Diário de Uma Garota Quase Perfeita
11 Eterna sofredora
Notas iniciais
"Querido diário,
Sim, minha vida está arruinada
Meus meus irmãos e eu sofremos um acidente, estou escrevendo do hospital
Não sei como eles estão porque estou em uma sala separada
Só espero que eles estejam bem, não quero de jeito nenhum voltar a sofrer nas mãos da minha mãe
Me deseje boa sorte do fundo da sua encadernação diário"
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Mais tarde..
19:00h
Casa dos Menezes..
— As pizzas chegaram — Diz Magali correndo até a porta.
— Eu vou buscar o dinheiro — Diz Mônica — Enquanto isso Ellen, não deixe a Magali comer as pizzas.
— Ok — Diz Ellen rindo
Mônica pega o dinheiro e sai pela porta dos fundos para pagar o entregador, quando ela entra em casa...
— Calma Magali — Diz Amanda puxando Magali.
— Salvem as pizzas dela — Diz Ellen abraçando as pizzas para a Magali não pegar.
— Se pegar a minha de pepperoni vai levar um sacode — Diz Cebola no canto da sala sem fazer nada.
— Pizza,minha querida pizza, seremos tão felizes juntas — Diz Magali hipnotizada pelo aroma gostoso das pizza.
— Chega — grita Mônica — Meu Deus, não posso deixar a Magali junto com alguma coisa de comer em uma sala, nem por cinco minutos.
— Mals.. — Diz Magali saindo do transe.
— Sabia que esse tipo de coisa ia acontecer, por isso pedi uma pizza reserva, meia frango com catupiry e meia quatro queijos só pra você Magali — diz Mônica entregando uma caixa de pizza pra Magali.
— Eêêêê — Magali pega a caixa da mão de Mônica, e se senta em um dos sofás.
— Cadê a minha de pepperoni? — Pergunta Cebola.
— Tá aqui — Diz Amanda levando um prato com dois pedaços de pizza para o Cebola — Se você quiser mais, pega aqui depois.
— Hm, valeu — Diz Cebola comendo a pizza com gosto.
— Comprou refri, Mô? — Pergunta Ellen comendo um pedaço de pizza portuguesa.
— Comprei, estão ali — Diz Mônica apontando para a mesa da sala.
— E então Cebola, não vai contar pra gente como está seu namoro com a Carmem? — Diz Magali.
— Namoro? A gente nem tá namorando.
— Ah, conta outra vai?
— É sério.
— Tá, pouco importa se vocês estão namorando, ficando, casando.. Como tá esse "lance" de vocês.
— Tá bem ué — Diz ele.
— Mas tipo, vocês já...transaram? — Pergunta Ellen.
Todos olham pra Ellen como se ela fosse um extraterrestre.
— Que foi? — Pergunta ela.
— Isso é pergunta que se faça? — Diz Amanda.
— A, só queria saber — Diz Ellen.
— Não — Diz Cebola.
— Pronto, viu? Não tocamos mais nesse assunto por hoje tá? — Diz Mônica.
— Ai, vocês são muito estressadinhas — Diz Ellen.
De repente o celular de Cebola toca.
— Alô, ah, oi Carmem. Você o quê? — Gritou Cebola no telefone.
— Estou aqui no hospital, Cebola – Diz Carmem pelo telefone.
— Mas o que aconteceu?
— É uma longa história. Mas por favor vem me buscar, já recebi alta e quero ir embora.
— Claro, eu tô indo.
— O que aconteceu? — perguntou Magali preocupada.
— A Carmem sofreu um acidente — Diz Cebola.
— Meu Deus — Diz Mônica — E ela tá bem?
— Tá, eu tô indo buscar ela agora.
— Deixa a gente ir.
— Não, ficam aqui, eu vou sozinho.
— Tá, mas trás ela aqui pra gente vê como ela tá — Diz Amanda.
— Somos meninas, vamos entender ela melhor — diz Ellen.
— Ok — Diz Cebola saindo.
Ele vai até a garagem, pega o carro e sai em direção ao hospital.
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20:00h
Casa dos Santos
— Mãe, socorro — Luca entra em casa e tranca a porta.
Luísa levanta assustada.
— Luca, o que houve? — Perguntou Luísa.
— Meu pai, ele está vindo — Diz Luca saindo correndo com sua cadeira de rodas em direção a cozinha.
— Oh meu Deus, ele está te perseguindo desde de manhã?
— Sim, mas eu consegui despistar ele e fui pra casa de um amigo, mas depois de um tempo ele me achou e eu não sabia mais pra onde ir.
— Eu sabia que isso ia acontecer. Rápido, saia pela porta dos fundos.
— Mas e você?
— Eu já vou indo — Ela sobe as escadas e grita lá de cima — Sai e me espere na praça no centro da cidade.
