Diário De Uma Bitch
8 Capítulo 8
Notas iniciais
Fim de semanas são ótimos, exceto quando você fica em casa (o que seria o meu caso), mas não vou ficar mofando por aqui, cansei de aguentar o sermão dos meus familiares e outra, é domingo.
Já que não vai ter nenhuma festa esta noite acho melhor ir no parque, afinal o dia está bonito, porém não mais do que eu, tomei banho e me arrumei, a roupa com que saí era um short jeans desfiado, uma regata preta e um tipo de um blazer de malha mais fina por cima, com minha ankle boot e um óculos escuro da Dolce&Gabanna.
Quando desci as escadas me deparei com minha mãe e minha irmã sentadas no sofá assistindo TV bufei com desprezo, com tantas atividades, principalmente culturais, elas ficam aí sentadas assistindo TV! Joguei meus cabelos enrolados ( com babyliss claro!).
- Aonde você vai? — minha querida irmã perguntou com uma expressão desafiadora
- Sinto muito em informar pra você, mas acho que deve aprender a cuidar da sua própria vida. — disse franzindo os olhos de leve, com uma expressão sarcástica
- Responda a pergunta da sua irmã — minha mãe disse, como se uma delas fosse melhor do que eu.
- Acho que vou pro paraíso, porque isso aqui está um inferno.
- Responda direito e pense duas vezes ao falar comigo desse jeito mocinha.
- Está revoltada porque me criou para ser submissa e eu simplesmente virei um vadia sem rédeas? Devia se orgulhar de alguém aqui ter personalidade forte o bastante para se mostrar verdadeiramente para o mundo, diferentes de umas vagabundas fim de carreira que se fazem de santa na cara do pai e da mãe e por trás e a pior vadia que o mundo presenciou, não é maninha? — perguntei erguendo uma sobrancelha, falando com biquinho.
- Quem você está pensando queé para falar nesse linguajar comigo e com sua irmã? — minha disse pegando minha irmã pelo braço, que havia se levantado para me bater.
- Bom ... — disse empinando o nariz, pausando e pondo a lingua nos dentes de cima, após refletir suspirei — Vou até o parque me divertir um pouco, e é claro, o que disse foi simplesmente uma hipótese, nada para o lado pessoal.
- Você está de castigo. — minha mãe disse sentando no sofá, fazendo um enorme sorriso brotar no rosto da minha irmã — Pelo menos até você voltar a ser o que era antes.
- Uma ótaria sem conexões e, ou malicia? Não, eu vou para o parque sim, se não meu querido papai vai saber de uma fatura de cartão estourada e o porquê do dinheiro da carteira dele estar sumindo constantemente. — disse com um meio sorriso.
Minha mãe se levantou para me dar um tapa, desviei dela com facilidade, embora fosse uma bitch, jamais levantaria a mão para ela.
- Bom, o que acha do nosso pequeno acordo? — perguntei a ela, me encostando me encostando na porta.
Ela me olhou furiosa, não tão quanto minha irmã.
- Tudo bem!
- Ok, vai ser nosso segredinho! Ahh e não pense que estou fazendo isso por ser ruim, mas porque assim como eu você errou.
Abri a porta e sai andando rebolando, acenei para um táxi, estava com a cabeça muito cheia e queria chegar logo, longe de tudo e de todos, principalmente depois do beijo com Marcos, que embora não quisesse admitir, foi ótimo.
Ao chegar no parque a primeira coisa que fiz foi beber água, estava morrendo de sede, sentei em um banquinho e fiquei por lá, pensando, primeiramente na minha briga com minha mãe, depois com o beijo do Marcos e por último na Bia. Fazia um tempinho que não nos falávamos.
Após um bom tempo resolvi ir até uma banquinha próxima, comprar um hot dog e um suco natural de uva. Enquanto comia alguma coisa me dizia que havia alguém me olhando e eu não sabia quem. Continuei comendo como se nada estivesse acontecendo, como se ninguém estivesse me olhando e como se não sentisse nada.
