Discovering A New World

23 Capítulo 23 – Declaração de guerra


Notas iniciais
ATENÇÃO LEITORES!! Leiam as notas finais do capítulo, por favor.

Feitiços rasgavam o ar já pesado do recinto em um mar de fúria incontrolável, enquanto a figura de cabelos brancos desvairados descarregava a sua ira, manequins após manequins sendo desintegrados pelas ondas de magia viciosa. Como ela ousava?! Quem ela achava que era para surgir assim e arruinar todos os seus planos?!

— Maldita criatura por aparecer do nada! Maldito Tom! Maldito aquele moleque irritante que se recusa a morrer. – ele vociferava com voz entrecortada pela ira.

Acuados em um dos cantos da sala, um pequeno grupo observava a tudo em silêncio, muito intimidados com a fúria de seu líder para fazerem uma intervenção. Em meio a eles, um par de idênticas esferas azuladas se estreitaram, suas mentes afiadas já planejando os próximos passos a serem tomados e suas possíveis consequências.

— Eles irão pagar. – com um silvo final e um acenar furioso de sua varinha, que dizimou o último dos alvos, o velho voltou-se para seu grupo de ovelhas. – Está na hora de derrotarmos o mal de uma vez por todas. Tom não vai ficar parado depois desse golpe. Ele atacará Hogwarts e, quando vier, estaremos preparados... Eu estarei preparado.

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Alheia a toda a comoção que a sua aparição havia causado, a Kittyara esbelta de olhos dourados caminhava com passos suaves pela trilha pavimentada que cercava o belo jardim da mansão, embora seus olhos embotados não conseguissem apreciar o esplendor e calmaria noturnos que a cercava. Ela estava tentando com todas as forças permanecer composta. Ela TINHA que ser forte. Para o bem de seu povo, dos seus amigos e companheiros, do seu filhote machucado e, principalmente, ela tinha que ser forte para Tom... Para seu amado, que havia se isolado em seu escritório com seus planos para a guerra, em uma vã tentativa de deixar a dor para trás.

— Dai-me forças Mãe. – ela implorou para o céu cheio de estrelas.

Uma brisa suave a envolveu com os cheiros doces da noite, e um pequeno sorriso se insinuou em seus lábios quando ela sentiu um calor reconfortante que a fazia lembrar-se do abraço de sua mãe.

— A Mãe nos honra com sua presença esta noite. – uma voz suave ecoou pelo silêncio que se seguiu, e logo Lilith se viu na presença da Sacerdotisa da Lua.

— Lady Yuuko. – ela cumprimentou com um sorriso suave.

— Minha Senhora. – a mulher respondeu, fazendo uma pequena reverência.

Ambas as mulheres continuaram a caminhar em um silêncio confortável, inconscientemente adentrando nas profundezas da floresta que cercava a mansão, sendo guiadas pelo desejo da Grande Mãe. O Chamado as levou até um vasto prado, onde belos lírios brancos cresciam ao redor dos restos de uma quaresmeira.

Andando com passos cuidadosos em meio as flores de pétalas prateadas, a Princesa Kittyara se aproximou da árvore morta, uma expressão de pura dor cruzando seu rosto. Ela sabia que deveria ser forte, mas... ainda assim...

— Deixe ir, minha Senhora.

E ela deixou. Rios de lágrimas peroladas escaparam pelos seus olhos, enquanto soluços cheios de pura dor e agonia saiam de seus lábios, o som do desespero se dispersando em meio ao silêncio solene do ar noturno, enquanto ela finalmente se permitia chorar. Um lamento pelo seu povo, um lamento pela sua família... Um lamento pelo seu filho perdido, seu pequeno bebê ainda não nascido. E, a medida que as lágrimas iam caindo, o tronco morto da árvore começou a emitir um brilho prateado, e logo pequenas flores azuladas começaram a desabrochar, dando uma nova vida aos galhos outrora secos.

— A Mãe compartilha a sua tristeza. – Yuuko sussurrou solenemente, seus próprios orbes alaranjados embotados pelo pesar. – Ela manterá este local como um tributo a vida inocente que se perdeu.

Se possível os lamentos pareceram dobrar de intensidade e a Sacerdotisa apenas pode se manter fielmente ao lado de sua Senhora, em um apoio silencioso, permanecendo assim até o raiar da aurora, quando então as lágrimas secaram e a tristeza deu lugar a uma fúria fria e perigosa.

— Eles irão pagar. – Lilith sibilou entre dentes, seus olhos dourados adquirindo um brilho feral.

— Eles irão. Quando nossos Irmãos vierem ao nosso encontro e os portões para o reino do Milênio de Prata forem abertos, nós poderemos retomar as orações para a Grande Mãe e o Grande Pai. – Yuuko declarou, seu semblante cheio de seriedade. – Então nós atacaremos!

Ambas compartilharam um sorriso predatório. Logo a hora de agir chegaria.

