Diário de Um Nelliw - Crônicas da Luz
10 Ataque à casa dos Nelliw!
As coisas pareciam ter mudado de uma maneira drástica, mas interessante. Com Kem treinando em Umbala, a nossa humilde casa de Geffen ficou um pouco mais silenciosa. Foram dolorosos dois anos sem a gritaria do espadachim nos treinos, sua parceria e suas brincadeiras com Aldora.
Em contrapartida, os horríveis pesadelos pararam de me assombrar, e assim pude descansar, sabendo que meu filho amado estava em um lugar seguro, com uma pessoa digna. O que eu não imaginava, era o fato de que me enganei completamente e cometi um dos grandes erros de toda a humanidade. Os pesadelos não mostravam Kem como a vitima, mas sim como alguém que ajudaria o futuro do mundo. As profecias que eram meus sonhos falavam apenas do caos que cobriria Midgard futuramente, mas acima de tudo, que minhas especulações antigas estavam corretas. Aldora era um receptáculo para o Senhor das Trevas, e eu havia cometido o engano de ignorar esse detalhe, achando que sendo criado por mim, tudo ficaria bem.Mas mesmo depois de dois anos longe de Kem, ou melhor, eu tenho de admitir, em momento algum eu tinha imaginado tal situação. Só fiquei ciente quando em certa tarde, houve um ataque em Geffen, por que meu filho adotivo estava lá, e eu estava desarmado. Aconteceu tudo muito rápido. Eu estava com Mizumi no jardim, cuidando de algumas plantas, e nosso filho estava no quarto, estudando. Ouvimos um estrondo e um barulho de madeira rachando. Corremos sem nem ao menos trocar uma palavra, pois já sabíamos que isso poderia acontecer, mas não imaginava que seria por causa de Aldora. Quando chegamos ao quarto do garoto, vimos que a parede havia sido destruída por um golpe muito forte, e no quarto havia duas pessoas. Uma delas era um mestre de cabelos vermelhos e arrepiados, e o outro era um musculoso mestre-ferreiro de cabelos compridos e cinzentos, que carregava Aldora, desacordado. - O que esta acontecendo? Quem são vocês? – Perguntei altivo.- Nós somos apenas almas penadas, a trabalho de nossa dama. – O mestre falou em um tom cínico, assustador. Possuía várias cicatrizes pelo braço esquerdo e uma soqueira pendia em seu cinturão. - Nós só viemos buscar o garoto, pois é uma criança abençoada por nossa senhora. – O mestre-ferreiro também falava em um tom macabro, mas sorria e seu tom era mais assustador, por falar com uma felicidade mórbida.- O que vão fazer com ele? – Perguntei ainda mais irritado. Embora estivesse sem minhas armas ou equipamentos, ainda poderia lutar.- Você cometeu um erro, Raiga! – Me surpreendi quando o mestre falou meu nome. – Você devia ter matado essa criança logo que a viu. - Você está louco? - Não, só cumprimos ordens. Quando os dois iriam pular pelo buraco feito no quarto do segundo andar, eu saltei em sua direção. Meus músculos ficaram rígidos e então, com o punho fechado, me preparei para a luta, desarmado.- Ryuu Keishiki: Shippo! – Meu soco foi rápido e forte, mirado no centro do tórax do mestre, que surpreendentemente defendeu com a palma de sua mão. Quando ele ameaçou revidar, senti meu corpo ficar mais leve, e com a magia Aumentar Agilidade lançada sobre mim por Mizumi, me afastei para recomeçar o ataque.-Você é um templário, mas sabe lutar. Admiro isso. – O mestre falou, enquanto o seu companheiro saltava pelo buraco. Pude ver ele na rua levando Aldora nos ombros, para longe, mas o mestre estava na minha frente, e eu queria respostas. – Talvez uma pequena demonstração possa ser apreciada, mesmo eu tendo ordens de não lutar contra você ou matá-lo. Não me interessei pela conversa dele. Só queria salvar Aldora e tentar entender o que se passava. Usei minha primeira tática, de abrir uma posição e atacar com minha primeira arte. Mesmo sem armas ou equipamentos, luta corporal ainda era meu forte. Ao ver meus movimentos, o mestre levantou uma sobrancelha, e se preparou.