Dirty Little Princess
27 Crazy
Notas iniciais
Definitivamente não imaginei que minha volta a Hogwarts seria assim, e por assim quero dizer, eu meus pais e a diretora McGonagall batendo um papinho amigável na sala dela:
-MAS MINERVA! COMO É POSSÍVEL QUE NÃO CONSIGAM IDENTIFICAR O CRIMINOSO?-Quanto mais alto meu pai gritava mais eu tentava me afundar na cadeira, pena que já fazia uns quinze minutos que eu tentava sem obter sucesso.
-Harry, querido se acalme. -Pedia minha mãe pela enésima vez, ao passo que meu pai respirava profundamente e murmurava:
-Me acalmar, como posso me acalmar, Lílian sozinha em Hogwarts. -É parece que aquele papo de pais compreensivos que apoiam a filha em qualquer decisão não se aplicava àquela questão. Papai queria colocar aurores no castelo ainda estava inconformado com o fato do "criminoso" não ter aparecido.
Aparentemente em sua concepção eu ainda estava fragilizada demais e meu estado emocional não me permitia ver o perigo eminente que eu corria. Acho que meu pai pensava que como a pessoa que enfeitiçou o balaço não conseguiu o que queria, me "matar" poderia tentar executar um outro plano, algo tão terrível quanto me acertar com um bastão de quadribol ou algo assim.
A diretora parecia bem envergonhada, aposto como toda a história do balaço gerou o maior problemão pra ela, o conselho de pais foi reunido e tenho quase certeza que se McGonagall fosse só um pouquinho menos esperta teria sido afastada do cargo.
-Bom Sr. Potter, é como já expliquei, não temos provas, os alunos estavam apavorados, a chuva atrapalhou a visão de todos e quem quer que tenha enfeitiçado o balaço deu um jeito de sumir com o mesmo.
-Então quer dizer que o balaço foi mesmo enfeitiçado? -Perguntei falando pela primeira vez desde que tínhamos iniciado a conversa.
-É o que madame Hoch diz Lílian, o balaço se portou exatamente como uma bola adulterada, o fato de não ter ido ao chão quando pegou o pomo comprova também que quem quer que o tenha feito tinha muita habilidade. Só um perito em feitiços saberia desfazer todos os encantos vindos de fábrica com a bola, e acredite são feitiços poderosos criados por especialistas para evitar fraudes nos campeonatos. -Explicou McGonagall de um jeito automático, como se já houvesse feito aquilo muitas e muitas vezes.
-Viu só Harry? Já falei pra você nenhum estudante seria capaz de fazer isso, Minerva já garantiu que a entrada e saída de estranhos da escola será rigorosamente controlada. Lílian está segura aqui. -Falou minha mãe de modo sério, confesso que eu estava chocada com aquele seu comportamento racional, geralmente ocorria o contrário.
Eu vim preparada para o costumeiro escândalo materno de "não posso perder o meu bebê de vista", que por sinal, foi posto em prática muitas vezes nas últimas semanas. Mas fui surpreendida por uma Gina Potter absurdamente calma, só faltava ela tomar um chazinho enquanto meu pai quase arrancava os cabelos ao seu lado.
-Gina, eu sei do que estou falando, passei anos fugindo de um homicida e nem mesmo Hogwarts me manteve em segurança!-Explodiu meu pai.
-Sr.Potter devo lembrar que geralmente era o senhor quem escapava de Hogwarts, por mais que a escola quisesse protegê-lo. -Disse a diretora fazendo meu pai ficar levemente avermelhado e finalmente parar de dar "piti" na sala da direção.
Estava ficando brava, será que ninguém iria perguntar o que eu pensava de tudo isso? Eu só queria voltar normalmente para a escola, o banquete de boas vindas já devia estar começando e eu ainda estava ali presa naquela discussão inútil. Daqui a pouco Sara e o Hugo teriam dado um fim a toda a comida boa em um raio de 15 km de distância da mesa da grifinória.
