Notas iniciais
Este capitulo será provavelmente chato. Porém eu peço que leiam *-* a musica Dirty Little Secret é do All American Rejects, e por causa de ser um segredo sujo *-* que eu resolvi usar este nome. Nada na fic me pertence, além do enredo. Obviamente eu vou me casar com o Gerard futuramente, mas isso é só um detalhe!

Já era comum acordar daquela maneira, sentindo o peso do mundo em seus ombros, haviam se passado meses desde que fora embora de casa, porém as palavras de seus pais ainda martelavam em sua mente. Ele queria apenas esquecer tudo o que passou. Sentou-se a beira da cama, pegando um copo de água em cima do bidê e bebericando o liquido transparente que se encontrava ali, desejando do fundo do coração que fosse o mais forte uísque e o fizesse voltar a dormir por mais dias seguidos, para não ter de voltar à realidade. Porém fugir não era uma opção.

Contra vontade levantou-se e foi esbravejando até o banheiro. Tirou a camisa e entrou no box de mármore do hotel, abrindo o registro do chuveiro logo em seguida. A água quente lhe caiu sobre o corpo, aquecendo-o e o permitindo esquecer um pouco dos problemas. Ele teria que se livrar da cara de bunda que estava e do cheiro de defunto, estava indo a gravadora, precisava arrumar um emprego, sempre soube tocar vários instrumentos e suas letras sempre foram bem escritas, mas nunca as havia mostrado para ninguém.

Assim que saiu do banho, penteou os cabelos negros para trás, secou o corpo e procurou na mala a calça jeans favorita, preta obviamente. Colocou uma camiseta branca e os all star sujos, típicos de um adolescente, pegou o violão e o caderno com as músicas pouco se importando coma bagunça que o quarto estava. Era a ultima vez que pretendia passar a noite ali, iria achar outro hotel com uma senhora mal humorada na recepção para dormir naquela noite. Tateou os bolsos em busca do celular e do bilhete com o endereço da gravadora. Já com os dentes escovados e a barba feita, pegou seus óculos de sol e bateu a porta do quarto 54 do hotel.

Desceu as velhas escadas de madeira, até a recepção, mandando um beijinho com cara de nojo para a velha que se encontrava em uma cadeira no canto do salão e saiu para as ruas de Nova Jersey, colocou os óculos escuros e o violão nas costas e saiu caminhando.

Não tinha dinheiro para um taxi, mal tinha dinheiro para um prato de comida. Iria a pé mesmo. Talvez precisasse pegar sol, um bronzeado, era tão branco e pálido que parecia doente. Não demorou muito para chegar aonde queria. A plaquinha escrita “empurre” com um coração e toda florida o fez achar que aquele lugar era uma piada. Mas o garoto lá dentro com piercings e uma pequena franja tapando apenas o olho esquerdo o encorajou a entrar e dar uma olhada.

Ele empurrou a porta pesada, que se abriu, fazendo com que tocasse um sininho irritante que ele desejou por um segundo que explodisse. O garoto se virou para ele, o encarando com aqueles grandes olhos verdes o deixando estático por um momento, ali algo havia acontecido, algo que ele não podia explicar. Mas precisava conhecê-lo de alguma maneira.

- Hm, você deve ser Gerard! Estava te esperando garoto! – O velho do outro lado do balcão grasnou.

- Desculpe... Moro longe e vim a pé! – Disse Gerard um pouco constrangido.

— Tudo bem, não esperei muito. – O menino dos olhos verdes disse.

- Ah e você é quem? – Não quis ser grosso, mas foi.

- Sou seu guitarrista, lembra-se que ligou para cá, dizendo que queria uma banda? Pois bem, estou me apresentando, Frank Iero. – Estendeu a mão branca para ele.

- Gerard Way... Acho que sou seu vocalista. – Apertou a mão do mesmo. Uma onda passou por eles, os fazendo soltar as mãos rapidamente com o susto.

- Você consegue ser mais branco que o pequeno Frankie! – O velho gorducho voltou a grasnar.

- Desculpe. – Ge pronunciou-se, mesmo sem saber o porquê de ter pedido desculpas, achou que era uma boa idéia desculpar-se.

- Tudo bem! Vamos lá meninos! – o velho gorducho o qual chamavam de Jerk os empurrou para uma pequena salinha de som no fim de um longo corredor.

A sala era espaçosa e ali estavam todos os instrumentos básicos para alguém querer montar uma banda. Com dois caras de brinde. Um gordinho com os cabelos cacheados e desarrumados, com calças bem justas e uma jaqueta de couro conversava com um mais baixo, mas não tanto, com um moicano meio esquisito, que estava sentado na bateria, eles riam e apontavam para Gerard.

- Droga, eu não acredito! Olha quem arranjamos! – O cabeludo riu.

- Não pode ser! Desenterrou esse daí Jerk?! – O outro exclamou se levantando rápido.

- Credo! Vocês estão uns monstros! – Gerard riu enquanto largava o violão perto da parede e ia falar com seus velhos amigos. – Bob e Ray, nunca imaginaria encontrar vocês aqui. – Disse sorrindo.

