Disney in Hogwarts

4 Capítulo 3: A Biblioteca


Notas iniciais
Boa leitura!

Os dias que se seguiram ao primeiro dia de aula foram bastante semelhantes a ele. Anna costumeiramente fazia suas investidas para passar um tempo com sua irmã, mas Elsa não estava lhe dando qualquer ajuda. A loira-platina parecia sempre estar ao redor de seu grupo de amigas e a evitava o quanto podia. A loira-morango então fizera alguns amigos, além de Ariel, sendo estes Merida Dunbroch, Aurora Perrault, Belle Frech, Mégara Tartarus e Rapunzel Corona, esta última se tratando de sua prima, e passava grande parte de seu tempo com elas, tentando ignorar o quanto as ações de sua irmã mais velha a machucavam. Hiro também se juntara ao grupo da ruiva Arendelle, trazendo consigo um loiro grandalhão de olhos castanhos lufano que se chamava Kristoff Bjorgman, de quem se tornara amigo desde que o conhecera no primeiro dia de aula.

Naquele momento, Anna havia sido arrastada por Rapunzel, Aurora e Belle para a biblioteca da escola, trazendo consigo também Merida e Kristoff, que pareciam tão insatisfeitos quanto ela em passar mais tempo em companhia de livros do que era realmente necessário, e Hiro, que as acompanhava de bom grado. Mégara, que, apesar de a ideia de ir à biblioteca não lhe agradar, não fez qualquer esforço para não ir, e Ariel, que parecia animada para estudar com os amigos, caminhavam com o Hamada.

– Vocês são três obcecadas por estudos. – Merida resmungou enquanto Rapunzel a puxava na direção das enormes portas da biblioteca.

– E vocês são três preguiçosos. – Rapunzel rebateu, trazendo consigo Merida e Anna enquanto, com dificuldade, Aurora e Belle empurravam Kristoff. – Se vocês não estão entendendo o assunto, então precisam estudar. – Argumentou séria. – E nós vamos ajudar, não é? – Ela arqueou uma sobrancelha para Hiro, que acenou com a cabeça em sinal de concordância, a Perrault e a French, que, em meio ao esforço para mover Kristoff de seu lugar, assentiram.

Kristoff revirou os olhos e, por mais que pudesse facilmente fugir de Aurora e Belle se quisesse, afinal as duas meninas eram baixas e magras, deixou que as corvinas o guiassem até a biblioteca. Anna e Merida pareceram também se dar por vencidas, uma vez que não fizeram mais qualquer objeção a Rapunzel enquanto a loira as arrastava pelos corredores. Finalmente, chegaram a seu destino, abrindo as grandes portas e mirando as dezenas de estantes cheias de livros espalhadas pelo lugar. Os olhos de Belle, Aurora, Hiro e Rapunzel pareceram brilhar à visão a sua frente, enquanto que Anna, Mégara, Merida e Kristoff soltaram um suspiro cansado e Ariel uma risadinha. Finalmente, os nove se dirigiram para uma das mesas que havia ali.

– Então, em que matérias vocês precisam de ajuda? – Hiro questionou, olhando para alguns livros na prateleira mais próxima a eles, buscando um pelo qual poderia potencialmente se interessar.

Mégara permaneceu silenciosa, com seu habitual sorriso irônico, Ariel deu de ombros e abriu um sorriso inseguro, enquanto Merida, Kristoff e Anna se entreolharam rapidamente. A Dunbroch e o Bjorgman fizeram sinal para que a Arendelle falasse, de modo que ela foi a primeira a se virar para o Hamada, a French, a Perrault e a Corona com um sorriso sem graça.

– Poções, Feitiços, Historia da Magia, Defesa Contra as Artes das Trevas, Duelos, Herbologia e Transfiguração. – Anna citou envergonhada, percebendo que as bocas de dos quatro corvinos ali presentes se escancaram em choque ao saber que eles realmente não estavam entendendo qualquer das matérias dadas até agora.

