Disenchanted
15 Capítulo 15 - A Festa
Notas iniciais
Não tenho nada pra falar, apenas que esse capítulo é longo e o clima esquenta em algumas partes.
Beijoos.
— Lay! Lay! Lay! Layla! – Diana gritava no meu ouvido.
— O que? – falei, abrindo meus olhos.
— Acorde! Leticia, Mikey e Gerard estão lá na sala esperando você – ela disse.
Pulei da cama.
— Porque você não me acordou antes? – gritei.
— Eu vim aqui, mas você abria os olhos, virava pro outro lado e dormia de novo – ela disse, indignada.
Okay, eu tinha uma vaga lembrança de ter feito isso, mas eu não estava tecnicamente acordada naqueles momentos.
Peguei em meu guarda roupas uma legging preta – minha quase obesidade momentânea estava me impedindo de vestir minhas calças jeans -, uma regata branca e um casaquinho xadrez. Calcei um all star branco e amarrei meu cabelo em um rabo-de-cavalo alto. Como maquiagem, apenas passei um gloss incolor.
Fui até a sala, estavam Diana, Leticia, Mikey e Gerard conversando. Dei um selinho rápido em Gerard e cumprimentei Mikey.
— Vamos? – disse Mikey.
— Vamos – respondeu Gerard.
Gerard e Mikey haviam vindo no mesmo carro, então nós quatro fomos com um só carro até a casa de Frank.
— Tem certeza que vocês não querem que eu fique? – disse Frank enquanto Gerard o empurrava até a porta.
— Sim – respondemos juntos.
— Olha, eu posso ser útil – ele insistiu.
— Não pode não – disse Gerard. – Você só vai atrapalhar aqui.
— Valeu por me considerar tanto assim em sua vida – ele fez drama.
— De nada – Gerard riu.
— Okay, okay – Frank desistiu, levando as mãos à cabeça como em sinal de rendição. – Mas – ele recomeçou, enfatizando a palavra – cuidem com as minhas guitarras, não quebrem nada, não mudem as coisas de lugar, não façam nada, absolutamente nada além de decorar o apartamento, por favor...
— Pode deixar – Leticia o tranquilizou.
Nesse momento Mikey apareceu na sala com uma das guitarras de Frank nas mãos.
— Sabe que me deu vontade de fazer um cover do Jimi Hendrix no Monterey Pop Festival, a parte em que ele quebra a guitarra e põe fogo nela – disse Mikey, tentando tocar um acorde na guitarra de Frank.
Todos olharam para Frank, sua expressão era aterrorizada. Em uma fração de segundo ele voou para cima de Mikey, tentando arrancar a guitarra das mãos dele, Mikey ria, se divertindo com aquilo, Gerard puxava Frank, Leticia puxava Mikey para tirá-lo de entre os braços raivosos de Frank e eu entrei no meio dos dois, para tentar impedir que Frank machucasse Mikey.
— Devolve a minha guitarra, filho da mãe! – Frank gritou.
— Vem pegar – incitava Mikey.
— Ai Frank, eu estou aqui no meio, pára! – gritei, tentando fazer com que Frank percebesse minha presença ali e parasse de tentar socar Mikey, pois ele estava acertando em mim e não nele.
— Mikey! Pára de provocar! – gritou Leticia. – Devolve essa guitarra agora!
— Tá legal! – Mikey disse, tirando a guitarra. – Pega aí – ele jogou a guitarra para Frank.
Frank pegou a guitarra desesperado, por medo de que ela caísse no chão. Ele abraçou a guitarra e chegou a se ajoelhar no chão com ela. Ele alisava as cordas do instrumento, parecia estar louco.
— Está tudo bem agora – Frank disse, para a guitarra. – Papai não vai mais deixar ninguém tocar em você.
Todos nós olhávamos para ele, incrédulos. De repente ele levantou a cabeça e encarou Mikey com um olhar furioso, parecia estar prestes a atacá-lo novamente.
— Nunca, nunca, nunca, nunca, nunca mais toque nas minhas guitarras – disse ele.