Suspirei pesadamente, pelo visto o dramalhão do meu pai estava passando para mim. O que não era nada, nada bom mesmo. E mais uma vez desde que cheguei a sala da diretora tive vontade de sair correndo sem olhar para trás. Não o fiz por dois motivos, provavelmente seria impedida antes mesmo de chegar a gárgula ou estão com a minha atual formidável coordenação motora desceria rolando pela escada.
O que meu pai queria, afinal? Mobilizar toda a força de aurores e colocá-los atrás de mim? Não obrigada, honestamente não acho que tenha alguém querendo me matar.
-Filha, o que você acha? — Cacetada, eu poderia beijar minha mãe por ter perguntado isso, aleluia alguém se lembrou da principal envolvida nisso tudo.
-Eu acho que vocês deviam ir pra casa e me deixar ficar tranquilamente aqui na escola, como sempre fizeram. -Respondi prontamente, a expressão do meu pai deixou bem claro que isso não iria acontecer.
-Mas filha, tem alguém querendo te machucar! Alguém armou pra você! Não está louca pra descobrir quem fez isso? -Pediu ele agoniado.
Eu estava? Talvez no momento em que acordara, talvez nas horas em que a dor era profunda e agonizante, talvez nesses momentos que quis me vingar, quis saber quem fora o responsável por tudo. Senti vontade de achatar a pessoa com minha vassoura, senti vontade de chorar olhando para o ser desprezível e pedir, por quê?
Por que você estragou o meu sonho? Por que acabou com tudo que planejei? Mas então a voz serena de Alvo me vinha em mente, eu nunca me recuperaria, nunca mais voaria...
Então de que adiantava? De que me adiantava alimentar um desejo de vingança que só me deixaria ainda mais pra baixo. Sara não concordava comigo, se ela não estivesse tão desesperada para ir bem nos NIEM's faria ela mesma uma investigação, aposto que daria Veritaserum para cada alma desse castelo, só para arrancar uma confissão.
Mas eu não era como a Sara, nunca seria e nem conseguiria ser, eu não saberia o que fazer com a informação, eu realmente abominava o desejo de me vingar de alguém, preferia acreditar que quem quer que tenha me machucado tenha feito sem querer. Intimamente desejava que o culpado não fosse afinal, tão culpado assim, rezava para que essa pessoa tenha feito tudo inocentemente com a única intenção de fazer a Grifinória perder.
-Filha?-Chamou minha mãe me trazendo de volta para a realidade.
-Não, não quero saber quem fez isso. -Meu anuncio causou reações imediatas e diferenciadas em cada um dos presentes, minha querida mãe esboçou um sorriso como se já esperasse por isso, Minerva McGonagall suspirou aliviada creio que assim como eu não queria incriminar um de seus alunos.
Já meu pai pareceu ainda mais transtornado.
-Lílian, como pode não querer saber! Tem alguém querendo te machucar, a pessoa pode tentar de novo!
-Para pai. Não consigo acreditar quem alguém de dentro da escola queira me machucar, são todos meus colegas, são meus professores. Além disso conheço mil maneiras mais eficazes de matar alguém do que um balaço enfeitiçado.
-Você é boa de mais Lílian, claro que não acredita nisso. -Respondeu meu pai com uma expressão ressentida.
-Se me permite dizer Harry, sua filha agiu exatamente como o senhor agiria anos atrás, lamento perceber que o garoto que preferiria morrer a desconfiar de um amigo não está mais aí!
Foi como se McGonagall tivesse dado um tapa em meu pai, por outro lado eu entendia o lado dele, Harry Potter nunca quis que seus filhos passassem por situações minimamente parecidas com as que teve de enfrentar.
