Notas iniciais
Não me dêem vácuo

Eu não sei os termos científicos ou religiosos, não sei como explicar as causas mas, tudo que sei vou deixar escrito aqui, pois esse é um diário de uma órfã!

Talvez esses 3 meses e 25, foram os piores da vida dela mas, eu prefiro me iludir que tudo foi feito por amor, só por amor.
Dizem que ela constantemente falava em ir embora, sumir pra sempre juntamente comigo.


Mas, quem poderia acreditar nisso? Quem iria sumir assim da vida de toda família e sumir com seu único sonho por anos de ter um linda menina e seus outros dois filhos pequenos?


Eu não sei, eu quero acreditar que foi por amor, dizem que ela disse muitas vezes, muitas vezes.


Ah... eu não sei, eu não sei como não acreditaram, como se cegaram, como fecharam os olhos para essas falas, para essas paranóias, eu só sei que aconteceu...

Eu... eu realmente não sei dizer, se era em uma triste segunda ou quarta, talvez fosse em quinta, talvez sábado... eu não sei.
A única coisa que me contaram é que era um dia chuvoso e que ela desceu as escadas barosas, comigo nos braços, então subiu novamente com muita dificuldade olhou pra minha tia e pediu " cuida dos meus filhos, nunca entregue eles a ninguém, me promete"
a minha tia disse que riu e falou "tá bom, tá bom, vai logo a menina está doente".


Sim, eu estava doente... ela só iria me levar ao hospital, era só pra cuidar de mim... não era para nunca mais voltar, porque ela nunca mais voltou e aquelas palavras viraram o fardo da minha tia...


Eu não sei, qual era nome do hospital, eu não sei o dia exato mais era um triste dia 10 de maio, foi naquele hospital que ela me entregou pra minha tia mais jovem de apenas 16 anos, afirmando ir no banheiro, e sim ela foi ao banheiro mas, nunca mais voltou...

Eu queria acreditar, que ela simplesmente está a vagar por ai, aproveitando uma vida de luxo com um homem qualquer, que ela simplesmente me abandonou e que talvez, só talvez... um dia vai sentir saudades e voltar pra mim, voltar pra mim ver, e que vai sorrir e dizer me desculpe.
Mas não, não é isso... ela não vai voltar, porque ela me deixou pra sempre.

Naquele banheiro de hospital, ela tirou as calças amarrou no chuveiro e se enforcou, ela me deixou, ela foi embora sem pensar em como eu viveria, em como eu me sentiria, como eu passaria os dias das mães, simplesmente me abandonou sem olhar pra trás, ela poderia ter me levado junto...
hoje esse era o meu único desejo, ter ido com ela... pra sempre.

Porque não ela não me levou?
É tudo que eu penso hoje!

Tudo que acharam naquele banheiro foi um corpo sem vida, imagino o desespero da minha pobre tia.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.