Diz que Me Ama
8 O8
Notas iniciais
Essa historia eu deixei de escrever faz um bom tempo, mas apos dar uma olhada em novos comentarios, eu resolvi continua-la. Eu imagino que seja tarde demais, mais para mim é importante. Eu fiquei muito triste em deixar de escreve-la e acho que preciso conclui-la para conseguir me perdoar.
Eu quase não consegui dormir. Só conseguia imaginar o dia seguinte. Ele tinha me chamado para ir para a clínica com ele! Mesmo sabendo que não seria fácil, eu estava disposto a ficar do lado dele, mesmo que as várias personalidades dele me machucasse. Porque eu sabia que o que machucaria de verdade era nunca mais ter ele por perto.
Eu não conseguia me conter, queria gritar, queria pular, queria escrever o nome dele bem grande na parede do meu quarto, mas eu sabia que não podia fazer isso. Ele precisava de um tempo para assimilar tudo. Afinal pelo que ele havia me contado era muito raro ele manter algum vínculo com alguem e se ele mesmo estava disposto a me dar essa chance era porque de alguma forma eu era importante para ele. Amanheceu e mal o despertador tocou, eu ja estava acordado, na verdade nem havia pregado os olhos. Arrumei a mochila, escovei os dentes e tomei um banho rápido, sempre dando uma olhada pela janela para ver se ele ja tinha acordado. Meu garoto interrogação, como eu queria ver o rosto dele naquela manhã. Minha mãe bateu na porta para me chamar e ficou totalmente surpresa quando me viu todo cheiroso e arrumado para a escola. Eu dei um beijo bem estalado no rosto dela e desci super animado. Tomei o café com leite em duas goladas e dei uma mordida no pão, fui direto para a frente da casa do Pedro e toquei a campainha. Esperei alguns minutos. Comecei a ficar preocupado. Fui para o lado da casa para ver se a janela dele estava aberta, mas estava fechada, com a cortina. Senti uma ponta de medo e quando fui apertar mais uma vez o botão da campainha a mãe dele atendeu, com uma cara bem séria. — Bom dia! — Alex. O que faz aqui? — perguntou a mãe dele. — O Pedro ja está pronto? — perguntei. Ela olhou para trás, com a porta entreaberta e depois fechou a porta, ficando fora para conversar comigo. — Escuta. O Pedro não está podendo sair hoje. — Porque? — Vocês estão amigos? — perguntou ela. — Eu acho que sim. — respondi. — Alex. Você não pode mais conversar com meu filho. Ele está precisando ficar em casa. — Mas... E as aulas? — Isso eu ja falei com o diretor do colégio. Agora por favor não venha mais aqui, para o seu bem. — disse ela, entrando na casa e fechando a porta na minha cara. Fiquei surpreso com a grosseria dela. Eu nunca imaginaria que algum dia ela fosse falar daquele jeito comigo. Mas isso era o de menos. Minha alegria rapidamente se transformou em tristeza. Fiquei alguns minutos parado em frente da casa e depois fui para o colégio, bem desanimado. As aulas foram super chatas, até porque eu não estava com cabeça para pensar em Álgebra. Eu só queria meu garoto interrogação. Até sentia falta dele me chamar de lunático. Ja era o charme dele. Pelo menos para mim. E para piorar a Lara estava mais melosa que antes, estava na cara que ela estava afim de mim. No intervalo, eu me sentei isolado dos outros meninos e nem tive vontade de comer o sanduiche que minha mãe tinha preparado. Acabei tomando um susto quando a Lara sentou-se do meu lado e começou a dar uma de amiga preocupada. — Alex. O que foi? Você parece estar em outro planeta. — Nada. É que ontem eu não consegui dormir direito. — menti para ela. — Ah ta. E porque você não dormiu direito? A gente nem teve tempo de se divertir na serra, você está melhor? — Estou sim. É foi uma pena eu ter ficado doente. Eu respondia com poucas palavras e depois ficava olhando para a ponta do meu sapato, só para ver se ela se tocava que eu não queria conversar. E funcionou. — Eu vou deixar você aí pensando. Ja vi que você quer ficar sozinho hoje. — Quero sim. Obrigado por entender. — Tudo bem. Se quiser falar sobre, eu vou estar aqui. — Obrigado. — eu agradeci, enquanto via ela se distanciar. De repente eu tive um momento de revolta. Se a mãe dele não queria que eu o visse mais, não queria dizer que ele também pensava assim. Depois de tudo que ele tinha me dito, eu não poderia ficar calado. Eu tinha que ir atrás dele, mas ainda faltavam duas aulas para poder ir para casa. Eu não tinha outra saída, precisava dar um jeito de fugir do colégio de novo. Mesmo que depois isso fosse me custar mais um castigo. Castigo maior era viver sem o Pedro. Eu ja não conseguia nem pensar no nome dele, sem sentir uma pontada no meu coração. Dei um jeito de distrair o porteiro do colégio, inventando que a mulher da cantina estava chamando ele. Ele ficou meio desconfiado, mas logo pediu para eu dar uma olhada no portão enquanto ele ia ver o que ela queria, foi minha chance de fugir. Saí rapidamente, tranquei o portão e corri o mais rápido que eu pude. Peguei a minha bicicleta e pedalei, imaginando os olhos do meu garoto interrogação. Mesmo eu sabendo do segredo dele, ele seria eternamente minha linda interrogação. E eu acho que era isso que me deixava cada vez mais apaixonado por ele. Eu não queria saber se aquilo era certo ou errado. Eu apenas o queria, mais que tudo no mundo.