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Olhos esmeraldas embotados observara às duas figuras solitárias que se perdiam em meio as árvores da floresta, seu rosto contorcido em uma expressão de dor. Mesmo com todas as ressalvas, ele ainda sentia culpa pelo que havia acontecido.

Com um profundo suspiro, o jovem Kittyara se afastou da janela e começou a caminhar sem rumo pelos corredores escuros da Mansão. Seus passos vacilantes o levaram cada vez mais profundo até que ele se viu parado em frente a uma porta, sem ter certeza de como havia chegado ali. Estava a ponto de continuar seu caminho em direção aos seus aposentos, quando ele reconheceu a área ao redor e, mais especificamente, a quem aqueles aposentos pertenciam.

— É isso aí! – ele rosnou, um brilho resoluto surgindo em suas esferas esmeraldas.

Com movimentos firmes, o moreno respirou profundamente e ergueu uma mão para dar uma pequena batida na porta. Segundos de tensão se passaram, antes que a mesma fosse aberta e ele se visse encarando insondáveis esferas negras.

— Potter? – o elfo sussurrou, ligeiramente surpreso.

Vendo a postura determinada e o brilho nas esferas esmeraldas, o Mestre de Poções abriu mais a porta, permitindo a entrada do Kittyara em seus aposentos.

— O que eu posso fazer por você, Sr. Potter? – ele indagou, após ambos estarem devidamente estabelecidos em poltronas em frente ao fogo, com xícaras de chá fumegante em suas mãos.

— Eu não aguento mais. – Harry declarou em um sussurro estrangulado.

— Perdão?

— Eu não aguento mais ser fraco! Eu não aguento mais ver meus entes queridos sofrendo sem poder fazer nada para ajudar. Não aguento mais ser um inútil! – Harry rosnou, se erguendo de seu assento com movimentos furiosos. — Eu quero me tornar forte! Forte o suficiente para não depender mais de ninguém. Forte o suficiente para defender aqueles a quem eu quero bem.

— Por favor, Severo, me ajude! – ele implorou por fim, encarando as esferas negras. – Me ajude a me tornar mais forte!

Todo o tempo o elfo só conseguia encarar assombrado, enquanto o pequeno moreno desabafava a sua frente, cheio de pesar, dor e profunda resolução. Encarando as profundas esferas esverdeadas e encontrando apenas uma feroz determinação, o Mestre de Poções aquiesceu, deixando sua xícara de lado e se erguendo para ficar em frente ao jovem.

— Muito bem. Esteja em meus aposentos todos os dias, às 5 da manhã impreterivelmente. – Ele declarou. – Se você não aparecer, eu irei assumir que você desistiu. Não tolerarei atrasos, nem desculpas esfarrapadas. E você deverá seguir todos os comandos que eu lhe der, sem reclamar, estamos entendidos?

Harry engoliu em seco ante as demandas estabelecidas, mas assentiu, determinado a se tornar alguém que não precisasse mais depender dos outros. Alguém que pudesse salvar a si mesmo e àqueles que lhe eram importantes.

Oooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo

Longe dali os primeiros raios do sol incidiam sobre a neve fresca amontoada pelo chão, o brilho dourado dando um ar mítico às brumas que se dispersavam, revelando um pequeno vilarejo estabelecido no cume daquela montanha, que irradiava paz e tranquilidade. Suaves passos e o som lírico do tilintar de sinos complementavam o misticismo da cena, enquanto uma pequena procissão abria caminho pelas ruelas calmas do vilarejo, rumo a uma bela construção de pedras e neve. Um templo.

As cinco figuras vestidas de branco, pois esse era o tamanho da comitiva, se detiveram em frente a uma bacia rasa de ouro cheia de um líquido cristalino, que se encontrava erguida em um pedestal no meio do recinto arredondado. O cheiro suave de incenso flutuava pelo aposento, enquanto líricas vozes masculinas iniciaram um suave cântico de graças e ofertas.

“Grande Pai nosso que em tudo está,

Santificado sois vós, o Criador de tudo,

Nosso Guia e defensor,

Protetor de todas as coisas do universo.

Abençoado seja o alimento que nos oferece sem preceitos

E o lar que nos permite construir.

Poder gentil que faz regrar os valores da Grande Mãe

Seja a Mão da Justiça que nos conduz

E ajude-nos a combater nossos Inimigos.”

Poder pesado começou a circular entre as figuras, uma delas avançando com um punhal cerimonial. Com um corte rápido na palma de sua mão, deixou que algumas gotas de sangue vermelho pingassem na bacia, formando ondas na superfície antes inalterada. O vermelho começou a circular, nunca se dissolvendo, criando um redemoinho que fez o líquido antes transparente brilhar em uma coloração prateada. Do nada, no centro do redemoinho prateado, sombras e silhuetas começaram a aparecer, suas vozes ecoando por todo o templo, trazendo um sorriso de prazer triunfal ao rosto de todos os presentes.