– Você está brincando, não é? – Rapunzel arqueou uma sobrancelha, incrédula. Anna balançou a cabeça em negação, fazendo a loira estapear a própria face. – Merlin. Se Elsa souber disso, Anna... – Disse ainda sem acreditar, de olhos fechados, como se fosse abri-los e os outros três dissessem que era apenas uma brincadeira. Ela havia conhecido sua prima mais velha há alguns dias e, a julgar pelo modo como a percebera, supôs que a loira-platina não ficaria nada feliz ao saber que sua irmã mais nova não entendia os assuntos e ainda assim não pedira qualquer ajuda.

– Quem é Elsa? – Merida e Kristoff questionaram em uníssono antes que Anna tivesse a chance de dar uma resposta à prima, parecendo confusos. Mégara apenas arqueou uma sobrancelha, indicando que também desejava saber.

Rapunzel e Anna se entreolharam sem entender por um momento até se lembrarem do fato de que a loira-platina não era exatamente uma pessoa sociável e o loiro, a morena e a ruiva ali presentes não eram da Corvinal. Era natural eles não conhecerem-na, afinal ela não fazia qualquer esforço para que os demais estudantes soubessem que ela existia, apesar de que o grupo da qual fazia parte era bastante conhecido por Hogwarts.

– É minha irmã. – Anna respondeu ao perceber que Rapunzel esperava que ela o fizesse. A loira-morango tentava mascarar o fato de que a mais velha vinha magoando-a com seu afastamento constante. – Vocês já devem tê-la visto pelos corredores. – Continuou sem graça. – Sabe, loira, olhos azuis, mais pálida que um fantasma e anda com três sonserinas e uma grifina. – Brincou, rindo forçadamente.

– Está falando da Rainha do Gelo? – Kristoff arqueou uma sobrancelha em entendimento, recebendo olhares confusos de Rapunzel e Anna, mas percebendo que Mégara e Merida finalmente haviam percebido de quem se tratava, enquanto que Aurora, Hiro, Belle e Ariel pareceram também não entender. – Todo mundo a conhece por esse nome. – Ele explicou ao perceber que maior parte dos amigos não havia compreendido. – Não sei o porquê, mas alguns alunos mais velhos disseram que ela é, sei lá, um pouco fria. – Falou. – Foi daí que surgiu o apelido. – Finalizou, temendo que as duas que estavam relacionadas à Elsa não fossem gostar.

– Ela não é fria! – Anna rebateu um pouco alto demais, recebendo um olhar fuzilante da bibliotecária, Morgana Anders, irmã de Úrsula Anders, o que fez com que ela se calasse e se encolhesse em seu lugar.

– Anna tem razão, Elsa não é fria. – Rapunzel falou assim que sua prima se aquietou, olhando para os outros de maneira inquisitiva, quase ofendida que eles pensassem algo assim da Arendelle mais velha. Hiro concordou, afinal havia conhecido a loira-platina no primeiro dia de aula e ela lhe parecera bastante gentil. Belle e Aurora também haviam conversado vagamente com a loira-platina e ela lhes parecera uma boa pessoa. Ariel a havia conhecido ainda no trem e vira sua interação com Anna e as amigas, de modo que não conseguia agregar um comportamento frio à menina que conhecera.

– Fale isso para ela. – Merida sugeriu e apontou para as enormes portas da biblioteca, que haviam acabado de serem abertas, permitindo que duas pessoas entrassem antes que fossem novamente fechadas.

Tratava-se de ninguém menos que Elsa Arendelle, aparentemente conhecida em Hogwarts como a Rainha do Gelo, e Glinda Uplands. As duas não pareceram notar a presença do grupo ali. Ambas usavam apenas a parte de cima do uniforme da escola, composta pela blusa de botões branca e, a gravata azul e bronze da Corvinal no caso de Elsa, e a vermelha e ouro da Grifinória no caso de Glinda, bem amarradas em seus pescoços, enquanto que nas pernas, Elsa vestia uma calça jeans azul-claro e saltos azuis elegantes demais para uma escola, embora não realmente tão altos, e Glinda usava saias cinzentas e saltos prata. Sem olhar na direção das nove pessoas que as fitavam, não notando que seus olhares estavam vidrados nelas, as duas seguiram para a mesa mais afastada dali, no local mais vazio da biblioteca, e sentaram-se. Elsa começou a folhear um livro negro cujo título não era possível ler e Glinda iniciou uma tarefa de Poções que Regina havia passado naquele dia.

