Diário De Uma Bitch
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Beijos da Big Bitch!
Quando olhei pro convite percebi que a festa era na mesma noite de hoje. Hum, eles queriam me testar, para ver se eu era capaz de qualquer coisa. Ops! Mexeram com a bitch errada. Olhei pro relógio, tinha um tempinho até a festa, do ... Bom, no convite está Danilo.
Abri meu guarda-roupa atrás de uma roupa para balada, ainda bem que quando resolvi ser bitch já tinha preparado um roupa para essa ocasião. Peguei um corpete preto, transparentes com detalhes bordados, coloquei um short de cintura alta preto e por cima dele uma saia totalmente transparente da mesma cor. Coloquei meu salto alto preto, soltei os cabelos, delineei os olhos e passei um batom vermelho na boca.
Peguei minha bolsa carteiro, coloquei meus itens essências na bolsa e chamei um táxi, afinal já estava em cima da hora.
Já no outro quarteirão podia-se ouvir o som da festa, uma música eletro-pop altíssima. Antes de parar vi um amontoado de pessoas na porta do prédio, Danilo recebendo a todas elas. Falei pro motorista parar aonde estava, queria ir andando, para que ele pudesse me ver de longe.
Saí do táxi e fui em direção ao prédio, quando ele olhou de relance para minha direção, pairou o olhar, babando. Joguei meus cabelos de lado com a cabeça e fui andando com um sorriso de lado.
- Então, posso entrar? — perguntei erguendo uma sobrancelha, fazendo cara de impaciente.
- Claro. — ele disse me cumprimentando com um beijo. — Você está linda, e eu como estou?
- A festa é sua, então devo dizer que está lindo, embora minha opinião seja mais rigorosa.
- Peço sinceridade. — ele disse sorrindo
Examinei ele de cima a baixo. Era loiro, não muito alto, os cabelos estavam lindos. Seus olhos azuis brilhavam e sua roupa de ''boy'' estava bonitinha... Mas ele não era o meu alvo, não ainda.
- Está legal.
- Pode falar que estou lindo! — ele disse fazendo sinal para que eu entrasse.
- Se a aparência explicasse a essência, o sabor seria desnecessário. — disse me adiantando na frente dele.
O prédio era grande. Jovens, com certeza da festa, se beijavam nos jardins e na frente do hall principal. Quando entrei no salão de festas, estava escuro, exceto pelas luzes coloridas que perpassavam. Mesas com comidas distribuídas por todos os lugares, vários jovens e adultos. E um som alto, de eletro-pop.
Antes que ele se aproximasse demais, entrei na multidão de pessoas e fui para uma mesa do canto. Um cupkake de chocolate com uma cereja em cima estava na mesinha em que parei.
Quando virei pro lado Marcos estava vindo na minha direção, com uma cara ...
- Você é ridícula! Vou acabar com sua reputação em menos de um segundo. — ele disse pegando-me pelo pulso.
- Tem certeza que é assim que quer que seja nosso segundo encontro ''amor''?! — perguntei com cara de dissimulada, fazendo-o perder as palavras por alguns instantes.
- Nunca tivemos um encontro! Não somos nada e nunca seremos. — ele disse asperamente, ou tentando engrossar a voz.
- Certeza? — disse levantando a perna, passando pela perna dele.
- Absoluta. — ele disse me jogando na parede.
Me soltei dele, peguei a cereja do cupkake, coloquei sobre minha língua, mastiguei devagar, engoli, vi que minha mão estava suja de chocolate e lambi a pontinha dos dedos. Ele estava me olhando com aquela cara de quem segura até os fios de cabelo para não voar em cima de alguém. Sem pensar duas vezes inverti nossa posição, jogando meu peso contra o dele, tacando-o na parede, segurando o pescoço dele.
- Faça-me o favor... Você quase tendo um infarte de tanto se segurar e dizem que você tem atitude? — olhei pro lado e vi um menino gatinho passar e me olhar. — Isso é atitude.
Em um passe de mágica me virei, peguei o garoto que passava do nosso lado pela mão e o beijei. Ele me jogou na parede e pegou um cupkake de chantili, colocou no meu pescoço e o beijou. Fiz o mesmo com ele. Continuamos ficando até eu me cansar. O que não passou de 5min.
Inventei pro garoto que ia no banheiro. Enquanto andava Danilo puxou meu braço e grudou nossos corpos um no outro.
- Senti sua falta. Parece até névoa. — ele disse presunçoso.
- Antes fosse... — falei dissimulada.
- Como é meu aniversário devo te pedir alguma coisa. Um beijo.
- Mas é claro. — eu disse entusiasmada e quando ele veio me beijar virei o rosto e beijei a bochecha dele. — Te dei um beijo, afinal, você não especificou onde, e eu tenho vergonha de beijar em público.
Antes que ele falasse algo, saí andando. Fui até a mesa de bebidas, enchi meu copo com uma boa dose de vinho. Antes de beber cheirei para ver se havia alguma substância fora do comum. Fui até a mesa de salgados comi um ou dois e fui bebendo o vinho aos poucos. Me senti com as pernas cruzadas. Um grande número de meninos que passavam me olhavam, jogava os cabelos e os olhava de cima a baixo. Peguei meu vinho e saí andando. Quando entrei no banheiro, aquela menina com quem havia brigado me jogou na parede, prendendo meu pescoço com as duas mãos.
