Dividida
7 Perdendo a Razão
Notas iniciais
P.O.V DC
– Pode soltá-lo e dessa vez o soco fica por minha conta – a última coisa que eu vi foi o Cebola caindo com o rosto sangrando – Se você algum dia se considerou algo meu pode deixar essa ideia de lado, para mim você é um nada! As horas que eu passei te namorando podiam ter sido as melhores, mas você fez com que fossem as horas mais nojentas da minha vida. Finalmente você conseguiu fazer com que eu te odiasse. Parabéns Cebola, eu tenho nojo de você
– Mas Momô, isso é tudo montagem, não acredite nele
– Não me faça rir Cebola, não sou tão ingênua! Assuma e seja homem antes que eu te dê outro murro! E eu quase ia esquecendo... ACABOU TUDO! – nunca tinha visto a Mônica daquele jeito, ela não tinha expressão, era como se algo tivesse tomado conta de seu corpo, até que ela virou pra mim – Se você queria me mostrar que eu sou uma tola por acreditar nele, muito bem, você fez seu dever de casa direitinho! Agora deixe eu me vestir e voltar para casa.
Depois de tudo que eu mostrei para ela, era assim que ela me tratava, desconfiando de mim, pensando que eu era igual a ele! Corri atrás dela até eu consegui, mas a desgraçada era rápida, logo não consegui segui-la. Achava que depois de desmascarar o Cebola, as coisas iram finalmente se resolver, mas a Mônica era mais difícil do que eu pensava e talvez eu até gostasse disso, afinal... Se fosse fácil será que eu a amaria tanto, desejaria tanto?
P.O.V MÔNICA
Fui correndo para casa, estava farta do Cebola e do DC com as suas armações. Eu havia confiado tanto nos dois e no final o que eles queriam era provar que eram melhores do que eu. Uma lágrima ameaçou sair do meu olho, mas eu me controlei, eles não mereciam nem sequer uma lágrima minha. Peguei meu celular e mandei uma mensagem para Magali
“Maga? Preciso de você aqui, agora”
“Poxa Mô, agora não dá, to resolvendo uns assuntos pessoais”
A Magali ultimamente estava assim, nunca me dava atenção, nunca me respondia, ela só queria saber de homens, então eu resolvi passar tudo na cara dela
“Sei que tipo de assuntos pessoas você está resolvendo, deve tá ficando com todo mundo que vê pela frente. Quer saber... Em uma coisa o Cebola tinha razão, você só queima meu filme, é uma vadia”
Desliguei meu celular e fui dormir, não queria falar com ninguém e nem comer, se minha mãe viesse falar comigo, com certeza nós iríamos brigar e brigar com mais uma pessoa que eu amo, não estava nos meus planos.
Só fui acordar no outro dia, olhei no relógio, ainda faltava muito tempo para que eu precisasse me arrumar para ir pro colégio. Lembrei de tudo que tinha feito e peguei meu celular, puta que pariu, nem eu acreditava no que tinha mandado para Magali e nem no que tinha falado para o DC. Parecia que o celular estava demorando um ano para ligar, quando finalmente ligou, não tinha nada e isso me preocupava mais do que se eles tivessem me xingado até a morte. Depois de ler a mensagem que eu mandei para Maga minha vontade era me matar! Como eu podia ter feito isso com minha própria amiga? Eu estava louca, só podia!
Levantei da cama, tomei um banho, coloquei a primeira roupa que eu vi e sai correndo de casa. Praticamente havia aberto o colégio, fiquei lá sentada por alguns minutos quando finalmente alguém chegou, era a Marina
– Oi Mô! Tá fazendo o que aqui sozinha?
– Só esperando e você?
– Vim pegar uns livros na biblioteca, ai resolvi chegar mais cedo para não enfrentar filas. Você não me parece muito bem...
– Briguei com seu primo e a Magali. Ele falou algo com você?
– Não... Agora eu tenho que ir, vou ficar na porta da biblioteca. Espero que vocês se resolvam
– Eu também Ma, boa sorte com os livros – dei um leve sorriso para ela
O resto do tempo passou em câmera lenta, todo mundo chegava menos a Magali e o Do Contra, até o Cebola tinha chegado e me feito lembrar outro problema... Como eu ia explicar para todo mundo o meu namoro de um dia? MERDA! Eu só faço as escolhas erradas. Resolvi pegar o celular para passar o tempo, mas nem deu para desbloqueá-lo quando eu vi a Maga, o DC e o Nimbus chegando juntos. Fui falar com eles
– Oi pessoal! Tudo bem? – melhor ignorar o que tinha acontecido ontem
– Mônica? Você vai mesmo fingir que nada aconteceu? Essa não é a Mônica que eu conheço – meu sangue subiu a cabeça
– Essa também não é a Magali que eu conheço. Já tá ai dando em cima do irmão do DC, eu esperava que você fosse melhor que isso! DC, você está com quem? Comigo ou com a ladra de irmãos?
