Diário De Um Pseudopsicopata
21 Pelos Ares - Capítulo XX
Entramos vagarosamente na casa de repouso dos enfermeiros, aproveitamos a escuridão da noite para não sermos vistos. Foi fácil entrar, o que nos preocupou foi o fato da casa ser cheia de janelas de vidro onde eles observavam quem tentava fugir. Na sala tinha uma lareira de mármore branco e dois sofás de couro cor de café, no qual estavam dois enfermeiros cochilando e um assistia atentamente ao noticiário. Havia apenas um corredor, no qual haviam muitos quartos para que os enfermeiros repousassem. Cada quarto tinha o nome de um enfermeiro. Só percebíamos que o corredor era finito, porque vimos de longe que o ultimo quarto, era pertencente à Vanessa McClain. Mas, não fomos até o final do corredor logo. 70% da equipe médica que constituía o hospital, estava de plantão. Tínhamos que aproveitar para eliminar essa minoria que estava na ala descansando. Fomos até a cozinha, que ficava logo após da sala, e procuramos por seringas para eliminar os enfermeiros que ali estavam. Procuramos sorrateiramente por todo o armário e achamos cianeto, que é fatal para a vida. Logo atrás do vidro que continha cianeto, havia um saco com várias outras seringas. Injetamos o cianeto em cinco seringas e parti para o ataque. Alice ficou me observando da cozinha. Eu estava com três seringas. Haviam dois enfermeiros sentados em um sofá e uma enfermeira sentada na poltrona. Coloquei uma seringa em cada mão e enfiei-as no pescoço dos dois que estavam no sofá. Ambos arregalaram os olhos e deram breves gemidos, logo morreram. Na hora que estava chegando na enfermeira, olhei para trás. Alice estava abrindo o botijão de gás, para que vazasse gás. O que ela planejava? Tornei meus olhos para a enfermeira e caminhei bem devagar em sua direção, na hora que ia enfiar a seringa, ela segurou meu braço e deu um soco na minha barriga, fazendo com que eu largasse o que iria usar para extermina-la. Olhei para ela impressionado e ela deu um forte soco no meu rosto, em seguida, levantou-se da poltrona e deu um chute na minha costela. Na hora que ela ia me dar outro soco, Alice correu e segurou-a pelo pescoço, na hora que a moça ia reagir, ela enfiou uma de suas seringas em seu pescoço enquanto sussurrava no ouvido dela: — Espero por isso faz anos, Mercedes. Você não vai destruir tudo. — A enfermeira caiu de joelhos e tentou segurar minha perna, me afastei e ela caiu no chão. Alice pegou uma carteira de cigarros do jaleco dela, enquanto isso, pedia: — Richard, olhei a cozinha inteira e, há um galão de gasolina dentro da dispensa da cozinha. Já liberei o botijão de gás. Preciso que você espalhe gasolina por toda a ala de enfermeiros, fazendo um caminho até a área externa. Espalhe com cuidado. O fogo precisa chegar ao gás para causar uma explosão. Quando acabar, você espera lá fora e fuma um cigarro. Se eu não chegar até o final desse cigarro, você o soltará na gasolina, caso eu tenha saído, ou não. Entendeu? Você precisa fazer isso. Todos os arquivos de pacientes estão aqui, ou seja, se esse lugar sumir do mapa, nossa passagem por aqui também sumirá. Você precisa ser forte! — Balancei a cabeça confirmando. Ela pegou a seringa que estava no chão, assim ficou com duas seringas. Antes de ir, Alice me deu um forte abraço e alisou as minhas costas. Depois disso, saiu correndo para o fim do corredor. Sussurrei comigo mesmo: “Deus te proteja, Alice.”.
Apaguei a lareira, para que não mandasse tudo pelos ares antes do tempo e saí correndo até a dispensa, comecei uma corrida contra o tempo. Tinha que espalhar a gasolina rapidamente, o gás poderia me matar sufocado. Espalhei por toda a cozinha e pela sala. Depois da sala, saí pelo corredor espalhando a gasolina. O galão tinha cerca de 20 litros, agora só restavam 5 litros. Tinha que fazer uma trilha de dentro da ala, até onde eu observaria tudo ir pelos ares. O galão acabou antes do tempo. Não deu para fazer a trilha. Tive a ideia de abrir uma janela e jogar o cigarro pelo lado externo da ala. Ótimo, possivelmente daria certo, se eu não fosse mandado pelos ares junto. Na hora que saí da ala e comecei a fumar meu cigarro, vi a Alice correndo e fechando a porta da sala da Vanessa violentamente. Logo após, a Vanessa abriu a porta com uma arma em mãos e só pude ouvir ela sacar a arma e Alice gritar: — Não Vanessa, não atire! Nós duas iremos morrer! Você não pode fazer isso! — Precisava pensar numa maneira de salvar a Alice, mas como? Parecia impossível.
Alice ajoelhou-se implorando que Vanessa saísse dali com ela. Vanessa aproximou-se vagarosamente e colocou a arma na cabeça dela, fazendo-na de refém. A refém chorava enquanto me encarava. Decidi ligar para a polícia, era a única maneira de me limpar e salvar a Alice por tabela, por mais que talvez fossemos parar em outra casa de loucos. Na hora que acionei a polícia, anonimamente, Vanessa estava saindo da ala dos enfermeiros com a arma na cabeça da Alice. Eu observava tudo a distancia. Com uma das mãos, Vanessa pegou o celular, discou um numero com muita dificuldade e falou: — Rob? Preciso que você venha me buscar imediatamente. Estou em uma enrascada terrível! Ambos corremos risco de vida, você sabe! — Será que ela havia ligado para o Robert? Vanessa encarava a rua enquanto segurava a arma contra a cabeça da irmã. Não demorou a polícia chegar. Nesse momento, Vanessa largou o telefone, deu um mata-leão em Alice, apertou a arma contra a cabeça dela e gritou: — Qualquer passos que vocês derem, estourarei os miolos dela! Só quero sair daqui limpa! A casa dos enfermeiros está repleta de gás de cozinha e tudo teria ido pelos ares se não fosse por mim! — Sem dar ouvidos, um dos policiais anunciou em um megafone: — Nos entregue a moça e tudo terminará bem! Nós prometemos! — Vanessa tirou a arma da cabeça dela e atirou contra o celular, possivelmente para eliminar evidências da ligação. Ela começou a chorar e afrouxou o braço no pescoço da Alice, foi o suficiente para que a moça desse uma cotovelada em sua barriga e saísse correndo em direção aos policiais. Vanessa começou a atirar contra a moça, mas nenhum dos tiros atingiu-a. Vanessa correu para dentro da ala dos enfermeiros e os policiais abriram fogo contra ela. Na hora que ela conseguiu entrar, os policiais atiraram em uma das janelas e aquilo foi o suficiente para que aquele local explodisse com a Vanessa dentro. Aproximei-me dos policiais, Alice me viu e abraçou-me. O policial deu dois tapinhas nas minhas costas e indagou: — Foi você quem nos ligou? Parabéns, você salvou a vida dessa moça. Iremos precisar de alguns esclarecimentos, vocês podem nos acompanhar e dizer o que aconteceu?
Continua...
Notas finais
Richard Rhodes (Protagonista)
Robert Rhodes (Irmão de Richard Rhodes)
Vanessa McClain (Psiquiatra do manicômio em Westview)
Alice McClain (Irmã de Vanessa McClain / Paciente do manicômio)
Enfermeiros
Lugares:
Westview (Cidade Natal do Richard)
Casa de Saúde St. Agostinho (Manicômio)
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