Dissidium

1 Capítulo 1 Inferno


Cavalgava em alta velocidade, o cabelo comprido de fios bem lisos e escuros flutuavam ao vento. Abigor em seu corcel negro corria como um raio em meio a multidão de 60 legiões de demônios, sua voz zunia como se um trovão explodisse dentro de nossos ouvidos, gritava palavras violentas, de exortação aumentando-lhes nas almas deturpadas e maliciosas o desejo por destruição, por vingança, pela violência. Eles não podiam aceitar o seqüestro de seu grande líder, o banimento para as profundezas que jamais eram tocadas pela luz, assim como seus corações. Eles tinham o poder agora para mudar isso e iriam até mesmo à frente do próprio criador levar-lhe de presente as cabeças de seus amados querubins, tronos, serafins… e arcanjos… Eram tais as palavras furiosas que lhe saiam dos pulmões e alcançavam do primeiro ao ultimo demônio em formação, cada qual segurando sua arma quando não prescindia desta em favor do próprio corpo que era em si a arma mais poderosa que poderia utilizar em seu favor. Enquanto gritava essas palavras sua voz era forte e confiante e apelava para os instintos dos seus comandados, qual sentido haveria na suas existências alem do ódio, provocar medo, ceder ao pecado e provocar destruição? E ele mais do que qualquer outro sentia o sangue em suas veias ferverem, era um guerreiro, odiava o ócio, os vícios que tomaram conta do Inferno em todos os 5 reinos. Era mais calado, sério, um olhar direto seu fazia qualquer um sentir arrepios e estremecimentos, seu nome era respeitado e jamais se discutiam uma ordem sua, o que fazia dele o perfil ideal para líder dos exércitos de demônios. Punia todos os infratores com firmeza e sangue frio, reservando para os demônios desgarrados a pior punição nas celas dos abismos do vale dos Gemidos de onde a quilômetros se ouvia os uivos dos condenados que imploravam pela morte a cada segundo. Os demônios estavam enfileirados segundo a legião a que pertenciam com um pequeno espaçamento dividindo-os em dois lados e Abigor passava por ele com velocidade sobre-humana, Fúria, nome de seu cavalo lembrava na forma um cavalo do mundo dos humanos, mas era muito maior, mais forte e rápido, o grosso pêlo negro que cobria-o por inteiro e brilhava juntamente com os belos cabelos que pendiam de seu rabo e de sua cabeça negros como ébano, atraiam a atenção pela perfeição e pelo terror que causava. Dentes grandes e afiados completavam a visão juntamente com olhos vermelhos como lava que ardiam como fogo. A grande maioria dos demônios sempre andava a pé, os de classe mais alta tinham carros, item de luxo que os ajudavam na locomoção, embora fossem mais usados como ostentação, já que as distancias não os cansavam como aos humanos. Raros tinha animais. No inferno haviam apenas animais que se alimentam de decomposição e parasitas alem de alguns violentos e indomesticados como lobos selvagens, reflexos das mentes sujas e pervertidas e completamente desgovernadas da maioria dos seus habitantes. Nem todos tinham o tipo de energia necessária para dar formas, mesmo que pútridas ou selvagens a sua energia mental, e apenas alguns poucos podiam dominar seus instintos o suficiente para moldá-los à sua própria identidade. E Abigor tinha o coração negro, era impassível, terrível, não ligava para coisas como diversão e raramente sorria, Fúria era o nome de seu corcel negro e fúria era sua maior qualidade que ele ao custo de séculos aprendera a dominar. Quando a venceu pode colocá-la a seu favor na a forma deste magnífico e amedrontador cavalo de olhos fogo que apenas aceitava q suas mãos o tocassem. Por essas razoes que Abigor era o grande general que servia fielmente os 5 príncipes do Inferno que reinavam sobre o comando de Lucifer, o primeiro demônio , pai de todos os outros e Imperador do Inferno. Acreditavam que ele poderia lutar em pé de igualdade com qualquer um dos 5 príncipes e assim por assassinato assumir seu lugar (todos os 5 príncipes conseguiram essa posição e poderes e regalias a ela associados por este meio) , mas não tinha tais intenções, seu atual posto lhe conferia maior possibilidade de extravasar sua fúria de forma direcionada e controlada. Um demônio como ele já foi: louco, sem estar no total domínio de suas faculdades mentais, quase num estado animal, com seu poder e suas inclinações seria extremamente perigoso naquela época e por isso mesmo um alvo fácil para os inúmeros caçadores de recompensa, raça que ele mesmo ajudara a extinguira anos mais tarde ao perseguir todos que insistiram em não desistir dessa atividade q se tornou ilegal quando Asmodeu, segundo dos atuais grandes príncipes a assumir o poder, tomou para si o encargo de ordernar o grande caos. Asmodeu, o anjo caído, que havia sido um grande serafim antes de sua queda, demônio da ira e luxuria, famoso por assediar humanos, até o dia em que perdeu uma humana a quem cobiçava por interferência do Arcanjo Rafael sendo banido e trancado no Inferno. Asmodeu, assim como todos os outros príncipes possui sua forma animal, arte que passou a Abigor, uma grande coruja inteiramente branca, salvo o brilho dourado no contorno das penas de suas asas que parecia pequenos fios de ouro e era chamada Dracconiana e estava sempre por perto de seu dono, somente abandonando-o para se alimentar e cumprir suas ordens que geralmente eram ser seus olhos e ouvidos e apesar de nunca ter visto, Abigor poderia jurar que ela seria capaz de ferir bastante alguém. Asmodeu é um dos demônios mais temidos do Inferno e dos mais antigos, famoso pela luxuria, sensualidade, gosto pela formicação e também pela ira, vingança, não era de perder muito tempo com conversas que não lhe interessavam, porém tinha gosto para semear a discórdia e enganos e sua postura graciosa escondia a maldade nos belos e delicados olhos verdes que acompanham o rosto de traços delicados e bem feito e o corpo esguio. Este demônio tem a capacidade de ler pensamentos sendo poucos os que lhe conseguem lhe enganar esse dom que podia passar a outro demônio e fazer dele seu descendente ou a um humano com quem tenha selado um pacto, mas isso não acontecia há séculos, época em que ainda tinha liberdade para andar pela Terra. E foi este demônio que salvou Abigor de ter a cabeça decepada nos seus dias de loucura desenfreada em que foi atacado por 50 caçadores. Asmodeu o recolheu em seu castelo numa de suas rondas para perseguir caçadores, atividade agora decretada ilegal. Não fora um ato de bondade o que levara a salvar Abigor, mas sim a cobiça que aquele jovem demônio lhe instigava com seu corpo magro que mesmo com toda a sujeira e feridas deixava os olhos detalhista deste demônio atraídos pelos belos contornos que o menino começava a evidenciar, pelo belo rosto já mais masculino do que o dele e os embaraçados cabelos compridos e negros e a energia que emanava dele lhe despertava o desejo de possuí-lo, fazê-lo submisso a si. Usualmente este príncipe das trevas permitia que os caçadores acabassem com os demônios loucos e inconscientes como animais em matadouros assistindo a tudo como a um grande espetáculo, para depois ordenar o massacre dos caçadores pela sua guarda pessoal. Era então o principio da nova era no Inferno em que os príncipes assumiram o comando e a função de ordenar o Inferno depois do caos instalado pelo desaparecimento de Lucifer. Treinado e envolvido por Asmodeu, Abigor via nele um mestre a quem devotava sua vida e obediência acima de qualquer coisa ou qualquer um, mesmo que este demônio o visse como um objeto de prazer e uma peça útil no seu exército para lidar com a parte mais maçante do trabalho de impor a ordem e lei dos príncipes no Inferno.

