Diário de Sobrevivência
32 Diário 11 - Jimmy
– Rápido! A gente precisa fazer isso ainda hoje! – gritei.
Por que elas gostavam tanto de se atrasar? Até no meio de um apocalipse zumbi ela demorava para sair de casa.
– Já estou indo! — gritou Giovanna dentro de casa.
Eu estava na calçada da casa agora enquanto o sol forte queimava meu rosto e minhas pernas. Estávamos a caminho da pequena floresta na beira da rodovia Oeste, precisávamos de alguns mantimentos e itens que haviam no pequeno mercado da rodovia. Estávamos quase sem nada para comer e Giovanna ia caçar algum esquilo ou coelho para comermos lá em baixo, e eu tinha que dar um jeito de manter os infectados à distância.
– Aqui estou! — Giovanna disse ao alcançar o gramado.
– Vamos, está tudo pronto? — perguntei enquanto passava pelo ônibus.
– Acho que sim... Bolsa, ok; arco e flechas, ok; comida, ok; água... É, está tudo aqui. — ela colocou a bolsa na transversal.
– Ótimo, vamos. — entramos no carro e dei a partida.
Alcançamos a estrada de saída da cidade, uma névoa forte caía na estrada e na cidade.
– Sabe, — começou a contar Giovanna. — minha mãe costumava falar que sempre que havia uma névoa em algum lugar, era porquê coisas boas estavam acontecendo naquele lugar.
– Será mesmo? Espero que isso seja um sinal de que não iremos morrer. — respondi.
Ela me fitou por alguns segundos.
– O que foi? — a observei por uns instantes e então voltei o olhar à estrada.
– Nada.
Continuei dirigindo pela estrada até adentrarmos na floresta enevoada. A estrada era composta por duas faixas de sentidos opostos e a placa indicava que a rodovia 116 estava perto.
– Esse lugar me dar arrepios. — Giovanna observou pela janela da caminhonete.
– É, a mim também. Não há muitos infectados aqui pelo o que parece.
– Isso é bom, fica melhor para caçar. E o melhor, não há vento.
– Isso é bom.
Giovanna me observou confusa por alguns segundos.
– ISSO É ÓBVIO! — ela socou meu braço. — Vai dizer que não sabia que o vento leva o seu cheiro até a caça?
– Ah, é verdade... Mas escuta, onde tu aprendeu tanto sobre caça?
– Meu avô tinha uma fazenda em New State, não é muito longe de São Paulo, no litoral. Tinha uma vista para o mar, cavalos, vastos campos abertos e um penhasco à beira mar. Eu amava aquele lugar.
– Parecia ser legal.
– Teve uma vez — Giovanna começou a rir — que o meu ex caiu de cavalo, e o cavalo o pisoteou.
– Bem feito. Eu sou bem mais bonito que ele. — sorri.
– Ah, talvez.
Soltei um olhar confuso a ela.
– Estou brincando, idiota. — ela riu. — Claro que sim.
– Sei. — sorri.
***
Chegamos até o mercadinho que havia na beira da estrada.
– Eu vou pegar as coisas, você desce e observa o perímetro, certo?
– Ok. — Giovanna desceu do carro.
Entrei no mercadinho que corri até o caixa. Estava vazio, apenas com algumas moedas pequenas. Um infectado me avistou aos fundos do mercado e correu em minha direção. Avistei uma pequena machadinha azul em baixo do balcão, tipo aquelas de filme de terror.
Peguei a machadinha e pulei o balcão indo em direção ao corredor três. O infectado correu em minha direção, me abaixei e ele passou direto, virei rapidamente e cravei a machadinha na cabeça dele, no lobo frontal. A puxei e o acertei mais uma vez até que ele ficou impossibilitado. Peguei uma sesta de mercado verde e sai jogando os alimentos dentro, corri até uma balcão menor aos fundos. Uma placa neon indicava que ali era a sessão de ferramentas, o que era ótimo. Peguei um alicate de corte médio, alguns pregos e parafusos.
– Acho que é só. — sussurrei.
Peguei os itens e sai do mercado, fui em direção ao carro.
– Achou tudo? Está bem calmo aqui mesmo. Só matei dois até agora. — Giovanna se aproximou com o arco.
– Sim. — coloquei os itens no pequeno espaço que havia dentro da cabine. — Precisamos ir à caça agora.
– O que foi isso? — Giovanna parecoa assustada.
– Isso o qu...
– Shiu, esse barulho foi o que? Há algo de errado aqui. — Giovanna olhava ao redor.
Ela mantinha os olhos na ponte que passava ao lado do mercado e cruzava a estrada.
Naquele momento, dois carros pararam em cima da ponte e um cara negro com piercings e alto desceu junto a uma mulher, e um cara alto e branco que usava uma jaqueta de couro.
– Devemos matá-los? Nós Podemos. — a mulher perguntou enquanto se apoiava na beirada na ponte.
– Acho que sim. — o cara da jaqueta de couro se aproximou da beirada e nos fitou com ódio no olhar.
– Quem são vocês? — perguntei.
– Quem você quiser que nós sejamos. — o da jaqueta riu.
– O que está havendo? — o cara alto dos piercings se aproximou.
Foi estranho. Eu conhecia aquele cara. A expressão dele ficou séria e ele ficou branco na hora em que me viu.
– Puta merda. — ele falou.
– Canni... Porra, caralho Canni. — me aproximei da ponte.
– Você o conhece? — o da jaqueta perguntou.
A garota mirou a arma no meu peito.
– Não atire... Eu conheço ele.
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