Diário de 2070
7 27 de Junho de 2070
Notas iniciais
Deu tudo errado.
Ontem, fomos todos pro laboratório na mesma hora. Já tínhamos criados 50 litros de água potável, estávamos preparados para apresentar nossa ideia para os chefes da ciência, tudo estava perfeito.
Mas acontece que, ao ligarmos as luzes do laboratório, tudo estava depredado, arruinado, nossos equipamentos, os mais sofisticados, não tinham como consertar, o pior de tudo, foi como vimos água espalhada pelo chão.
Corri, junto com o Dr. Menezes, para levantar nosso galão que estava soltando água ainda. Demos todas as nossas forças para levantá-lo, minha prima ficou na porta sem saber como reagir, a mais fraca de todos, que não consegue nem andar.
Levantamos o galão, sobraram 20 litros de água potável. Suficiente para uma família sobreviver por um mês, mas insuficiente para usos científicos.
— Por isso não resolvemos nada ainda. — Minha prima fala, segurava um papel, horrorizada, esticou-o para mim. Eu o peguei, e li em voz alta.
— Não ousem desafiar os deuses, pois serão castigados. "Deuses", seriam os poderosos do governo, certo?
— Sim... — Eles sabem que se a grande seca acabar, o povo ficará saudável, e poderão derrubá-los. Eles têm toda a maldita água que quiserem! E ainda exercem uma ditadura mundial! Por isso nossas tecnologias avançam, mas o problema da água continua sem solução. Eles só fingem que nos dão liberdade, mas na hora certa, destroem tudo!
A máquina que criamos, que acelera a moldagem de moléculas que formariam água, com todos os nutrientes corretos, está caída no chão, nos custariam mais dois meses para consertá-la, e não temos mais água pra pagar peças, nem nada.
Penso em quantas pessoas vão morrer de sede nesses dois meses, quantas serão expulsas das áreas ventiladas, nesses dois meses. E não há nada que poderemos fazer.
Após limparmos a bagunça, eu vou para meu mundo subterrâneo, onde há árvores e grama, onde há rio e paz. Tomo mais um banho naquele rio maravilhoso, a água molha meu cabelo, que não tem mais de 5cm, mas como amo ter cabelo! Não sabia nem qual era a sua cor, ele é laranja, brilha muito na luz do sol. As pessoas estranharam o fato de eu ter deixado meu cabelo crescer, principalmente meus pais, mas disse que só cansei de ser careca, como todos ao meu redor. Cansei de ser normal.
Agora estou na biblioteca secreta de casa, e como tem livros! São paredes enormes de livros, sobre tudo! Fantasia, ciência, aventura, romance... Estou lendo Robin Hood, àquele que rouba dos ricos para dar aos pobres. Ele é realmente genial, muito corajoso e bondoso...
Livros me transportam para um mundo onde não há falta d'água, onde, no final, tudo acaba bem. E como eu queria que a vida real fosse como nos livros. E, não sei porquê, mas, sempre que leio algum livro, espero, desesperadamente, que ele me dê alguma ajuda, alguma ideia, para solucionar o nosso problema, para que tudo acabe bem no final.
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