Inferno, lugar nada agradável, uma terra árida e escura e sufocante a seres menos acostumados com sua atmosfera pesada, representava o banimento dos demônios. E estes culpavam os anjos e de fato conta-se milênios quando os demônios andavam livremente pela Terra em todo seus furores ate a grande batalha a dois milênios em que foram todos expulsos e aprisionados no Inferno por uma barreira vibratória que queimava a pele do demônio que tentasse ultrapassá-la. Sem a presença de Lucifer, o único demônio que teria poder reverter essa situação, os demônios se desorganizaram e caíram em total desordem, derrotados até que os atuais príncipes assumiram a lei, quando um deles, com o dom da profecia viu que Lucifer não fora morto, estava adormecido e que em 1699 anos se libertaria a si próprio e seria uma nova chance de tomar os céus e se vingarem dos anjos, mas pra isso deveriam estar prontos para atenderem ao chamado do Imperador Lucifer pois os anjos poderiam aprisioná-lo novamente assim que ele despertasse por completo aproveitando-se do fato dele não ter ainda recuperado todas suas forças.

E era nesse ponto em que estávamos acompanhando a cavalgada de Abigor por entre o seu exercito, o exercito de Asmodeu ate chegar à frente das 60 legiões onde seu mestre o esperava a bordo de uma espécie de carruagem mecânica, sorrindo admirando a cena do seu demônio cavaleiro, vindo em sua direção com o belo cabelo negro, o qual ele não o permitia que cortasse, sendo violentamente agitado pelo vento. Ao lado de Asmodeu, na mesma carruagem a bela Pandora, sua principal concubina que tinha ares de rainha no reino dele por ser a mais procurada e mimada delas. Assim que seu amado filhotinho, pensava Asmodeu, o único que poderia pensar algo assim diante da imponência de Abidor o alcançasse partiriam para os mares na fronteira ocidental, onde ficava o antigo palácio de Lucifer onde todos os príncipes se reuniriam com suas legiões para cumprirem seu plano de ataque.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.