Disenchanted

9 9 - Abandono


Notas iniciais
Bom dia, pessoas! Então, mais uma vez, desculpas pela demora. Obrigada pelos comentários e pelo apoio. :) Isso é importante pra mim. Queria dedicar esse capítulo à J K Rowlinda por ter deixado uma recomendação na história. Muito obrigada! Bom, nesse capítulo a sabidinha e a briguenta meio que tentam se acertar. Espero que gostem! De praxe, betado pela Srta. With. Boa leitura!

IX

Abandono

"Vai ver que não é nada disso

Vai ver que já não sei quem sou

Vai ver que nunca fui o mesmo

A culpa é toda sua e nunca foi..."

( Angra dos Reis, Legião Urbana)

Acordei um pouco lerda. Acho que por efeito da Ambrosia e dos ferimentos. Meu corpo já não estava tão dolorido quanto antes, mas o duelo com Thalia ainda estava fresco em minha memória.

Virei para o lado, notando um perfume suave em meu travesseiro. Me levantei num pulo da cama, chamando a atenção de um campista de Apolo que estava na enfermaria. Annabeth! Ela estava lá comigo, havíamos dormido e...

– Clarisse? – O rapaz aproximou-se de mim. Dei-lhe um olhar carrancudo.

– Onde está Annabeth? – Perguntei me sentando na cama.

– Ela saiu mais cedo. Vim substituí-la. Você se sente melhor? – Tive ímpetos de socar o filho de Apolo, mas me controlei. Apenas assenti e comecei a procurar por meus sapatos. – Ei, Clarisse, você ainda não pode sair e...

Segurei-o pela gola da camisa e ele segurou meus braços me olhando assustado antes de responder:

– Estou ótima! – Disse e soltei-o com certa rudeza antes de sair a passos largos da enfermaria.

Estava furiosa! Quem Annabeth achava que era para sair daquele jeito da enfermaria após eu ter confessado que estava apaixonada por ela? O mínimo que esperava dela era um pouco de atenção. Quer dizer, existiam outras maneiras dela me dar o fora...

Alguns campistas se desviavam de mim com certo medo no olhar. Sinceramente, não sabia onde estava indo. Queria encontrar Annabeth. Queria tirar essa história a limpo e, o mais importante, queria saber o que eu era para ela.

Curiosamente, fui encontrá-la onde menos esperava: Em frente à “minha” árvore, a que tinha desenhado as lanças com o canivete. Ela estava passando a mão pelo casco da árvore, justamente onde havia desenhado. E o melhor, não estava sozinha.

Sentada à beira do lago estava Thalia. A filha de Zeus estava polindo seu escudo, uma réplica do Aegis, escudo de Zeus e Atena. Pisei um pouco mais duro, esmagando algumas folhas caídas, chamando a atenção das duas. Annabeth se virou com um olhar triste e Thalia rapidamente se pôs de pé.

Lancei um olhar ameaçador a Thalia que o correspondeu. Ela tinha posto o escudo e eu já tinha desembainhado a espada que ganhei de Ares. Me repreendi por não estar com minha lança. Infelizmente, ela estava no meu chalé.

Annabeth percebeu a tensão e se colocou entre nós. Senti o aperto na espada diminuir. Ela parecia ter um efeito sobre mim que nem eu mesma sabia. A filha de Atena me ofereceu um olhar quase suplicante e eu senti meu coração se apertar. Afrouxei ainda mais o aperto na espada, mas não a embainharia enquanto Thalia estivesse ali.

– Thalia, poderia... Poderia me esperar em outro lugar? – Annabeth se dirigiu à filha de Zeus ainda olhando para mim. Vi um olhar decepcionado surgir no rosto de Thalia.

A filha de Zeus apenas assentiu e saiu, mas não sem me oferecer um belo esbarrão. Ainda me acertaria com ela.

Ficamos em silêncio um bom tempo. Embainhei minha espada novamente e me pus de frente para o lago. Comecei a catar umas pedrinhas que havia por lá e jogá-las na água. Annabeth continuava olhando a marca na árvore. E eu, bem, não sabia o que dizer. Ela me afetava.

De alguma maneira, ela me afetava. Quando estava perto dela, minha raiva me abandonava, minha decisão e minha teimosia se abrandavam. E quando ela me olhava, como se quisesse me pedir algo em silêncio, entendi que tudo que concernia à Annabeth me atingia de uma forma ou outra e eu teria de aprender a lidar com isso.

– E agora, você vai fugir de mim de novo como Dafne fugiu de Apolo? Garanto a você que não tenho a disposição dele para sair correndo atrás de garotas. – Resmunguei, sem saber ao certo o que estava dizendo a ela.

– Desculpe por ter saído sem dizer nada hoje de manhã. – A voz dela alcançou meus ouvidos como uma brisa e percebi que soava triste. Me arrisquei a olhar para ela. Ela continuava olhando a marca na árvore. Me pergunto o que tinha de tão interessante ali.

