Diário de uma paranormal

2 Tentando entender


Notas iniciais
O capitulo começa com uma pagina do diário de Katherine

22 de setembro
Faz uma semana que meus pais morreram, mas Becky e Amber agem como se já esperassem isso. Eu estou começando a ficar realmente nervosa. Não saímos de um hotel, elas dizem que não é seguro porque tem alguém nos perseguindo. Mas o que iriam querer de nós?
Fechei o caderno com capa revestida em couro. Encontrei-a dentro de uma mochila que Becky me entregou assim que chegamos aqui. De acordo com ela estava jogada no lugar que Amber estava escondida naquela noite. Pois é minha casa é bem arrumada.
Dentro daquelas paginas haviam anotações aleatórias, desenhos e números sem sentido. Na contracapa havia uma única palavra. O nome da minha mãe. Porque o caderno estava no fundo de uma bolsa cheia de roupas amassadas? Nunca havia visto ele e se era para ser um secreto, não é um lugar muito inteligente de se esconder. Eu não tinha paciência para tentar desvendar mais esses mistérios. Estou com muita dor de cabeça e olhos ainda vermelhos.
Tinha tantas perguntas para fazer para a mamãe — pensei, reabrindo o objeto e escrevendo o meu nome nele. Folheei as paginas distraidamente, imaginando que num universo alternativo isso seria um tesouro passado de mãe para filha e ela diria para escrever tudo nele.
"Katherine", um papel dobrado no meio das folhas tinha escrito. Abri a folha destinada a mim e havia duas palavras. "Harry e Josh".
—Becky, Amber. — chamei.
Becky se levantou da cama, reclamando, ela estava dormindo e Amber só estava assistindo televisão. Elas sentaram no meu lado no chão no canto do quarto. Contei como encontrei o bilhete. Ficamos encarando o papel um bom tempo.
—Não conheço ninguém chamado Harry, mas...
—Josh não é o seu primo? — Becky me interrompeu.
Confirmei. Ele morava nos arredores da cidade, mas fazia vários anos que eu não o visitava. O garoto falava demais, minha mãe dizia e me proibiu de vê-lo. Nunca entendi isso. Esse era um dos mistérios que eu esperava desvendar hoje.
Amber se levantou, foi pegar o casaco e ficou parada na porta.
—Vocês não vêm?

O prédio caixão se destacava de todos os outros edifícios de luxo em volta. Ele era pintado de amarelo-canário e tinha visíveis sinais de infiltração. Na sua ultima visita não estava tão acabado assim. Imaginei se o primo ainda morava no mesmo apartamento esses anos todos. Pelo o que soube há um ano, Josh era o sindico. Não era de surpreender as condições do local.
Subimos direto para o apartamento que ele morava a anos atrás, pelo o que parece o lugar também não tinha porteiro. Bati na porta, torci que ele ainda morasse lá. Um garoto abriu a porta, com certeza não era Josh. Só se o meu primo tivesse ficado mais baixo e mais forte e tivesse pintado o cabelo de loiro. Amber e Becky ficaram de boca aberta.
—Aqui não mora o Josh ? — indaguei, confusa.
O garoto deu de ombros e respondeu:
—Ah, sim. Vou chama-lo.
E voltou para o apartamento.
Becky riu da minha cara.
—Sabia que esse não era o seu primo. Para ser bonito não podia ser primo de Katherine.
—Rá.
Antes que eu pudesse dar uma resposta para a morena, Josh apareceu na porta e me lembrei como eu gostava dele. Desde menor, Josh era aquele primo que você queria ser igual, o mais descolado. Sempre foi muito rebelde e foi o primeiro dos primos a ir morar sozinho.
—Katherine! Kath! Priminha!
Ele me abraçou e girou. Entramos para a casa dele.
Era um lugar pequeno, mas parecia enorme para ele sozinho. Não tinha muitas coisas na sala, só uma mesa próxima de uma entrada que parecia da cozinha, um sofá no canto e dois pufes na frente da televisão, onde estava conectada um videogame. Vi o loiro empurrando uma pilha de dvds de jogos para trás do console do jogo, estrategicamente escondendo da nossa visão. Depois seguiu para conversar com as minhas amigas.
Voltei a minha atenção para Josh.
—Você sabe o que aconteceu com os meus pais?
O rosto dele ficou triste como o meu.
—Eu soube. Sinto muito Kath...
—Minha mãe deixou uma carta para encontrar você e um tal de Harry,- agora ele ficou surpreso — porque?
O meu primo olhou para os lados, colocando a mão nos bolsos da bermuda.
—Sabia que esse dia ia chegar.
Josh passou a mão nos cabelos, que eram o mesmo tom que os meus, pensando em como começar.
—Ultimamente você tem tido sonhos estranhos? Eles se tornaram piores depois que os seus pais morreram?
Pensei nos meus sonhos que sempre foram estranhos, pareciam importantes, mas eu não os entendia e como pioraram nessa ultima semana.
—Sim, eles sempre foram.
Tive um tempo para pensar então, continuou:
—Preciso lhe contar uma coisa.

Notas finais
Comentem gente assim eu vou continuar postando