Notas iniciais
sim,eu sei, demorei muuuuito. vou fazer logo o cap. 4. foi semana de prova.

Diário de Nick

Capítulo III

Acordei em casa, no quarto que divido com Charlie (e pode crer, morro de vergonha disso) com gesso na perna e em um dos braços. Charlie estava dormindo na cama ao lado. A seus pés estava um sobretudo marrom-dourado. Olhei para a mesa de estudos. Minha mãe estava sentada em uma das cadeiras. Na outra, havia uma garota de cabelos castanhos e boné vermelho, usando uma blusa laranja, jeans e botas. Atrás dela se apoiava na cadeira um garoto loiro e alto, usando um casaco verde-água. Minha mãe parecia ter chorado.

–Eles realmente precisam ir?– a ouvi dizer – Não. Tem que haver outro jeito, Natalie.

Percebi que devia ser o nome da garota.

– Desculpe, Sra. Ellen. Lá é o único lugar seguro para nós. – respondeu o garoto. – Se tudo correr bem, eles poderão voltar durante o ano letivo. Mas precisarão ir ao Acampamento durante as férias.

Olhei para o lado. Charlie havia acordado. Ela prestava atenção em tudo o que diziam (o que era bem difícil, tendo TDAH.). Ela olhou para mim e disse, sem falar, apenas movendo os lábios:

Que acampamento?

Não sei. Finja acordar.

Levantei-me subitamente, quase gritando.

–A parede! A escola! Como... O que...

Acho que fiz uma boa atuação, pois todos se viraram e minha mãe tentou me acalmar. Charlie fingiu acordar com os gritos.

–Calma, meninos. Está tudo bem agora. Natalie e Ethan levarão vocês para um lugar... Especial.

–Como iremos a qualquer lugar assim, ahn, quebrados?– Charlie perguntou. Ela estava com o tornozelo quebrado, parecia, e um braço, além de algumas manchas vermelhas e roxas no resto do corpo.

–Comam isso. –Natalie e Ethan entregaram alguns cubinhos que lembraram caramelo a mim e Charlie. Mas não era caramelo. Lembrava o gosto dos brownies de chocolate e baunilha que minha mãe fazia em festas de aniversário e natal, misturados com o gosto dos cookies recém-assados que comemos uma vez numa padaria quando viajamos para visitar minha avó na Nova Inglaterra.

Ele apertou um botão em seu relógio e todos os gessos e ataduras em mim se soltaram. Preparei-me para sentir dores horríveis. Estranhamente, me senti bem, e pude mexer meu pé.

–O que é isso? Brownie?

–Ambrosia. –responde Ethan. Depois pergunta à minha mãe. –Por curiosidade, por que brownies?

–Ah, é a sobremesa que preparo nos aniversários, natal, ano-novo e outras ocasiões especiais.

–Ambrosia? Aquele doce brasileiro?– Pergunta Charlie.

Nós já havíamos viajado para lá uma vez, e lembro que um homem havia chamado assim um doce amarelo.

–É o nome de um doce originário daPenínsula Ibérica, popular também no interior doBrasil, feito deleite,ovoseaçúcar. No Brasil, também é conhecido como doce de ovos. Mas não, Charlotte. Sua mãe disse que você é boa em mitologia. O que mais é ambrosia?

Seus olhos se arregalaram.

–O alimento dos deuses – ela disse baixinho.

–O quê? Do que estão falando?– pergunto.

Natalie olha pra mim e diz:

–Nicholas, você já ouviu falar nos deuses gregos?

Se não estivesse tão séria, eu teria rido. Deuses gregos não existiam. Isso não fazia sentido algum. Tão... Tão igual a minha vida.

–Sim, ahn, Zeus, Hefesto, Poseidon, Hades, Atena... –Então percebi que ela quis dizer se eu acreditava neles. E se ela perguntava, devia acreditar. –Ah, não. Você só pode estar brincando.

–Agora, já entendeu ou vou ter que explicar?

– Entendi que vocês devem ser loucos, a ponto de acreditar nisso. – Me levantei, sentindo dor ao por meu peso sobre o pé quebrado, mas sei que é uma dor bem menor do que seria sem o doce.

Natalie rapidamente puxa uma adaga de seu cinto e me empurra contra uma parede, pondo a faca a poucos centímetros do meu pescoço. A faca parece ser do mesmo metal que aquela espada que surgiu do ar e o arco de Charlie.