E mais ele não se conformava que ele o chefe dos aurors, herói do mundo mágico, não fosse capaz de descobrir quem fez algo tão terrível contra um de seus filhos. Não iria se conformar sem saber que fez de tudo que podia para garantir que sua princesinha se encontrava em segurança. Se ele mesmo não poderia seguir meus passos como uma sombra então que mal havia em exigir que uns quarenta aurores o fizessem? Não era exagero, era só prevenção e bom senso!Pelo menos era isso o que ELE pensava.
-Me promete Lílian, me promete que vai estar sempre de olho no mapa? -Pediu ele por fim.
-Prometo pai, eu vou ficar bem, você só precisa confiar em mim. Eu nunca mais vou deixar ninguém me machucar. -Falei aparentando mais certeza e confiança do que realmente possuía.
-Posso garantir Sr. Potter, os monitores vão ficar de olho nela, assim como os professores, Lílian estará segura aqui. – Viu, para que aurores? Já estava prevendo ser seguida sempre por alguém pelos corredores, só por "segurança".
Abracei meus pais antes de finalmente caminhar pelos corredores de pedra, tão amados e tão conhecidos, uma parte de mim sempre estaria em Hogwarts, eu entendia porque Berlioz meu gato louco, amava tanto aquele lugar.
Quando cheguei próxima ao salão principal de onde já se podia ouvir o característico som de conversas e talheres batendo nos pratos, senti uma vontade imensa de chorar, eu tinha escapado por tão pouco, eu tinha dito não pra morte. Como eu pude sequer cogitar a possibilidade de não voltar nunca mais para a escola?
Fiquei surpresa com a quantidade de gente que se levantou para vir me abraçar, pessoas de todas as casas e de todos os anos, todos sorriam e diziam o quanto ficaram preocupados. Quando finalmente consegui me sentar ao lado de Heloíse senti um par de olhos azuis me analisando.
Lana Prescott parecia péssima, se é que se pode dizer isso dela, porém os cabelos loiros sempre perfeitamente escovados estavam presos de modo desleixado, as raízes estavam bem escuras o que mostrava que ela não havia retocado o loiro. Estranho, pesadas bolsas negras sob seus olhos brilhantes mostravam que ela não dormia bem há muito tempo, ela sempre fora magra porém naquele dia me pareceu esquálida. Quando a sonserina percebeu que eu a encarava baixou os olhos para o prato, percebi então que ao lado do alimento ela tinha aberto sobre mesa um pesado livro, Lana estudava enquanto comia e parecia exausta.
-Ela está péssima. -Comentou Lise olhando para o mesmo lugar que eu.
-Por que ela está tão desesperada? Já entrou para a Academia na França o que mais pode querer? -Perguntei confusa enquanto enchia meu prato com a deliciosa comida da escola.
-Não acho que ela tenha recebido a carta de confirmação no natal. -Respondeu Sara.
-Por que diz isso? Eu recebi, por que ela não?
-Porque eu recebia uma carta da academia, ela estava na casa dos meus pais. -Respondeu a castanha simplesmente. Por alguns poucos minutos comemorei, UHU, eu e Sara iríamos para a escola juntas ano que vem, seríamos colegas de quarto e...Droga, ela ia pra Rússia, aposto como minha melhor amiga nem se importou de ter sido aceita em Paris.
-Você recebeu uma carta? Mas pensei que Lana e Lílian é que foram as estudantes escolhidas esse ano. -Perguntou Heloíse meio chocada.
-Parece que após eu ter sido convidada para a academia auror passei a ter mais valor para essas escolas de formação. É muito difícil a entrada na academia auror da Russia, ainda mais por ser uma garota e não um garoto, isso inevitavelmente chamou a atenção. Recebi inúmeras cartas no natal, Salém, Califórnia, França e até uma no Brasil. Lugares que antes me ignoravam pelos mais variados motivos, passaram a demonstrar interesse -Informou Sara como se ser chamada para academias de formação bruxa fosse a coisa mais simples do mundo.
-E você tem certeza que quer ir para a da Rússia? Com tantos lugares mais agradáveis... -Pediu a garota de cabelos róseos.