Mikey ficou sem reação, com os olhos arregalados, pude o ver engolir seco, chegou a ser engraçado.
Frank levou a guitarra junto quando saiu do apartamento, provavelmente ele passaria a manhã com Diana em nosso apartamento.
Terminamos de decorar o apartamento por volta do meio dia, a festa começaria às quatro da tarde, então ainda tínhamos tempo de voltarmos para casa e nos vestirmos.
Frank ficou responsável pela lista de convidados, já que ele era o aniversariante, mas não nos disse quem convidou, não por querer esconder, apenas por que não perguntamos.
Frank, Gerard e Mikey se arrumariam em nosso apartamento, então fomos todos para lá.
Entramos no apartamento e nos deparamos a guitarra de Frank ocupando todo o sofá, a casa estava silenciosa, então deduzimos que Diana e Frank estariam no quarto dela, não nos arriscamos a ir até lá.
Também não nos arriscamos a tirar a guitarra de Frank dali, não queria que ele tivesse outro surto igual a aquele, ou pior.
Todos começaram a se arrumar por volta das duas e meia da tarde, eu ainda tinha que escolher uma roupa.
— Ai, eu estou obesa! – falei, tirando a terceira calça jeans.
— Não está – Gerard respondeu.
— Essa calça aqui – falei, erguendo a calça que eu havia acabado de tirar – me servia há três semana atrás.
— Pode ter encolhido – ele disse, inocentemente.
— É, junto com as outras duas que eu provei antes.
Ele apenas riu.
Acabei escolhendo um vestido preto com mangas caídas sobre o ombro. Ele era justo na cintura e solto na saia, que ia até um pouco acima do joelho. Deixei meu cabelo solto e o amassei um pouco para valorizar os cachos nas pontas.
Passei um batom vermelho sangue nos lábios, uma sombra, um lápis e um rímel pretos nos olhos. Calcei um sapato de salto alto e fino, preto.
— Como estou? – perguntei a Gerard.
— Linda, como sempre – ele sorriu.
— Você perfeito – sorri.
Gerard vestia uma calça jeans preta, uma camisa de mangas compridas, social, branca, um colete preto sem mangas e uma gravata vermelha. Ele estava tão lindo!
Dei um selinho nele – o batom vermelho me impossibilitava de dar-lhe um beijo descente. Depois fomos até a sala, Diana, Frank e Mikey já estavam lá.
— Leticia ainda está se arrumando? – perguntei.
— Sim – disse Mikey. – Ela está provando a milésima peça de roupa.
Fui até o quarto dela para ajudá-la, acabamos escolhendo uma saia preta, de cós alto, que chegava até um pouco abaixo do umbigo; uma blusa roxa, de mangas curtas e com decote em V; e um sapato vermelho, de salto alto.
Fomos até a sala, estavam todos agoniados, pois já estávamos quase atrasados.
— O aniversariante tem que chegar antes de todos – lembrou Frank, se referindo ao nosso atraso.
— Ninguém mandou você esperar, nós já podíamos ter ido – disse Diana.
— Eu é que não ia sozinho – ele disse.
— Então não reclama – respondeu Diana.
Ele apenas revirou os olhos.
Chegamos ao apartamento de Frank exatamente às quatro horas, logo os convidados começaram a chegar. Entre eles estavam os produtores da banda, amigos de família, parentes de Frank, Ray – o homem fantasma que eu, Daiani e Leticia vimos apenas umas duas vezes – também apareceu.
A festa foi tranquila e divertida, algumas pessoas demonstravam estranhar ver Frank, Gerard e Mikey apenas perto de mim e das meninas.
Por volta das sete horas, quando todos já haviam chegado, a campainha tocou, Frank foi abrir e eu e Diana ficamos surpresas com que estava ali.
Jessica voou no pescoço de Frank, quase pulando em seu colo.
— Parabéns, parabéns, parabéns – ela gritava.
— Obrigado! – ele disse, colocando-a no chão.
— Desculpe a demora, é que tive alguns imprevistos – ela disse.
