitar com a cabeça sobre seu colo, do jeito que fazia quando ele era criança, e acarinhou os cabelos ruivos que lembravam tanto o do marido.
— Por que esse menino estava chorando? — questionou baixinho.
— Ele passou por muita coisa atualmente. As memórias dele estão voltando aos poucos e sua vida antiga não está se encaixando como ele queria.
— Entendi. — ela possuía um ar distraído, enquanto mexia nas mechas. — Ouvi o que você disse sobre Sakura-chan. — ele corou, mas não evitou o sorriso. — Acho que ela faz um casal perfeito com você e não com aquele jogador de basquete. Ele nem é tão bonito quanto você. — Kagami riu. — Sei que você teve seus motivos, Taiga-chan, mas se você soubesse como aquela garota o amava!
— Como assim, mãe? — questinou, sentando-se no sofá e fitando os olhos dela.
— Taiga, a Sakura-chan sempre parecia tão interessada em você. Eu lembro dela chegar tão timidamente na nossa casa em Dallas, toda arrumada e eu bagunçada. Fiquei constrangida por causa disso, mas ela sequer olhou para minhas roupas. Ela só tocou meu rosto e ficou olhando meus olhos, parecendo encantada. Os olhos do Taiga-kun são iguais! A cor, o formato, o carinho! Eu estou com tanta saudade dele!– Aiko sorriu ao ver Kagami enrubescer ainda mais, apesar de estar sério. — Até trouxe comigo a foto que tiramos naquele dia. — estendeu um papel de fotografia para o ruivo, que o segurou com a ponta dos dedos. Seu coração bateu rápido ao ver as duas mulheres de sua vida na mesma foto: Sakura, bem mais alta que Aiko, abraçava a senhora por trás, enlaçando os ombros num movimento apertado, enquanto sorria tão aberto que seus olhos se fechavam. Isso o fazia resfolegar. E sua mãe quem parecia encantada, olhando para a garota com um sorriso maternal.
— Eu posso ficar com ela? — murmurou, umedecendo os lábios.
— É sua. — ficou em pé e espanou as migalhas de sua roupa. — Vou visitar Himuro e os pais dele! Tenho que aproveitar enquanto estou aqui no Japão. — e deixou o ruivo sozinho.
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