Distante.

1 Capítulo único.


Era uma noite quente de sábado, anos se passaram desde que o aniversário de 15 anos de Camila passou e todo o pessoal participou da dança, o mais novo agora beirava os vinte anos enquanto os demais seguiam mais velhos. Marcelo trazia Clara nos ombros e tudo que ela fazia era rir e resmungar sobre a suposta incapacidade de ser carregada pelo rapaz bêbado. Os demais os ladeavam, estavam em um grupo grande de pessoas, e nem todos estavam ali. Marcos e Pedro traziam garrafas de vodka ainda cheias nos braços enquanto Arthur e Diego traziam outras bebidas já abertas e consumidas até a metade.

A viagem havia sido combinada anos atrás, quando todos decidiram trocar as festas de dois em dois meses por uma viagem que duraria no mínimo duas semanas na praia. A casa de praia foi alugada, todos os suprimentos foram previamente arranjados e tudo o mais necessário havia sido providenciado.

Passaram alguns bons minutos caminhando até chegar à casa de praia novamente, mas não entraram, apenas sentaram na areia. Marcelo ainda carregava Clara, e todos riam da situação em que a garota estava.

– Será que pode devolver minha namorada, rapaz? – Resmungou Felipe para o amigo.

– Ih, cara, calma, to tirando uma casquinha. Que mancada!

Caio riu abraçado à Vanessa e uma garrafa de Bacardi.

– Ainda bem que não tenho esse tipo de problema, não é, amor? – Vanessa estava sóbria, diferente do namorado, então acabou simplesmente abaixando a cabeça e escorando-se em seguida no peito do rapaz.

– É por isso que eu amo minha Natasha! Né, né? – Arthur ergueu a bebida, mas logo fez careta. – Mentira, essa porra é ruim demais!

Todos riram, não havia como evitar.

– Art, me dá isso. – Disse Lua, sua namorada.

As coisas haviam mudado, ou melhorado em certo pouco tempo. Alguns se juntaram, outros se separaram, e assim seguia. O vento frio os pegou de surpresa, mas nem todos sentiram graças ao efeito do álcool. Estavam com calor, isso sim.

Marcos e Pedro sentaram juntos, quase dormindo, e Gustavo também estaria prestes a dormir se não fosse por Paloma chamando-o o tempo todo para mantê-lo acordado. Gabriel e Beatriz vieram por ultimo, não eram um casal, mas bons amigos que pareciam filosofar a cada novo passo.

– Gabriel, meu amigo, vem cá! – Caio soltou Vanessa e correu. Todos riram mais uma vez.

– Me dá um beijo, cara. Eu quero! – Arthur gritou, correndo rumo aos dois.

– Arthur! AI, socorro. – Murmurou Lua, colocando a mão no rosto com um suspiro.

– Tão típico deles.– Clara comentou, observando a cena como lhe era permitido.

Não havia lua no céu, mas havia estrelas sendo refletidas na água do mar.

A rodinha foi feita e as bebidas eram passadas uns para os outros, sobriedade já não era algo que algum deles tivesse naquele momento.

Batia saudade e nostalgia, tanto quanto a alegria por estarem únicos em mais uma noitada.

– Cadê? – Diego perguntou repentinamente.

– O que? – Felipe ergueu a cabeça, estava deitado no colo de Clara.

– Só acho que o Di tá muito zoeiro hoje, só acho! – Clara riu, inclinando-se quase que automaticamente para dar um beijo em Felipe.

– Eu já acho que a Clara tinha que ser minha namorada. – Marcelo disse, fingido.

– Troca de namoradas! – Arthur levantou-se repentinamente, assustando os demais. – Lua, vai lá!

– Fica quieto, Arthur.

As risadas tomavam cada vez mais o ambiente.

Um circulo foi feito por todos, montaram uma pequena fogueira ao centro e tiveram a consciência de manter as bebidas longe do fogo. Ainda assim, rodavam e passavam por todos, ficando ainda mais embriagados. Clara estava deitada no peito do namorado e via Marcos rindo lembrando de casos vividos há pouco mais de dois meses, algo sobre ter bebido mais do que devia, mais uma vez. O grupo ouvia falar e respondiam aleatoriamente, Gabriel tomou a garrafa de Bacardi e retrucou:

– Seria bom se o sono não estivesse vindo. – Bebeu um bom gole da garrafa.

– Bebe mais que logo você acordar. – Disse Marcelo, rindo.

– Ou dorme mais ainda. – Complementou Lua.

Risadas e mais risadas, Paloma levantou e se espreguiçou.

– Acorda, pessoal. – Diego disse, de pé repentinamente, correndo até o mar, ignorando a temperatura baixíssima da água ao mergulhar.

– Suicida. – Vanessa balançou a cabeça antes de perceber que Caio havia levantado e corrido para o mar também.

Alguns engoliram em seco, Clara sorveu um gole de vodka antes de ser apanhada pelo tornozelo por Pedro.

– Não, não, me solta! – Gritou a garota. – Felipe!

Felipe levantou para salvá-la, ou foi o que ela achou até ser carregada no colo e jogada no mar pelo próprio namorado.

Antes de serem arrastados, os demais também foram para a água, quase todos incertos sobre aquilo, afinal, sabiam o quanto seria doloroso entrar e sair da água fria.

Não que eles realmente se importassem muito, tudo o que importava era aproveitar tudo que pudessem, como pudessem, a todo custo.

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