Era mentira, com certeza. Eu conhecia esse tipo de gente de longe, gosta de chegar depois de todo mundo em uma festa, fazendo um escândalo, só para ser notada.
— Nada grave, eu creio – ele sorriu.
— Não, já está tudo resolvido – ela sorriu.
Claro que está, tanto que nada aconteceu realmente.
Ela caminhou junto de Frank e veio até onde Diana, Gerard, Leticia, Mikey, Ray e eu estávamos.
— Oi! – ela disse para Gerard, dando-lhe um abraço igual o que dera em Frank.
— Olá – ele sorriu, e o pior, correspondeu o abraço.
Gerard estava de mãos dadas comigo, mas quando ela o abraçou ele soltou minhas mãos para abraçá-la também. Os pés dela até saíram do chão.
Depois de largar Gerard ela deu um abraço parecido em Mikey – deixando Leticia irritada – e um abraço em Ray.
— Olá – ela disse apenas, sorrindo, para mim, Diana e Leticia.
Apenas sorri e saí dali, soltando a mão de Gerard rudemente, justamente para que ele percebesse que fiquei irritada com aquela situação.
Fui até a cozinha e peguei um copo de refrigerante, minha garganta estava seca de tanto ódio que eu estava sentindo. Depois fui explorar a casa, até chegar ao quarto de guitarras de Frank, era uma mais linda que a outra.
Fiquei ali, admirando uma por uma, ousei tocá-las também, Frank nunca poderia ficar sabendo disso.
Ouvi a porta abrir e olhei rapidamente, era Ray.
— Ah, você está aí – ele disse.
Ray me procurando?
— Gerard disse para eu e Frank vermos onde você estava – ele sorriu. – Mas se quiser eu digo que não te vi aqui – ele riu.
— Tudo bem, eu já estava quase saindo – sorri.
Ele suspirou.
— Isso aqui é um paraíso – ele disse.
— Realmente.
— Não diga nada ao Frank, mas eu já toquei a maioria dessas guitarras enquanto ele não estava vendo – ele riu novamente. – Ele é muito ciumento com elas.
— É, eu vi isso hoje. Mikey pegou uma delas e quase teve a cabeça decapitada – falei.
Ele riu.
— Você ficou irritada com Jessica, não é? – ele disse.
— Não – menti.
Ele percebeu.
— Ela é um pouco atirada mesmo.
— Um pouco? – arqueei uma sobrancelha.
— Muito – ele riu. – Mas nem Gerard, nem Frank e nem Mikey nunca deram bola para ela, eles apenas não querem perder a amizade.
Lembrei de Brendon, do que disse para Gerard sobre não querer perder a amizade dele. Eu estava agindo igual a ele.
— Você tem que entender que eu odiei vê-la pulando no colo dele – falei.
— E eu entendo – ele disse. – Mas você também precisa entender que qualquer coisa que ela sinta por Gerard, não é recíproco.
Concordei com a cabeça.
— Bem, eu não queria me meter – ele disse abrindo a porta novamente.
— Tudo bem – sorri.
— Nos vemos lá na sala – falou ele, fechando a porta.
Fiquei por mais alguns minutos ali, sentada, pensando em tudo que Ray havia me dito, pensando naquela garota, no que ela podia estar fazendo lá na sala. Se ela já agia daquele jeito quando eu estava perto de Gerard, eu não podia imaginar o que ela faria com ele sozinho.
Fui até a porta e a abri, a musica era alta vinda da sala. Caminhei até a sala e não gostei do que vi.
Jessica estava ao lado de Gerard, e quando falava com ele, chegava bem perto de seu ouvido, como se a musica estivesse tão alta que ele não conseguiria ouvi-la.
Diana me viu chegar à sala, e viu minha expressão ao ver aquela cena.
— Layla! – ela gritou propositalmente para que Gerard me visse ali.
Gerard olhou rapidamente e sua expressão ficou tensa quando viu meu rosto, ele sabia que eu estava a poucos segundos de voar naquela garota e mergulhar a cara dela em ácido.