Quando fiquei próximo da nossa rua, onde ficava a casa dele eu quase fui atropelado por um carro e desviei rapidamente, caindo com minha bicicleta depois de bater em uma árvore. Quando levantei e vi que tinha ralado o joelho, eu logo vi que era o carro da mãe do Pedro. Mesmo assim eu continuei andando, levando a bicicleta. A deixei encostada numa árvore e toquei a campainha. Eu torcia para que quem atendesse fosse ele, mas para minha decepção foi o pai dele que atendeu. Eu nunca tinha tido contato com o pai dele antes. Ele parecia bêbado, estava com um cheiro horrível de álcool e estava com o braço esquerdo todo roxo. Ele olhou para mim, tentando parecer normal. — Pois não? — O Pedro está? — perguntei. — Não. Você é o novo amigo dele? — Sim. Sou o Alex. — Então trate de procurar outro amigo. O Pedro não é um amigo confiável. Eu não sei o que eu senti. Se foi uma vontade enorme de gritar umas verdades atravessadas na minha garganta, ou vontade de chorar. Porque que os pais dele agora estavam querendo ditar com quem ele devia andar? Eu tinha certeza que eu era uma boa pessoa, mas do jeito que o pai dele falou, parecia que ele estava acusando o próprio filho de ser uma pessoa ruim. Antes que eu pudesse decidir o que fazer ele fechou a porta na minha cara. Eu fiquei incomodado. Será que o Pedro estava lá dentro? Não sei porque, mas eu fiquei muito preocupado. Como alguem fica preocupado assim, sem nem saber o porque? Achei melhor esperar o carro da Dona Márcia chegar, para ter certeza se ele estava ou não no quarto dele. Entrei em casa tentando não fazer muito barulho,mas minha mãe me pegou no flagra. — Onde o senhor pensa que vai? — disse ela, num tom nada bom, enquanto eu ja tinha colocado os pés na escada. — Oi mãe. — Não senhor. Você vai agora subir e ficar no seu quarto! Eu não acredito que você fugiu do colégio de novo! Amanhã você vai ver seu analista. — Não. Mãe eu juro que... — Não tem mãe nem mamãezinha. E ainda agradeça por eu não contar ao seu pai. Na próxima vez ele vai ficar sabendo. Suba agora! Subi, na verdade, sem me importar muito. Eu ja estava começando a me acostumar com aqueles castigos. Eu estava fazendo por merecer e francamente não estava perdendo nada. Fiquei parado na janela de guarda, esperando algum sinal de vida. Mas nada acontecia. Acabei adormecendo. Acordei com barulho de carro e rapidamente coloquei a cara na janela, imaginando ser meu garoto interrogação com a mãe dele. Estava quase anoitecendo e eu vi ele entrar em casa. Fiquei aliviado. E lembrei que ele tinha dito que tinha uma consulta. Será que ele estava chateado comigo? Comecei a temer que ele achasse que eu tinha deixado ele na mão. Eu esperei para ver se a luz do quarto dele acendia. Depois de alguns minutos, acendeu, mas não dava para ver nada, a cortina impedia. Eu estava pronto para gritar, chamando por ele da janela, quando escutei umas pancadas e depois uns gritos. Logo em seguida o pai dele saiu da casa e foi embora no carro. Fiquei assustado e me abaixei com medo de alguem me ver. Depois de mais ou menos uma hora, eu estava tentando fazer o dever de casa para me distrair quando uma luz piscou na minha parede. Eu fui até a janela e era ele, com uma lanterna, ele estava com uma folha de papel e nela estava escrito em letras bem grandes. Vou me mudar amanhã. Não podemos mais ser amigos. Melhor assim Eu senti uma pontada grande no meu coração quando lendo aquele recado que ele estava segurando, imaginei ele bem longe dali. Antes que eu pudesse suplicar alguma coisa ele fechou a janela e depois a cortina, deixando uma mancha vermelha aparecer na sua mão. Escutei um barulho alto de porta batendo e depois coisas se quebrando. Foi então que eu constatei. Pedro não havia me contado tudo, havia ainda mais alguma coisa que eu precisava descobrir sobre ele. E teria que ser rápido, antes que ele fosse embora para sempre.
Fale com o autor