-Tenho certeza absoluta Lise, já mandei todos os documentos necessários. -Respondeu ela um pouco indiferente, aposto que estava sentido falta do meu irmão. Desde o começo da janta ela falou pouco, mas sempre parecia manter seus olhos em mim. Não seria difícil imaginar quem seria a principal responsável por minha vigilância. Acho que ninguém seria louco de tentar algo com ela em minha cola, eu particularmente não gostaria de vê-la pondo em ação toda a habilidade que demonstrava na aula de defesa contra as artes das trevas. Ainda mais sem a presença de um professor para refreá-la.
Já Lise falou a maior parte do jantar. O que não era novidade. Aquela ali nem precisava de incentivos, falava sozinha se preciso, mas não deixava de falar. Apenas em um momento do jantar ela se calou por uns instantes, foi quando Hugo se aproximou puxando conversa. Mas ela logo se recuperou e agiu normalmente. Ou talvez ela tenha sempre agido normalmente e eu esteja ficando paranoica com sua ações perto de Hugo.
Ele parecia normal. Hugo Weasley seria sempre Hugo Weasley. Conversava normalmente e exibia seu maravilhoso sorriso de covinha para quem quisesse ver. No peito ostentava o distintivo de capitão do time de quadribol, era a escolha óbvia da diretora, mesmo assim doeu vê-lo usando um acessório que fora meu há quase dois anos. Mais que o acessório, doeu saber que dali pra frente as decisões eram dele.
Aos poucos a vida e Hogwarts voltaria ao normal, eu só não tinha muita certeza disso naquelas primeiras horas após o natal, eu não poderia imaginar o quanto as pessoas começariam a surtar com a proximidade dos NIEM's. E eu que achava que já vira de tudo nos NOM’s. Se antes eram poções esquisitas e de origem duvidosa agora os absurdos se estendiam até mesmo a vestuários e acessórios.
Sem dúvida parecia que alguns iriam lutar contra um demônio e não realizar uma prova prevista desde sempre no desenvolvimento acadêmico.
Não pude imaginar o quanto todos os monitores e professores passariam a me vigiar eu realmente quase nunca me via sozinha e nos momentos em que poderia estar era vergonhosamente acompanhada e monitorada. Lise surpreendentemente passou a adotar o papel de amiga chiclete, acho que em seu ponto de vista se ela não poderia me defender de um possível agressor ao menos estaria ali para apanhar ao meu lado.
Já Sara não foi surpresa nenhuma, pegou para si a tarefa de me vigiar constantemente, quando estudava para o NIEM’s mantinha um olho no livro e outro em mim, quando eu ia tomar banho esperava no quarto porque ela estava "estudando em sua cama". O único momento em que me dava um folga era para escrever cartas ao James e ler as que recebia do mesmo.
Os momentos em que ela recebia as cartas costumavam ser os pontos altos da semana, ela ficava durante mais ou menos umas duas horas completamente aérea, minha pobre melhor amiga virava piada na língua ferina de Heloíse.
O primeiro mês após o natal pareceu correr mais rápido que o normal, eu me via em uma confusão de estudos, conversas, vigilância e assaltos à reserva de chocolates da monitora chefe de Hogwarts. A mesma não conseguia estudar sem um chocolate em mãos, e claro fazia questão de lavar as amigas para o mau caminho.
Era até engraçado ver como muitas vezes uma reunião que deveria resultar em uma bateria de testes terminava, Lise e Sara jogando os livros para o lado e rindo dos escândalos dos outros septimanistas. Como se elas mesmas não estivessem com os nervos a flor da pele, vivíamos em uma constante montanhas russa emocional. Lágrimas viravam risos em questão de segundos e o sentimento de companherismo entre os veteranos crescia com isso, estávamos todos no mesmo barco.
