Diário de Sobrevivência
35 Diário 4 - Everthon
– O que? — indaguei.
Ela só podia estar de brincadeira. Primeiro a invasão SUPER estranha de infectados em um local super protegido. Segundo, a cura havia sumido misteriosamente.
– Levaram a droga da cura. — Dakota correu até a mesa e fuçou em algumas caixas e antibióticos que ali estavam.
– Podemos usar o sistema de vigilância, não? — perguntei esperançoso.
– Muito improvável. Algumas câmeras não gravam o filme, apenas filmam. E duvido que havia alguém na sala de segurança na hora do ataque. — Dakota parou e virou-se à mim.
Eu já sabia o que aquele olhar significava, então, dei meu rádio à ela.
– Derby? Sou eu Dakota... Porra, Derby. Responda!
Após alguns segundos uma voz assustada soou.
– DAKOTA? DEUSES! ESTÁ TUDO BEM? ESPERO QUE SIM.
– Sim, estamos bem. — Dakota falou ironicamente. — Obrigada.
Deu um leve sorriso.
– Mas Derby... Levaram a cura...
– Não há tempos para brincadeiras... Mas vocês está falando sério? Não pode ser.
– Sim, estou.
– Já procurou em tudo que é lugar?
– Olha, revirei a sala de ponta cabeça e nada. — Dakota observou suas unhas.
– Me encontre no estacionamento central em quatro minutos, SEM ATRASO!
– Já estou lá! — Dakota desligou o rádio e saímos até o andar superior novamente.
– Você ouviu, vamos até lá! — Dakota correu até a saída.
***
Chegamos até o estacionamento central e para nossa surpresa, Derby, Kevin, Mustafard e outro soldados estavam em um círculo perto das vagas. Derby correu de imediato e agarrou Dakota pelos ombros.
– COMO ASSIM? NÃO PODE SER REAL! — Derby levou as mãos à cabeça.
– É, entraram e roubaram.
– Sabe o que eu acho — começou Mustafard. — foi planejado. Invadiram os zumbis aqui como distração. E conseguiram.
– Derby, havia alguém na sala de câmeras?
– Não, eu estava em batalha na hora. — Kevin começou.
– É... — sussurrei. — Mas a cura não estava pronta, certo? Ainda estava em fase de testes...
– Não, terminamos enquanto vocês estavam fora. — Derby disse ofegante.
– Pelo menos matamos todos os zumbis... — sussurrou um homem à direita.
Todos olharam para ele.
– O que foi? É verdade... — ele abaixou a cabeça.
– Mustafard, mande uma equipe de quinze homens vascular a floresta ao redor. Quero homens indo ao norte, leste, oeste, sul e ATÉ PARA AS CAVERNAS! — Derby começou furioso.
– Certo! — Mustafard correu com o rádio em mãos.
– Kevin, aumente a segurança em até três por cento. Não importa como, apenas faça! Jacoby, leve as mulheres e crianças até seus aposentos, e avisem para que não saiam de lá até segundas ordens! — Derby começou a dar as ordens.
Ele me assustava às vezes. Mas eu queria ajudar. Desde que tudo isso começou, tudo que fiz foi um montão de nada.
– Senhor... Se me permite, eu quero ir com Mustafard... Como você sabe, fiquei um pequeno tempo na escola militar e sei bem como achar rastros. Se ele fugiu por lá, com certeza iremos achá-lo!
Derby me fitou por uns cinco segundos perplexo.
– Me traga a cabeça dele!
***
E lá estava eu correndo pela floresta escura com uma lanterna e um revólver após ver alguns rastros de pegadas e vegetação amassada. Os soldados estavam usando cães treinados também, e eles iam mais atrás, cobrindo o outro lado.
Continuei a correr floresta adentro, passando por riachos, pedras, vegetações densas, árvores baixas e campos abertos até escorregar em algo liso. Olhei para baixo e vi que era uma cápsula de bala, estava quente. Alguém havia passado por ali há não muito tempo, e mais a frente, havia uma trilha de mato pisado. Continuei a seguir até um vasto campo aberta na beirada de um morro.
Escutei tiros mais à frente no campo e as lanternas iluminando o céu. Corri o mais rápido que pude, mas o céu começou a trovejar e em menos de um minuto, começou a chover. Cheguei em uma área do campo com muita lama e sem mato, e no meio havia um soldado ferido. Ele havia sido baleado. Olhei ao redor e não havia ninguém lá, puxei meu rádio e chamei os outros.