Vi Ray olhar para mim também, sua expressão era como se tentasse me acalmar, como se dissesse “respira fundo, lembra o que eu lhe falei”. E foi o que eu fiz, respirei fundo e lembrei de suas palavras.
Caminhei lentamente até onde eles estavam, Gerard foi se afastando de Jessica como se quisesse amenizar as coisas. Tarde de mais.
— Olá – sorri naturalmente quando cheguei.
— Oi – todos responderam no mesmo tom, menos Jessica, que continuou falando sem parar.
— Você tem namorado, Jessica? – perguntei a ela.
— Não – ela sorriu, sem entender. – Eu tinha, mas terminamos há pouco tempo.
— Por quê? Aconteceu alguma coisa? – perguntei.
— Ele me traiu – ela respondeu, seca.
— Nossa, que triste, ser traída pelo namorado – falei e lancei um olhar duro para Gerard.
Ela apenas concordou com a cabeça e voltou ao assunto de antes.
A festa se seguiu assim, eu não falei com Gerard até a hora de irmos embora, já que Jessica também não desgrudou dele.
— A festa foi incrível – disse a Frank quando estávamos indo.
— Não seria nada se vocês não tivessem decorado o apartamento – ele sorriu. – Ah, desculpem pelo ataque hoje de manhã.
— Tudo bem – respondi. – Acho que Mikey nem se lembra mais.
— Lembro sim, ta? – disse Mikey, fingindo estar triste.
— Leticia faz você esquecer rapidinho – disse Diana.
Leticia beliscou o braço dela e ela revidou, as duas começaram uma sessão de beliscões enquanto nos despedíamos.
— Você vem conosco? – perguntei à Diana.
— Não, vou dormir aqui hoje – ela sorriu. Lembrei-me da sacola de lingeries que ela havia comprado.
Terminamos de nos despedir e fomos até o estacionamento do prédio.
— Quem era aquela louca? – perguntou Leticia baixinho para mim, enquanto Gerard e Mikey conversavam mais à frente.
— Uma amiguinha deles – falei.
— Ela cismou com Gerard, não é?
— Sim – disse, irritada.
— Se você quiser pode vir conosco no carro – ela disse.
— Não precisa – sorri, triste.
Entrei no carro antes que Gerard pudesse abrir a porta, e a bati com força.
— Não precisa quebrar o carro – ele disse quando entrou.
— Ah, me desculpe – disse ironicamente.
Ele ligou o carro e deu a partida.
— Coloque o cinto de segurança – ele advertiu.
— Não preciso, você não vai bater o carro, já que não quer quebrá-lo – usei sua última frase contra ele.
— Acontece que acidentes não são possíveis de prever – ele falou.
— Com essa velocidade nem daria para quebrar o carro – falei, eu iria usar isso contra ele o máximo que conseguisse.
Ele revirou os olhos.
— Quer dirigir – ele ofereceu, olhando sem expressão para mim.
— Não. Se eu quebro o carro apenas fechando uma porta, imagina se eu dirigi-lo – falei.
Ele riu, mas não debochado, ele havia achado graça realmente no que eu disse.
— Está rindo do que? – perguntei.
— Você sabe ser irritante quando quer – ele disse, ainda rindo.
— Eu estou lhe irritando? – perguntei, arqueando as sobrancelhas.
— Sim – ele sorriu.
— Que bom, isso me deixa feliz – encerrei o assunto.
Assim que paramos em frente ao prédio, abri a porta do carro.
— Boa noite! – ele disse irônico.
— Tchau! – falei e fechei a porta.
Ele esperou eu entrar no prédio para sair com o carro, subi rapidamente até o apartamento, Leticia e Mikey ainda não haviam chegado.
Fui tomar um banho e ouvi a voz de Mikey falando com Leticia, eles estavam entrando no apartamento.
Quando saí do banho eles não estavam na sala, mas a chave do carro de Mikey estava ali. Pude rapidamente deduzir que estariam no quarto dela.
Fui até meu quarto, deitei em minha cama e logo dormi.
Notas finais
Espero que tenham gostado e que estejam acompanhando...
¬¬ Beijos Killjoys! sz
Fale com o autor