Mas definitivamente nem todos os escândalos gerados pelos NIEM’s poderiam me levar a imaginar o término do namoro de Hugo e Lana.
Caminhávamos até a biblioteca como sempre fazíamos nos sábados de manhã, era quase Fevereiro e a neve ainda permanecia firme do lado de fora. Já fazia parte da minha rotina estudar aos sábados com Sara, Hugo e Heloíse assim qualquer aluno saberia onde nos encontrar.
A biblioteca de Hogwarts estava quente e cheia de alunos naquela manhã, fazia alguns minutos que estávamos ali quando Lana entrou carregando uma dezena de livros pesados, parecia ainda mais magra e cansada. Só pra constar ela ainda não tinha pintado o cabelo. E eu que sempre criticava a mesma sobre a cor oxigenada estava quase dando pra ela de brinde uma tintura. Sim, a situação estava crítica.
Hugo e Lise estavam juntos debruçados sobre o livro de História da Magia, os dois tentavam decorar os nomes dos duendes e eu só fui ver o tamanho da confusão quando Lana já estava parada em frente aos dois.
-Chega Hugo Weasley, eu cansei. -A voz dela estava firme e decidida, e logo todos que estavam próximos prestavam atenção. Hugo se levantou rapidamente e encarou a garota que parecia perigosamente linda.
-Cansei de ser feita de idiota por você! CANSEI DE TER QUE ATURAR ISSO! -Continuou ela erguendo a voz.
-Lana, você tá entendendo tudo errado. -Começou meu primo me dando vontade me juntar à loira oxigenada e gritar com ele. Rose, a irmã mais velha dele, tinha razão ele era DIGNO DE PENA.
-NÃO, EU NÃO ESTOU!Você não se importa comigo,você só se importa com você mesmo Hugo Weasley! Sua vida é perfeita e você faz dela uma tragédia. VOCÊ TEM TUDO O QUE QUER!
-Meu amor, vamos conversar, vão expulsar agente dá biblioteca. -Hugo tentou amenizar a situação e deu a volta na mesa, segurou o braço da sonserina o que só a fez gritar ainda mais.
-ME SOLTA! EU ODEIO VOCÊ! NÓS ESTAMOS TERMINANDO HUGO!
-Não faz isso.-Pediu Hugo Weasley parecendo levemente desapontado.
-Por que? -Perguntou ela baixando o tom de voz. Eles nem pareciam se importar com a multidão de alunos que estava ali, imaginei onde estaria a bibliotecária que ainda não tinha mandado todo mundo calar a boca.
-Lana...
-Me dê um bom motivo pra não sair dessa biblioteca e nunca mais olhar na sua cara. -Me senti envergonhada por estar ali assistindo toda aquela cena, parecia intimo de mais, pela primeira vez cogitei que o sentimento ali, poderia ser verdadeiro. Os olhos azuis e angelicais de Lana Prescott brilhavam de lágrimas, os lábios finos tremiam ao passo que Hugo parecia constrangido, perdido em meio àquela confusão.
-Eu preciso de você. -Respondeu Hugo finalmente.
-Não é bom o suficiente.-Disse Lana Prescott saindo rapidamente da biblioteca, e assim não de outro modo, não mais romanticamente nem de modo mais dramático. Foi assim que finalmente uma das coisas que mais desejei durante muito tempo aconteceu.
Lana Prescott e Hugo Weasley não eram mais um casal.
E eu que sempre esperei por este dia não senti nada. Não senti pena do Hugo pelo modo como Lana tinha acabado com ele, e o mais importante, eu que sempre achei que quando isso acontecesse estaria ali a sua disposição percebi o quanto as coisas tinham mudado.
Sim, eu estava sozinha e finalmente Hugo Weasley não estava mais nas garras de Lana Prescott. Mas eu não queria mais. Era sofrível ver o quanto Hugo era indeciso e não sei ao certo quando tomei esta decisão, mas eu definitivamente não era mais aquela que esperava para ficar com as migalhas que outra tinha abandonado.
