Diário de uma paranormal
9 Viagem Para Praia
25 de outubro
Miguel parece que não tem nada na cabeça. Ele quase me matou do coração ontem chegando sorrateiramente no banheiro onde eu estava jogava videogame. Obviamente eu saí furiosa de lá. E se eu não estivesse jogando, mas fazendo outra coisa no banheiro? Só porque você ouve algo estranho isso não quer dizer que tem o direito de xeretar. Já decidi eu não falo com ele até o final da viagem. Eu sei que é infantil não precisa dizer.
Daqui a alguns quilômetros chegaríamos à cidade onde o cristal nos mostrou. Pelo o que eu achei sobre essa cidade na internet a cidade era pequena, praiana e muito rica. Nós combinamos de nos separar em duplas para descobrir sobre a cidade antes de procurar onde Josh poderia estar. Eu tive visões sobre a cidade, mas não contei a ninguém porque poderia não significar nada, como várias outra. Tínhamos pegado a estrada à noite para não chamar muita atenção já que o nosso carro parecia atrair todos os olhares. O sol estava quase a pino quando chegamos na cidade .Grande parte dos prédios ficavam a beira mar ,que estava bem cheia de pessoas devo contar. Eu não conseguia enxergar muita coisa ,mas vou poder ver assim que encontrarmos o hotel mais barato daqui.
–Porque eu achei que ficaria com a parte boa do plano?-reclamei quando Becky explicou o nosso plano de ação. Ela e Harry ficariam com o reconhecimento da parte mais rica da cidade enquanto eu e Amber ficaríamos com a outra parte. Dava para notar que não eram pobres nem coisa parecida, mas viviam a vida de um jeito mais simples, tirando a parte de trabalhar pouco e passar o dia todo na praia.
Num modo geral eu estava animada porque nós precisávamos de um dia antes de começar a busca. Vou poder curtir a visão da praia, se eu não derreter antes.
Depois de deixar as nossas malas em um hotel que no mínimo tinha 100 anos, fomos sentar na escadaria da entrada, que era de frente para o mar. Parecia que essa escada era um lugar popular já que nós não éramos as únicas sentada nela.
Sentamos nos degraus mais baixos para que o sol escaldante queimasse a nossa pele. Nós duas compartilhávamos de uma clara que nem a de um defunto.
Uma bola de vôlei acertou bem a minha cara, por que não podia ter acertado a de Amber?
– Desculpe — o garoto falou,eu e Amber tentamos não babar em cima da bola de vôlei que eu segurava
– Ooooooi. – Nós duas falamos em coro,eu tinha que parar de ser retardada.
– Vocês não são daqui, né?
– Como você sabe?-Amber perguntou preocupada
O garoto deu os ombros dizendo:
– Acho que conheço todo mundo daqui. Sou Liester.
“Poliéster?” pensei. Que tipo de nome é esse? Tentei segurar o riso mas não deu certo por que cai em cima de Amber com a minha risada de galinha. Poliester me olhou como se eu fosse uma maluca. Ele se ofereceu para nos mostrar os melhores lugares da praia, não preciso nem dizer que a gente aceitou .Mais tarde percebi que não era uma ideia assim tão boa ,porque como sempre eu estava lá de “vela”, andei lentamente para que ficasse em uma distancia segura de não me perder deles. Não era isso que eu esperava do meu dia de folga ,pensei mal-humorada.
–Está se divertindo?-alguém perguntou me acompanhando enquanto andava.
–O que quer, Miguel? Veio rir da minha cara? – perguntei
–Exatamente – ele disse soltando um sorrisinho idiota
–Você não tem que tocar harpa no céu , não?
O anjo não pareceu entender a minha referencia, um pouco depois confessou :
–Eu vim me desculpar sobre aquele dia no banheiro, Hanna me explicou que eu não deveria ter feito aquilo, mas eu pensei que fosse algo perigoso escondido.
–Pois é, você já disse.
–Então ,você aceita as minhas desculpas?
–Não –Quando eu respondi a Miguel, ele abriu a boca para protestar.- Tá, tá eu desculpo
–Mas eu quero que você aceite sinceramente
Eu vou dar na cara desse menino ,pensei ,ele não só pode parar de falar? Ele começou a fazer um discurso sobre perdão
–%&%&$^*$(* cala a boca –falei baixo para ele como fosse uma ameaça .Os olhos do garoto arregalaram tanto que eu pensei que fossem cair.
Nós continuamos andando atrás de Amber e Liester, mas Miguel não falou nenhuma palavra, até que eu não aguentei e disse a primeira coisa que passou na minha cabeça.
–Quem é Hanna?
–É uma anja que já foi humana, converso com ela quando não entendo algo sobre vocês.
–Isso quer dizer que você nunca foi tipo uma pessoa normal?
Pensei um pouco sobre isso e quando voltei dessa viagem percebi Miguel havia desaparecido do mesmo jeito que apareceu: do nada.
Passei a tarde toda procurando pela praia Amber e Liester, perdi-os de vista quando conversava com Miguel. À noite vi os dois conversando em um banco de concreto olhando para a praia. Eu não queria atrapalhar, mas eu estava na cidade do nosso inimigo e não quero ficar sozinha ,esse é o jeito mais obvio de ser pega.
Estava me aproximando quando Amber virou de costas e me viu chegando ela veio até mim comemorando e disse:
–Já volto eu e Liester vamos mergulhar. Estou indo trocar de roupa, conversa com ele por enquanto para que ele não perceba se eu demorar.
Nem deu tempo de responder, Amber correu para o hotel. Eu adoro quando ela pede para que eu distraia seus namoradinhos, pensei nada entusiasmada andando até o banco onde ele estava.
–Oi –eu disse ao garoto-Ambs já volta, ela foi trocar de roupa.