Lucas assustado faz o que sua mãe pede.
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20:05h
Hospital Vilas Boas
— Carmem — Diz Cebola entrando na sala — Você tá bem?
— Cebola — Diz ela levantando e abraçando ele.
— O que houve?
— Eu e meus irmãos estávamos indo contar pra polícia a história da minha mãe, estávamos indo muito rápido aí em uma virada, um caminhão tava vindo e não deu tempo de frear, então....
— Nossa, e você tá bem?
— Eu tô, mas não sei como meus irmãos estão.
— Vamos na outra sala ver eles.
Eles saem da sala onde Carmem está e procuram por um enfermeira.
— Com licença — Diz Carmem — Gostaria de saber em que quarto estão os pacientes Timóteo DiLaurents e Franklyn DiLaurents?
— Sim — Diz a enfermeira — Me acompanhem.
Ela os leva até uma sala.
— Estão aí, podem entrar.
— Valeu — Diz Cebola.
Eles entram na sala.
— Oh meu Deus — Diz Carmem assustado.
Titi estava com grande parte do corpo enfaixada como se tivesse quebrado vários ossos e Franja com alguns panos de filó sobre o corpo, indicando que ele havia passado por alguma cirurgia.
—O que aconteceu com eles?-perguntou Carmem pra um dos médicos.
— Na hora que o carro bateu contra o caminhão — Disse o médico — Timóteo, que estava no banco da frente bateu contra a porta, causando lesões e quebrando alguns ossos.
— Ai — Disse Cebola.
— E o Franklyn?
— O Franklyn estava do lado oposto do lado onde o carro foi batido, mas bateu contra o vidro e entraram cacos de vidro em seus órgãos fazendo com que ele passasse por uma sessão de cirurgias para remove-los.
— Ai meu Deus — Diz Carmem — E o que aconteceu comigo?
— Você estava no banco de trás do lado oposto de onde o carro bateu, portanto não aconteceu nada grave, você só bateu a cabeça na porta do carro e desmaiou, mas tínhamos mantido você aqui até agora pra ver se não tinha acontecido mais nada de grave.
— Quanto tempo eles irão ficar aí doutor? — Perguntou Cebola.
— Não sei ao certo, podem ser semanas, meses. Os ferimentos estão bem graves, não iram sair daqui tão cedo.
—Não-disse Carmem com voz de choro.
—Sinto muito mas agora tens que sair dessa sala para realizarmos outra cirurgia.
Eles saem da sala.
— Vou ser uma eterna sofredora — Disse Carmem de cabeça baixa.
— Carmem eu.. — Diz Cebola.
— Vou sofrer pra sempre nas mãos da minha mãe — Ela levanta o rosto já cheio de lágrimas.
Cebola não tinha o que dizer. Nada que ele dissesse naquele momento iria confortar Carmem, então ele simplesmente a abraçou
Ficaram abraçados ali, num corredor de um hospital, com centenas de pessoas em volta.
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20:17h
Casa dos Santos
— Rápido, rápido — Diz Luísa colocando roupas dentro de uma mala.
— Luca! — Gritava Quinzinho lá em baixo.
— Ai meu Deus, rápido, rápido.
— Luca!
— Terminei — Ela pega a mala e desce as escadas.
Quando está na metade da escada, Quinzinho consegue abrir a porta
— Aaah — Grita ela correndo pra cima.
— Luísa, cadê meu filho?
Ela entra em um quarto e tranca a porta.
— Ai meu Deus, como vou sair daqui? — Diz Luísa.
— Que coisas horríveis você fala de mim pro meu filho? — Diz Quinzinho batendo na porta.
— Nada, eu não disse nada — Diz ela preocupada. Aquela porta não ia durar muito.
— Sei que você disse Luísa, não tente se esconder — Ele dá um soco tão forte na porta que ela acaba furando no meio.
Logo aquela porta ia quebrar, Luísa não sabia o que fazer.
Ele continuava batendo, batendo, Luísa suava frio, mordia os lábios e ele continuava batendo, batendo.
Luísa estava quase tendo um ataque cardíaco quando finalmente ele conseguiu abrir.
Mas quando ele entrou não tinha ninguém no quarto, ele desistiu de procurar e foi embora.
Luísa na verdade, estava no jardim, ela tinha pulado a janela e caído em um dos arbustos que tinha em seu quintal.
Rapidamente ela levantou, pegou as malas e foi encontrar com o seu filho.
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20:27h
Carro
— Não quero voltar pra casa Cebola — Disse Carmem.
— Vamos lá em casa, as meninas querem te ver — Diz Cebola.
— Qualquer lugar longe daquele inferno tá bom.
— Por que não quer ir pra casa?
— Porque íamos mostrar o vídeo pra polícia, ela ia ser presa, eu ia ficar feliz pra sempre como um conto de fadas, mas...