Finalmente a bibliotecária chegou, querendo saber o que era aquela confusão. Tarde de mais velha! Senti vontade de gritar, mas a boa educação me conteve, não sei bem como minha expressão devia estar naquele momento, só posso dizer que não me surpreendi quando vi que Heloíse abraçava Hugo como se o consolasse. E eu senti alivio. Por ver que não era eu ali o abraçando. Eu senti alivio, porque aparentemente estava superando, mesmo que uma parte ainda queria correr para ele, uma parte mais forte e sábia me refreava.
-Lílian, está tudo bem? -Me perguntou Sara, que até então permanecera quieta ao meu lado.
-Não fui em quem acabei de terminar um namoro. -Respondi secamente.
-Você me entendeu. -Falou minha melhor amiga de um modo inesperadamente compreensivo, talvez James estivesse amolecendo aquele velho coração gelado.
-Hugo é página virada Sara.
Página, isso me faz lembrar o livro de páginas em branco no fundo do meu malão, ainda não sei bem o que fazer com aquilo, por outro lado passo horas olhando a fênix renascer, podia ser fácil daquela maneira.
A cada novo dia a cumplicidade que só aumentava entre Hugo e Heloíse me feria, me fazia querer voltar pra cama e esperar o mundo voltar a ser como era antes. Eu me via em Heloíse, a cada vez que ela pulava sobre ele dando risadas eu conseguia ver uma Lílian Potter mais jovem louca pelo primo charmoso e engraçado. E eu temia por ela. Não é fácil ter um coração partido.
Eu não sabia se a sensação que eu sentia de que assim como eu havia me decepcionado com ele Lise também o faria, era uma sensação boa ou ruim, quando a neve começou a derreter Heloíse recebeu uma carta de seu pai.
-LÍLIAN, SARA! LEIAM ISTO! MEU PAI MUDOU DE IDEIA!-A garota entrou no salão principal correndo e balançando um pedaço de pergaminho. Seu sorriso brilhava e ela parecia prestes a chorar de alegria.
Filha,
Pensei melhor sobre mandá-la para Berlim no próximo ano, só irá se quiser. Você é muito jovem minha menina e um amigo me convenceu que ainda há tempo para mais alguns anos de liberdade antes de se dedicar aos negócios da família.
Considere isto como um presente de aniversário, dois anos, estou te dando dois anos para que conheça o mundo, trabalhe onde quiser ou estude onde quiser. Após este prazo se ainda não tiver se decidido por alguma carreira você irá para Alemanha.
A chave da herança que sua mãe lhe deixou vai junto com essa carta, faça bom uso do dinheiro e de seu tempo.
Cordialmente,
Seu pai.
-Lise! Isso é ótimo! Você conseguiu o que queria! -Imaginei se o amigo a qual o Sr. Chase se referia não seria meu pai, esta certo que eles não pareciam ter uma relação muito amistosa, mas o importante é que um pouco de vida retornou ao cinza dos olhos de Heloíse.
Sara parecia desconfiada. Li isso em seu rosto, porém nem ela foi capaz de tirar a animação de nossa amiga. Então permaneceu calada. O que vinha acontecendo muito ultimamente. Era como se diferente de antes ela não quisesse exibir a sua opinião a tudo e a todos. Eu tinha a sensação de que enquanto o tempo mudava lá fora as coisas mudavam aqui dentro do castelo.
As pessoas começaram a mudar. Algumas mais do que outras, mas todas mudavam. Não sei se já era assim antes do meu acidente, mas estando cada vez mais presa ao castelo eu passara a analisar as coisas ao meu redor. Se antes eu ocupava meu tempo com o quadribol agora parecia haver um enorme buraco em minha vida que eu preenchia simplesmente olhando em volta.
