Distance Between Dreams

1 Capítulo I - Os sobreviventes


16 de Fevereiro de 2272

Depois de anos tendo como pagamento um copo de água por mês, a humanidade não imaginava que seu fim seria por mais um cataclismo. Começara a chover sem parar por 50 anos seguidos, a felicidade dos velhos e das crianças era imensa, seu pagamento caindo todos os dias, mas claro que chegou um tempo que não se podia controlar a fúria do mar. Mesmo com a tecnologia avançada os humanos não puderam conter a fúria de um cataclismo como aquele, constatado como o pior fenômeno da Terra. Após várias mortes por causa do cataclismo, sendo por afogamento ou por terem sido comidos por animais marinhos, sobraram 100 dos 10 bilhões de humanos, que foram espertos o bastante para entrarem nas barcas de ferro que sustentaria o suposto fim do mundo de 2012, uma lenda passada. Porém, além do fenômeno, a Terra afastava-se cada vez mais do Sol por efeito do Big Bang, ou seja, toda a água acumulada estava congelando e os humanos tiveram de sair da barca para procurar comida. Foi assim que todos morreram na Terra Congelada.

Antiga Londres, Inglaterra – 3272.

O planeta Terra começa a descongelar. Os humanos que haviam sobrevivido e saíram na grande Era Gelada descongelavam juntos com a água do cataclismo e agora morriam pela segunda vez, afogados. Dentro da barca jaziam apenas dois corpos congelados que após um milênio de anos estavam descongelando em segurança. Na manhã de um Sábado seus corações voltam a bater, eles acordaram, porém apenas no domingo, com fome e com a ultima lembrança que tiveram em mente: A geada entrava pelas portas da barca, fazia frio abaixo do que os humanos chamavam de Zero Absoluto (-270º). O garoto era de média estatura, branco, seus cabelos castanhos escuro iam até os ombros, ondulados e finos. Não abrira os olhos ainda, apenas soltava a mão da garota e a levava até a barriga que roncava de fome. A garota era um pouco menor que ele, branca, Seus cabelos passavam um pouco da nuca e eram loiros acinzentados. Essa tinha o rosto inocente e parecia estar sonhando. O jovem sentava-se, deitar-se no chão de titânio não era nada confortável, abrira os olhos castanhos escuros e olhava para a garota ainda deitada, ela parecia tão angelical. Porém, ele não podia ficar ali contemplando-a, teria de falar com os adultos e ir buscar algo para comerem, mas onde estavam os adultos? Com calma ele abria a porta que dava acesso ao mundo lá fora da barca, foi como se algo o acertasse com uma força tremenda, caindo de joelhos no solo da barca olhava o cerco de água. Eram, a menina e ele, os únicos seres sobreviventes ali, não restaram nem os animais que boiavam mortos, congelados ou por falta de comida, nas águas do dilúvio. Tudo o que contemplara era um vasto mar de mortos e partes ainda congelado. Qualquer um em seu lugar cairia na eterna insanidade e morreria por causa disso, o cérebro de quem só acreditava na realidade poderia sofrer um dano psicológico eterno, mas algo fez o garoto continuar consciente e querer viver apesar de tudo. Levantou-se, tremendo um pouco ainda, e então pulou na água a procura de algo que poderiam comer. A visão debaixo d’água era escura e limitada, mal podia ver suas mãos a impulsionar a água para trás. A água estava extremamente fria e ele continuava a mergulhar. Suas mãos tocaram algo, ao se virar com rapidez assustara-se com um tubarão-tigre boiando ao seu lado e quase se afogara por causa disso. Por fim, pegou o tubarão congelado pela barbatana e puxou-o para dentro da barca, quente. Não pensara em despir-se antes de pular na água, agora suas roupas molhadas e frias estavam grudadas ao seu corpo molhado e tremendo de frio. Fechara a porta da barca.

