Diário De Um Sobrevivente
1 Recapitulando
Notas iniciais
É meio difícil se lembrar de algumas quando sua mente quer pensar em milhões de outras ao mesmo tempo.
No dia 21 de Dezembro o mundo de todos nós virou um caos total. Todos nós já ouvimos falar de zumbis, tanto em filmes de ficção ou algo do gênero. Cada um da sua maneira (uns até mesmo exagerados), mas as situações são sempre as mesmas: não sabemos o que fazer, ou nos desesperamos e saímos fazendo as primeiras loucuras que nos der na telha.
E foi isso que aconteceu, e, realmente, tudo aconteceu de maneira tão repentina que a palavra “surpresa” seria piada.
Por mais que isso possa parecer idiota, eu sempre pensei em como seria caso uma tragédia desse tipo ocorresse, como por exemplo: A epidemia teria que começar em algum lugar, certo? A partir daí, haveria pânico para todo lado, mas, ainda assim, emissoras de TV e outros meios de comunicação não deixariam de noticiar, com isso, as pessoas poderiam se preparar (é claro que uma grande parte acharia que isso seria um trote ou algo relacionado, mas não poderiam dizer que não foram “avisados”). Mas não foi isso que aconteceu. Foi como se não houvesse um único ponto de partida, e sim como se todo lugar fosse o ponto de partida, e isso chega a ser muito curioso... algo para ser pensado com mais calma, quando houver oportunidade para tal.
Eu sou Nicolas, tenho 20 anos de idade, moro na cidade de Santo André, em São Paulo, no Brasil. Tenho dois irmãos, um com a mesma idade chamado Wesley e mesmas características, porque, bem, ele é meu irmão gêmeo. Legal isso, né? Nem um pouco! O outro é Gabriel, o mais novo, 15 anos e magrinho, não chega nem aos 60 quilos.
Desde o surto estamos no apartamento do meu amigo Daniel, que completou seus 19 anos no dia anterior. Além de nós quatro também estão: meu pai( Marcelo), minha mãe (Rosário), e nossos amigos Geovanne e Taís (que são primos) e Fernanda, a amiga inseparável de Taís.
Devo dizer que isso é um milagre? Não sei, mas estou feliz que estejamos juntos em uma situação como essa.
Como eu já expliquei, tudo foi repentino, e como Dan fez aniversário no dia passado e viemos todos para comemorar na casa dele, acabamos ficando “presos” aqui. Foi a primeira coisa que eu pensei quando o dia já amanheceu um caos: que não deveríamos sair. E ainda acho que foi a melhor decisão a ser tomada, na Tv só tínhamos notícia de caos em todo local, não só no país, no mundo inteiro.
Pedi para que verificassem o quanto de comida havia nos armários e calcular quanto tempo conseguríamos ficar lá sem precisar nos preocupar com alimento. Dan cuidou disso e concluiu que tínhamos mantimentos suficiente para os próximos 5 dias. Isso foi bom, mas não podíamos relaxar e teríamos que controlar o uso dos alimentos.
Como não saímos, não sentimos o pânico real, era como se nada daquilo fosse verdade. Mas eu preferi não arriscar, e se ninguém fosse tomar a iniciativa, eu iria.
Precisávamos de um plano para que nada chegasse até nós e, para mim, sair naquele momento seria a pior opção. Não sei se algo já tinha chegado ao bairro que estávamos, mas as pessoas gritavam, ligavam para quem podiam, pegavam seus carros cheios de coisas, e partiam para a estrada mais próxima, no caso, a Rodovia Anchieta, localizada a aproximadamente uns 10km de distância de nós.
O prédio tinha doze andares e o apartamento de Dan estava no oitavo. Peguei as chaves da porta e tranquei, depois uma mesa de vidro e a coloquei na porta caso alguém quisesse entrar a força. Era bem pesada, então deveria segurar bem. Pelo menos por algum tempo.
Para que meus planos dessem certo, precisava que os outros que estavam junto comigo me ouvissem, sem muita oposição.
Reuni todos na sala e acabei fazendo um discurso que não estava nada preparado, mas que soou como se estivesse pré-escrito.
Nele eu disse que o cuidado era nossa sobrevivência a partir daquele momento. Se começássemos a entrar em pânico, qualquer um de nós, nossas vidas estariam em maior perigo do que já estavam. Não sabíamos o que estava acontecendo, nem como, então a cautela teria que ser dobrada. Algumas regras seriam importantes nesses primeiros dias: Não abrir aporta para ninguém; se fosse conhecido teríamos que verificar primeiro, independente de quão próximo fosse; não íamos poder confiar em ninguém, não se quiséssemos viver; todas as garrafas de água tinham que ser enchidas e mantidas na geladeira sem que ninguém tomasse delas, ainda havia água corrente, então ela seria ultilizada; não sabíamos quanto tempo teríamos sinal nos celulares e energia, então todos deveriam ser carregados e deixados em modo de Stand By para que pudessem ser utilizados quando necessário; ligar para quem pudesse somente naquela hora, e nada de pedir para que fosse até nós, e sim para que se protegessem em suas próprias casas; de noite as luzes não seriam usadas, pois além de chamar atenção dos seres que poderiam estar do lado de fora para o nosso prédio e dificultar nossa saída, poderia atrair vândalos e não queríamos ser saqueados. Não chamar a atenção era essencial.
Depois disso o silêncio tomou de conta do recinto e todos me olharam com admiração e estranhamento ao mesmo tempo, principalmente meu pai, e isso arrepiou até a minha nuca. Nenhuma das outras oito pessoas no recinto disse nada, parecia que nem sequer tinham pensado em se preparar. Minha mãe se mostrava assustada, mesmo tentando manter e expressão firme.
Perto da chegada da noite, por volta das 18:30 hs, as coisas mudaram, e um caos começou. Praticamente quase todos os carros estavam batendo em algo. As coisas nos alcançaram e estavam nas ruas, fazendo as pessoas gritarem, gritarem de um jeito que eu nunca consegui sequer imaginar antes. Mesmo lá de cima, a agonia dos outros era tanta que pareciam que estavam do nosso lado. Ninguém tinha coragem nem de observar o que se passava, mas a impressão era de que tudo era um filme de horror e terror.
Notas finais
Comentem o que vocês acharam das decisões de Nick, e se foram boas. Não se esqueçam de deixar o que mais gostaram no review.
Obrigado a você que leu, vamos fazer de 2016 um grande ano!
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