Diário De Um Pseudopsicopata

11 Maldita Platina - Capítulo X


Notas iniciais
Desculpem pela demora para postar o capítulo, eu estava doente e não tive condições físicas de editar tudinho pra vocês e tal.

Ouvi a porta do carro se fechando, Henry estava descendo. Tínhamos apenas alguns segundos para pensar. Eu e o Klaus ficamos nos olhando durante alguns instantes e não demorou para que eu tivesse uma ideia. Perguntei sussurrando no ouvido dele: — Até onde você é capaz de ir pra salvar a sua vida? — Klaus começou a chorar baixinho e disse: — Sou capaz de qualquer coisa. Só me salve. — Levantei a sobrancelha e continuei: — Se esconda atrás da porta do quarto em que você estava. Leve o lampião, senão ele vai saber que eu fui pegar ele lá. Alguém com certeza vai aparecer por lá pra ver se está tudo bem. Agora vai! — Klaus saiu correndo e assim que ele entrou na porta da escadaria, Henry abriu a porta. Eu estava enrolado em um lençol e encostado na parede, meu nariz coçava por causa da poeira do lugar e meus olhos ardiam devido ao lampião. Ele sorriu para mim falando: — Vamos embora. Você já ficou tempo demais por aqui, é perigoso. — Olhei para ele sorrindo e disse em um tom irônico: — Muito obrigado, você é realmente muito gentil! — Henry fez um sinal com a cabeça para o motorista entrar no hospital e checar se estava tudo bem. Pude ver que Erick sacou uma arma e sorriu para mim. Aquilo estava começando a me preocupar. Ao entrarmos na limusine, Henry pegou uma garrafa de whisky e serviu em dois copos. Pegou o copo dele e começou a tomar bem devagar, apenas degustando o sabor da bebida. Ele colocou o copo na mesinha da limusine e disse calmamente: — Eu sei o que você viu lá dentro. Deve ter sido uma surpresa pra você, mas acredite, estou aqui para te ajudar! — Olhei para ele fingindo que não estava entendendo o que estava a dizer e falei: — Desculpe, aonde você quer chegar? O que eu vi lá? — Ele sorriu e pegou o copo novamente, encarando-o. Enquanto ele virava a cabeça pra olhar pra mim, pude ver seu sorriso indo embora e sua mão apertando o copo. Na hora que seus olhos estavam totalmente fitados no meu, o copo se quebrou na mão dele e ele gritou: — QUEM VOCÊ PENSA QUE É? VOCÊ ACHA QUE PODE ME ENGANAR? VOCÊ NÃO PODE! — Me afastei dele e tentei abrir a porta da limusine pra sair, não obtive sucesso. Ele sorriu e disse calmamente: — A porta só abre por fora. Você está assustado Rich? — Nesse momento, ouvimos um tiro seco vindo de dentro do hospital. Henry pegou uma faca de açougueiro que estava em um dos bolsos do seu blazer vagarosamente e disse: — É uma pena. Eu realmente gostei de você, mas agora que meu segredo foi descoberto, não há mais sentido em te manter vivo. Klaus morreu. Meu motorista com certeza matou ele. Agora é a sua vez de morrer. E o que farei com seu corpo? Bem, o seu corpo será dado para alguns ursos pardos da floresta comerem, nessa época do ano eles ficam famintos. A nevasca atrapalha a caçada deles, sabia?! — Ele se aproximava de mim com a faca e na hora que ia golpear, a porta da limusine abriu. Nós dois olhamos, e o Klaus havia aberto a porta, mais do que isso, ele estava apontando uma arma para o Henry. Klaus sorriu e disse: — Surpreso maninho? Largue a faca e se deite no chão! — Henry apenas obedeceu e se deitou no chão quase chorando com o Klaus apontando a arma pra cabeça dele. Klaus continuou:– Deveria ter parado de confiar em você desde aquela vez que você provocou aquele acidente que perfurou o meu crânio e me fez usar um pedaço de platina na testa, você lembra? — Nessa hora Klaus deu um forte chute na barriga do Henry e prosseguiu: - Richard nos tire daqui. Vamos até o hospital, é hora de acabar com essa palhaçada. Você saberá o que vai ser feito.