– Mônica, não me faz rir, é claro que eu to com a Magali, você deve tá ficando louca
– Quer saber, eu não preciso de vocês!
– Então eles também não precisam de você – o Nimbus falou rindo e foi embora
– O Nimbus tem razão
– Defendendo o peguete Magali?
Eles não falaram mais nada apenas me deram as costas e foram embora. Depois que tocou o sinal eu me preparei para chegar à sala e aguentar as perguntas de todos e foi justamente isso que aconteceu, então eu resolvi contar a história toda, cortando uns momentos mais quentes. Depois de contar toda a história todas as meninas ficaram “Poxa Mô, ele é um ridículo” “Te dou toda força” “Homem nenhum presta”. Assisti às aulas, mas nada entrava na minha cabeça, a Magali e o DC não falavam comigo, tive que passar o intervalo com a Carmem e depois de dez minutos eu não aguentava mais falar em pegação e roupas de marca, até que ela parou um pouco
– Mônica, eu nem ia te convidar, mas agora to vendo que você mesmo ralé não é tão chata... Sábado vai ter uma festa na minha casa, então você vai, todo mundo vai, você ia ser a única não convidada.
– Tá tá – resolvi não protestar, afinal o sinal tinha tocado e eu não ai ter que aguentar a voz da Carmem até o final do dia
O resto do dia correu normal, até onde podia ser normal, ficar sem a Magali e o DC pra mim era a coisa mais anormal que tinha
PASSAGEM DE DIAS
Já fazia quase uma semana que nem a Magali e nem o DC falavam comigo e havia chegado o dia da festa da Carmem. Confesso que minha animação para ir era zero, mas uma festa podia me fazer bem, então fui me arrumar, resolvi escolher um vestido preto bem justinho, com brilhos e um sapato preto também. Arrumei meu cabelo que ficou bem liso por causa da chapinha e passei uma maquiagem bem forte, me olhei no espelho e bem... Eu estava muito gostosa.
Havia chegado a hora de ir para festa, chamei um táxi e em menos de 10 minutos eu estava na casa da Carmem e que casa, quer dizer casa não, era uma mansão. Dei meu nome para o segurança e entrei. A festa já estava rolando, o som alto tocava a música Don’t Worry Child. Podia ver a Aninha e o Titi se pegando de maneira bem quente na pista de dança, o Cascão e a Cascuda discutindo, o Toni bêbado e finalmente eu consegui ver a Magali e o Do Contra, ele estava de frente para ela que estava encostada no balcão do bar. Que cena patética, parecia até que eles eram namorados... O QUE? NAMORADOS? Como eu não pude ver isso antes, não era atrás do Nimbus que ela estava correndo atrás, era do DC, do MEU DC. Eu vou me vingar desses dois, a se vou! Me embebedei para tomar coragem e quando mal conseguia ficar em pé procurei a única pessoa que me ajudaria nisso, o Toni! Ele estava tão bêbado que nem se não quisesse ajudar, ela ajudaria. Puxei-o para um lugar onde o DC pudesse ver e o beijei! Isso mesmo, beijei o Toni! Assim que acabei de beijá-lo vi o DC vindo em minha direção
– VOCÊ TÁ LOUCA MÔNICA? AGARRAR O TONI DESSE JEITO! FICAR BÊBADA! – todos olhavam para nós
– E-e-e-le que me agarrou – menti, o Toni estava tão bêbado que nem conseguiu me afastar, mas ele tentou
– EU VI MUITO BEM QUE FOI VOCÊ QUE O AGARROU!
– É E EU VI VOCÊ DANDO MOLE PRA MAGALI E ELA NÃO SE IMPORTANDO MUITO!
– SE VOCÊ OLHASSE MAIS PRO SEUS AMIGOS DO QUE PARA O SEU PRÓPRIO UMBIGO, VOCÊ IA SABER O QUE ESTÁ ACONTECENDO, MAS VOCÊ É EGOÍSTA DEMAIS PARA ISSO!
Ele me deu as costas, nunca alguém havia me magoado tanto e o que ele falou nem foi tão pesado assim. Por que eu me importava tanto com o DC? Será que eu estava apaixonada? APAIXONADA PELO MEU EX MELHOR AMIGO! A palavra ex fez lágrimas escorrerem dos meus olhos, sai correndo da casa da Carmem e chamei um táxi. A volta foi bem mais rápida que a ida. Assim que cheguei tirei meu vestido e me enfiei debaixo das cobertas como sempre fazia quando algo me machucava, chorei a noite toda. Uma bêbada chorona, muito bonita para sua cara Mônica! Não aguentava o fato de ter perdido meus melhores amigos e o pior o cara que eu gostava era o melhor amigo que eu havia perdido. Parabéns Mônica, por ser uma completa idiota.
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