Deitado, estendido ao chão, molhado e tremendo da cabeça aos pés. Um leve movimento com a cabeça para a direita e ele via a garota, ainda estava dormindo ou estaria morta? Não, não estava morta. Ele podia ver o peito dela movimentar-se suavemente de acordo com sua respiração. Arrastando-se um pouco parou ao lado dela, a olhou com curiosidade, como poderia ter o ar tão inocente e beleza inigualável? Esses dois atributos a tornavam quase angelical. Levando a mão a mão direita com todo o cuidado até o rosto da pequena, seu dedo indicador, gelado, tocava a bochecha rosada da garotinha e apertava só um pouquinho seu dedo na bochecha dela, sentia a pele lisa e macia em seu indicador. Será que ela fala o mesmo idioma que eu? Pensava ele, aproximando um pouco rosto do dela, ele estava frio e o corpo dela quente. Os cabelos molhados do garoto, estavam caídos pela face e uma pequena gotícula de água pingou na ponta do nariz dela. Ele afastou o rosto do dela rapidamente, ela com certeza acordaria com a água fria lhe pingando ao rosto. Porém nada aconteceu, nenhum movimento veio dela. Jogava agora o cabelo para trás e voltava a se aproximar dela. Ela era da nobreza, com certeza. O vestido em formato cilíndrico branco, era de boa marca, tinha detalhes costurados em dourados e era a única coisa que vestia, com exceção das roupas íntimas, que com certeza ele não olharia. Ficara vermelho somente de pensar. Mais uma vez tocava com o indicador a bochecha da garota, era uma sensação boa para ele. Olhava atentamente o rosto dela, até que aqueles pequenos olhos, de cor verde vivo, se abriam e ela ainda sonolenta o olhava.

- AAAAAH! – Assustara-se o garoto com o despertar repentino dela. Enquanto gritava afastara-se um pouco. – Eu n-não... Eu não fiz nada... Nem roubei nada. – Dizia ele desesperado gesticulando com as mãos cobertas por luvas, na mão direita o dedão estava furado.

O grito despertara a atenção da menina, ela esfregava os olhos com as mãos de modo fofo e voltava sua atenção para o garoto, afastado dela e com o peito arfante. Abria a boca, mas nada falava logo a fechando novamente. Quem era aquele estranho que vestia roupas molhadas e velhas? E onde estava o resto das pessoas que viviam com eles? Essas perguntas se formavam na mente da garota enquanto observava o garoto. Virando para a direita dela via-se o tubarão-tigre, imóvel e congelado com a boca aberta virada para ela. Dessa vez foi a vez dela de gritar e correr até o garoto para abraçá-lo de medo. Isso despertou um riso divertido no garoto.

- Ele me assustou também. Mas está morto... Congelado. – Sorria olhando-a e sentindo seu rosto corando levemente com a aproximação da garota. – Estou molhado e frio, diferente de você, se continuar abraçada a mim ficará da mesma forma.

Ela o soltou e afastou um pouco, corada. Levava os dois braços para as costas na altura da cintura e seus pezinhos descalços viravam para dentro e o corpo dela balançava-se de um lado para o outro, nervosa.

Será que ela entendera o que ele dizia? Por que se mantinha calada até o momento? Mas logo o silêncio fora quebrado por ela própria:

- Me... Desculpe-me. Eu n-não queria... – E voltava a corar. – Mas o que ele faz aqui?

Que voz doce e infantil. Combinava com seu ar inocente.

- Ele é o nosso jantar... Infelizmente.

- J-Jantar? Onde estão os outros? Eles foram procurar alimento.

- Eles morreram... Todos.

A mensagem celestial: Um novo começo!

O garoto explicou tudo desde que acordou a ela, estava começando a se soltar mais com ela, até conseguiu convencê-la de comer carne crua de tubarão. Após comerem e fazerem cara de nojo encostaram-se nas paredes maciças da barca e ali ficaram em silêncio, mas o garoto resolveu quebra-lo:

- Meu avô me contava histórias de quando ele era pequeno. Dizia que a Terra não era tão deserta. Havia um acumulo de água salgada que eles chamavam de mar e também havia acumulo de árvores que eles chamavam de florestas. Mas os homens estavam cortando muitas árvores e poluindo os oceanos. Eu sempre acreditei nas histórias dele, mesmo ele não tendo como me provar.