– Você já pode parar de babar. – Merida disse, fechando a boca escancarada de Kristoff, pois o loiro encontrava ainda chocado pela beleza da irmã mais velha de Anna e da amiga, mas rápida e desajeitadamente se recompôs.

Merida e Mégara também estavam impressionadas com as garotas. Sim, as haviam visto vagamente pelos corredores enquanto caminhavam para as aulas, mas jamais as observaram de perto ou prestaram muita atenção nelas, tal qual Kristoff. Ouviram falar do apelido de Rainha do Gelo por meio de seus colegas, assim como escutaram boatos do comportamento da Arendelle, mas nunca haviam realmente interagido com ela ou qualquer pessoa do grupo com a qual andava, sequer haviam tentado.

– Essa é a sua irmã? – Kristoff perguntou atônito, alternando olhares entre a loira-platina do outro lado da biblioteca e a loira-morango à sua frente. Elsa e Anna eram tão diferentes, e, ao mesmo tempo, tão semelhantes.

– É, essa é a minha irmã. – Anna assentiu com a cabeça, sem jamais perder a Arendelle mais velha de vista, e rapidamente se levantou de seu lugar, atraindo a atenção dos demais, que até então se encontravam concentrados em Elsa e Glinda. – Eu vou falar com ela e ver se ela e Glinda querem ficar aqui com a gente. Já volto. – Disse e saiu dali antes que qualquer um deles pudesse fazer um autoconvite e a seguisse.

Enquanto caminhava, Anna sabia perfeitamente que Elsa já tinha consciência de sua aproximação, apesar do fato de que a loira-platina mantinha os olhos azuis centrados nas letras que lia com o maior interesse que a caçula já a vira exibir para qualquer coisa. No quesito Elsa, Anna sabia que aquele livro lhe chamara a atenção porque a loira parecia extremamente concentrada nele, não apenas distraída como era com os demais, que mostravam apenas coisas que ela aparentemente já sabia.

– Oi, Elsa. Glinda. – Anna cumprimentou com o maior sorriso que conseguia exibir em meio à mágoa por sua irmã mais velha estar evitando-a nos últimos dias.

– Se você está aqui, suponho que deveria estar estudando. – Foi o que a loira-platina respondeu, tirando os olhos do livro por um instante e parecendo terrivelmente sem graça, apesar de impecavelmente composta.

Mesmo estando de cabeça para baixo para o ponto de vista dela, Anna esperava conseguir entender pelo menos uma parte do que tanto parecia prender a atenção de Elsa, mas tudo estava escrito em uma língua estranha que ela não conhecia, o que apenas serviu para fazê-la franzir o cenho. Por Merlin, o que sua irmã estava lendo?

– Eu estava pensando se vocês não gostariam de se juntar a mim e meus amigos. – Anna convidou um pouco relutante, encolhendo-se em seu lugar quando os olhos azuis glaciais e ao mesmo tempo calorosos de Elsa se centraram nela.

– Nós estamos esperando as meninas e Malévola não é muito adepta à companhia de outras pessoas. – Foi a resposta que a Arendelle mais velha lhe dera em meio a um sorriso apologético. Ela olhou para Glinda, quase como se pedisse ajuda, e a outra loira pulou da cadeira repentinamente, como se algo a houvesse acertado por debaixo da mesa.

– É verdade. – A Uplands afirmou a resposta da amiga com o mesmo sorriso de desculpas que a loira-platina exibia. – E Gretel está terrivelmente mal-humorada hoje. Não vai querer estar perto dela. – Era verdade. Quando a Weisen estava irritada, Merlin ajudasse quem estivesse em volta dela, com a exceção de Hansel, Malévola, Mirana, Elsa e Glinda, que sabiam como lidar com seu comportamento.