–Ambs? — ele perguntou
–A chamo assim.
Liester deu um meio sorriso
–Senta aqui –ele afastou um lugar para mim no banco.
Sentei na ponta do banco, o mais longe possível de Liester.
–Então, você também tem um apelido legal?-ele perguntou tentando se distrair
–Tenho. Eu sou Kaths, Amber é Ambs e a nossa outra amiga é Beckys- ele levantou uma sobrancelha –é idiota, eu sei.
–Não, não eu achei engraçado.
–E esse colar? Algum significado especial? –ele perguntou levantando o colar para que brilhasse na luz.
–Na verdade, não. Mas é uma lembrança dos meus pais.
Algumas pessoas sentaram ao meu lado me empurrando para o meio do banco. Uma garotinha com um copo da mc donalds na mão começou a rir de algo que seus pais disseram e cuspiu jatos de coca cola bem perto de mim.
–Acho melhor esperarmos Amber ali – ele apontou para a entrada do hotel. E eu concordei, esperando que ela não demorasse.
A escadaria do hotel que antes estava cheia de pessoas sentadas agora estava escura e sem nenhuma alma viva por perto. Liester sentou na escada e eu fiquei em pé ao lado dele batendo os pés no chão esperando Amber aparecer.
–Senta aí –Liester disse confuso com a minha expressão de “quero sair correndo daqui”. Sentei na escadaria para observar as estrelas melhor.
–Gosta de estrelas?-ele perguntou a mim.
Só balancei a cabeça, ele me ensinou a como se guiar pelas estrelas. Assim que ele terminou de falar eu esqueci imediatamente de todas as instruções.
–Vamos agora, Liester? — Amber perguntou saindo do hotel com roupa de banho.
–Claro.- ele disse se levantando — Katherine estava me contando sobre os seus amigos Rebecca e Harry que estavam na cidade e ...-parei de ouvir, tinha alguma coisa errada.
–Ah-Amber disse olhando furiosamente para mim – ela contou sobre os nossos amigos que estão na cidade?
–Um minuto –eu disse confusa –eu não me lembro de ter dito sobre Harry e nem que eles estavam na cidade.
Amber pareceu confusa e Liester riu tranquilo passando as mãos no seu cabelo dourado.
Um clarão derrubou Amber no chão desacordada. Corri até onde ela caiu e tentei ver se ela respirava. Ela tinha pulso, porem muito fraco. Eu desesperada olhei para os lados buscando uma explicação. Liester tinha a palma da mão aberta da onde provavelmente saiu a luz.
–Porque você fez isso? –perguntei colocando a mão na minha jaqueta, buscando a minha adaga.
–Porque eu quero uma coisa sua. Eu não sabia que vocês estavam na cidade mas quando senti aroma de paranormal na minha praia reconheci quem vocês eram. Inimigos de Bygron.
–Nós não temos nada, você vai nos entregar para ele? — me levantei aproximando de Liester lentamente e quando juguei que ele estava distraído me respondendo ataquei. Dos dois golpes que eu dei com a vantagem da surpresa só um cortou ele, o outro desviou. Em resposta ele arranhou o meu ombro arrancando um pedaço da minha pele. Sangue jorrou do ombro e por reflexou perdi o meu tempo tentando estancar com a mão. Liester me atirou na parede querendo que eu me ferisse gravemente mas não desmaiasse ou morresse.
–Não vou te matar agora –ele disse cruel fingindo decepção –porque provavelmente você vale mais viva do que morta, por enquanto.
Com as minhas habilidades com faca, atirei a minha única adaga em Liester. A faca cravou bem no peito do meu novo inimigo, mas ele só se limitou a balançar a cabeça com pena.
–Eu realmente estou ficando magoado com a sua insistência.
Liester me tirou do chão puxando pelos meus ombros , fazendo um deles sangrar mais ainda.
–Olhe bem para mim – ele disse, agora me pendendo no ar pela jaqueta . Encostou-me na parede só com uma mão e virando o meu rosto para olhar para ele com a outra.- essa historia não precisa ficar tão violenta é só você me entregar a chave do portão.
–Eu não sei do que você está falando- eu disse ficando sem ar.
Ele arrancou o punhal da sua camisa e levantou para me matar e estranhamente caiu de joelhos me derrubando junto com ele. Liester estava com a pele queimada. Uma garrafa de agua caiu ao meu lado.
–Temos que ir embora, eu carrego Amber.-Miguel disse urgente
–Você vai se arrepender de ter feito isso, anjo– ele disse a ultima palavra como se fosse um xingamento.
Pensei que a luta de um anjo e uma criatura do mal ia ser tipo: luzes que queimam, raio do trovão, vários haddouken. Mas eu me decepcionei, principalmente por não conseguir ajudar já que eu só conseguia rastejar. Miguel empurrou Liester começando a briga e o socou fazendo que o segundo caísse na sarjeta. Liester derrubou Miguel e os dois partiram brigando para longe da minha vista que agora estava limitada. Não vi muita coisa mas eles rolaram no chão brigando, parecia muito que estava puxando os cabelos. A piada ficou sem graça quando Miguel caiu perto de mim depois de um mega chute de Liester. O anjo ficou segurando a sua consciência o suficiente para dizer “eu acharei vocês” ,depois caiu num sono profundo.
–Miguel – chamei – Miguel ,espera.
–Você é a próxima – Liester disse quando chegou na escadaria se aproximando –aposto que um anjo e duas paranormais valem dois mil anos de férias. O que você acha?
Assim que Liester disse isso Miguel foi arrancado da Terra.
–Acho que as férias vão ficar mais curtas – zombei ainda com a consciência vacilando.
Ele sabia que eu estava certa.E com raiva me apagou com um chute na cara.
Fale com o autor