— Logo, meus irmãos, nós teremos a nossa liberdade. – a voz grave, porém suave da figura principal chamou a atenção dos outros quatro, profundos olhos azulados brilhando com expectativa.

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—Cissaaaaaaaaa!!!!!!!!!! – o som lamentoso ecoou pelo salão de visitas da Mansão Malfoy, anunciando a chegada de uma desgrenhada princesa Kittyara, que saiu intempestivamente da lareira, sendo seguida por um muito exasperado e ligeiramente exausto Harry, um divertido Shuichi e um indiferente Lorde Kitsune.

— Milady?! A que devo a honra de sua visita inesperada? – Lady Malfoy indagou, entrando apressada na sala com seu herdeiro em seus calcanhares que, tão logo avistou o jovem moreno, correu de encontro a ele, agarrando-o em um abraço apertado.

— Ele não vai mais me tocar!! – a mulher morena se queixou, chorosa.

— Quem, minha Senhora?

— Tom! – ela declarou como se fosse a resposta mais óbvia do mundo. – Faz uma semana que ele não faz amor comigo! Ele diz que está cansado, mas eu sei que é apenas uma desculpa. – finalizou, emburrada, não dando atenção para as faces envergonhadas dos dois outros Kittyaras e o brilho divertido nos olhos dourados do Kitsune.

— Ele ainda se sente culpado pelo que aconteceu. – a loira deduziu, sentando-se em um dos sofás e fazendo sinal para que os outros se estabelecessem, enquanto ordenava a um elfo doméstico que servisse chá para todos.

— Eu sei. – a lamuria escapou quase como um miado apenado.

— Você poderia apenas amarrá-lo de uma vez à cama e fazer o que quisesse com ele.

O silêncio chocado seguiu-se a essa declaração, enquanto todos voltavam-se para encarar com variados graus de assombro ao jovem moreno Kittyara, que bebericava inocentemente uma xícara de chá, alheio aos olhares que suas palavras haviam causado. Passados alguns segundos Lilith saiu de seu estupor e se voltou para encarar ao jovem Malfoy, um silvo irritado escapando de seus lábios.

— O que você fez com o meu filhote?!!!!

— Nada!!! – o pobre loiro guinchou se encolhendo assustado em seu assento.

— A ideia tem seu mérito. – Narcisa ponderou, alheia aos olhares e silvos mortais que eram direcionados ao seu herdeiro.

— É lógico que a ideia é maravilhosa, mas eu não queria escutá-la da boca do meu inocente filhote. – a morena murmurou emburrada. Entretanto, um sorriso cheio de malícia surgiu em seu rosto enquanto um plano elaborado ia se formando em sua cabeça.

— Lembre-se que nós ainda precisamos de nosso Lorde vivo e, de preferência, são. – foi o comentário final de Narcisa.

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Tom Marvolo Riddle estremeceu ligeiramente quando um calafrio subiu pela sua coluna.

— Algo errado, Milorde? – o patriarca Malfoy questionou.

— Não é nada. – o Lorde das Trevas desconversou, se concentrando na reunião que se desenrolava a sua frente.

Ele estava reunido com seus principais comandantes, Lucius e Severo, bem como com o Lorde Ryujin e seu companheiro que ainda insistiam em abusar de sua hospitalidade, o Príncipe Vampiro, Fenrir e seu filhote, que, infelizmente trazia Black a tiracolo, e a Sacerdotisa da Lua.

Os planos de ataque já estavam quase todos concluídos, mas o homem de olhos vermelhos não conseguia afastar a sensação de mal presságio que se instalou em seu ser. Algo não estava certo, e ele odiava o fato de não saber o que estava acontecendo. Resolvendo deixar aqueles pensamentos perturbadores de lado, o príncipe dos Demons voltou a se concentrar no seu entorno, quando foi pego de surpresa pelos profundos olhos cor de vinho que o encaravam com intensidade.

— Você tem razão para se preocupar, Lorde das Trevas. – ela murmurou, e sua voz misteriosa causou um pequeno arrepio em todos os presentes. – Algo está ameaçando o equilíbrio da Magia.

— Você pode sentir isso?

— Sim... uma força estranha, maligna, está espreitando das sombras, esperando uma oportunidade... – ela murmurou, seu cenho franzido em profunda concentração. – Eu sinto que deveria reconhecer essa ameaça, mas algo está me bloqueando...

Um silêncio pesado se abateu sobre o recinto, a sensação de mal presságio atingindo a todos. Rosnando em frustração, o Lorde das Trevas se ergueu, chamando a atenção para si.

— Não adianta ficarmos nos preocupando por algo ainda desconhecido. Os planos de guerra estão feitos e logo poderemos atacar com todas as nossas forças. Irei lidar com essa nova ameaça quando ela surgir. Até lá, todos têm tarefas à serem executadas. – o moreno comandou, deixando claro que a reunião estava encerrada. O que quer que fosse essa força misteriosa, eles poderiam lidar com ela assim que se livrassem daquele velho tolo e sua corja de galinhas coloridas.

Notas finais
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