Mesmo que Glinda houvesse confirmado, Anna sabia que aquela era apenas uma desculpa de Elsa para evita-la, de modo que a loira-morango se virou e, com rapidez, fizera seu caminho de volta para a mesa onde estavam seus amigos. Antes de chegar perto o suficiente, abriu um sorriso sem graça, balançando a cabeça em negação para indicar que Elsa e a Uplands não iriam se juntar a eles. Porém, aquele sorriso aparentemente verdadeiro e despreocupado servia apenas para mascarar a tristeza e a mágoa pelas ações da Arendelle mais velha. Talvez Kristoff tivesse razão e Elsa fosse um pouco fria. Mas Anna ainda tinha esperanças de descobrir o porquê de sua irmã tentar afastá-la tão veemente.

...

Ragnar Westergaard, em companhia de seus irmãos mais velhos, Hammer, Kol e Gunnar, andava pelos corredores de Hogwarts, recebendo olhares que variavam de temerosos a admirados dos estudantes pelos quais passavam. Afinal, o quarteto de sonserinos era bastante popular e temido na Escola de Magia e Bruxaria. As únicas pessoas que não lhes davam importância e que eles preferiam não ir contra eram Elsa Arendelle, Malévola Moore, Glinda Uplands, Gretel Weisen e Mirana Mills. Mas ninguém realmente gostaria de uma confusão com aquelas cinco.

– Quem quer brincar com uns nerds na biblioteca? – Gunnar sugeriu com um sorriso maldoso, arqueando uma sobrancelha ao fazer seu convite, recebendo olhares divertidos de Hammer, Kol e Ragnar, que pareceram concordar com a ideia do irmão.

– Claro, por que não? – Hammer deu de ombros e, sorrindo com escárnio, fez sua caminhada com seus irmãos em direção à biblioteca da escola.

Ao chegarem lá, perceberam que não havia realmente muitas pessoas. Claro, nenhum deles notara os cabelos loiros quase brancos e os cabelos loiros dourados das meninas sentadas em uma das mesas ao fundo, razão pela qual não saíram dali imediatamente. Nenhum deles tinha inclinação a arranjar confusão de qualquer magnitude com a Rainha do Gelo e suas amigas. Os olhos dos quatro sonserinos seguiram para a figura magra e baixa de Hiro Hamada, que naquele momento se encontrava sozinho na mesa com Belle French, esperando que Rapunzel, em conjunto com Mégara, Aurora, Ariel, Anna, Kristoff e Merida, trouxesse os livros que eles precisariam para estudar. Logo, os sonserinos caminharam até o corvino, ganhando imediatamente sua atenção.

– E aí, Hamada? – Gunnar arqueou uma sobrancelha para o menino e sorriu com escárnio, cruzando os braços frente ao corpo e olhando para Hiro como se ele não fosse mais do que um mero inseto na qual ele podia pisar. – Como vai a vida de rato de biblioteca? – Perguntou com sarcasmo.

Hiro apenas trocou um olhar com Belle por um curto segundo antes que ambos abaixassem a cabeça, fitando o chão, preferindo não arranjar brica com quatro garotos visivelmente mais altos e fortes que eles. Ele não tinha qualquer chance contra aqueles quatro, principalmente por dois deles estarem no quinto ano. E, obviamente, a French e o Hamada ainda eram todos alunos do primeiro ano e o ano letivo começara há menos de uma semana, de modo que não saberiam o bastante para enfrentar os Westergaard mesmo que quisessem. Tudo o que lhes restava era torcer que os sonserinos decidissem ir embora.

– Ele está com tanto medo que nem consegue falar. – Kol falara pela primeira vez com sua voz rouca, aparentando deleitar-se com suas próprias palavras enquanto fitava os morenos com os olhos verdes ardilosos e cruéis.

– Deixem-nos em paz. – Belle pediu em tom baixo, rezando a Merlin que os quatro garotos fossem desistir de suas brincadeiras de mau gosto e fossem embora sem provocar maiores danos a eles.

– Ah, ela sabe falar. – Ragnar zombou, cutucando Hammer com o cotovelo ao ver que o mais velho dentre todos apenas sorria presunçosamente para os morenos, mas não havia feito qualquer comentário maldoso sobre os corvinos.

