Dividida
17 Acampamento Pt. 3 - Perdidos na Selva
Notas iniciais
P.O.V DC
Já estávamos no antepenúltimo dia do acampamento e desde o dia em que eu e a Mônica ficamos ela nem olhava na minha cara e nem me dava a chance de falar algo. Qual é o problema dessa garota hein? Se ela não gostou ou ficou irritada era só falar comigo que eu ia entender de boa, mas a maioria das pessoas gosta de complicar as coisas.
Levantei da minha cama e fui olhar como estava o tempo, já faziam 3 dias que as atividades do acampamento eram canceladas por causa do tempo chuvoso. Afastei as cortinas e vi que a chuva não daria trégua, mas resolvi que iria sair pra fazer trilha mesmo assim, afinal eu e meu pai vínhamos muito aqui em segredo quando eu era pequeno e eu conhecia bem essa floresta. Fui ao banheiro, tomei um banho quente, vesti roupas apropriadas para fazer trilha e quando ia saindo optei por deixar um bilhete avisando ao Toni onde eu tinha ido, assim se qualquer pessoa perguntasse por mim ele não ia ficar que nem um idiota.
Por sorte ainda era muito cedo e ninguém estava acordado o que facilitou minha saída despercebida dos dormitórios. Assim que cheguei a parte externa pude sentir os pingos grossos de chuva baterem no meu corpo e eu amava aquilo, ao contrário de muitas pessoas que odeiam se molhar com a chuva, eu amava. Sai correndo dali antes que algum instrutor me visse e eu tomasse uma bronca daquelas.
P.O.V MÔNICA
Acordei me lamentando por esse fato, já que eu sonhava com aquele dia em que eu e o DC nos beijamos. Levantei e coloquei meus pés descalços no chão sentindo o frio do piso de madeira passar para minha pele, ou seja, ainda estava chovendo o que queria dizer que as atividades do acampamento seriam canceladas e mais uma vez todos nós ficaríamos na sala de estar tomando chocolate quente, jogando jogos idiotas que o Rubens achava que eram muito legais e paquerando os meninos dos outros colégios. Fui ao banheiro para dar um jeito na minha cara de fracassada que me acompanhava a dias já que eu me sentia super culpada pelo beijo do DC apesar de ter gostado muito e querer mais a cada dia, ele com certeza só tinha falado aquelas coisas porque estava bêbado. Sai do banheiro vestindo uma calça jeans, uma camisa de frio e fui acordar a Magali
– Ei Bela Adormecida, é hora de acordar – falei carinhosamente
– Pelo que eu to vendo ainda tá chovendo e entre levantar da cama e ficar naquela sala apertada, eu prefiro ficar na cama – ela tinha sua cara enfiada no travesseiro e resmungava sonolenta
– Eu também, mas não esquece que amanhã é o dia da festa final e que se nós não descermos ele pode nos proibir de ir
– Não to afim de ir mesmo...
– Olha, eu sei que toda essa manha é porque você não quer ver o Nimbus...
– QUE MERDA DE NIMBUS! Me diz se eu devia me importar com alguém com quem eu quase fiz sexo uns dias atrás e eles simplesmente apagou e no outro dia me deixou um bilhete ridículo? – ela me interrompeu
– Não, não devia... Mas se você não descer agora vai perder o café da manhã
– CAFÉ DA MANHÃ? POR QUE VOCÊ NÃO ME FALOU LOGO?
– Eu vou descendo ok? — falei ainda rindo
– Ok, ok
Desci as escadas e vi várias pessoas conversando, procurei por algum de meus amigos, mas pelo visto ali só tinham pessoas dos outros colégios
– Mônica? – alguém tapou meus olhos
– Quem é? – só podia ser o DC
– Sua boba, sou eu o Rafael!
– Oi Rafa – falei desanimada, o Rafael já estava dando em cima de mim a dias, mas desde o acontecimento com o DC eu não tinha atenção para nada
– Que animação toda é essa? – ele falou ironico
– Já nasci com ela – falei sorrindo
– Vai pra festa amanhã?