- A vovó também já me contou algo parecido, dizia que a Terra era azul, mas eu nunca acreditei. Como pode um planeta que é feito de rocha e areia ser azul? E você ainda acreditava. Bobo. – E a garota sorriu.

- Meu bisavô sempre dizia algo como: “Felizes os bobos e loucos que tem a capacidade de sonhar tudo aquilo que as pessoas normais não sonham.” – E devolveu o sorriso a ela.

A menina não tinha entendido de começo, mas depois de um tempo pensando passou a entender, e então riu.

- Então você e sua família são desses sonhadores que acreditam no que não existe? – Mandou ela para ver a reação dele.

- Não é que não existam, existem, basta acreditar. Nunca teve sonhos surreais? Como voar ou estar sendo perseguida por monstros? Sua mente nunca criou nada?

A menina se calou e passou a pensar naquilo. Sua vida nobre sempre fora tão realista. Sua mãe não a deixava pensar muito, seu pai falecera antes de conhecê-la e sua avó, ah, essa sim sonhava, mas a garota não tinha muita confiança no que a avó dizia. Sonhava pouco e vivia uma vida boa, quem não quer isso? Porém tudo que o garoto dissera a tocara de certa forma queria sonhar e preencher aquele vazio em sua vida. Então fechou os olhos verdes herdados da avó e deitou a cabeça no ombro do menino que acabara de conhecer.

Nesse momento foi possível ter ouvido um estrondo fora da barca e então três batidas leves da porta. O menino nada fez, apenas olhou para a porta e envolveu um braço em volta da garota, que abrira os olhos com o susto. Ambos não sentiam medo, pois sabiam que cedo ou tarde morreriam, não tinham comida saudável e nem muito abrigo, muito menos água potável. Mais uma vez foi possível ouvir três leves batidas na porta. Não fora imaginação deles, havia alguém lá fora, talvez mais um sobrevivente que estivera lá fora e o garoto não viu. Foi então o menino que se levantou mesmo a garota tendo puxado seu braço dizendo para ele não ir até lá, ele foi e com cautela abriu a porta que dava passagem ao mundo oceânico lá fora, gritou e caiu para trás, algo o assustara e então a menina pôde ver: Um anjo. Sim, um anjo estava parado a porta, contemplando-os. Tudo girava na mente da garota, ela talvez estivesse sonhando, queria estar sonhando. A urina saía sem ela querer, tanto era seu medo. Anjos não existiam, só os religiosos acreditavam neles. Seus olhos se enchiam de lágrimas, sua boca não emitia som. Seu rosto inocente convertera-se em medo, estava quase desmaiando, sua mente escurecera, iria cair na loucura, mas não queria isso, sobrevivera e queria continuar vivendo normalmente. Com a sua mão direita apertou sua perna direita com as unhas e a dor lhe fez voltar à consciência. O garoto gritara e caíra para trás, seu estado era quase igual ao da garota, seu rosto alegre e jovial convertera-se em medo, ele tremia cada vez mais. Colocando a mão pra dentro da camisa, tirou um colar com o pingente de cruz, mostrava ao anjo com medo e afastava-se um pouco enquanto o fazia. Ainda que apavorados pelo celestial, não tiraram o olho do mesmo, então ele falou, sua voz era calma e jovem:

- Acalmem-se, meus pequenos. Arthur e Lílian, os dois únicos sobreviventes da raça humana. Sou o arcanjo Gabriel, o único sobrevivente na Guerra de Haled, e vim lhes trazer notícias.