– Sabe, esse Hamada parece um pouco mais alto do que descreveram para mim. – Hammer comentou com escárnio, gerando risos em seus três irmãos e em si próprio, sendo estes baixos o suficiente para não chamar a atenção da bibliotecária, que fingia não ver a cena, aparentemente sem interesse em se envolver. – E não acho que ele seja um rato. – Declarou, recebendo olhares confusos dos outros, mas apenas sorriu com ironia. – Está mais para camundongo. – Falou rindo, gerando mais risadas em seus amigos.

...

Do outro lado da Biblioteca, Elsa e Glinda passaram observar os dois corvinos e os quatro sonserinos, seu livro e atividades escolares já esquecidos na mesa à sua frente. Ambas tinham as varinhas a postos, no caso de serem necessárias. Não gostavam de pessoas que pisavam em outras, em especial se fosse feito por algum Westergaard. Elas não gostavam da maioria dos treze irmãos desde o segundo que os viram pela primeira vez durante seus primeiros tempos em Hogwarts, mas guardaram seus pensamentos para si. Atenção era algo de que elas não precisavam, apesar de geralmente terem em abundância. Com os olhos semicerrados, elas continuaram a assistir o desenrolar dos eventos, cogitando interferir se a ação provar-se realmente necessária.

...

– Diga-me, que tal um pequeno duelo, camundongo? – Hammer propusera, atraindo a atenção de Hiro e Belle para si, percebendo que ambos os corvinos arregalaram os olhos ao escutar suas palavras, claramente não esperando nada do gênero, embora Hiro parecesse determinado a aceitar, mesmo sabendo que talvez não tivesse chance.

– N-não, obrigado. – Belle gaguejou nervosa, segurando o braço do Hamada para evitar que ele fizesse algo estúpido, temendo deixa-lo entrar em um duelo com aquele sonserino que, claramente, deveria ser bem mais habilidoso que ele.

– Não foi um pedido. – Hammer respondeu repentinamente sério, cruzando os braços e girando sua varinha por entre os dedos. – Se quer que os deixemos em paz, derrote-me em um duelo, Hamada. – Disse em tom de ordem, olhando para o menino de cabelos pretos com superioridade.

Hiro não era covarde. Ao contrário. Ele era extremamente determinado e corajoso, razão pela qual o Chapéu Seletor cogitara coloca-lo na Grifinória antes de se decidir pela Corvinal. Pelo modo como via o Westergaard mais velho bater o pé, o moreno sabia que o ruivo já estava ficando impaciente. Mas Belle não parecia inclinada a deixa-lo aceitar aquele desafio. E, mesmo ele reconhecia que entrar em um duelo com qualquer um daquele quarteto provavelmente seria bem pior para ele e sua amiga do que o que quer que eles estivessem planejando fazer se ele recusasse, de modo que escolheu permanecer quieto pelo bem da French. Hiro agradeceu às suas poucas estrelas da sorte ao escutar uma voz que não pertencia a nenhum deles se sobrepor ao silêncio:

– Ei, deixem-nos em paz! – A voz de Kristoff se fez ouvir por toda a biblioteca, alta e autoritária, mas não fora suficiente para despertar a atenção de Morgana Anders, de modo que não fora repreendido.

O loiro rapidamente chegou ao local em companhia de Anna, Ariel, Mégara, Aurora Rapunzel e Merida. Os Westergaard não pareceram ameaçados pelo grupo de primeiranistas. Permaneceram com sua pose de superioridade e presunção, nenhum deles se preocupando em ter qualquer problema com os novatos.

Gunnar, então, sacou sua varinha e apontou para o grupo. Kol e Ragnar fizeram o mesmo, ansiosos para acabar com o grupinho. Hammer, ao perceber as ações de seus irmãos, as repetiu, sabendo que provavelmente derrotaria os mais jovens com feitiços simples, afinal os nove à sua frente eram do primeiro ano e, portanto, menos experientes que ele ou qualquer um de seus irmãos. Kristoff, Mégara, Hiro e Merida imediatamente pegaram suas próprias varinhas, colocando-se em posição de batalha. Anna, Ariel, Aurora, Belle e Rapunzel demoraram um pouco mais, não acostumadas àquele tipo de situação, mas finalmente pegaram suas próprias varinhas.

