“Hoje eu vou conseguir falar!” Era o que se passava em minha cabeça antes de eu entrar no camarim do KAT-TUN.
Já fazia tempo que eu queria dizer isso ao Kamenashi, minha concentração nas apresentações estava por um fio.

Abri a porta e vi somente a pessoa que esperava encontrar ali, sentado no sofá com o celular na mão.
- Maru! – Kazuya deu um daqueles sorrisos que derretia milhares de fãs, enquanto guardava o celular no bolso da calça. Eu não pude deixar de notar que suas bochechas estavam bem vermelhas por conta dos ensaios.
- Veio descansar também?Os ensaios estavam bem puxados hoje, não é? – Aquele sorriso não saía de seu rosto.

— Ah, claro!Escuta Kame... Eu preciso te pedir uma coisa...
- O que é? – Ele curvou de leve sua cabeça.
- Bem... Você poderia dar uma maneirada... Nos seus fanservices?
Eu tentei falar tudo de uma vez, mas acho que isso fez com que ele não entendesse nada. Seu rosto estava com uma expressão interrogativa, e curvou mais a cabeça.
- É que... Sabe... – Eu não sei por que aquelas palavras não saíam, eu tinha até treinado!

Enquanto eu tentava explicar, ele continuava me dando sua total atenção, me deixando mais nervoso ainda.
- É que os que você faz comigo... – Eu coloquei a mão atrás cabeça, sem graça.
- São demais? – Kame me interrompeu, fazendo uma cara triste demais para alguém agüentar. E sim, isso aumentou meu nervosismo.
- Não, não!Bem... É, um pouco. Ah! — Baguncei meu cabelo quando ouvi o que tinha falado.
- Seus fanservices me deixam um pouco distraído, é isso.
Respirei fundo e olhei em seus olhos, eles demonstravam tristeza. Alguns segundos depois ele falou, com a voz manhosa:
- Mas... Você não gosta que eu os faça?
- Não, lógico que eu gosto!
Eu percebi o que tinha falado depois que vi o rosto surpreso de Kamenashi.
- Não!Quer dizer... É só que eles me tiram um pouco a atenção, sabe... – Voltei a colocar a mão atrás da cabeça.

— Mas todo mundo faz fanservices com você.
- Sim, eu acho. Mas só os seus fazem isso comigo.
Tentei ser sincero, mas acho que foi demais. Senti que meu rosto havia ficado vermelho. Droga!
- P-Por quê? – Seu rosto também tinha adquirido uma cor avermelhada, mas deve ter sido do ensaio.
- Eu não sei Kame! – Isso saiu mais manhoso do que eu esperava. – Ah, esquece.
- Não, se você não quiser, eu paro.
Kamenashi deu um sorriso, mas não como aqueles que ele dava normalmente, parecia... Esconder tristeza.

Odeio isso, parece que meu coração se aperta, dói muito ver ele assim. Abri a boca para tentar falar alguma coisa, mas fui interrompido.
- Agora eu posso te pedir uma coisa?
- Eh?P-pode...
Ele se aproximou de mim e me olhou com os olhos intensos, um pouco cerrados. Senti as batidas do meu coração se acelerarem, ele estava perto demais!
- Posso fazer um último fanservice?
- C-Como assim?Acho que...
Mas antes de eu dizer que podia, os lábios de Kamenashi já estavam selados aos meus.

Nos poucos segundos antes de seu rosto se aproximar do meu, eu tentei desviar, como em todas as vezes que ele insinuava me beijar, mas fiquei paralisado. Depois pensei que ele se afastaria, mas estava enganado.

Minha respiração estava bem acelerada, e meu coração estava batendo desordenadamente. E como se não bastasse tudo isso, ainda comecei a suar frio. Depois que tentei me dar conta da situação, meus olhos antes arregalados pelo susto se fecharam. Aqueles lábios que eu pensei que nunca iria sentir tinham um gosto doce e eram bem macios.
Senti meu rosto corar como nunca, e Kazuya segurou meus ombros, apertando-os de leve. Realmente, nunca senti uma sensação tão boa como essa.

Depois de algum tempo, ele me soltou e se separou. Estava com a cabeça virada para o outro lado, mordendo os lábios. O rosto mais corado do que antes. E, por mais incrível que pareça, eu ainda estava olhando para frente, sem desviar. O susto de ter acontecido algo que eu pensava acontecer só em minha imaginação me fez ficar paralisado.

Nenhum de nós falou nada por poucos segundos, até que ele se virou para mim e eu me aproximei.
Estava me movendo por puro instinto, não sabia aonde minha timidez de antes havia se metido. Mas, senti uma força enorme para sentir aquela sensação outra vez. Juntei seus lábios aos meus, e pude sentir aquele gosto doce novamente.

Durou menos de um minuto, mas o suficiente para quando nos separássemos, sorríssemos um para o outro.
- Ainda quer que eu pare com os fanservices? — Perguntou com os mesmos olhos tristes de minutos atrás.
Pisquei algumas vezes, me lembrando da conversa de antes, e sem que pudesse conter o grande sorriso que se formou em meu rosto.
- Não... Não, não quero que pare.

Notas finais
Obrigada por ler! Reviews? *-*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!