Falava ele com muita calma enquanto entrava na barca e fechava a porta. Suas asas celestiais se recolhiam e agora ele tinha a aparência humana. Olhava o estado dos dois e então esperava os mesmos se acalmarem um pouco. Antes que algum deles pudesse dizer algo, ele recomeçava:

- A humanidade foi a obra que Ele mais se orgulhava de ter feito, sempre nos dizia. Porém, aos poucos, os homens foram destruindo a Haled, que vocês chamam de Terra e também destruindo a própria raça. Deus não sabia mais o que fazer com sua criação que tanto se orgulhara de ter feito. A única saída foi o segundo dilúvio, mas não estava no plano Dele que dois humanos vivessem então me pediu para vir aqui lhes parabenizar. Ele está cansado de falhas criações e não quer ver suas criações destruindo tudo que lhes foi dado, não quer lhes ver caindo em corrupção e acusando inocentes. É por isso que ele irá lhes dar o dom da criação. Toda a Haled pertencerá a vocês, mas sem nada, para que vocês possam criar.

“A Arthur será dado o dom das Trevas, algo ruim, mas poderoso se usado corretamente, que só você será capaz de controlar. E a Lílian o dom da Luz, algo bom, poderoso também que só uma pessoa pura poderá controlar. Juntos obterão o poder da criação e suas criações terão o livre arbítrio, desde humanos, animais existentes ou outras raças que queiram criar. Dentro de ambos há apenas a bondade. Mas “onde há luz há trevas”, então cuidado.”.

Dizendo as últimas palavras, o anjo se contorceu em dor e suas asas rasgaram sua carne, seu sangue banhou as penas das asas celestiais e ele partiu, abrindo a porta da barca e desaparecendo no céu. O silêncio tomou conta da barca, aberta, ambos ainda estavam digerindo as informações trazidas pelo celestial. No peito de Arthur uma luz negra acendia, assim como no peito de Lílian uma luz branca iluminava o interior da barca. Então os dois tombaram de lado, inconscientes.

Acordaram somente um dia após a aparição do anjo. A barca tremia muito e com a porta aberta era possível ver que toda a água estava caindo, o terremoto causado inesperadamente abrira crateras e a água estava solidificando a lava até que o planeta voltasse a ser o que era antes: Uma simples esfera de pedras vulcânicas.

Arthur sentava-se e via toda a transformação, o brilho em seu peito desaparecera e suas vestes mudaram, tornando-se totalmente negras. Trajava agora uma camisa negra aberta e calças jeans escuras, as luvas que lhe cobriam as mãos eram de couro agora e sem furos e nos pés botas de couro pretas. Ele olhou diretamente para Lílian e a viu, assim como ele, as vestes dela também mudaram, o vestido cilíndrico mudara para um vestido longo, inteiramente branco, sem sujeira alguma, quase sem decote, sendo parte das costas aberto e nas bordas detalhes dourados, calçando nos pés duas pequenas sapatilhas brancas. O que o anjo disse fora verdade, recomeçariam a Terra do começo, nada mais existia ali e ambos ficaram minutos fitando o nada.

Ano Zero

- Nada... Estamos no meio do vazio. – Dizia Arthur, seus olhos ainda fitavam o nada.

- Deus levou milhares de anos humanos para criar a terra e seus habitantes. Vamos chamar esse ano de Ano Zero, o recomeço da Terra começará aqui. Mas antes que tal criarmos diários que registrem nossos feitos no mundo? – Perguntava ela olhando para o garoto, parecia animada ao contrário dele.

- Não é uma má ideia – retrucava ele, retribuindo o olhar para Lílian. Esticava então a mão ao chão, uma chama negra saía da palma de sua mão e a chama ia moldando-se até tomar o formato de um grande livro negro. – Aqui serão registrados os meus feitos a partir de hoje.

Ele abria o livro e dentro uma caligrafia negra e itálica escrevia sem ajuda de tinta: “Sexta–Feira, 08 de Abril do Ano Zero.”. Ele sorria, sua ideia dera certo, não precisaria escrever no diário, seus feitos apareceriam sozinhos ali. A garota viu o diário do garoto e o copiou com sua luz, fizera um livro de mesmo tamanho, branco e de letras douradas.

