Diário de um Felino
7 Revelações e Phill
Notas iniciais
BLEIM!
– miah.
BLEEEEEIM!
Já levanto, calma!
– Acordou, Tom? — pergunta Alice, tapando o sol com a cabeça. — hein? já acordou ou não?
JÁ, já acordei! Graças aquele maldito sino! Por qual motivo comprar uma casa perto a igrej...espera...EU NÃO MORO PERTO DE UMA IGREJA! E por que a casa está escura e balançando? Mais importante: O que são essas gradinhas na minha frente?
Só então percebo... EU estou na minha CAIXINHA de TRANSPORTE! Bom, mas isso ainda não explica o sino.
Adentramos (eu e minha humana) em um local meio frio, com vários bancos. Tem várias pessoas em volta, mas a única que eu conheço é Bianca, a irmã e Alice. O mais estranho? Todos estão de PRETO! Tem só uma pessoa de branco, mas não é exatamente uma pessoa, é um espírito. Estou acostumado, desde pequeno, a vê-los, com a sua transparência.
Hoje, é uma mulher, muito parecida com minha humana e sua irmã. Aparentemente, humanos são burros o bastante para não conseguir ver eles, já que a MINHA humana passou por dentro da mulher, andando em direção à uma espécie de caixa, com.... A MULHER! ELA está lá dentro E entre Alice e Bianca, com as suas mãos transparentes nos ombros das duas.
Todos choram, acho que é um funeral. Para falar a verdade, eu nem sei direito o que SIGNIFICA um funeral. Pra mim, é só um bando de gente falsa, fingindo chorar pra ajudar (acabei de descobrir, o carinha que deve ser o padre falou) Alice e Bianca, porque foi a MÃE delas que morreu...Que triste! Eu nunca conheci minha mãe, quando Alice me encontrou, provavelmente ela estava morta, eu tenho até uma irmã, mas minha humana deu ela pra outra pessoa. O meu pai? Nunca pensei nele, deve ter morrido atropelado, sei lá. Oh, desculpem, soou frio? Bom, eu sou um gato, é meio difícil me comover (seja mental ou físico, já que Alice SEMPRE reclama que eu como de mais e vou '' acabar tão roliço quanto uma bola com patas e orelhas'' Qual é, eu não peso nem 5 quilos!)
Voltando ao momento triste (viajei legal, já até levaram o caixão embora), ao que parece, Bianca vai dormir lá em casa. Ótimo, vou poder executar meu plano: pegar o medalhão, colocar ele e ver o que acontece! Vou dividir em partes, mas antes de tudo: me certificar que nem Alice nem Bianca irão perceber a minha saída!
Uma coisa que eu percebi: as DUAS pretendem ME usar como distração, para se esquecerem da morte de Dona Vera (usei o dona como respeito pela morte da coitada).
Está passando o programa daquele tio estranho que ACHA que sabe adestrar gatos (não dá, nós temos o espírito de nossos ancestrais!) nossa, que profundo. Tenho que anot... ah, é mesmo: EU não tenho mãos. Droga!
Vou aproveitar que elas estão entretidas, e ir buscar meu precioso!
Saio pela janela, e corro até o quintal, e coloco a pata dentro do buraco, tentando encontrar a caixinha menor. Encontro, tiro a tampa e coloco o medalhão, fico zonzo, e caio dormindo.
[...]
Escuro...Por quanto tempo eu dormi? Tento abrir meus olhos, mas a luz é forte de mais, tudo é muito branco. Aparentemente, me levantaram enquanto eu estava desacordado, porque eu estou muito mais alto do que me lembro. Estou em uma sala branca, com o chão de ladrilhos pretos e brancos. Aqui dentro é frio...EPA! Acabei de olhar pra baixo. E não encontrei minhas patas. Encontrei um par de...ISSO SÃO MÃOS?! Também tenho braços, mas estão cobertos por uma jaqueta (é esse o nome?), além de uma camiseta azul escrito KEEP CALM...OS GATOS DOMINAM, e, ao invés de pernas curtas e peludas, tem um jeans (estou escrevendo certo?) azul escuro, com um AllStar preto.
– Gostou do visual que eu preparei pra você, Tom? — ecoa uma voz, saída dos alto falantes nos cantos da sala. Também tem saídas de ar, mesmo não tendo ar saindo delas.
– Eu não quero nada seu sua....seu...espera, você é homem ou mulher? — fal.....espera, eu sou um GATO! EU não sei falar. Que estranho...
– Não é de seu interesse — responde a voz mecanizada.
– Se não fosse do meu interesse, eu não perguntava! — retruco, me encostando na parede.
– Eu sou uma gravação, jovem experimento.
– Experimento é você, sua voz filha de uma égua velha!
– Não insulte minha gravação, Thomas!
– Não me chama assim! Espera, agora a sua voz é normal!
– Tudo está sendo gravado, sabia disso?
– Tudo?
– Sim, Thomas.
– Até sua verdadeira voz? — pergunto, rindo por dentro.
– Mas é claro, meu jovem...ESPERA! Estamos sendo gravados com áudio? — pergunta ele, como se eu fosse saber a resposta. Lá do fundo, alguém grita – Sim, chefe!. Hmmm, chefe, não? – Então você que manda nesse negócio? – Sim, sou Phill Alves, dono desse experimento! – Sabe, se eu sou seu experimento, concorda que seria muito burro de sua parte, falar seu nome? – Sim concordo, na verdade, eu NUNCA entregaria meu nome para você! – Tarde de mais, Phill.
– AAAAH! Como descobriu meu nom...Eu falei ele, não foi?
– Pois é.
– Clarisse, pode ligar as saídas?
– Sim, chefe — fala ela. Sua voz é tão fina e irritante, que tenho certeza absoluta que ela bajula o chefe até o cara mandar ela fazer outra coisa.
De repente, as saídas de ar começam a chiar, e de lá sai um gás amarelo. Antes de cair no inconsciente, ouço a voz de Phill:
– Você não vai morrer, Thomas. Você só ficará desacordado por 3 dias.
Ah, que ótimo, já me tranquilizei pra caramba!
Sinto minha consciência indo embora, como se fosse areia escapando pelas minhas patas, ou melhor, mãos. Mas, agora, tenho certeza de 3 coisas:
Virei um humano, e isso é assustador.
Um carinha chamado Phill Alves me colocou em uma sala.
Faço parte de um experimento.
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