Terminado meu lanche fui até uma parte menos movimentada do parque, na verdade era raro uma alma viva passar por lá. Comecei a mascar um trident de melancia e mexer no meu celular.
- Perdida por aqui? — uma voz masculina perguntou para mim — Achei que nenhuma alma viva passava por aqui.
- Foi o que pensei também. — disse olhando para a cara dele com uma sobrancelha erguida. — Então o que está fazendo aqui Marcos?
- Te vi saindo de casa e resolvi vir falar com você.
- Bom você está falando, e se nenhuma alma viva vem aqui o que está fazendo por estas bandas mero mortal?
- E você seria o que para não se denominar uma humana?
- Posso ser um espirito e você não sabe, ou um fantasma.
- Haha, pode me assombrar quando quiser.
- É exatamente por isso que não vou te assombrar.
- Acho que minha mãe disse a mesma coisa antes de morrer.
- Que? — perguntei olhando para ele com uma expressão séria.
- Minha mãe morreu. Morreu por causa de um câncer no pulmão. Eu era uma criança muito tímida e sempre gostei de desenhar e escrever e ela sempre me incentivou, mas quando ela foi ficando no hospital fui me tornando mais hostil. Meu pai não me dava e nunca me deu muita atenção, então fui sendo criado mais pelo meu tio, que achava o meu jeito de ''viado'' então ela morreu e meu pai não parou mais aqui, viaja toda vez que pode e meu tio fica comigo, me fazendo ser o que sou. Entendo meu pai, afinal se isso acontecesse comigo não aguentaria ficar do meu único filho que é a cara da mãe...
Não conseguia dizer muita coisa. Uma parte de mim estava sentida e queria que eu me desculpasse com ele e com minha mãe e voltasse a ser o que realmente era, minha verdadeira natureza. A outra queria que pouco me importasse, ele merece passar por isso, e outra, são fases da vida.
- Bom, sinto muito, muito mesmo sobre o que aconteceu com sua mãe. Ela deve ser muito importante para você ... E meu conselho é que você seja você, independente da sua verdadeira personalidade. Vamos parar de falar sobre isso ok? — disse fazendo um misto das opções que senti.
- É melhor mesmo.
Ele disse e tentou me beijar, subi em seu colo, de frente para ele e apertei seu pescoço.
- Olha aqui taradinho, vai com calma que quem dá a ordem para uma aproximação mais próxima sou eu.
- Nossa ... Para uma sociedade machista você está pensando muito acima.
- Estou acima de vocês homens! Mulheres tem o poder em suas mãos e vocês tem tanto medo do nosso poder tanto físico quanto psíquico que reformularam o mundo a seu favor.
- Somos mais fortes.
- Somos mais ágeis! E se fosse tão forte quanto aparenta não sentiria vontade de arrumar uma coisa que está bem guardada embaixo da sua cueca box, e eu não sinto nada em baixo da minha lingerie vermelha.
Ele me encarou perplexo e senti que era hora de sair do colo dele. Acenei e saí andando, quando olhei para trás ele me puxou e me jogou contra uma árvore.
- Ainda bem que vocês mulheres são resistentes, porque nós homens não somos.
Dizendo isso ele me beijou, tão urgentemente quanto da última vez, enquanto nos beijávamos arranhei suas costas provocando-o. Ele segurava minha cintura tão forte como se eu fosse fugir. Enquanto quase nos engolíamos depois de um tempo um guarda nos abordou.
- Com licença, mas vocês estão em um lugar público e peço que se parem com isso.
- Sim! — eu disse me soltando dele, limpando meu batom que estava em metade da minha bochecha.
O guarda ficou parado do nosso lado. Vi que havia vindo um táxi, acenei para ele, e quando ele cheguei bem próximo da boca do Marcos e sussurrei '' a gente se vê '' fui rebolando até o táxi e entrei nele, indicando o lugar que era para ir. Abaixei o vidro e dei uma piscadinha para ele.
'' Não sou egoísta. Apenas valorizo a única pessoa do mundo em quem eu posso confiar: eu mesmo. ''
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