Durante o caminho, ouvi alguns gritos do Klaus com a arma apontada pro Henry. A única coisa que o Henry fazia era chorar, acuado. No cofre do carro tinham duas armas, uma delas tinha silenciador. Não demorou para que chegassemos ao hospital, que por sinal era um lugar muito bonito, era todo de vidro e tinha um estacionamento no subsolo muito bonito. Assim que estacionei, o Klaus abaixou a janelinha e falou: — Você vai entrar, descobrir em qual quarto a Lana está e vai matar ela sufocada, entendeu? — Balancei a cabeça em sinal positivo e ele prosseguiu: — Logo após, você vai voltar pra cá e vamos tentar salvar o meu pai no aeroporto particular. Mas, se não chegarmos a tempo e ele morrer, isso será um problema dele. Quando eu quase morri ninguém procurou por mim. — Abaixei a cabeça e falei sorrindo para o Klaus: — Sabe, durante muito tempo fui submisso ás ordens das pessoas ao meu redor. Não quero mais seguir ordem de ninguém. Considere isso que vai acontecer agora como “A tragédia Klein”. — Peguei a arma que tinha silenciador no cofre do carro e disparei dois tiros, cada um na cabeça de um dos irmãos Klein. Os miolos do Henry ficaram espalhados pelo piso do carro. Klaus apenas caiu no chão. Sorri e pensei comigo que aquele era o plano perfeito. O que todos iriam pensar? Klaus matou a Violet, forjou a própria morte. Depois disso tentou matou a Lana no hospital e o irmão e logo após tudo isso, se matou arrependido. Olhei ao redor da limusine e vi um casaco junto com um chapéu de motorista e duas luvas pretas de couro, sem pensar duas vezes coloquei-os. Na hora que estava totalmente caracterizado, entrei no hospital calmamente como qualquer cidadão normal. Todos estavam falando sobre a jovem filha do grande empresário que tentou suicídio, vulgo, Lana Miller. Em uma dessas conversas, ouvi uma enfermeira dizer para uma colega: — Ela está em choque. Só fica olhando pra janela, não fala nada. Foi um milagre amiga. A desgraçada só ficou traumatizada e quebrou duas costelas. Agora, eu queria ver se fosse alguém sem condições como nós, aposto como tinha morrido ali mesmo. Gente rica é gente de sorte! — A colega dela apenas balançava a cabeça concordando com tudo que era dito, logo a outra continuou: — E como se não bastasse, ela ficou na cobertura, no 8º andar. Evacuaram todo o andar para que ela ficasse sozinha, com o andar só pra ela. É, ficou na cobertura porque tiveram medo de causar mais trauma pra ela vendo as pessoas doentes. Você está vendo como é essa gente? — Era impossível não rir de uma enfermeira insatisfeita com o salário e que ainda culpava os ricos por isso. Comecei a rir e saí andando para pegar o elevador. Tinha uma moça grávida e uma senhora no elevador. Na hora que apertei para o 8º andar, a idosa gesticulou negativamente com a cabeça. Estranhei aquela situação. As duas saíram no terceiro andar. Na hora que chegou no meu andar e o elevador abriu, fui surpreendido por um segurança que me segurou com uma das mãos e não me deixou sair da cabine.


O que você está fazendo aqui? É uma área restrita. Saia agora, você não está permitido a vim aqui! — Tirei sua mão de mim e falei calmamente: — Não vai mesmo? Sou um dos únicos amigos da Lana Miller de Gladstone. Você não tem escolha. Me deixe passar ou vou ser obrigado a chamar o pai dela aqui. — O segurança abriu caminho para que eu passasse e abriu a porta do quarto para mim. Sorri discretamente e fechei a porta na cara dele. Lana encarava a janela sem parar e suas lágrimas desciam enquanto ela estava deitada na maca. Aproximei-me dela e alisei seus cabelos. Ela sorriu quase que instantaneamente e disse: — Rich. Sabia que viria para terminar o seu serviço. Estou pronta, me mate de uma vez por todas. Não tem mais sentindo continuar vivendo. — Nessa hora liguei a televisão para que não pudessem me escutar do lado de fora, estava passando o noticiário. Beijei a testa da Lana e na hora que eu ia começar a falar, a âncora do jornal anunciou: — Traumatizado. Essa é a palavra que pode definir Klaus Klein, herdeiro das empresas Klein. Ele tomou um tiro na testa e está em completo estado de choque. O que salvou o rapaz, foi a placa de platina que ele carregava na testa. Já o irmão dele não teve a mesma sorte. Klaus foi encontrado dentro da limusine da família segurando uma arma e beijando a testa do irmão. Um dos nossos repórteres tentou entrevistar ele, mas o mesmo agiu como um louco e pulou em cima dele. Klaus, foi mandado para a casa de saúde Bernacliff, está sendo tratado por psiquiatras. Agora vamos ás notícias sobre o tempo em Berna. — Nesse momento desliguei a televisão e encarei Lana. Nós dois estávamos muito chocados com tudo aquilo que tinha acontecido. Ela me abraçou e disse chorando de felicidade: — Ele ressuscitou! O meu Klaus voltou pra mim! — Sorri irônicamente e disse: — Ele nunca morreu. Naquele dia que tentei matar ele, Klaus vestia um colete a prova de balas. Ele me falou que é uma das fantasias sexuais do Carlos. — Lana olhou pra mim enojada e disse: — Preciso que me tire daqui. Abra o guarda roupa, tem um sobretudo aí. Vamos sair desse hospital, quero ir até Bernacliff agora mesmo! — Ela parecia estar radiante. Peguei o sobretudo e dei pra ela, rapidamente o vestiu e disse sorrindo: — Vamos. Não temos tempo para cerimônias. — Na hora que ela ia tocar a maçaneta, segurei o braço dela e disse: — Você quer mesmo fazer isso? — Lana puxou o braço, acariciou meu queixo e disse: — É a nossa chance. — Acho que eu nunca seria capaz de matar a mulher da minha vida.


Continua...

Notas finais
Personagens no capítulo:
Richard Rhodes (Protagonista)
Lana Miller (Garota mais rica e poderosa de Gladstone)
Klaus Klein (Um dos mandões de Gladstone / Namorado de Carlos)
Henry Klein (Irmão de Klaus / Provavelmente Psicopata)
Lugares:
Berna (Capital da Suiça)
Gladstone (Internato)
Hospital Geral de Berna