Frank havia ficado para trás perto da porta. Com sua guitarra na mão, apenas observando. “Ótimo”, pensava ele “Mais um esquisito para a banda”. Ele sentou-se em um banco e começou a tocar algumas músicas antigas, que seu pai havia lhe ensinado. Gerard, Ray e Bob eram amigos de infância, estudaram juntos da quinta até o segundo ano, quando Gerard largou a escola pois havia saído de casa e os pais recusavam dar-lhe um ensino enquanto não morasse sobre o mesmo teto deles. Os garotos não se haviam há meses, mais ou menos uns oito meses, nem conversavam. Gerard nunca atendia ao telefone quando eles ligaram das primeiras vezes, por isso os garotos desistiram.

- Como está seu irmão Mikey? – Perguntou Bob.

- Não falo com ele, desde aquela época. – Gee pareceu chateado, mas já havia se acostumado a viver longe da família. A única pessoa a qual ainda era apegado era sua avó. Que lhe apoiou quando decidiu formar uma banda.

- Fiquei sabendo que ele começou aulas de baixo, dizendo que quer seguir o mesmo destino que você, péssimo irmão! Que exemplo! – Ray riu junto com Gee e Bob.

Frank tossiu para chamar atenção dos meninos, já estava cansado de toda aquela melosidade de amigos que não se viam a muito tempo, ele não tinha muita paciência para isso.

- Sem querer ser chato, podemos... Tentar começar alguma coisa aqui? – Ele se envergonhou por todos terem olhado para ele.

Diferente de Gerard que era gordinho e alto. Frank era bem baixo para um homem, porém ainda sim tinha o tom de pele parecido com os de Gerard e o cabelo igualmente negro. Os olhos esverdeados também lembravam os olhos oliva de Gerard. Só que apesar de ser pequeno, era muito metido.

- Tudo bem! – Gerard disse sentando-se na frente do microfone.

- Alguém tem alguma música que goste muito que sabe saiba que os outros saberão tocá-la e cantá-la? – Ray perguntou.

Todos pararam um momento, pensando, ninguém ousou pronunciar alguma palavra. Simplesmente porque podiam dizer alguma musica muito ridícula e os outros rirem da idéia. Frank continuava olhando para a sua guitarra, batucando com os dedos nervosos. Gee o acompanha com os olhos, fascinado com o garoto, não podia conter sua curiosidade, queria saber mais sobre ele. Ray e Bob não estavam realmente pensando em alguma música, e sim no ato de tocar, eles só pensavam no futuro, de sair estourando caixas de som e ouvir os gritos da platéia em um grande show, um sonho grande para quem não havia nem começado.

- Hm, que tal “Perfect — Simple Plan” – Sugeriu Frank, fazendo Gee se soltar de seus pensamentos e Bob dar um berro.

- Isso ai! O anão ali teve uma ótima idéia. – Todos riram menos Frank.

- Anão, eu posso acabar com você em um segundo. – Disse irritado.

- Calma ai maquina de matar anã! Vamos apenas tocar hoje, chutar o Bob amanhã! – Gee soltou tentando descontrair.

Eles começaram a tocar. Gerard começou cantando depois da parte solo. O dia nostálgico que o garoto pensou que iria ter não foi como ele esperava, ao invés disso, em meses ele conseguiu rir verdadeiramente, fazer piadas e se sentir bem em um local, ele pertencia à música, ali era o lugar dele. Não lhe importava o que os pais diziam. Frank sabia a música de cor, ele adorava tocar em seu tempo vago, mas nunca havia visto um homem cantá-la tão bem, com um tom tão profundo que parecia que havia sido feita por ele aquela música, ele parecia entender completamente seu significado.

Talvez compreendesse, pois se parecia um pouco com sua história. Não era algo que ele estivesse cantando por cantar, ele sentia-se naquela música. Conforme a música ia chegando ao final, as notas iam ficando mais calmas e os garotos paravam de tocar. Um silêncio constrangedor se instalou no quarto, todos eles sem soltar nem um pio. Olhando para baixo, perdidos em pensamentos.

Quando uma risada histérica os fez voltar a realidade!

- Muito bom! – Jerk e mais alguns homens aplaudiam os meninos. – Muito bom mesmo! Garotos estes são Phill e Donald! – Sorriu apresentando os outros dois que se encontravam com ele. – Aqueles ali atrás são apenas os seguranças puxa- sacos que eles carregam para cima e para baixo! – Riu mais um pouco sozinho.

- Então meninos – Phill começou a dizer, querendo tirar a aflição que se encontrava no rosto dos garotos ali sentados. – Queremos contratá-los. – Sorriu fechando as mãos como se fosse... Rezar.

- Como assim?! Acabamos de começar! Nem sabemos se isso vai dar certo! – Ray se pronunciou.

- Vocês tem talento, estão no caminho certo, podemos dar um empurrãozinho e em uns dois meses estarão lá no topo! – Riu Donald, sua voz de garça morta. Entenderam o por que do apelido.

Notas finais
Nunca fui boa com incios, perdoem-me, sou melhor com finais.