- O que vai fazer agora? — ela perguntou com cara de psicopata — Não tem ninguém para te ajudar e somos só você e eu!
- Hahahaha — sorri sarcástica.
Coloquei meu vinho sobre a bancada da pia, olhei para ela e no momento em que ela ia bater na minha cara soquei sua barriga, fazendo-a perder o folego. Dei outro soco na cara dela e a imprensei contra parede, levantando-a pelo pescoço.
- Você não sabe com quem está mexendo! — eu falei sussurrando no ouvido dela. — Eu era seu capacho! Agora as coisas mudaram.
Peguei meu vinho e joguei no cabelo dela.
- Tchauzinho. — disse saindo andando rebolando do banheiro, mandando um beijinho para ela.
Ao sair da festa, outra garota esbarrou comigo, me olhando feio. Não me importei e fui até uma mesinha, só que um círculo estava se formando no centro do salão. Um garçom passou e perguntou se eu queria algumas bebidas. Peguei uma chamada ''capeta'' que era azul e roxa, com canudinho enrolado. Tinha um gosto maravilhoso, mas deixava bêbada rapidamente. Quando percebi o que rolava no centro do círculo era que a menina que me olhou feio estava desafiando um monte de outras garotas para uma dança. Uma a uma, as garotas foram sendo eliminadas por ela, seu nome era Melissa. Esperei até a última música, que como previsto era a que mais tocava nas paradas, e que eu vinha secretamente treinando esse tempo todo, desde muitos tempos.
- Vamos lá! última música! Quem aceita meu desafio?! — ela disse virando o olhar para uma garota loira no canto do salão.
A garota estava totalmente tímida e pelo que dava para ver, não sabia dançar bem. Me levantei, todos os olhares foram pra mim. Inclusive o dela, com cara de desprezo ela fez biquinho e cruzou os braços. Eu dei um longo gole na minha bebida e a coloquei sobre a mesa com um baque.
- Eu aceito seu desafio, afinal as vitórias mais saborosas da vida não são aquelas que derivam dos nossos próprios méritos e sim das derrotas dos outros.
Ergui uma sobrancelha e fui até ela, andando rebolando. Ao chegar do seu lado joguei meu cabelo de lado.
- Vamos começar! — ela disse virando o rosto, tentando acertar seus cabelos castanhos em mim.
- Ok! — disse me virando para o lado oposto.
A música começou a tocar, dei um sorriso de lado. Ela se adiantou na frente. Marcos começou a gritar para ela. Joguei meus cabelos e comecei a dançar, obviamente, fazendo as expressões e cara da cantora original. No meio da música resolvi dar uma mudada, afinal estávamos empatadas, ela seguia a coreografia perfeita. Tirei minha saia transparente e peguei uma cadeira. Comecei a dançar sobre ela, ainda com a coreografia. Ela subiu na mesa e pegou um garoto. No meio da plateia eu vi Danilo e Marcos, um ao lado do outro. Sem pensar duas vezes, puxei o Danilo, quando fui puxar o Marcos ele resistiu. Olhei para ele e sussurei em seu ouvido, '' tem certeza que quer ser taxado como brocha?''. Ele me olhou com cara de quem não acreditava, ergui as duas sobrancelhas fazendo cara de que era melhor ele acreditar e assim ele cedeu. Dancei com os dois garotos. Quando a música acabou todos gritaram e na hora da decisão, por um voto a mais eu ganhei da querida Melissa, que ficou indignada.
Coloquei minha saia de volta e fui até um canto mais fresco. Marcos estava lá, com a cabeça sobre as mãos.
- Dói tanto pensar assim? — perguntei parando na frente dele.
- Você! Você faz com que doa! Você já tem a mim de corpo e alma! O que mais quer que eu faça?
- Se jogar de uma ponte e ver se passa, não trabalho em farmácia para curar dor e muito menos sou a causa delas, sou a causa da justiça!
- Quem é você para falar de justiça? Olha como me trata! — ele disse se levantando exaltado.
- Enquanto a justiça divina do que você fez não chega, eu faço você pagar pela minha!
Ele me encarou por um bom tempo, depois passou por mim, me empurrando, indo para mesa de bebidas. Um garoto, pelo que vi, o Danilo, passou por ele, jogando um comprimido rosa no copo de Marcos. Fui até ele avisar, mas ele me deixou falando sozinha. Passando algum tempo, na hora em que estava indo embora, encontrei Marcos dentro do banheiro das meninas com o rosto pichado com batom vermelho dizendo '' eu sou um viado'' e uma calcinha fio-dental na cabeça dele.
Dei risada e saí andando. Chamei um táxi e fui para casa, sabendo que ele iria colocar a culpa em mim. Já começando a preparar meus argumentos para nossa discussão do dia posterior a esse, pois as fotos que irão tirar dele, irão todas para a rede social mais conhecida do mundo, facebook!
'' O perdão nada mais é que aceitar que posso me machucar novamente com você.''
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