Notas iniciais
Última fanfic desse mês lindo. Espero que gostem.

Os fogos de artifício subiam ao céu, coloridos e reluzentes. Promessas de um novo evento em sua vida acontecendo. O calendário havia mudado e um novo ano havia chegado, será que sua vida se transformaria também? Ela podia acreditar em superstições trouxas?

Hermione era cética, não acreditava em superstições de início de ano, mas naquele 1997 que estava iniciando, quis acreditar no impossível. E tudo porque estava apaixonada pelo seu melhor amigo. Era horrível ter que disfarçar dia após dia que não se importava com ele. Não se importava se Ron estava indo mal nas matérias de Hogwarts, não se importava se estava famoso por causa do quadribol, não se importava se estava com a namorada mais insuportável de se aguentar no dormitório feminino da grifinória. Mesmo estando no momento na casa de seus pais, queria não se importar em não estar na Toca, não se importava com o fato deles ficarem na frente da TV o tempo todo e não saírem para uma viagem inesperada de inverno, não se importava em não receber o abraço caloroso da Sra. Weasley, nem de não rir das piadas de Fred e George durante o jantar, nem de não abraçar Ron parabenizando pelo ano que estava chegando e aproveitando para sentir o perfume do seu pescoço e ter seu coração saltando pela boca.

Na verdade, era horrível ter que disfarçar tudo, sentia-se uma atriz toda vez que vestia sua máscara de melhor amiga. Não tinha ninguém para se abrir, para não se sufocar com seus sentimentos, Harry, apesar de saber claramente de sua paixão por Ron, não era um amigo em que ela poderia se abrir, Gina, apesar de ser especialista em relacionamentos e disfarces no quesito paixão não correspondida, era irmã de Ron, não conseguiria se abrir completamente com ela. Desta forma, durante aquela virada de ano, em que seus pais assistiam a queima de fogos pela televisão, ela escreveu.

Escreveu uma carta a ele, uma carta que ela jurou nunca enviar ou que ele conhecesse seu conteúdo, mas escreveu para não se sufocar. E também quis acreditar nas superstições de inicio de ano, que um grande evento aconteceria, mesmo que só mudasse do mês de dezembro para janeiro, prometeu a si mesma que se tivesse a oportunidade de estar com Ron, ou de recuperá-lo desse seu relacionamento meloso com Lilá Brown, ela faria isso.

Os dias que se seguiram dos feriados festivos foram terríveis, era cada vez mais difícil disfarçar para ela, toda vez que ia ao encontro de Harry, Ron estava ao lado e consequentemente Lilá Brown literalmente pendurada em seu pescoço, travando uma luta vertical com ele, lhe sufocando com beijos longos e sempre o chamando de Uon Uon. Seu disfarce não funcionava mais com Harry, suas frustrações eram todas descontadas nele, seu mau humor e sua falta de paciência eram completamente visíveis.

Ron até tentava voltar a conversar com ela, mas levava só seu desprezo como resposta ou simplesmente Hermione fingia que não estava o ouvindo. Na verdade ela estava cansada. Cansada de fingir não se importar, quando dentro de si seus sentimentos lhe sufocavam, não lhe permitiam mais se encantar com a história de um livro algum, nem se concentrar direito em determinadas aulas, Ron estava a transformando em outra pessoa, e ela só queria o agredir de algum modo dia após dia, para que ele sentisse um pouco da dor que ela sentia.

Era aniversário dele, longos dois meses já haviam se passado desde o ano novo e nada de novo havia acontecido, seu evento com a virada do calendário não aconteceu. Não comprou nenhum presente a ele, mas sua raiva estava passando, desejou que um milagre de aniversário acontecesse, para ele, para ela... foi quando ouviu rumores no corredor de um terceiranista da Lufa-Lufa:

— ...Aquele melhor amigo do Harry Potter, ruivo, parece que foi envenenado...

Automaticamente começou a questionar o garoto, mas não recebeu nenhuma resposta conclusiva, correu até a Ala Hospitalar e encontrou Harry do lado de fora. O questionou desesperada. Recebeu respostas que tentou absorver, mas seu cérebro só focava nas informações mais importantes que ele entregava a ela:

— ...Poção do amor... Hidromel... Bezoar...

Ela sentiu que era quase impossível respirar, começou a imaginar um Ron babando se contorcendo no chão com o veneno que tinha no Hidromel... morrendo.

Gina apareceu ao seu lado e Harry repetiu toda a história a ela, Hermione se afastou um pouco deles e começou a chorar em silêncio. Não conseguia parar de imaginar se o pior tivesse acontecido a Ron, se Harry não tivesse lembrado do Bezoar, se não tivesse lido essa informação naquele livro de poções que ela odiava.

As horas se arrastaram naquele dia, e só puderam vê-lo a noite. Hermione se deparou com Ron deitado na cama com os olhos fechados, estava mais pálido que o normal, seus olhos estavam escuros, quase roxos, seus lábios secos, mas seu peito subia e descia respirando. Ela não conseguiu deixar de respirar aliviada. Seus pensamentos anteriores se resumiam em imaginar ele morrendo sem ao menos fazer as pazes e lhe dizer que sentia sua falta.