– Vou sim, vai ser bom me distrair
– Te vejo lá então
– Ok
Depois que me despedi do Rafael fui até o refeitório e lá estava a maior confusão o Toni gritava algo e tinham vários instrutores, professores e alunos ao redor, cheguei mais perto para ver o que estava acontecendo
– MAS ELE DEVE ESTAR PERDIDO! OU PIOR, ALGUM BICHO JÁ PODE TER MATADO ELE – o Toni gritava e todos os alunos o apoiavam
– Mas Toni, olha essa chuva! Se alguém sair pra procurar ele vai acabar se perdendo também! O colégio já tomou a decisão de esperar as autoridades – quem falava era o professor Rubens – Agora é melhor desfazer essa confusão
Olhei para os lados e vi a Mariana, com certeza ela sabia o que estava acontecendo
– O que houve Mari?
– O DC...
– COMO ASSIM O DC? – eu já imaginava o que era
– Ele e essa maldita mania dele de contrariar tudo! Ele foi fazer trilha na mata com um tempo desses e o colégio não vai fazer nada até as autoridades chegarem. – ela chorava, afinal o DC era seu primo
– Calma Mari... O colégio não vai fazer nada, mas eu vou!
– Você tá louca Mônica? Você vai acabar se perdendo também!
Foi a única coisa que eu escutei antes de sair correndo pela porta e ir em direção a floresta. Eu não queria saber a bronca que ia levar quando voltasse, eu não iria deixar o cara que eu amo perdido numa floresta enquanto todos ficavam esperando a merda dos bombeiros! Corri o mais rápido que pude e cheguei muito rápido na floresta, mas não parei de correr, eu não vi nada na minha frente e não raciocinava, quando eu menos esperava tropecei em algo e bati minha cabeça com força em alguma coisa, senti o cheiro de sangue e desmaiei.
P.O.V NIMBUS
Já acordei com a noticia que o retardado do meu irmão mais novo tinha se perdido na floresta, eu não sabia se ficava muito puto com ele ou se ficava desesperado. Desci depressa para o saguão e assim que cheguei me deparei com uma Magali desesperada e um monte de gente ao redor dela, não pensei mais em nada e fui na sua direção, puxei ela dali! A única coisa que eu queria fazer era ela se sentir bem...
– Obrigada – ela falou em um tom baixo – Não aguentava mais todas aquelas pessoas
– O que houve Maga? Tá tudo bem?
– A Mônica... Ela foi atrás do seu irmão e agora tá perdida também!
– Vai ficar tudo bem! Aqueles dois sabem se cuidar
– Não sei Nim – ela me abraçou forte e eu retribui o abraço
– Ei, olha para mim – eu levantei seu rosto delicadamente e fiz com que ela olhasse nos meus olhos – Você é a menina mais linda que eu conheço e eu não quero te ver triste! Eles estão bem, eu conheço meu irmão
– Posso te perguntar uma coisa?
– Claro
– Por que você fez aquilo? Me beijou e depois foi embora... Não foi muito legal
– Magali, eu me aproveitei de você e você merece alguém melhor do que isso
– Essa foi a coisa mais idiota que você disse Nimbus! Eu gosto de você e gostei muito mais do que aconteceu naquele dia – eu não acreditava no que estava ouvindo
– Eu... – ela me interrompeu selando seus lábios nos meus, eu sentia sua boca macia trabalhando junto com a minha e se nós não estivéssemos em uma cozinha eu já a teria arrastado para cama, mas resolvi parar o beijo – Me desculpa... Eu não sabia que você gostava de mim, achei que pra você tinha sido tudo um erro
– Claro que não! E agora eu acho melhor nós voltarmos para sala, quero ter todas as noticias daqueles dois
P.O.V DO CONTRA
Com certeza não tinha sido uma boa ideia sair para fazer trilha com aquele tempo, acabei me perdendo algumas vezes no caminho, a lama me atrasou demais e com certeza todo mundo do acampamento já estava procurando por mim, mas a adrenalina de sair na chuva e enfrentar o perigo tinha feito tudo valer a pena, eu nem ia me importar em receber uma bronca ou detenção. Achei o caminho de volta para o acampamento e para minha surpresa vi de longe alguém desmaiado no chão, corri até a pessoa, virei seu corpo para olhar seu rosto e eu não podia acreditar... ERA A MÔNICA! Ela estava com um corte na cabeça que sangrava muito e não respondia a nenhuma estimulo meu. Coloquei-a nos meus braços com todo cuidado e sai dali da maneira mais rápida que consegui, já que não podia correr.