– Mustafard! Me ajuda! É o Everthon, estou com um cara baleado a norte da base.
– Baleado? Como assim? Não ouvimos nada! Estamos a caminho.
Desliguei o rádio e rasguei as vestimentas do soldado.
– Seja forte! — encorajei.
Fiz pressão na ferida para que o sangue estancasse. Havia sido no peito, e ele estava perdendo muito sangue.
– Não... aguento. — o soldado sussurrou.
– Não, o que? -
– Diga à Charlotte que eu amo. — o soldado respirou fundo.
– NÃO, VOCÊ NÃO PODE DESISTIR ASSIM! ME ESCUTA — gritei. Porém era tarde, ele havia morrido. Olhei para ele perplexo: a chuva caia naquele campo escuro no meio de algum lugar, o olhar daquele soldado ao morrer. E essa tal de Charlotte? Como irá ficar? Será a filha ou a esposa dele? A chuva e os raios estavam mais fortes agora.
Após alguns minutos, Mustafard e o resto do grupo chegaram.
– Tarde demais. — sussurrei e soltei o corpo. Me levantei e olhei ao redor.
– Jessica, — Mustafard se virou para uma garota loiro com o cabelo todo ensopado pela chuva. — você e Harry levem o corpo de volta.
Jessica o fitou por alguns segundos e jogou o olhar para Harry. Os obedeceram sem dizer nada, e logo sumiram nos campos com o corpo.
– Ele não deve estar long.... — Mustafard foi interrompido por um tiro que passou a cima de nós.
Me abaixei e observei ao redor.
– Ele...
– Xhiiiiu! — Mustafard sacou a arma. — iremos pegá-lo! Vocês vão por ali, eu e Everthon por aqui.
Eu e Mustafard saímos agachados até as árvores, descemos um pequeno morro e chegamos a um riacho escuro. Um cervo correu ao nos ver. Atravessamos até o outro lado do riacho.
– Ora, ora. Olha quem temos aqui. — uma voz atrás de nós chamou.
Após uns três segundos parado, olhei para trás e sabia que conhecia aquela voz de algum lugar.
Mustafard sacou a arma e mirou no garoto.
– Não atire. — eu fiz sinal para que abaixasse a arma. — eu o conheço.
– Como assim? Ele é o ladrão!
Era Jimmy. Por incrível que pareça, era Jimmy. Ele estava com um coturno marrom, calças do exército e uma camiseta preta de manga curta. O cabelo dourado brilhava à luz da lua. E aquele mesmo sorriso malicioso, estava no seu rosto.
– Eu não acredito... — sussurrei.
– Quem não acredito sou eu! — ele gritou. — Agora lembra de mim, não?
– É, né... Olha cara, eu não sei o que faz aqui, mas devolva a cura. Estamos à meses tentando criar-lá.
– Não, não. Não sei para quem tu trabalha agora, mas eu preciso disso. — ele sacou um tubo de ensaio que jorrava uma luz verde florescente no meio do escuro.
– Para que? Devolve isso vai. Se conseguirmos trabalhar nisso, iremos salvar o mundo.
– Não há tempo. E o preço iria ser bem caro, não? — Jimmy sorriu e guardou o tubo no bolso.
– Para o que precisa disso? — perguntei.
– Lembra da Giovanna? Se é que lembrou dela depois daquela amnésia, então, ela foi mordida. E precisa disso aqui.
– Cara, eu entendo que você queira salvar sua namorada, mas precisamos disso para multiplicar. Se você usar esta dose única, iremos ter que levar mais seis meses para refazer. Jimmy, eu sei que você não é assim, e naquele dia, o Canni me pediu para não reconhecer vocês por causa que vocês não foram resgatá-lo.
Olhei para Mustafard que mantinha Jimmy na mira.
– Eu assumo daqui. — eu disse.
– O que? Ele vai te matar. Precisamos daquela cura, o mundo precisa!
– Apenas vá e me faça um favor: avise a Derby que volto em dois dias. — pedi.
– Não, não. Ele vai sumir contigo!
– SOME DAQUI PORRA! — gritei.
Mustafard me fitou com olhar de desaprovação mas saiu devagar da clareira com Jimmy na mira.
Joguei minha arma no chão e a munição também. Me aproximei de Jimmy que deu um passo atrás.
– Jimmy, o que faremos é o seguinte...
***
DOIS DIAS DEPOIS, MEIO DIA
***
Estávamos subindo a ladeira de volta ao refúgio. Sim ESTÁVAMOS... Eu e Jimmy.