Em um borrão de cenas os dias se passaram e foram marcados pelos olhos cinzas de Lise que brilhavam mais quando próxima de Hugo, mas algo que eu pouco notara antes, muitas vezes perdia o brilho quando só. Era como se Lise não funcionasse bem quando sozinha, ela criava aos poucos uma estranha e perigosa dependência da presença dele, mas assim como a primavera se aproximava lá fora uma nova Heloíse chegava aos poucos. Aquele antigo brilho de perda que eu relacionava a saudade da mãe diminuia a cada dia e como uma flor ela desabrochava aos poucos encantando ainda mais todos que a cercavam.
Lembro que quando Lise e Hugo, que agora sempre pareciam juntos saiam pelo castelo Sara permanecia ao meu lado, com os seus olhos vagamente amarelos e seus muitos livros poeirentos. Muito tempo depois iria ainda me lembrar de seus sorrisos raros devido ao seu atual modo taciturno, de seu cheiro que era uma mistura estranha de café e chocolate e das inúmeras tardes que passamos em frente a lareira, simplesmente fazendo companhia uma a outra. Sara sempre ficaria em minha memória como a amiga protetora e durona, desejei que ela não fosse pra Rússia, assim como Lise dependia de Hugo passei a depender do ar sério de minha cunhada.
Talvez pela força do hábito de sempre manter um olho na mesma, outra presença que permeia a minha memória é a de Lana Prescott. Eu a observava de longe seus cabelos cada vez mais castanhos que loiros, sua pele cada vez mais pálida e seus olhos cada vez mais sem vida. Incontáveis foram os dias que a vi carregando pesados livros, estudando para os NIEM’s ela sempre andava só. Poucas foram as vezes e que nossos olhares se encontraram, e quando o fizeram eu sentia um arrepio perpassar minha coluna. Seus olhos pareciam cada vez mais vazios, conforme Heloíse desabrochava Lana morria, era como ver uma flor murchando aos poucos, não sentia mais inveja da cobra sonserina. Ao contrário, me peguei sentindo pena dela.
Se tudo isso não bastasse para fazer esses primeiros dois meses de Hogwarts os mais estranhos que já vivi algo ainda faria tudo virar de cabeça pra baixo, não sei bem quando começou. Só sei que pouco a pouco uma nova pessoa ganhava destaque em minha vida e mal eu podia imaginar o quanto isso transformaria tudo dali pra frente.
Notas finais
Certo pessoal, desculpe pela demora mas creio que a autora dará maiores explicações.
Mas e aé, é bem óbvio que demoramos mas não que dizer que desistiremos!
O que acharam do cap? Eu gostei bastante...
Todo mundo concorda com o Harry, afinal 40 aurores são nada mais do que o essencial para proteger a sua Lily, certo?kkkkkkkkkkkkkkkk
A LANA E O HUGO TERMINARAM!!!! Beta meio desnorteada apesar da autora já ter me adiantado que isto iria acontecer (viu, ser amiga da autora é pra quem pode não pra quem quer, não é gêmea?!)
Mas e o que vocês acharam disto tudo, e quem será q pessoa misteriosa q apareceu na vida da Lily, será a Lana ou outro alguém? (sim, só pra deixar vcs na curiosidade...)
Bjs da beta,
Milady Black
NA/ PROTEGO!
Certo agora que estou pretegida de eventuais azarações lançadas por leitoras furiosas posso falar.
EU VOLTEI, VOLTEI PARA FICAR, PORQUE AQUI É O MEU LUGAR!
Ok, momento brega passou, pessoal estou fazendo vestibulares de inverno então assim, tentem me entender, além disso estamos em uma parte muito delicada da fic e eu não quero fazer nada errado. Quero que no final de DLP todas vocês leitoras fiquem satisfeitas com as decisões das personagens.
Obrigada pelos reviews, sério se não fosse por isso já teria desistido então OBRIGADA, DEVO TUDO A VOCÊS LEITORAS QUE NÃO ME ABANDONAM!
Beijos
Loreline Potter
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