Est... – Gunnar começou a recitar o feitiço que mandaria Kristoff voando em direção às estantes de livros se obtivesse sucesso quando foi interrompido por uma voz que não pertencia a nenhum dos treze alunos envolvidos no duelo.

Expelliarmus. – A varinha de Gunnar voou em direção à mão de Elsa, que, com habilidade e elegância, a pegou sem maiores dificuldades. Agora todos olhavam para a figura da conhecida Rainha do Gelo, que os fitava com uma sobrancelha arqueada e o lábio levemente inclinado para cima em sinal de deboche, os olhos azuis frios, embora trouxessem uma pontada de preocupação que ela se recusava a mostrar. Glinda, ao seu lado, trazia uma expressão séria e nem um pouco amigável, a varinha pronta para um combate. – Vamos tentar manter nossas cabeças, tudo bem? – Propôs, arremessando a varinha de Gunnar de volta para o ruivo, que a pegou. – Eu não gostaria de ver minha irmã, minha prima e os amigos delas na sala do diretor ainda na primeira semana de aula. – Comentou, alternando olhares gélidos entre os Westergaard, Anna e Rapunzel, que tremeram com o frio presente em suas íris azuis geralmente gentis e calorosas.

Com o olhar que a Arendelle mais velha lhe lançara, Hammer apenas gesticulou para seus três irmãos e os quatro rapidamente se retiraram da biblioteca. Gunnar, Ragnar e Kol também não pareciam à vontade com a ideia de arrumar confusão com Glinda e Elsa. E, caso Malévola, Gretel e Mirana aparecessem, a situação ficaria ainda pior para eles, de modo que eles não se atreviam a desafiá-las. Anna, Rapunzel, Belle, Ariel, Aurora, Mégara, Hiro, Merida e Kristoff, por sua vez, permaneceram parados, ainda surpresos com a intromissão da irmã mais velha de Anna em sua situação.

– O-obrigada. – Belle foi a primeira a se pronunciar, agradecendo com sinceridade. Se não fosse pela intromissão de Elsa e Glinda, ela não tinha ideia de em qual estado estariam e nem se não seriam expulsos da escola por duelar em plenas habitações do castelo.

Glinda assentiu e abriu um pequeno sorriso gentil, e Elsa, que até então estivera fitando as portas por onde Hammer, Ragnar, Kol e Gunnar haviam saído, virou-se para os nove restantes. Os lábios agora estavam cerrados numa linha fina e parecia haver uma faísca de irritação por trás dos olhos azuis glaciais.

– Que isto não se repita, Anna. – Foi o que a loira-platina disse, fitando diretamente sua irmã mais nova, que tremeu em reação ao olhar de sua irmã mais velha sobre si. – E vocês. – Virou-se para os outros oito, que instintivamente deram um passo para trás, recuando com a frieza do olhar que ela lhes lançara. – Não deixem que ela se meta em encrencas. – Ordenou sem deixar brechas para ser contestada.

Antes que Ariel, Rapunzel, Mégara, Merida, Aurora, Anna, Belle, Kristoff ou Hiro pudesse dizer qualquer palavra em resposta às dela, Elsa, em companhia de Glinda, se virou em direção às portas da biblioteca e, com seu livro negro em uma mão e a varinha na outra, deixou a biblioteca, enquanto os restantes ainda se perguntavam o que realmente havia acabado de acontecer ali.

Notas finais
Pessoal, é oficial, eu não vou mais postar se não atingir um certo número de comentários. Eu tenho onze leitores e tenho certeza de que não machuca escrever um "Gostei" ou "Odiei" ou sei lá. Então, quatro comentários para o próximo capítulo. Caso não consiga, a fic vai estar abandonada. De qualquer forma, o que acharam da atitude da Elsa? Dos irmãos Westergaard? Por que acham que eles têm tanto medo das meninas?