Eu havia amarrado Jimmy pelas mãos e estávamos nos aproximando do portão. Os guardas lá em cima miraram cerca de umas quinze armas para nós, mas continuamos. Cheguei ao portão e ele foi aberto, entramos e larguei Jimmy no pátio.
Um soldado se aproximou de Jimmy para pegá-lo.
– Hã-hã, pode deixá-lo ai. Chame Derby primeiro. — eu disse ofegante.
O soldado me olhou com desaprovação mas chamou Derby pelo rádio. E em menos de dois minutos ele estava no pátio.
– Ora, ora, — Derby batia palmas e sorria. — Olha o que temos aqui. Finalmente achamos você se ladrãozinho de merda.
Derby se aproximou para chutar Jimmy.
– Opa, opa! — intervi — ele é meu amigo, e você não encosta um dedo nele.
– Como assim seu amigo? Conheceu há dois dias e já são namoradinhos? — Derby riu.
– Para a sua informação, não. O conheço desde o começo disso tudo, mas nos separamos no caminho. E você continua sem encostar um dedo nele.
Derby me fitou com ódio e se agachou perto de Jimmy.
– Escuta garoto, por sua causa perdemos um terço dos nossos soldados; a cura foi desprotegida e botamos em jogo este lugar. Eu só não te mato por causa do seu amiguinho aí — Derby me lançou um olhar de ódio novamente — mas não pense que irá sair intocável não..
Derby se pôs de pé.
– Você ficará pelas próximas vinte e quatro horas preso numa cela, até resolvemos o que fazer contigo no tribunal amanhã. — Derby se virou e saiu.
Os soldados o pegaram pelo braço e se afastaram. Jimmy me lançou um olhar assustado e entrou na prédio com os homens.
***
Estávamos no tribunal. Uma sala no último andar do prédio central: haviam cinco fileiras de cadeira em cada lado da sala, e duas mesas dos lados. O lugar estava lotado: soldados mais atrás e no meio do corredor conversando; mulheres sentadas mais a frente, o Juiz (que era Derby e não foi uma surpresa) e na mesa central, estava sentado Jimmy. Ele usava agora o mesmo coturno, um jeans velho, uma jaqueta verde musgo fora de moda, e estava amarrado a mesa. Havia um homem com chapéu cinza, e calças escuras sentado na última cadeira da fileira leste, ele parecia preocupado com algo. Me sentei na primeira cadeira.
Um soldado parou ao lado da mesa do juiz e disse em voz forte.
– O corte está em sessão, fiquem de pé.
Ficamos de pé e o Derby, que usava um manto preto, bateu com o martelo na mesa.
– Sentados. — o soldado disse e saiu da frente. Todos sentamos.
– Ora, então vamos lá. Senhor Jimmy Ford, nascido em 11 de agosto de 1997 em São Paulo. Pode nos contar o que estava fazendo aqui, apesar que todos sabemos o que veio fazer.
Após alguns segundos, Jimmy levantou a cabeça.
– Vossa excelência, vim roubar sua cura para uso pessoal. Era isso que esperava?
– Mas porquê mesmo?
– Isso não é da sua conta. — Jimmy rebateu
– Olha garoto, acredite, por mim você estava morto. Só está vivo por um pedido pessoal, então, por favor, não queira dar uma de espertinho, senão, você roda.
– ... Eu precisava levar para salvar a vida da minha namorada.
– Ah que fofo, olha gente, querendo salvar a namoradinha. — Derby disse em tom irônico.
Jimmy soltou um olhar de ódio.
– Sim...
– Ah, mas e a pergunta que não quer calar: como você conseguiu por os zumbis aqui dentro.
Jimmy fitou o chão por doze segundos e disse:
– Eu sei meu carro para atraí-los até aqui, eram muitos. E os passei pelo portão, foi fácil.
– Mas como você passou pelo portão? Só abre por dentro. — Derby ficou furioso e curioso ao mesmo tempo.
– Ah, isso? Isso foi o mais fácil. Tive uma pequena ajuda de um amigo, não é Oliver?
No momento, parecia que tudo havia parado e o eixo da terra havia mudado. Todos soltaram um grito de surpresa e olharam para o cara de chapéu cinza no fundo da sala. Eu sabia que ele era suspeito.
– Olívio? — Derby se pôs de pé boquiaberto.
Jimmy disse
– É Oliver, conta para eles como você abriu o portão mim.
Fale com o autor