Divergent
2 Confused
Notas iniciais
Olhei-me no espelho como eu fazia toda manhã e tive vontade de quebrá-lo, assim como em toda manhã. Eu continuei morando no apartamento da minha mãe aquelas férias, eu tive que limpar o sangue dela no chão. Mesmo matando o Ravener que a matou minha raiva não diminuiu, nem um pouco. Virei-me de costas para o espelho e respirei fundo: “Já passou, já passou”.
Ouvi o telefone tocar e sai do banheiro para atender, hesitei antes de atender, há dias as pessoas me ligavam dizendo o quanto sentiam muito e que ela era uma ótima mãe e que me amava muito. As pessoas que me ligaram eram quase totalmente desconhecidas. Eu atendi e me arrependi na hora.
–Alô, Tessa? – Uma voz perguntou a pergunta que me tirou o fôlego por alguns segundos.
–Aqui é a filha dela – minha voz estava tremula, mas eu me controlei ao máximo. Era difícil falar sobre minha mãe.
– Alison? Ouvi falar de você – O interesse na voz dela me deu arrepios – Sua mãe está?
– Aqui?Não. Ela está morta. – eu disse com a maior frieza que pude juntar.
– Eu precisava falar com ela – o tom de desapontamento dela me irritou profundamente, acabo de dizer que minha mãe morreu e ela está desapontada somente porque não vai poder falar com ela? Vadia.
– Que pena, se você fosse uma feiticeira talvez pudesse tentar. — disse mordendo minha língua para não falar nenhuma grande besteira.
– Eu nunca disse que não sou uma feiticeira.
– Que bom para você! – Levei meu dedo em direção ao botão de desligar.
Eu não desliguei porque ouvi algo vindo da direção do telefone e o recoloquei no meu ouvido para ver o que era.
–... precisam da sua ajuda e você sabe. – o telefone desligou ante que eu pudesse perguntar o que aquilo significava.
Sentei-me no sofá e acabei adormecendo por alguns poucos minutos que ajudaram a melhorar a dor de cabeça que aquela ligação tinha me dado.
Fui morar com meus avôs naquele verão, o que até que não foi ruim. Eles moravam em Alicante, eu nunca tinha visitado eles lá e nunca tinha ido a cidade, era muito melhor do que eu tinha imaginado. Desde que eu soube sobre todo esse negocio de Shadowhunter eu quis conhecer Idris. Eu tentei ao maximo esquecer meus problemas naquelas férias e ficar feliz por passar um tempo com minha família
– Querida, que dia vamos para Londres? Precisamos comprar seus materiais para o penúltimo ano em Hogwarts!!!!! – minha avó disse animada, apesar de não ser mais tão jovem ela continuava sendo animada e alegre.
– Não sei, quando a senhora quiser – eu disse dando de ombros distraída com meu livro.
Era a 12° vez que eu lia Hogwarts: uma historia, era um dos poucos livros que eu realmente gostava. A historia era tão interessante que quando eu me tocava eu já tinha terminado o livro, era totalmente incrível e eu sabia varias curiosidades de Hogwarts e seus fundadores: Helga Hufflepuff, Godric Gryffindor, Rowena Ravenclaw e o fundador da minha casa: Salazar Slytherin.
– Já disse para não me chamar de senhora, Ali – vovó disse rindo da minha concentração naquele livro – Acho que podemos até comprar roupas novas para você querida.
– A gente não fez isso semana passada? – perguntei um pouco entediada com a animação dela.
– Mas não foi em Londres.
– Prevejo que será uma looonga viagem.
Perto do fim das férias meu avô e minha avó não se decidiam entre aparatar direto para Londres ou aparatar para um aeroporto de ir de avião até Londres. Claro que essa historia de aparatar ainda me dava náusea só de pensar, usar uma chave de portal não era uma opção nem um pouco melhor.
– Vamos de avião e ponto. – vovó disse batendo o pé no chão para encerar a discussão. – Se aparatarmos direto perderemos a linda vista.
– Mas... – vovô tentou argumentar.
– Shiu!
Eu ri daqueles dois, eles sempre tinham sido engraçados daquele tipo que parece que nunca cresce, apesar de que eles também sabiam ter responsabilidades já que eram importante em ambos os mundos: de caçadores de sombras e o mundo bruxo. E, talvez, um pouco no mundo trouxa/mundano, mas eles não costumam falar sobre isso.
Não conheço muitas pessoas que não fazem parte de meus 3 mundos, seriam quatro contando que ainda tenho humanidade, mas eu nunca me dei bem com pessoas que eram normais. Bem, nem sempre normais, mas mais normais que ser uma coisa que poderia ser considerada impossível porque (1) para ser bruxa eu teria que ter uma doença demoníaca o que (2) me impossibilitaria de ser uma caçadora de sombras que (4) não é o caso porque (5) aparentemente bruxos não tem doença demoníaca, somente feiticeiros tem e (6)isso me deixa tão confusa pelo simples fato que (7) esses mundos não deveriam existir juntos.
Entendeu?Não?Muito menos eu.
– Ali, acorda! – já mencionei que, apesar de tudo, eu tenho uma doida que se esquece que não mora comigo?
Abri os olhos e vi Anne parada esperando eu acordar. Anne meio que é minha melhor amiga de Idris, talvez minha única amiga nesse...mundo? Deixa pra lá. O negocio é que ela costuma entrar escondida na minha casa (tecnicamente não minha) para me acordar de manhã.
– Que foi? – perguntei ainda sonolenta.
– Você vai estudar aqui? – Anne perguntou e me deu pena de dizer não, eu odiava quando ela me olhava com a carinha fofinha que ela conseguia fazer
– Não, e pare com essa cara!
– Que cara? – Anne tentou fazer uma cara de inocente que se transformou em uma careta e me fez ter um ataque de risos.
– Uma coisa: se você me acordar cedo mais uma vez Anne eu juro que...que... – Me sentei na cama e comecei a arrumá-la, de repente sem me lembrar do assunto.
– Tá...
– Vou ir para Londres – eu disse para acabar com o silêncio.
– Quando?! – Anne pareceu animada de repente e me lembrou o que eu estava falando.
– Ah! Eu vou te bater com a primeira lâmina de serafim que eu achar.
– Ahn...? – Anne me olhou com uma cara tipo: Você, por acaso, pirou?!
– Perto da volta as aulas, também vou estudar lá, como sempre.
– Você nunca me disse que estudava em Londres
– Você nunca perguntou – dei de ombros e continuei a arrumar a cama.
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