— Mas a vida nem sempre é como um conto de fadas...
— ...Ás vezes é o príncipe que quando beijado...
— ...Se transforma em um sapo.
— Conhece?
— Conheço, eu curtia bastante esses lances dessas poesias dizendo para você acreditar na realidade.
— Não esperava isso de você.
— De você eu esperava.
— Por que?
— Tão perfeita como você é, deve acreditar mesmo em princesas, cavalos e sapos e...
— Já disse que não sou perfeita.
— Bom, é quase.
— É, quase...
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20:30h
Praça
— Filho, eu cheguei — Diz Luísa.
— Mãe, o que aconteceu com você? — Diz Luca — Tá cheia de folhas e de malas o que está fazendo?
— Vamos embora.
— Embora? Como assim.
— Não me faça perguntas, apenas vamos.
Eles saem correndo em direção ao aeroporto, que não ficava muito longe.
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20:33h
Casa dos Menezes
— Acho que o Cebola chegou — Diz Ellen.
— Vê aí pela janela Má — Diz Amanda.
— Chegaram — Diz Magali — Mas não parecem muito felizes.
— Acabaram de chegar de um hospital Magá — Diz Mônica — É um lugar sombrio onde tem pessoas doentes esperando pra serem atendidas e..
Ela é interrompida pelo barulho da porta abrindo.
— Carmem — Todas correm em direção a Carmem e a abraçam.
— Oi meninas — Diz Carmem.
Cebola entra e senta no sofá.
— Você tá bem? — Pergunta Amanda.
— Como foi o acidente? — Pergunta Mônica.
— Quer uma sopinha de cenoura? — Diz Magali.
— Seus irmãos ainda tão lá? — Diz Ellen.
Carmem não sabia o que responder primeiro.
— Gente, deixem ela descansar um pouco e depois vocês fazem suas perguntas idiotas, ok? — Diz Cebola puxando Carmem pro sofá.
Carmem se senta.
— Vou pegar um cobertor pra você — Diz Mônica indo pro quarto.
— Eu busco um chocolate quente — Diz Magali indo pra cozinha.
— Vou pegar um filme pra você assistir — Diz Ellen indo pra copa.
— Vou pegar um remédio pra sua dor de cabeça — Diz Amanda indo pro banheiro.
Todas saem e deixam Cebola e Carmem sozinhos.
— Finalmente sozinhos — Cebola olha pra Carmem com olhar malicioso.
— É — Ela responde.
Ela senta no colo dele e começam a se beijar apaixonadamente, quando Cebola fica por cima dela
Eles continuam se beijando até que as meninas chegam.
— Chega..mos? — Diz Magali.
— Hãn..gente, vamos deixar eles um pouco sozinhos — Diz Amanda.
— Ótima ideia — Diz Mônica.
Elas saem e deixam os dois pombinhos lá
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20:40h
Aeroporto Luar
— Mãe, onde estamos indo? — Pergunta Luca.
— Não sei filho — Diz Luísa.
— Como não sabe?
— Olha, sabia que esse dia ia chegar por isso pedi ajuda pra sua vó, ela me deu essas passagens e disse que no lugar onde essas passagens iam dar tinha uma casa esperando por nós.
— Então vamos se mudar mesmo? Morar em outro lugar?
— Sim.
— Mas vou largar tudo aqui? Minha família, meus amigos, a... Isabele?
— Eu sinto muito filho, mas sim.
— Por que isso? Por que estamos indo embora?
— Depois falamos disso nosso avião já vai sair.
Ela puxa Luca pra Dentro do avião.
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20:42h
Casa dos Menezes
Carmem desfaz o beijo
— Cebola — Disse ela sussurrando — Tenho que ir pra casa.
— Por que? — Disse ele sussurrando também — Não disse que queria ficar aqui?
— E eu quero, mas.. Uma hora ou outra tenho que voltar pra casa.
— Ok, vamos então.
Ele da um último beijo nela.
Eles se levantam colocam as camisetas de volta e saem de casa.
Vão caminhando mesmo, pois a casa de Carmem não fica tão distante da casa do Cebola.
— Estou com frio Cebola — Diz Carmem tremendo de frio.
— Coloca o meu casaco — Cebola tira o casaco e dá pra Carmem vestir.
Eles continuam caminhando até chegar na casa de Carmem.
— Tchau Cebola — Diz ela.
— Tchau, linda — Diz ele dando um beijo na testa dela.
Ele se vira pra ir embora e ela entra em casa
Ao entrar ela vê a mãe de costas.
— Mãe? — Pergunta ela.
— Que bom que chegou Carmem — Diz Ana Paula — Estava esperando por você.
Ela se vira com uma faca na mão.
— O quê? — Diz Carmem.
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