Entrei na sala e logo todos os olhares foram em minha direção, ninguém acreditava no que via. Os primeiros que vieram em minha direção foram Nimbus e Magali
– CARA VOCÊ TÁ LOU... – ele parou sua frase na metade – O QUE HOUVE COM A MÔNICA?
– Eu não sei tenho que levar ela logo pra enfermaria, não sei quanto sangue ela perdeu!
Logo o professor Rubens apareceu e me indicou onde ficava a enfermaria, fui até lá e deixei a Mônica com os enfermeiros, mas eu não sairia dali até ela abrir os olhos
P.O.V MÔNICA
Assim que acordei senti uma dor tão forte na minha cabeça, podia jurar que ela estava sendo partida ao meio. Abri meus olhos e a claridade me incomodou e fez a dor aumentar, olhei ao meu redor não reconhecendo o lugar onde eu estava. Fiz uma força para me lembrar do que aconteceu antes de eu chegar ali e a única coisa que eu me vinha a cabeça era eu correndo que nem uma louca na floresta, cheiro de sangue e depois tudo ficando escuro. Olhei para os lados novamente e dessa vez vi uma mulher vestida de branco vindo em minha direção
– Finalmente você acordou
– Quanto tempo eu passei desacordada?
– Vinte e quatro horas
– Sério?
– Sim, todos ficamos muito preocupados, principalmente seu namorado, ele se recusou a sair daqui
– Namorado?
– Aqui – ela apontou para o garoto de cabelos pretos e bagunçados que dormia profundamente, era o DC
– Ele é muito fofo – sorri para ela
– Vou te deixar descansar, daqui a pouco o professor Rubens vem aqui falar com os dois, o que fizeram foi muito grave
– Tchau – eu disse e esperei ela sair
Olhei para o ambiente que estava novamente e tive certeza que ali era a enfermaria do acampamento. Me virei e vi o DC que dormia calmamente, mas resolvi acordá-lo, procurei alguma coisa para jogar nele e vi uma caneta que a enfermeira tinha utilizado para preencher minha ficha. Fiz todo o esforço do mundo para conseguir alcançar ela na mesinha e consegui. Joguei ela na cabeça do Do Contra que acordou atordoado
– MÔNICA? VOCÊ ACORDOU! – ele veio em minha direção
– Sem gritar, por favor, se não minha cabeça explode
– Foi mal – ele agora falava sussurando
– Você pode me explicar como vim parar aqui?
– O que me disseram foi que você foi me procurar na floresta... Quando eu tava voltando eu te encontrei caída e sangrando e te trouxe aqui
– Perai, você não tava perdido?
– Não... Eu conheço muito bem essas matas
– SEU RETARDADO! COMO VOCÊ FAZ ISSO COMIGO? – eu comecei a estapeá-lo
– CALMA, CALMA! – ele segurava meus braços quando eu senti uma forte dor
– Ai!
– O que houve?
– Minha cabeça...
– Você bateu feio com ela
– Eu sei gênio!
– Posso dar uma olhada?
– Pode — ele foi se aproximando, passando o dedo em minha face até que parou no lugar onde tinha um curativo
– Me desculpe por isso, é tudo culpa minha!
– Claro que não DC, o Toni que fez escandalo...