- Eu quero saber, o que vão fazer com ele? A quem estão obedecendo? — Perguntei furioso.- Hella, nossa rainha, quer a vida desse garoto, pois ele vai trazer a desgraça para a terra. Esse foi seu primeiro erro. – Eu recebi mal aquelas palavras. A culpa pesou em meus ombros. – E seu segundo erro foi mandar a única pessoa que poderia detê-lo para longe. – Então me lembrei de Kem, e os pesadelos passaram a fazer sentido. - Cale-se! Mizumi, agora! – Era o fim. Pelo menos eu queria que fosse. Minha esposa me abençoou e eu parti para cima do mestre. — Youshiki Kanmuri Ryuu...- comecei a mover o punho, para iniciar as combinações de ataques. — Ryuu no Densetsu! A combinação de socos, golpes de palmas, chutes e impactos de força era minha primeira e melhor opção de combate. Com essa técnica, eu seria capaz de derrubá-lo. Mas calculei mal. Ele tinha tanta ou mais habilidade de combate corporal que eu, defendendo e esquivando perfeitamente. - Ora...você realmente sabe lutar, mas ainda não tem o vigor de um lutador de verdade. – Ele me provocou. Sabia que seu treinamento lhe dava vantagem, mas eu saltei para trás e preparei uma segunda postura, mais defensiva, com as mãos mais recuadas e leves. Ele veio em minha direção e tentou me golpear. Esquivei para o lado, tentando acertar-lhe um golpe com a palma da mão, mas ele também esquivou. Quando ele mirou um soco em meu estômago, calculei o tempo e consegui esquivar para o lado e segurar seu pulso.
- Ryuu Youshiki Kaiso: Kazan Bakuha Ryuu! – Puxando seu pulso e apertando em seu nervo, o fiz abrir a mão e comecei minha segunda combinação de ataque. Usei meu corpo como impulso e então chutei suas pernas com uma rasteira, dei um forte soco de baixo para cima, em seguida acertei um golpe com o joelho em se estômago e o soquei com uma força enorme, empurrando-o para longe. Certamente teria vencido, pensei. Não me surpreendi ao ver ele levantar depois de se desvencilhar dos escombros de móveis quebrados e pedaços da parede. Mas estava com muita raiva para pensar em outras coisas. Corri na direção dele. Enquanto ele levantava, eu preparava mais um soco, mas ele foi mais rápido e se colocou em posição de combate, e com apenas um dedo, ele me acertou na testa. Foi preciso apenas isso para me jogar longe e derrubar-me. Senti meu corpo perder a força e ficar pesado. Olhei para Mizumi e a vi sendo nocauteada por apenas um golpe do mestre. Tentei me levantar, mas estava com muita dor e meu corpo não respondia. O mestre então veio até mim. Olhou-me de cima, superior.- Certamente sabe lutar. E como eu disse, admiro isso. – Ele se virou e andou até o buraco enorme na parede. – Mas estou cumprindo ordens. Agora o pequenino já deve estar à caminho do reino dos mortos. Compreenda...E com aquelas palavras, o misterioso e poderoso mestre saiu de minha casa. Arrasado, fraco e com total peso na consciência, fiquei sem reação. Deitado no chão, pensando em qualquer coisa que pudesse fazer, mas não me restava mais nada. Mizumi estava caída, desmaiada perto da porta, e me senti o pior ser humano da face da terra. Falhei como Nelliw, como pai e marido. Falhei com Kem e falhei com Aldora, e agora não via mais esperança em minha frente. Somente o caos...
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