Diário de Uma Vida
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15 de maio de 2007
Incrível como o clima pode mudar subitamente. Ontem mesmo o céu estava fechado, o dia inteiro foi chuvoso, hoje, bem, hoje estava um sol dos infernos.
Assim que me levantei levei uma bronca de minha mãe por na noite anterior ter molhado todo o sofá, ela não percebeu que eu estava molhado na hora em que cheguei e quando notou a água no sofá eu já havia me deitado e Teddy quase foi culpado injustamente.
Depois da bronca minha mãe perguntou se eu não iria correr atrás de um emprego, já faziam 6 meses que estávamos vivendo do salário de professora de minha mãe, estava mesmo na hora de eu ir procurar um emprego, mas eu não tinha forças para isso.
Minha mãe tentou me encorajar, mas, como toda vez que tocávamos no assunto, acabamos em lágrimas e não nos falamos mais a manhã inteira.
Eu tinha minha carreira bem sucedida de repórter, tinha meus amigos, tinha... tinha ele. Eu tinha David. David, a pessoa que mais me entendia nesse mundo, que mais me apoiava. Trabalhávamos no mesmo jornal já faziam 5 anos, até que o momento que um dia mudou minha vida completamente.
Uma garrafa de vodka, um carro, um barranco e lá se foi a vida de meu pai.
Fui buscar ajuda em David, sempre fazíamos isso quando precisávamos chorar, mas nesse dia quando cheguei em sua casa ele estava de malas prontas para passar um tempo em Londres.
Eu disse a ele que precisava de sua ajuda, eu já não conseguia conter minhas lágrimas, mas ele simplesmente me deu as costas e disse que estava ocupado demais, iria embora logo e precisava ser rápido. Lamentou pela minha perda e me deu um beijo, dizendo que voltaria logo. Hoje, depois de 6 meses, eu já nem lembro mais a cor de seus olhos.
Depois desse dia meu mundo virou de ponta cabeça, meu pai se foi, meu namorado me deixou, caí em depressão e fui despedido do trabalho, tornando minha mãe a única pessoa com renda em casa, e o resto dos meus amigos? Bem, eles me acharam um fracassado, não querem mais saber de mim, não perdem o tempo deles querendo saber de um depressivo que se afoga em diariamente em café em uma lanchonete de esquina, eles se quer lembram que um dia me conheceram.
Sei que muitas pessoas tem problemas piores que o meu, mas uma coisa eu garanto: só eu tenho noção da dor que trago dentro do coração, se é que eu ainda tenho um.
Com esses pensamentos na cabeça sai as ruas para tentar esquecê-los...
Inútil.
O sol aquecia minha pele e secava minhas lágrimas, era como David, ele me aquecia e enxugava minhas lágrimas, que falta ele me faz...
Depois de andar bastante pela cidade voltei para casa, almoçei e dormi a tarde inteira, sonhei com David, sonhei com Londres, sonhei com Papai.
Pierre C. Bouvier
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