Ambos saíam da barca, desnecessária agora naquele deserto de pedras. Olhavam para frente, não sabiam por onde começar. Uma brisa batia-lhes nos cabelos, que balançavam em mesma direção. A primeira a agir foi Lílian, postou-se a frente e estendeu a mão direita ao chão que rachou imediatamente e aprofundou-se a rachadura, em seguida Arthur agiu, um estalo de dedos e um rio formou-se na falha feita pela garota. Faltava muita coisa e tudo estava muito normal. Ambos deram as mãos e fecharam os olhos, a criação perfeita viria da união dos dois. Uma grande parte da terra abaixo de seus pés fora levantada no ar, grande o bastante pra sustentar dois castelos iguais ao da Inglaterra. A parte rochosa subiu e subiu, a água do rio subiu junto à parte de rochas, formando então uma cachoeira, mas não uma cachoeira comum, essa cachoeira subia ao invés de cair. Mais um pouco de concentração e a partir da poeira levantada junto à ilha formaram um castelo, enorme, formaria ali um reinado, e toda a terra fora substituída por grama e pequenos lagos em volta do castelo. Abrindo os olhos eles flertaram o castelo, sorridentes, e então olharam para baixo, a Terra vazia, tracejada apenas por um pequeno rio que subia até o pequeno reino e terminava no castelo. Como faria para descer e subir novamente até ali? Pensaram então em colocar plataformas que levavam até ali. Rochas grandes começaram a flutuar no ar, formando grandes degraus que levavam até o castelo a oito mil pés do chão. Formulariam toda a Terra a partir dali. Porém teriam muito tempo para isso ainda. Sentaram-se na grama e juntos fitaram o céu alaranjado de nuvens lilás escuro, o Sol estava se pondo e a noite vinha calmamente.

07 de Setembro do Ano Zero – Terra – Reino Distance between dreams

A terra estava quase completa, florestas, rios e mares, desertos, cidades e vilas. Animais, todos criados a partir da imaginação dos dois sobreviventes. Mas ainda restava algo, a população, formar humanos seria o mesmo erro cometido há mil anos, eles decepcionariam novamente. Quais raças deviam criar?

- Draconianos! – Exclamou Arthur, enquanto ambos pensavam. – Podemos usar os dragões criados pra isso.

- Hmm... não sei. Elfos da Floresta seriam uma boa opção também. Além dos primos deles os Elfos Negros. – Lílian sentou-se no trono do reino logo acima da Terra.

Elfos Negros são Elfos dotados de magia negra, são iguais seus primos: belos e inteligentes, porém sua pele é de cor azul acinzentada e seus cabelos brancos. Elfos e outras raças só existiam nos livros e deles é que saiam a imaginação dos dois.

- Anões, hobbits, orcs, kamaels, undeads, anjos, demônios, elementais, vampiros, lyncans. Toda uma legião de raças. Vamos dividir a Terra em territórios para cada uma das raças. O que acha?

- Sua imaginação me surpreende Arth. – Brincava a garota, sorrindo a ele.

- Se concorda então, vamos começar. – O garoto se levantava de seu trono e dirigia-se para fora do castelo, pra ter uma visão mais ampla. O planeta aumentara seu tamanho drasticamente.

Uma aura negra envolvia o garoto, criar exigia muita concentração para não haver erros no meio da criação. Formas escuras foram aparecendo por toda a terra, semelhantes a sombras, de todos os formatos e estavam separados em áreas diferentes de acordo com sua raça. Por enquanto só estavam como forma de sombra não sólidas, uma criação imperfeita, porém em outro instante uma luz forte dos envolvia e os dava formas sólidas, diferenciando-se em raças. Teriam agora o livre arbítrio. Arthur e Lílian voltaram ao castelo e cada um foi para o seu quarto, era dia ainda, mas criar exige muita energia, principalmente quando se cria milhões de uma vez. Descansariam pelo menos alguns anos. Tudo que os criadores teriam de se preocupar agora seria em manter a paz na nova Terra. Mas não foi bem assim.