Notas iniciais
04 de fevereiro de 2013, manhã.
Sophie enxugou as lágrimas, não ia chorar por causa daquela... Daquela coisa chamada Elizabeth Pelkins, a garota respirou fundo e foi andando, passou pela frente de uma casa totalmente pintada de branco, provavelmente iria chegar atrasada a escola, mas pouco importava, não gostava da escola mesmo.
Um garoto se aproximou dela por trás, sussurrou em seu ouvido:
– Oi.
Sophie se virou assustada e viu um garoto de cabelos claros e olhos castanhos rindo, usava calça escura e blusa de moletom com o capuz puxado sobre a cabeça.
– Erick, seu idiota – ela resmungou voltando a andar, ele a seguiu.
– Desculpe, mas não resisti – ele falou – Espere tudo bem com você?
– Tudo, porque quer saber?- Sophie falou ríspida.
– Nossa, eu só quis ser gentil – falou Erick com uma careta – Fala, o que aconteceu?
Sophie parou e olhou para os olhos gentis de Erick Stoower, seu vizinho, mesmo tendo a mesma idade de Sophie, ele parecia bem mais velho.
Sem pensar, Sophie se jogou nos braços dele e o abraçou, imediatamente ele retribuiu, passando a mão nos cabelos dela.
– Ei, o que aconteceu? – ele sussurrou carinhosamente.
– Aquela megera, falou mal de minha mãe, disse que ela era idiota – falou Sophie, lágrimas saltando de seus olhos.
– Não escute o que ela disse tá? – falou Erick, ele segurou o rosto de Sophie com as duas mãos – Calma, calma, isso, tudo bem?
Ela balançou a cabeça e fechou os olhos, então pegou sua mochila e voltou a andar.
– Eu sou tão fraca, tão fraca – ela falou com raiva, Erick se apressou em segui-la.
– Não, Sophie, você não é fraca, você é a garota mais forte que eu já conheci – e ele acrescentou em pensamento: “A mais bonita também.”
Ela deu um sorriso fraco e andou um pouco mais rápido, conversando, em poucos minutos os dois chegaram à Cleawnary High School, os portões já estavam fechando, mas o porteiro Jentk, um amigo da família de Erick os deixou entrar, Sophie olhou em seu horário.
– Eu tenho as duas primeiras aulas de Biologia e você? – Erick olhou em um papel.
– Eu também, legal né? – ele deu um sorriso.
– Nossa, mas nem na escola eu me livro de você hein? – Sophie falou falsamente indignada, mas no fundo estava feliz, ela sempre gostara do garoto.
Ela o conhecera quando tinha cinco anos, a família Stoower se mudara para Londres, vinda da Carolina do Norte, seus costumes eram diferentes dos londrinos, mas pouco a pouco eles se acostumaram.
Eram três pessoas, um homem com cabelos escuros e nariz adunco, a mulher sempre usava o cabelo preso em um coque, e o filho deles, não tinha nem cinco anos completos, mas era tão alto que parecia ter sete, seus cabelos eram completamente diferentes dos pais, claros e brilhantes.
Eles sempre ficavam trancados em casa, às vezes a mulher saia para comprar alguma coisa, mas quando chegava a casa trancava a porta e lá ficava, até que um dia, o garoto, provavelmente escondido dos pais, correu para o jardim de trás da casa, Sophie brincava no jardim de sua própria casa, então, foi quando pela segunda vez na vida o poder de Sophie acordou.
– Sophie, Sophie – chamou Erick, a garota olhou confusa para ele – Tudo bem?
– Ah, está sim, só estava me lembrando de algumas coisas.
O garoto franziu as sobrancelhas.
– É verdade, vamos?
Juntos os dois entraram na sala de aula, todos os alunos olharam para eles, a professora ainda não estava na sala, mas todos ficaram em silêncio, encarando-os.
Sophie conhecia essa reação, desde que mudara para Londres, as pessoas as encaravam como se ela fosse uma aberração sobrenatural, aberração não, sobrenatural... Talvez.
Ela não queria ter provocado a avalanche em Connectcut, não queria ter explodido o hospital em Nova Jersey, ela não queria ter derrubado o pilar de mármore em Hazleton e finalmente, não queria ter machucado Cole Kister, mas fora culpada de todos esses acidentes.
– As duas aberrações – disse a voz de Lindsay Jytre no fundo sala, os olhos de Erick e Sophie pousaram nela, com cabelos ruivos cacheados, olhos brilhantes e com roupas de grife, ela podia ser filha da Srta. Cenoura – Que bonito!
– Falando com nós? – rosnou Sophie.
– Tem alguma outra aberração aqui? – ela perguntou erguendo uma sobrancelha.
– Talvez, quem sabe... Você? – falou Erick com raiva.
– Isso, defenda sua namoradinha Stoower, aí quem sabe ela não explode um banco para te dar uma barra de ouro? – ela falou, para Sophie, aquilo foi a gota d’água, em um balde que já transbordava, ela jogou a mochila no chão e tentou correr até Lindsay, Erick segurou os braços de Sophie por trás e ergueu-a do chão enquanto ela se debatia – Segura ela, segura essa coisa – berrou Lindsay assustada.
– Lindsay, cala boca sua idiota – gritou Erick colocando Sophie no chão, mas ainda segurando-a.
– Você está bem? – perguntou ele para Sophie, que balançou a cabeça.
– Ela não sabe... Não sabe o que sinto... Não sabe que não posso controlar... Eu tento, mas Erick, eu não consigo, somente com ajuda eles pararam... – falou Sophie chorando.
– Eu sei Sophie, calma, eu sei, agora se recompõe, enxugue as lágrimas e vamos nos sentar ok?
Ela balançou a cabeça aprovadoramente e seguiu Erick para sua carteira, aproxi-madamente no meio da sala.
A professora Fleir entrou na sala, falou um oi rápido e começou a escrever na quadro negro, para Sophie essa era a pior matéria.
Atrás de Sophie, Lindsay sussurrava com as amigas:
– Essa garota, tudo estava bem até ela chegar, vocês sabiam que ela já destruiu vários lugares na cidade onde ela morava?
Sophie previu que elas ficaram assustadas, pois não falaram nada.
– É verdade, e já houve até mortes sabiam?
Sophie apertou a borda da mesa, não iria perder a cabeça novamente, não ia dar esse gostinho para Lindsay.
– E ela também já aleijou uma pessoa, só porque ela esbarrou nela, verdade, e sabe o Cole? Ele...
– Lindsay agora chega – gritou Sophie se virando, ela bateu a mão na mesa e os vidros das janelas explodiram.
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