–Acha que por acaso o Leão de Neméia resolve atacar mortais sem motivo algum? Acha que é coincidência vocês conseguirem sobreviver a ele? Acha que sou louca por acreditar? Eu não acreditava, mas liguei os pontos. Minha vida pode ser muito curta, não tenho que perder mais tempo lidando com vocês. – fiquei surpreso por toda a raiva dela, até que olhei em seus olhos. Por trás de uma máscara de durona, posso ver que ela está triste. Triste por ela? Por nós não acreditarmos nela? Não sei. Seus olhos estão marejados. A culpa pode ser minha, e não quero vê-la chorar. Resolvo acreditar. Ou ao menos fingir.

Ela tira a adaga de meu pescoço, provavelmente não porque desistiu de me matar, mas por perceber que acabaria chorando.

–Não tenho tempo a perder, problema seu se não acredita. Assim poderá morrer arrependido, sem armas para se defender.

–Não, eu... Acredito...

–Como é?

–Faz sentido, quer dizer, não pode ser coincidência sobrevivermos a um monstro quase indestrutível, logo depois aparecerem duas pessoas que eu nunca tinha visto na vida, mas que sabem o que aconteceu, onde moramos e quais são nossos nomes. Sem falar que isso parece quase normal, comparado o que aconteceu hoje.

Na verdade, não faz sentido nenhum. Eles realmente precisam de argumentos melhores pra me convencer.

–Nick?

Olhei para Charlie. Ela parecia apavorada por aquelas “visitas” inesperadas, o fato de eu acreditar tão facilmente.

“Como assim você acredita?” Charlie pergunta, sem falar. É incrível esse negócio. Eu consigo, muitas vezes, entender o que ela quer dizer só olhando seus olhos. Pode ser alguma coisa de gêmeos ou algo assim.

“Não acredito.” Respondi. ”Te falo depois. Apenas finja.”

–Tá, tanto faz. Podemos ir logo? Ao menos soltem o gesso!

Percebi que ela ainda estava presa nos gessos. Ethan aperta um botão em seu relógio e o colchão começa a se mover, fechando Charlie em um V.

–Ahhhhh!

–Natalie! Você podia ter colocado uma etiqueta! Foi mal, Char.

–Não me chame de Char! Me tira daqui!

–Caaaalma. – Ethan apertou o botão novamente e olhou para Natalie, que ria sem parar. Era bom vê-la rir, depois de momentos de tensão envolvendo facas e o meu pescoço. – Você, hein? Agora sério, como eu solto a Charlotte?

–Segundo botão à esquerda. – Natalie segurava o riso. – Calma Natalie. HAHAHA. Pronto, tudo bem.

–Ook, isso foi estranho.

–Nah, só uma técnica própria para me acalmar e parar de rir. Meio maluco, eu sei, mas ninguém é normal. Todos tem uma mania estranha, mesmo que muito escondida.

Isso era verdade. Charlie tinha a mania de desaparecer constantemente. Não estava em lugar nenhum. Quando voltava, apenas respondia:

“–Ah, fui dar um passeio. Tipo, hãã, no parque.”

Como se eu tivesse acreditado. Sabia que ela ia para algum lugar. Algum lugar onde ninguém pudesse ir, já que as coisas de que ela mais gostava haviam sumido e ela disse que tinha levado pro conserto. Sabia que ela provavelmente levou para seu lugar secreto. Mas se eu insistisse ela ia reclamar ”que eu não tinha que meter meu nariz nas coisas dela”, Etc., etc.

–Então, vamos?

–Desculpe Natalie, mas é... Difícil assimilar tudo isso. Precisamos de alguns dias, talvez. Meu pé ainda dói. –Respondo.

–Ainda há o risco de serem atacados. –ela parece pensar um pouco. – o prazo máximo que podemos dar é de três dias. 72 horas. Mesmo assim... –ela nos entrega dois relógios de prata e bronze.

– Marcará o tempo exato em que o prazo acabar. Também é um GPS. Se precisarem de ajuda com monstros ou algo assim, apertem o botão para mandar uma mensagem pré-pronta escrito “AJUDA” e sua localização. Se virem cavalos com asas, a ajuda chegou. Não se desesperem: Esperem a ajuda. E, mais importante: Se mantenham vivos, não importa o que aconteça.

Notas finais
OoO Confesso,imitei a ultima frase do Haymith, de THG.Vou tentar apressar as coisas.Reviews!!!