Diário De Um Serial Killer
5 O início da peça
Notas iniciais
Obrigada por continuarem acompanhando, boa leitura!
polícia. Um verdadeiro teatro onde eu era o diretor da peça a partir daqueleinstante. E assim iniciei o roteiro onde o pobre órfão encontra a salvadora desua vida, falecida ao que chega em casa e, abatido não vê outra escolha a nãoser ligar para os oficiais da cidade, pelo fato de não saber o que fazer. Recebiinstruções para que procurasse o médico de Elena o mais rápido possível pra quetal fizesse seu atestado de óbito nos termos legais e assim enterrá-la. Constantemente recebíamos visitas dele no orfanato, um tal de Dr. Bryar.Sujeito aparentemente competente. Fui ao escritório e encontrei seu cartão,expliquei a situação e tudo parecia resolvido quando ele assegurou que estarialá o mais rápido possível. Aparentemente nada fora do contexto, os atores correspondiam perfeitamente aospapéis que lhe foram resignados e eu como o protagonista (além de diretor)também seguia perfeitamente o roteiro, já escrito ao longo dos anos pela mentedeste que agora relata sua história nestas folhas sem ter certeza de onde querchegar com isso...Seria tal mente insana? É o que iria descobrir conformeaprimorasse o enredo e a qualidade de atuação das personagens. Mas a respostaera cristalina de forma que não cogitava em voltar atrás com meus mais mórbidosplanejamentos. Sim, minha mente é e sempre fora insana. E eu provaria a mimmesmo que cada instante de tal insanidade me faria amar aquilo cada vez mais. Elena guardava uma boa quantia de dinheiro em um cofre no escritório e apenaseu era confiável o suficiente na mente da senhora, afinal, apenas eu possuía asenha de tal.Nunca o abri, para mim aquilo seria usado em uma emergência e aquele era omomento perfeito para isso. Ela era muito querida no bairro, o que obrigava-mea fazer um velório para que todos pudessem despedir-se da tão adorada, já falecida amiga e “mãe” que infelizmenteassim como eu, já não possuía mais família. Seus pais morreram quando completara trinta e três anos e como nãopossuía irmãos não restou-lhe mais ninguém, foi então que decidiu dedicar-se aisto. Acolher àqueles que também já não possuíam outros a quem confiar ou sedeixar mimar. Além de tudo também era católica o que mais uma vez obrigava-me a escolher umlocal apropriado para seu último momento entre amigos. Uma belíssima igrejapróxima ao bairro com um estilo pitoresco e bastante apreciado por mim, algo umtanto quanto gótico. A notícia espalhou-se rápido nas bocas daqueles que habitavam aquela simplesvizinhança de Jersey. Minha primeira ação (após ligar para a polícia e Dr.Bryar) fora procurar uma daquelas empresas que organizam funerais e ligar paraaqueles que já haviam passado pelos cuidados de tão maravilhosa pessoa. Porsorte encontrei uma que parecia ter um nome a zelar e que aparentemente possuíabom desempenho, devido à rapidez com a qual faziam seu trabalho. Tudo que merestava naquela hora era convidar os vizinhos para o encontro final.Após o velório a carcaça seria enterrada no quintal de casa, por opção minhaque, novamente, possuía uma segunda intenção. Diria a todos que nosacompanhassem que a queria ali para meu conforto, para que toda a vez que mesentisse só, fosse até lá para ver seu nome entalhado na pedra e me desfazer emlágrimas de saudade e dor. O que obviamente era só mais uma fala de meu roteiroque teria de ser dita com imensa convicção. Na igreja encontrei muitos daquelesque um dia foram crianças e conviveram ao meu lado, inclusive Raymond. O únicopara o qual não havia ligado fora Mikey, não sabia se seus pais haviam lhe ditode onde verdadeiramente veio, não arrisquei estragar todos os sonhos que meuirmão construira ao longo da vida. Nada especial ocorreu ao longo do tempo emque fiquei na igreja além do já dito, encontro com os que um dia foram órfãos. O caixão foi fechado e nissocaminhávamos para o quintal onde tempos atrás crianças corriam, pulavam,sorriam e divertiam-se, e eu não era uma exceção. Lá tive um dos poucosmomentos alegres de minha vida, fora lá o único local onde eu já havia realmentesido uma criança... Diferente, mas ainda sim, uma criança.A cova começava a surgir, dois homens iniciaram o trabalho manual enquanto eu e
alguns amigos mais próximos observávamos toda a terra ser retirada. Todosdevidamente vestidos de preto, alguns com óculos escuros e até mesmo chapéus,eu como de costume obviamente trajava a tal adorada cor preta como os outros(quando não era obrigado a vestir roupas brancas para frequentar a faculdade). Eassim o caixão era erguido por mim entre outros que lá também estavam, ecolocado em seu escuro, úmido e devido lugar.Para todos ali naquela cerimônia de encerramento a uma vida, estava terminado.Perfeitamente terminado, eu diria. Mas infelizmente eu não era parte dessetodo.Assim que as orações, por muitas vezes, falsas de vizinhos que só conviviam comElena para reclamar do barulho que as crianças que uma vez já moraram lá faziam,terminaram e todos foram embora eu continuei ali, de pé, e novamente nem sinalde minhas lágrimas. Joguei ao gramado uma rosa vermelha, em minha opinião aflor mais bonita que já havia visto na vida e li a frase em sua lápideatentamente: “A melhor amiga e mãe para muitos que já não tinham mais ninguém”.Tal escolhida por mim segundos após seu último suspiro.J.E.
Notas finais
Mais uma vez não vou conseguir ficar sem agradecer por lerem, então: obrigada XO
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