Sentou-se na cama ao seu lado, sentia Gina a observando, mas não se importou em disfarçar desta vez. Queria tocá-lo, mais do que vê-lo respirar, precisava senti-lo. Relou suas pontas dos dedos na mão dele, começou a contornar seu polegar na palma de sua mão.

Fred e George entraram no quarto, estavam em Hogsmeade e descobriram o que havia acontecido com o irmão, novas suposições de quem tinha feito aquilo com ele foram questionadas e discutidas por eles. Hermione não participava, mas ouvia tudo. Quando levantaram uma questão, resolveu dizer suas suposições que se formavam em seu cérebro.

— Então o envenenador não conhecia o Slughorn muito bem. – sua voz saiu rouca, como se não a usasse por anos, como se estivesse chorando por dias. – Qualquer um que conhecesse Slughorn saberia que havia grande probabilidade do professor guardar uma coisa gostosa daquela para si mesmo.

— Her-mi-o-ne. – Ron resmungou em meio ao sono.

Todos encararam ele, esperando que acordasse, mas Ron voltou a dormir. Hermione ouviu a porta abrir e Hagrid entrar, mas não conseguia desgrudar os olhos do amigo deitado na cama. Ele havia momentaneamente acordado e falado por causa dela?

Naquela noite, Hermione voltou a ala hospitalar. Sentiu que sua visita estava incompleta. Pegou a carta que havia escrito na virada do ano, precisava cumprir sua promessa a si mesma. Afinal, Ron havia chamado o nome dela, o seu nome, não o de Harry, ou de um de seus irmãos, muito menos de Lilá, mas sim o dela. Sentou-se ao lado dele na cama, certificou-se que não havia ninguém ao redor. Abriu o pergaminho, lentamente e expondo seus sentimentos pela primeira vez em voz alta, leu:

“Ron... Eu quero te contar um segredo, não sou quem pensa que sou, meu disfarce é tão sútil que não sei como ainda não viu, sou a garota de seus sonhos disfarçada de sua melhor amiga. Às vezes quero arrancar essa máscara, como fiz no baile de inverno, ou quando te chamei para ir ao baile do Slug comigo, mas não posso, porque você teria medo e fugiria.

Disfarço dia após dia minhas atitudes, na maioria das vezes brigo com você, brigo para estudar, brigo por não confiar em si quando joga quadribol, brigo porque está namorando. Acredito que se não brigar com você, vou deixar transparecer tudo o que sinto.

Então decidi que é melhor viver disfarçando do que expor minha verdade. Os livros me ensinam tantas coisas, mas nenhum deles é capaz de me ajudar nesse meu dilema, mas aprendi que há dois tipos de garotas, aquelas que se esquece e aquelas que cativam. Espero ser a última, a que te cativou para sempre. Tem um livro, que é um de meus favoritos, que fala muito sobre o cativar. Eu tenho necessidade de ti, tu tens necessidade de mim? Espero que sim, você me cativou, é responsável por mim, como eu sou por ti.

Sei que você não me ama agora. Não do jeito que quero que me ame, sei que existe outra que habita seus pensamentos, mas irei esperar. Dizem que o tempo opera milagres, espero que ele opere um em nós também. Você vale minha espera, e eu juro que quando a oportunidade surgir, não vou deixa-la escapar”.

Hermione terminou a leitura. Parecia que um peso enorme havia saído de suas costas. Saiu da ala hospitalar com a certeza que o futuro, apesar de incerto, reservava mais para ambos.

Lembrou de sua promessa de ano novo, de sua esperança para que a mudança de calendário mudasse o cenário que vivia. Pensou consigo que seu evento tinha acabado de acontecer, por causa dele, de sua voz silabando seu nome em meio aos sonhos. Ele havia pensando nela enquanto dormia. Era um evento pequeno, não grande como a virada de ano, mas ele significava mudanças e esperanças. Decidiu se agarrar a esse novo começo, não desperdiçaria se outra chance surgisse em sua frente, decidiu tomar as rédeas de seu próprio destino, não esperaria milagres de viradas de calendário, se concentraria nos detalhes de pequenos eventos e arrancaria seu disfarce quando achasse que poderia e que ele não fugiria.

Notas finais
Eu quero agradecer a todos que participaram de alguma forma desse mês especial para os amantes do ship romione, sendo escrevendo, lendo, mandando essas reviews tão lindas e encorajadoras. A mensagem dessa fic é mais ou menos isso, não é a virada de um calendário que muda nossa vida, nós mesmo fazemos isso, seja por um evento pequeno ou pequenas atitudes. Vamos continuar nos protegendo nesse 2021, torcer para uma vacina. Obrigada a todas meninas fanfiqueiras que conheci esse ano, as que reencontrei depois de anos, as que hoje já não quero viver sem. Escrever nos liberta, espero continuar escrevendo nesse novo ano. Fiquem de olho nos novos projetos para esse ano, começando com o fevereiro drastoria. Mais uma vez obrigada a todos que leram. ♥️
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!