– Eu... – Ela recomeçou a falar e eu fiquei em silêncio. Era difícil para mim me silenciar diante algo que não achava certo, mas eu simplesmente não conseguia encontrar palavras. Dentro de mim, havia raiva e.... Compreensão. – Eu tive medo de alguém nos pegar ali e...

– Thalia? – Soltei o nome. Não sabia o que estava dizendo, só sabia que minha raiva estava retomando o controle sobre mim.

– Não, por que você cismou com Thalia? E se fosse Silena que entrasse lá? – Ela meio que gritou e eu me virei para ela.

– Silena não tem nada a ver com isso! – Me aproximei dela a passos largos. Não suportaria ver os olhos dela chorosos de novo.

– Não? E os beijos? E aquela cena...

– Esqueça Silena! Ela estava me ajudando!

– Ajudando? Bela ajuda! Sou uma filha de Atena muito burra! – Confesso que não entendi a última frase.

– Do que diabos você está falando, Annabeth? – Eu a encarei, meio que imprensando seu corpo contra árvore, forçando-a a me encarar. E dali eu pude ver muitas coisas nos olhos cinzentos dela, mas não acho que sou capaz de descrever todas sem confundi-las.

– Porque... – Ela desviou o rosto e começou a olhar para baixo. Quis segurar o queixo dela, mas ela começou a soltar mais palavras em cima de mim. – Porque espera-se que os filhos de Atena sejam inteligentes. E não é nada inteligente se apaixonar por quem não te ama de volta.

A voz dela era quase chorosa. Se meu coração estava pesado, aquele turbilhão de palavras só o fez ficar mais apertado dentro do peito. Parecia um pássaro engaiolado dando rasantes como se pudesse quebrar as grades.

– Annabeth, eu... – Ela escondeu o rosto em meu ombro antes de me cortar.

– Thalia pelo menos admite que gosta de mim. Já você, Clarisse, eu não consigo te ver. Eu não consigo te ler. E eu odeio isso.

– Annabeth, eu te disse noite passada.. Você estava lá... – Já não tinha mais certeza de nada. Annabeth estava frágil e eu odiava vê-la assim. E saber que era por minha causa me fazia ficar com raiva de mim mesma.

Não entendia as atitudes dela. Não sabia mais o que dizer. Fiz a única coisa achei plausível: Abracei o corpo dela e ela se apertou mais a mim, escondendo o rosto em meu pescoço e me enlaçando.

Consegui fazer ela olhar para mim. Limpei as lágrimas dela com o polegar, deixando um traço molhado pelo rosto bonito. Jurei para mim mesma que aquela seria a última vez que ela choraria por mim.

Puxei seu rosto para perto do meu e a beijei. A beijei como nunca fiz e como sempre quis. Eu podia sentir o sal das lágrimas dela e me odiei ainda mais por isso. Segurei a cintura de Annabeth e a imprensei contra a árvore mais uma vez. Meu corpo todo estremecia ao sentir o calor do dela e eu podia senti-la estremecer aos meus toques também.

Trocamos alguns beijos e eu estava me viciando no gosto dos lábios dela. De repente, senti meu corpo fraquejar, resultado do duelo com Thalia. Annabeth percebeu e me puxou para o chão com ela. Finalmente, paramos para nos encarar. Acho que meu rosto estava tão vermelho quanto o dela. Escorei meu corpo no tronco da árvore e Annabeth fez o mesmo.

– Eu... – Comecei a dizer algo, mas ela pôs um dedo nos meus lábios, me silenciando com um beijo casto.

– Essa árvore... Foi você que fez isso, não foi? – Não entendi a pergunta dela ou o que ela tinha a ver com a situação toda, mas apenas assenti.

– Sabia. – Ela disse e sorriu. Já estava prestes a dizer alguma coisa quando vi Annabeth abrir meus braços e se aninhar neles. A apertei com força, para que ela soubesse que eu estaria ali sempre.

– Eu... te... – Comecei a balbuciar essas palavras e ela me encarou com curiosidade.

– Tudo bem. Não precisa dizer. Silena uma vez me disse que não é fácil dizer esse tipo de coisa. – Ela me cortou.

– Você não acredita em mim? – A olhei um pouco triste e ela apenas me deu um beijo na bochecha.

– Você é uma das poucas pessoas em quem acredito. Só não quero te forçar a dizer nada.

– Me desculpe. – Pela primeira vez, acho que pedia desculpas sinceras a alguém. – Eu só conheço de batalhas, Annabeth. Só sei que, ultimamente, você me acalma. E quando acordei e encontrei a cama vazia... Parecia que você tinha me abandonado. E eu percebi que não poderia lidar com isso. – Ela ficou um bom tempo em silêncio, como se julgando minhas palavras. Aquilo me deixou nervosa. Por fim ela colou os lábios ao meu ouvido e sussurrou:

– Eu te amo também.

Notas finais
E então? Comentário, impressões, telefone? kkkk Beijos!