– Mas se eu não tivesse tido a ideia idiota de sair pra mata você não teria vindo atrás de mim e não estaria aqui agora
– Você não me obrigou a nada DC! Eu fui, porque quis, faria isso por qualquer pessoa que eu amo – o silêncio reinou depois de minha palavras
P.O.V DC
Era duro pra mim ver ela naquele estado, toda arranhada, com a cabeça machucada e não importava o que ela falasse, eu ia continuar me sentindo culpado. Eu nunca fui o tipo de pessoa que se arrepende do que faz, mas dessa vez não tinha como não me arrepender, não depois de achar que eu ia perdê-lá ou que nunca mais poderia beijá-la. Beijá-la... Era o que eu mais queria agora e era o que eu faria. Aproximei meu rosto do seu, sentindo sua respiração quente se misturar com a minha, não aguentei e selei nossos lábios pedindo passagem para minha língua, passagem essa que ela concedeu, comecei a explorar seu corpo com minhas mãos chegando aos seus seios e apertando os com força o que fez ela gemer, depois disso fui descendo minha boca até seu pescoço começando a dar leve mordidas até que ouvi passos
– É o Rubens, ele vem aqui falar com a gente! – ela falou se soltando e menos de 1 minuto depois o professor apareceu na enfermaria
– Olá alunos! Espero que vocês saibam que o que fizeram está totalmente fora das regras e foi muito perigoso e eu até pensei em suspender a ida de vocês a festa, mas como o senhor DC não é o tipo de aluno que gosta de festas e a senhoria Mônica não irá poder ir por recomendações médicas... Eu espero que o que vocês dois passaram tenha servido de lição
– Valeu professor! – nós dois falamos juntos e esperamos ele sair da enfermaria
– Que droga! Eu queria tanto ir à festa
– Mas você vai!
– Não vou... Apesar de sair da enfermaria hoje se alguém me ver na festa eu to perdida
– Confia em mim ok? Se arruma e eu passo no seu quarto pra te buscar as 9
– As 9? Mas a festa começa as 7
– Confia em mim ok?
– Ok – dei um selinho nela e fui para o meu quarto arrumar as coisas, a Mônica teria uma surpresa
P.O.V MARINA
O acampamento já estava acabando, todo o susto com o DC e a Mônica tinha passado e eu ainda estava fugindo do Franja, ou seja, minha vida estava finalmente voltando ao normal. Milagrosamente hoje fazia sol, então resolvi caminhar pelo acampamento, mas logo percebi que isso não tinha sido uma boa idéia já que encontrei o Franja e para aumentar meu azar ele me viu e vinha falar comigo. Dessa vez não tinha como fugir.
– Oi Mari
– Pra você é Marina!
– Por que isso tudo hein? Eu não sei o que te fiz! Você simplesmente parou de ir ao meu apartamento, ao museu! Não atende minha ligações e pior ainda vive fugindo de mim
– Como você é cara de pau!
– Cara de pau? Eu não sei do que você tá falando
– Não vou mais ficar escutando suas mentiras
– Se você cansou de namorar um professor e esconder o seu relacionamento eu entendo, depois dessa viajem eu vou embora, já arrumei outro emprego, eles até pagam melhor, mas eu não quero perder você! – não aguentava escutar aquelas mentiras
– PENSASSE NISSO ANTES DE FICAR COM A SHEYLA! – eu gritei
– Do que você está falando? Quem é Sheyla?
– Foram tantas assim que você não lembra quem ela é?
– Hã?
– Do terceiro ano, puta, nojenta... Você lembra agora?
– Lembro!
– LEMBRA? QUE NOJO!
– Calma Marina! – ele segurou meu braço – Ela foi no museu, perguntou algumas coisas e tentou ficar comigo! Eu expulsei ela de lá na hora... Eu nunca te trairia!
– Então por que ela falou pra todo muno que ficou contigo?
– Não sei! Ela é louca! Você precisa confiar em mim, eu nunca menti pra você – ele me olhava com uma cara de cachorro pidão irresistível
– Se nós não estivéssemos em uma excursão do colégio eu já estaria te agarrando, agora sai daqui antes que notem algo
– ENTÃO EU TO PERDOADO?
– Sim, mas fala mais baixo – abracei ele rapidamente e sai dali com um sorriso no rosto, havia recuperado o cara que eu amava e ele não havia mentido para mim, não podia estar mais feliz
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